Agradecimentos a Dama Layla por comentar 3
Agradecimentos a Bella LSA por adicionar a história à sua biblioteca :)
A castanha acompanhou-o até King's Cross para vê-lo pegar o expresso para Hogwarts. Se despediram de forma bastante acalorada, por assim dizer, despertando a inveja de muitas das alunas de Sirius.
Isso havia se tornado comum, arrancar suspiros das alunas. Se sentiu como um jovem, de volta aos seus tempos de escola. Os N. O. M.s e N. I. E. M.s seriam aplicados em poucos dias, depois haveria a formatura dos septuanistas. Viu Lupin com Teddy nos braços e imaginou como se sentiria com um filho. Nunca havia pensado nisso, mas confessou que desde que propusera casamento a Hermione, constantemente a imaginava com um filho seu. Deles. A lei dizia que eles teriam um ano para anunciar a primeira gestação e mais um para a segunda. Só pensava que uma hora iria ter de parar de se negar a ela.
Assim que entrou na cabine com o amigo, viu Hermione e Tonks acenarem, a última mais fervorosamente.
"O ano escolar está acabando, retornaremos em setembro. É como nos velhos tempos", Lupin riu.
"Sim", Sirius se limitou a responder.
"Algo errado? Com você e Hermione?", não pode deixar de perguntar.
"Eu sei que não devo toma-la por uma menina, mas não consigo. É jovem demais para perder o seu tempo comigo", ele disse melancólico.
Lupin sabia bem desses medos, foram os mesmos que sentiu quando começou a se relacionar com Tonks. Mas depois que realmente a viu como mulher, não pode deixar de pensar que poderia ser feliz ao lado dela. E Teddy era a prova disso.
"Talvez ela já esteja pronta para os próximos passos, tente pensar nisso. A guerra amadureceu todos eles, as perdas os fizeram assim".
Hermione não parecia uma criança. Era uma adulta, conversava e se expressava como tal. Tinha um bom cargo no Departamento de Controle de Criaturas Mágicas, havia fundado a F. A. L. E., Sirius sorria com isso, eram pequenas coisas que a faziam ser interessante aos olhos dele.
Quando chegaram em Hogsmeade, Hagrid os estava esperando com uma surpresa.
"Professor Lupin, professor Black", ele acenou amigavelmente. "Professor Black, tenho algo a devolver ao senhor, por favor", o meio gigante pediu para que ele o o seguisse até o grande pátio da estação. "Estava na hora de devolver".
Era a motocicleta que tinha quando jovem. Não pode deixar de sentir nostalgia ao ver o veículo. Estava limpa e um dos retrovisores estava consertado.
"Não precisava devolver, Hagrid", o homem falou calmamente.
"Sirius, é sua, sempre foi", ele dia enquanto dava as chaves para ele. "Aproveite com Hermione", ele piscou fazendo Sirius perder completamente o chão.
Gritou para Lupin e disse que não iriam ser puxados por Trestálios naquele dia. Subiram na motocicleta e Sirius deu partida, em poucos minutos já estavam sobrevoando Hogwarts. Logo na entrada do castelo, Minerva os aguardava com a expressão carrancuda.
"Sirius Black e Remo Lupin! Vocês podem ter sido os garotos levados quando estudaram aqui, mas agora são professores, ajam como tal. Professor Black, guarde sua motocicleta em algum lugar em que não cause acidentes. E o senhor, professor Lupin, Horácio o aguarda na sala de poções."
Lupin se retirou e os dois ficaram sozinhos. Ela ainda tinha os mesmo olhos tristes os quais se lembrava. Nesses meses como professor, ficou bastante amigo de Minerva, tendo-a como uma figura materna, quase.
"Soube que se casou com a senhorita Granger, parabéns. Apesar de sempre imaginar que ela se casaria com Ronald Weasley", ela falou indiferente a última parte.
"Sim, ela é a nova Senhora Black", ele sorriu tentando encobrir o desconforto na boca do estômago.
Quando soube que Ron estava tentando namorar Hermione, sabia que talvez fosse o certo a se deixar fazer. Eles tinham a mesma idade, os mesmos dilemas juvenis, estariam bem um com o outro. Mas depois ela disse a Ron que não gostava dele desse modo, que gostava de outro. Nesse dia o seu coração quase saltou do peito, sabia que se tratava dele. Porém, lutou contra o que sentia e a deixou livre, mesmo assim. Pelo menos até a Lei do Casamento surgir. E não iria deixá-la só por um capricho.
