CAPÍTULO TRÊS
— Vou APENAS pegar uma tesoura do escritório de meu pai — disse Edward depois que fechou a porta.
Quando ele largou o cotovelo de Bella para seguir o corredor e entrar num quarto à direita; um pequeno tremor de alívio a percorreu.
Ver Edward Cullen atendendo a campainha tinha sido um choque. Ela esperara a mãe dele.
Mas lá estivera ele, enorme, e mais lindo do que nunca, muito mais lindo do que 18 meses atrás, quando o vira pela primeira vez. Não havia mais aquelas olheiras no rosto pálido ou aquela expressão melancólica.
Bella se sentira culpada por achá-lo tão atraente no funeral da esposa. O homem estava de luto na época, pelo amor de Deus, abalado pela morte trágica da linda mulher com quem se casara dois anos antes. Bella sabia, pela sra. Cullen, o quanto Edward tinha adorado sua linda Tanya.
Mas tudo que pudera pensar ao vê-lo naquele dia era como ele ficava magnífico de preto.
Olhara-o repetidamente durante o funeral. Até mesmo invejara a esposa falecida por ter conhecido o amor de um homem como aquele. Bella estava se sentindo solitária e vulnerável na ocasião, tendo perdido seu pai poucos meses antes.
Por diversas semanas depois, havia imaginado diferentes cenários românticos onde conheceria o viúvo bonito. Mas, estranhamente, nenhum deles envolvia Edward em casa, sozinho, enquanto ela levava flores para a mãe dele. Em nenhum cenário, também, antecipara o quanto se sentiria intimidada na presença dele.
Edward Cullen era intimidador. Mas ainda incrivelmente sexy.
Quando ele segurara seu braço minutos atrás, Bella se sentira quase paralisada pelo toque, e pela presença física controladora. Edward Cullen era um homem grande. Muito alto, de ombros largos, mãos grandes e dedos firmes.
E a deixava nervosa.
Quando ele não retornou depois de alguns minutos, Bella andou na ponta dos pés ao longo do tapete floral, até que pudesse ver o quarto onde ele entrara.
O escritório do pai, ele tinha falado.
A sala era muito masculina, com paredes almofadadas, cortinas de veludo marrons e grandes poltronas de couro. A mesa de madeira na qual Edward Cullen estava vasculhando era antiga e enorme, não combinando com o laptop muito moderno posicionado em um dos cantos.
O qual estava ligado e funcionando, ela notou.
Aquilo explicava a linha ocupada quando ela telefonara. Ele estivera trabalhando. A sra. Cullen dizia que o filho se tornara viciado em trabalho.
Mas o que ele estava fazendo lá, uma vez que a mãe tinha saído? E por que estava vestido numa bonita calça cinza e numa camisa azul social? Adicionasse gravata e paletó e estaria pronto para ir ao escritório.
Não muitos australianos se vestiam daquela forma numa tarde de sábado ensolarada. A maioria estaria de shorts.
Jacob certamente.
— Não deve demorar muito mais — disse ele, erguendo os olhos para ela. — Sei que a tesoura está nesta sala.
— Tudo bem — replicou Bella. — Fique à vontade.
Ele sorriu. Não um sorriso caloroso e contagiante que era a marca registrada de Jacob. Um sorriso bem mais contido.
Edward Cullen era totalmente diferente de Jacob.
É claro, vinha de um mundo distinto do mundo de Jacob. Um mundo mais culto, mais educado. E era muito mais velho. Mais de 35 anos, com certeza.
Bella franziu a testa com o pensamento. Normalmente, não olharia duas vezes para um homem daquela idade. Só tinha 26 anos. Todos os seus namorados haviam sido aproximadamente da mesma idade.
Jacob, o canalha, era exatamente da mesma idade que a sua. Os pensamentos de Bella se tornaram amargos, como sempre acontecia quando se lembrava dele. Seu único consolo era ter descoberto recentemente que não estivera apaixonada por ele. Tinha apenas sido enganada pelo charme falso de Jacob.
Um representante de vendas de uma companhia que fazia cartões baratos, ele a convencera a comprar uma grande quantidade depois de cinco minutos que tinha entrado na floricultura. Convencera-a a aceitá-lo na sua vida e na sua cama uma semana depois. Não que fosse tão bom na cama. Mas então, Bella também não era. Jacob insistira que ela era, é claro. Mas desde o fim do relacionamento deles, Bella havia chegado à triste conclusão que ele mentira sobre tudo, mas especialmente sobre isso.
Quase todos os homens eram mentirosos hoje em dia.
Mas não Edward Cullen, pensou ela enquanto ele tirava uma tesoura da última gaveta, a expressão de triunfo. Era um homem de honra. E profundo. De acordo com a mãe dele, Edward não olhava para outra mulher desde a morte da esposa. O que Bella não daria para ser amada do jeito que Tanya tinha sido.
— Pensei que eu nunca fosse achar a tesoura — disse ele quando se juntou a ela no hall. — A cozinha é por ali — acrescentou e segurou-lhe o cotovelo novamente.
