O encarei olhando nos olhos sentindo meu coração palpitar, parecia que ia sair do meu peito, senti meu rosto quente apenas com o seu olhar, e imaginei o que seu toque seria capaz de provocar em mim, mas cedo demais ele desviou o olhar para baixo.

Respirei fundo e desci do palco, sorrindo forçadamente para alguns homens que vinham me analisar, e rezei internamente para que eu passasse a noite com ele. Vi Jessi se aproximar e sorri para ela.

- Uau Violet! Adorei sua dança, me ensina depois? - ela disse em um tom baixo para que só eu a ouvisse.

- Claro. - respondi e agradeci mentalmente por ela desviar a atenção de alguns homens, esses olhares já estavam de deixando inquieta.

- Tanya me mandou te avisar que é pra você falar com ela. - Jessi falava e acariciava o paletó de um senhor com boca de botox. - Vou atender alguns clientes. - piscou pra mim, terminando a conversa.

Procurei Tanya com os olhos e me surpreendi com o que vi. Ela acariciava o meu olhos verdes, e me senti triste por um momento, mas logo tratei de afastar esse sentimento, afinal, ele não é nada meu. Quando ele passou pela porta, saindo do local, minha esperança de passar a noite com ele se espatifou. Lógico que ele não iria pagar para ficar comigo, aqui tem mulheres mil vezes mais lindas que eu. Caminhei até Tanya quando a vi sozinha.

- Tanya, gostaria de falar comigo? - perguntei quando me aproximei dela.

- Sim, vá para o Hot Room 5, o senhor Ellison vai estar te esperando e pagou uma hora e meia. - ela falou e me olhou com desdém. Assenti e quando estava me afastando dela, a ouvi murmurar um "o que ele viu nela?".

Subi as escadas e me deparei com um imenso corredor repleto de quartos, segui em direção ao quarto 5.

Quando abri a porta um arrepio passou pelo meu corpo e senti meu estômago embrulhar, o quarto não era muito grande, havia uma cama com lençóis vermelhos no meio, um frigobar ao lado e um relógio na mesa de cabeceira para marcar o tempo, no teto um grande espelho refletia toda a cama, nenhuma decoração nas paredes creme.

Respirei fundo e fiquei tentada a desistir de tudo, sair correndo e voltar para minha casa. Só escolhi essa situação, de vender o meu corpo, porque o dinheiro era em grande quantidade e mais fácil, tudo para ver minha família bem e feliz, esse tem sido meu mantra. Respirei novamente rezando para que isso fosse rápido. Fui em direção a cama e sentei na ponta, cruzando minhas pernas em uma pose sensual para esperar o senhor Ellison. Mal tive tempo de pensar e ele chega, me olhou com desejo e trancou a porta.

- Olá, bebê. Não falei que iria estreiar você? - dei uma risadinha e ele sorriu triunfante, se aproximando e tirando a camisa e os sapatos no caminho.

- É, parece que você tinha razão. - falei dando pequenos beijos em seu pescoço, sentindo a visão embaçada por conta das lágrimas que teimavam em querer cair e a garganta fechar, enquanto ele segurava meu quadril com força. Fechei os olhos com força por um momento, olhei para ele e o beijei tirando seu cinto, e rezei esperando isso acabar.

[...]

5:15 marcava o relógio quando cheguei em casa, estava exausta mais mentalmente do que fisicamente.

Joguei a bolsa no chão e corri em direção ao banheiro, eu tinha que tirar o cheiro daqueles homens e daquele lugar do meu corpo. A água quente fez contato com a minha pele e sorri aliviada, deixei escapar algumas lágrimas e soluços mudos de nojo por conta das últimas horas. Após o senhor Larry, apareceu um velho chamado Damian, ele tinha idade para ser o meu avô e ainda teve capacidade pra dizer coisas como "você parece minha neta" e"tem certeza que você não é menor de idade? Porque se for vou te adorar mais ainda", senti vontade de vomitar em cima dele.

Com um suspiro, resolvi sair do chuveiro quando meus dedos começaram a ficar enrrugados, coloquei um roupão e fui em direção a cozinha para pegar um copo de água. Olhei o telefone e franzi o cenho com a luz vermelha piscando avisando uma mensagem na secretária eletrônica, apertei para ouvir e fui até a geladeira.

Você tem uma nova mensagem deixada ontem às 23:37

"Hey Bells maninha, aqui é o Seth, será que você pode fazer um super favor pra mim? Eu tô precisando de 200 dólares pra comprar err...uns livros, tô precisando muito. Se você conseguir, e eu sei que vai conseguir essa grana, deposita até o final da semana, falou? Te amo muito mana, beijos."