Sempre andava pela escola na sua forma de grande cão negro, ouvia de algumas alunas comentando sobre como ele ficava bonito a casa dia que passava. Sentia o seu ego inflar a cada comentário como esse, ainda era um maroto.
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Três semanas se passaram desde o casamento, infelizmente Sirius não conseguiu se desligar da escola devido aos exames finais e a formatura dos septuanistas. Hermione podia dizer que sentia a falta dele.
Não tinha muito com quem conversar no casarão Black e Monstro sempre a insultava, pelo menos até aquela noite. Sabia que só seria considerada a senhora da casa quando o elfo acatasse alguma ordem sua. Ele estava impossível e ela analisava um processo sobre contrabando de ovos de dragão da China. Ela gritou impaciente que ele se calasse. O elfo então o fez.
A casa era escondida, não estava na vista dos trouxas. Mas viu quando uma motocicleta buzinou na sua porta. Era Sirius na motocicleta que era de Hagrid.
Teve que ter bastante autocontrole para não pular no pescoço do marido assim que ele passou pela porta. Ele se vestia do modo trouxa e carregava um malão pesado. As férias finalmente haviam começado.
Ela ficou onde estava, sentada no chão de frente para a mesinha de centro. Um pouco indiferentes por quase não ter tido notícias e isso a irritou no começo.
Sirius conjurou um buquê de rosas amarelas antes de entrar na sala, seguindo-a. Descalçou os sapatos e andou até ela, sentando-se no sofá, milimétricamente na direção da castanha. Já passavam das oito da noite quando chegou.
Deixou as flores de lado e ainda receoso, pousou as mãos nos ombros da castanha. Ele começou a massagear levemente e não demorou muito para que ela largasse a pena que segurava e suspirasse longamente.
Ela queria se entregar a esse e mais muitos outros momentos de carinho, mas não podia deixar de ser dominada pelo medo de ser rejeitada novamente, como na que seria a noite de núpcias.
"Mimi?", ele perguntou quebrando o silêncio.
"Sim...", ela respondeu em meio a um suspiro.
"Onde gostaria de passar nossa lua de mel?", ele perguntou aproximando a sua boca do ouvido esquerdo dela.
Hermione tinha esquecido completamente disso. Tantos processos para analisar, tantos documentos a dar o parecer que tinha se esquecido de que não haviam tido uma lua de mel, como um casal normal devido as obrigações dele como professor.
"Portugal. É um país bonito, com uma história interessante", ela respondeu de olhos fechados, cedendo pouco a pouco às mãos dele.
"Não tem muitos bruxos em Portugal", ele falou em estranhamento.
"Por isso mesmo. Passaremos a lua de mel do modo trouxa", ela disse rindo.
"Hoteis trouxa, passeios trouxa. Mas você dirige o carro trouxa, andei sabendo que tem habilitação", ele disse maroto. Se levantou deixando-a confusa com isso.
Pediu que Monstro preparasse um jantar simples enquanto terminava de trabalhar. Notou a demora dele e estranhou. Subiu até o quarto do casal e a cama estava feita ainda. Ouviu o barulho do chuveiro e se sentiu tentada a se despir e ficar com ele, mas sabia que ele a negaria. Sentou na ponta da cama e o aguardou já com a sua tolha em mãos. Percebia que ele não se sentia à vontade para se trocar na frente dela, sempre saía do banheiro já vestido.
Ela nada disse quando ele saiu, apenas caminhou até o cômodo. Fechou a porta e sentiu um leve nó na garganta. Amar doía e tê-lo tão acessível e inacessível ao mesmo tempo era martirizante. Tinha certeza do que sentia por ele, principalmente depois da declaração que ele deu no casamento.
Deixou a água morna banhar o seu corpo de cima a baixo, me misturando a lágrimas teimosas que caíam. Terminou de lavar os cabelos ainda em leve choro. Se recompôs já de toalha, era Hermione Granger, a irritante sabe-tudo. Saiu do banheiro enrolada em uma toalha verde e notou que ele estava sentado no seu lado da cama, agarrado ao travesseiro dela. Corou ao vê-lo assim, sem a proteção da máscara que ele mesmo criou.