Bella tremeu ao sentir mais um choque de eletricidade passar pelo seu braço, o mesmo que da primeira vez.
— É frio dentro destas casas antigas, não é? — comentou ele, interpretando erroneamente o tremor de Bella.
— Muito — concordou ela. Mas na verdade, de súbito, estava sentindo calor. — Sua mãe não comentou que você estava hospedado aqui. Por isso fiquei tão surpresa quando atendeu a porta.
— Só vim passar o fim de semana — explicou ele, conduzindo-a para uma cozinha grande e aconchegante, com piso escuro e muitas bancadas de madeira clara. — Eu não sabia que mamãe ia sair. Hmm, onde será que ela guarda os vasos? — Edward parou no meio da cozinha, então começou a abrir armários. — Por acaso você sabe?
Bella tentou ordenar que seu coração diminuísse o ritmo. Exercício inútil. Continuava batendo aceleradamente.
— Desculpe — disse ela com um sorriso tenso. — Eu já trouxe flores aqui antes, mas nunca entrei. Vou pôr estas em cima da pia, e ajudo você a procurar.
— Boa ideia.
Ela ainda estava enchendo a menor das duas pias de água quando Edward exclamou:
— Bingo! Muitos vasos aqui embaixo!
Fechando a torneira, Bella virou-se para vê-lo agachado diante de um dos armários baixos, o tecido da calça esticado contra o traseiro e as coxas. Os ombros e as costas eram muito largos.
Bella engoliu em seco. Aquilo era loucura. Nunca fora o tipo de garota que olhava com desejo para os corpos dos homens. Nunca se importara se seus ex-namorados tinham músculos ou não. Certa vez, havia respondido uma pesquisa numa revista feminina, perguntando qual era a primeira coisa que a atraía num homem. Bella colocara os olhos. Jacob tinha olhos castanhos brilhantes para combinar com seu sorriso charmoso.
A memória acabara de surgir em sua mente quando Edward Cullen virou a cabeça e dois olhos acinzentados frios se ergueram para os seus.
Um tremor estranhamente erótico a percorreu.
— Há vasos de diferentes tamanhos aqui — disse ele. — Qual você prefere?
— Aquele da direita — respondeu ela, e rezou para que não tivesse enrubescido quando ele lhe passou o vaso.
Arranjar as flores foi uma bênção. Ela podia se concentrar no que fazia melhor, e não olhá-lo enquanto ele fazia café. Não do tipo instantâneo. Do tipo coado. Infelizmente, ele acabou o trabalho primeiro, então se sentou em um dos bancos altos da cozinha para observá-la trabalhar. Sabia que provavelmente era sua imaginação superativa, mas Bella podia jurar que os olhos de Edward estavam mais nela do que nas flores.
— Você é realmente boa nisso — comentou ele.
— Este é o meu trabalho.
— Você sempre trabalhou com flores?
— A vida inteira. Meu pai era florista. Ele me treinou.
— Era?
— Ele morreu dois anos atrás. Um derrame.
— Sinto muito. Deve ter sido difícil para você e sua família.
— Minha mãe também é falecida — contou Bella. — Morreu quando eu era criança. Mas papai se casou novamente quando eu tinha 16 anos. Tenho uma madrasta e uma meia-irmã. Leah, que é dois anos mais nova que eu.
Bella conteve-se para não contar que as duas eram bruxas malvadas, especialmente Leah. Não queria parecer uma pessoa amarga. Mas tinha contado sua triste história para a mãe dele, quando ela fora à floricultura, logo depois que Jacob a dispensara.
— Quantos anos você tem? — perguntou Edward.
— O quê? Oh, tenho 26.
— Tão jovem. — E a entonação indicava que ele pensara que fosse mais velha.
A autoestima já baixa de Bella levou outro golpe. De repente, lágrimas inundaram seus olhos. Felizmente, não estava de frente para Edward, tendo a oportunidade de piscar e se recompor.
Mas o incidente colocara um fim em sua excitação por estar sozinha com Edward Cullen. Porque estivera excitada. Tinha pensado todo tipo de tolices, como talvez ele a estivesse olhando admirado e lhe fazendo perguntas por que se sentia atraído por ela.
Deus, era patética. Se e quando Edward Cullen começasse a namorar novamente, seria com uma mulher como a esposa dele. Uma mulher deslumbrante e sofisticada. Bella vira uma fotografia emoldurada de Tanya no funeral. A mulher era maravilhosa! E também inteligente, tendo sido agente literária, trabalhando para uma editora internacional, cuja matriz ficava em Nova York. A sra. Cullen tinha lhe contado tudo sobre a futura nora no dia anterior do casamento, quando fora à floricultura selecionar um arranjo de flores adequado para a mãe de um noivo.
Que interesse Edward Cullen poderia ter numa simples garota que fazia arranjos de flores para viver, tinha no máximo uma boa aparência, e nunca viajara para mais longe do que o litoral de Sidney?