Revirei os olhos para a mensagem do Seth, ele acha que eu sempre tenho dinheiro sobrando, mas se é para os estudos dele, acho que eu poderia deixar de comprar algumas coisas no mercado. "Adeus compra do mês" pensei comigo mesma.

Desde quando eu fiz 18 anos, comecei a trabalhar e ajudar meus pais com as contas, já que meu pai, Charlie, foi diagnosticado com câncer de pulmão no último estágio quando eu tinha 17 anos e me senti na obrigação de fazer tudo que eu pudesse por eles. Quando Seth passou em engenharia na Universidade de Chicago, há 1 ano, vim para Nova York para tentar um emprego melhor e ter mais condições de sustentar minha família. Porém, meu trabalho atual não é exatamente o que eu havia planejado.

Deixei o copo de água na pia e me joguei na cama, fechei as mãos em punhos quando eu lembrei do que teria que fazer mais tarde e tratei de relaxar. Imaginei o que o cara dos olhos verdes estaria fazendo agora, provavelmente dormindo com uma bela mulher, ou teria uma esposa perfeita, com filhos perfeitos em uma casa perfeita, senti meu coração se apertar com essa visão e não entendi o por que. Me repreendi em pensamentos, haveria muitos caras bonitos como ele indo e eu não podia reagir desse modo com todos, mas eu sentia que ele era diferente...

Então a campainha tocou e eu grunhi em resposta. Quem diabos poderia ser uma hora dessas?! Levantei e dei passos preguiçosos em direção à porta da sala. Dei uma olhada no olho mágico da porta e um leve sorriso brotou nos meus lábios.

- Alice... - falei quando abri a porta, me deparando com o projeto de pixel praticamente quicando na porta.

- Meu Deus! Que olheiras são essa, Bella? Credo, quase levei um susto. - Alice falou fazendo sua melhor cara de assustada. Sorri e a deixei entrar, ela estava com uma calça jeans clara, sandália de salto e uma camisa com manga longa incrivelmente colorida.

- Hm, será por que são quase 6 da manhã? - respondi um pouco confusa com seu entusiasmo.

- 6? Bella sua louca, são quase 8! - ela apontou seu celular rosa para mim que marcava 7:48, como o tempo passou tão rápido e eu nem percebi?

- Mas ainda é de manhã e eu estou com sono e cansada. - falei a seguindo em direção ao sofá, e aceitei o café do Starbucks que ela me entregava.

- E o que você fez pra ficar tão cansada assim? Não vai dizer que... - ela me lançou um olhar sapeca com um sorrisinho de lado. - Você pegou um cara? Oh meu Deus! Como ele é? Ele ainda tá aqui? - ri com sua euforia e em seguida quase gemi em frustração lembrando da noite passada.

- Não tem nenhum cara, Alice, por favor dá pra conter essa animação? - falei dando um gole generoso no café com leite. - E obrigada pelo café. - agradeci sentindo meu corpo ficar confortável em resposta ao café.

- Não foi nada, eu estou indo fazer uma entrevista na Rose's Boutique e pensei em te fazer uma visitinha. - ela disse com os olhos brilhando.

- Ah sim, está ansiosa? - perguntei.

- Sim! Você não sabe o quanto, finalmente poderei trabalhar com moda, imagina quantas coisas lindas vão ter por lá? - começou a falar e eu sabia que ia demorar pra terminar. - E a dona, a Rosalie, é simplesmente linda! Eu soube que ela vai abrir mais duas filiais e eu estou tão animada! - Alice me contava sobre essa tal loja com uma euforia e orgulho que parecia que já conhecia tudo há tempos.

- Fico muito feliz por você, Alice. - sorri verdadeiramente e a abracei. - Agora acho melhor você ir, se não é capaz de perder a entrevista. - falei brincando e ela praticamente pulou do sofá.

- Realmente vou indo, vamos sair a noite para comemorar? - falou sorrindo de orelha a orelha.

- Pra comemorar você não tem que ser contratada antes? - brinquei.

- Mas eu vou ser contratada, eu sei. - respondeu confiante, nos olhamos e rimos.

- Hoje não dá, além de ser terça-feira, tenho trabalho a noite. - falei sem pensar, Alice me olhou confusa e antes dela perguntar já fui falando. - Vai logo, depois nos falamos. Boa sorte. - nos despedimos e fechei a porta, com certeza ela iria me perguntar sobre isso depois.

Sem conseguir pensar mais em nada, fui para a cama de novo e respirei em alívio ao sentir o cobertor me envolvendo, eu só preciso de um bom descanso agora.

Pois a noite seria torturante novamente...