Pegou um pijama azul dos Baby Looney Tunes, uma camisa branca com um baby frajola e um short azul clarinho junto com a roupa íntima. Se vestiu silenciosamente para não ser notada. Pelo menos pensou que não fosse ser.
"Pedi para Monstro trazer o jantar aqui no quarto. Passei em uma locadora trouxa e peguei alguns filmes e vou trazer o aparelho de televisão para cá. Está chovendo e pensei em ficarmos aqui", ele disse sem se virar, colocando o travesseiro no lugar.
Ela apenas murmurou em concordância. Sirius havia notado que ela estava lá, ouviu os pés dela descalços trilhando um caminho quase imperceptível até. Se controlou muito para que não virasse e observasse o corpo dela. Como estava conseguindo lutar contra esse instinto, nem ele mesmo sabia.
Não demorou muito para que Monstro entrasse no quarto com um carrinho tipo os de hotel e o deixasse no quarto. Sirius conjurou a televisão e o aparelho VHS.
Primeiro ele colocou um filme infantil chamado Matilda. O balconista tinha dito que era lançamento. Riram e ela acabou por pousar a cabeça no ombro dele. Ao perceber o contato dela, não resistiu e entrelaçou seus dedos nos dela enquanto acenava com a varinha para que trocasse a fita. Comeram assistindo a um clássico trouxa chamado Carrie, a Estranha. Hermione disse que foi uma das melhores atuações de Sissy Spacek. A essa altura, ela já estava sentada entre as pernas dele, com o tronco apoiado no dele e ele dirigindo pequenos beijos em sua orelha, seu pescoço.
Não sabia se podia se acostumar com isso, com a acessibilidade e inacessibilidade dele ao mesmo tempo, mas apreciava esses pequenos momentos em que ele se deixava relaxar com ela.
Já passava da uma da madrugada quando colocaram o último filme. Ghost era um romance, o amor separado pela morte. Sirius já bocejava levemente e ela estava sentindo o peso do sono a invadir sem pedir permissão. Fechou os olhos durante alguns minutos e sentiu o toque carinhoso dos dedos dele em seu rosto, como se o desenhasse para lembrar de cada detalhe. Foi um esforço sobrehumano não sorrir com o contato dele. E ouviu atentamente tudo o que ele falou.
"Hermione... Tão jovem para estar em uma guerra, tão jovem para vencer uma guerra, tão jovem... Me perdoe se a fiz infeliz, me perdoe por não conseguir demonstrar o quanto é especial para mim. Velhos hábitos ainda estão cravados no meu peito. Tenha paciência", ele acarinhava o seu rosto como se soubesse que ela estava acordada.
Ele se mexeu na cama, deitando com ela ainda em cima de si. A virou delicadamente de lado, abraçando-a confortavelmente. Essa com certeza seria uma noite de sonhos bons.
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Levantaram às duas da tarde. Chovia intensamente em Londres e o clima estava tão agradável que preferiram não sair da cama cedo. Monstro levou café da manhã e como era sábado, assistiram as reprises de Lei e Ordem e Plantão Médico.
Depois que a chuva amenizou, saíram a pé até uma agência de viagens trouxa. Por onde passavam, algumas moças e até mulheres acompanhadas suspiravam ao ver Sirius, mas quando viam que alianças prateadas reluziam na mão esquerda de ambos, o sorriso morria e com certeza deviam pensar que ele era um aproveitador de meninas.
Assim que se casou com Hermione, recebeu do Ministério da Magia um documento de identidade trouxa para que andasse seguramente nos dois mundos.
Acabaram comprando um pacote de cinco dias em Portugal, com hotel e alguns passeios oferecidos por este.
"Nos casamos há três semanas, mas só agora tivemos tempo para lua de mel devido ao trabalho", ele dizia entusiasmado. Andaria de avião pela primeira vez. Claro que poderiam ir pelo modo bruxo, mas assim, com ele começando a fazer parte efetiva do mundo dela, era bem mais atrativo.
A passagem estava marcada para dali a cinco dias. Teriam bastante tempo para arrumar as coisas e deixar tudo em ordem antes de partirem.
