Quero agradecer à Blanxe novamente, não só pelos constantes reviews, como pela fic 6x2 que ela me escreveu de presente! Ela é uma fofa, fico muito feliz de ter tirado ela no AS!

Queria avisar também que este capítulo contém cenas de tortura, e uma cena implícita de estupro.

É isso aí, se gostarem, não custa mandar um review, né? Eu sei que tem gente lendo… Mas saber a opinião dos leitores seria muito bacana também!

- Akari

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CAPÍTULO 3

Duo foi arrastado da ala médica à sala no subsolo com um pano amarrado em seus olhos. Estava tonto demais para gravar o caminho, mas não sentiu nenhuma surpresa ao ser empurrado por uma escada estreita e escorregadia. Entre tropeços e escorregões, foi guiado até o centro do quarto por mãos fortes que ele sabia pertencerem a Treize Kushrenada. A cadeira pregada ao chão era sua velha conhecida. Kushrenada o empurrou contra ela, mas desta vez, seus braços permaneceram atrás de si, pressionados contra ela, mas não completamente presos.

A escuridão o deixava desconfortável. Ele não podia ver seu algoz com a venda, e isso o transformava numa espécie de medo abstrato. Kushrenada não queria ser um monstro desconhecido, entretanto. Ele era bem real. Seus dedos desfizeram o nó do pano e logo Duo piscou, tentando acostumar-se com o que podia ver.

O coronel não era uma visão agradável.

Ele era alto e tinha quase o dobro de seu tamanho, quando Duo estava sentado assim. Duo se lembrava de ter lido algo sobre isso quando estudara técnicas de intimidação, só que os livros estavam embaçados agora. Só havia Kushrenada ali, sua presença se derramando sobre a dele.

Engoliu em seco e deu um sorriso.

- Você sabe, eu fui treinado pra isso - ele disse, e viu o rosto do outro se contorcer com algo que Duo não sabia dizer se era raiva ou satisfação, mas tinha certeza de que não era bom.

- Então vai ser um jogo.

Duo ficou quieto enquanto ele explicava as regras.

- Você vai tentar ficar calado, e eu vou tentar fazer você falar. Se você falar, eu venço.

- E, ah, se eu não falar? - Duo ergueu uma sobrancelha. Dessa vez, Kushrenada realmente sorriu.

- Eu não acho que vamos ter que enfrentar essa oportunidade.

Kushrenada arrancou a cruz do pescoço de Duo. A faixa de couro que a prendia se arrebentou com um estalido, e o homem a atirou para o lado. Ela tilintou pelo chão até desaparecer entre as fendas de um escoadouro. Duo se encolheu por instinto, o que fez Kushrenada sorrir.

Não devia mostrar a ele o que o machucava, pensou. Kushrenada já sabia da cruz agora. Duo não entendia como, mas ele sabia. Não teve nem tempo de pensar naquela pequena derrota (é muito melhor perder uma batalha do que a guerra, Duo). Não demorou muito para que o coronel começasse.

Dessa vez, quando Treize Kushrenada o chutou, mandou-o para fora da cadeira.

Ele lembrava do livro agora, uma apostila nova em folha, com cheiro de tinta de impressão. As palavras sangravam para fora do papel, manchando os seus dedos. Quando Duo tentou se levantar, as sua pele estava colorida igual, grandes pingos escuros se espalhando pelo dorso das mãos. A apostila trazia várias fotos de pessoas mutiladas, e Duo achara um tanto engraçado a morbidez de se fazer um livro escolar assim, mas a bota de Treize o atingiu novamente, colocando-o de volta no chão, e ele subitamente entendeu que o livro era só a verdade.

Era incrível os feitos que o corpo conseguia. Sua visão ficou preta nos cantos, pontos luminosos explodiram atrás de suas pálpebras. Só que ele não estava nem perto de desmaiar, e o coronel sabia disso. Duo tinha certeza de que ele era bom o suficiente para não deixa-lo desmaiar.

O segredo do jogo era perder o foco. Duo pensou no livro, e ignorou os próximos golpes, mesmo quando a carne e a pele pareciam ceder, e ele achava que tinha virado só uma criatura feita de dor e nada mais.

Duo permaneceu quieto quando Kushrenada o levantou e o colocou na cadeira novamente. Ele parecia mais controlado agora, e Duo estudou o método como a dor se espalhava, da ponta dos calcanhares para o corpo todo. Seus sapatos já haviam sumido fazia tempo, e a cada golpe de cinto nas solas de seus pés, ele achava que ia desmaiar. O coronel não deixava. Duo olhava para os próprios pés e via como as bolhas brotavam e explodiam junto às marcas violentas que faziam dos seus pés vermelhos, roxos, pretos. Vez ou outra, o coronel parava e perguntava pra Duo qualquer coisa que Duo não ouvia, surdo demais pelas próprias batidas do coração. Ele precisava conta-las, porque se não ele poderia já ter morrido e não percebido. Quando ele não respondia, o coronel batia em suas bochechas e o fazia grunhir algo que nem ele mesmo entendia.

Duo acreditou novamente ter fechado os olhos, dormido, eventualmente (afinal, o coronel não o deixaria desmaiar, deixaria?), porque quando os abriu novamente, os golpes haviam parado e o coronel - Kushrenada, Duo se forçou a pensar, porque colocar uma hierarquia entre eles e se pensar como inferior certamente o mataria - parecia entediado. O suor escorria do seu rosto, e ele afastava o calor com um pano delicado. Duo se surpreendeu ao notar que o que molhava a sua própria camisa não era sangue, mas também grandes manchas de suor, que faziam o tecido grudar na pele e deixá-lo enlouquecido de sede.

Ele não olhou para os seus pés, dessa vez. Não os sentia, e era melhor assim.

O próximo passo do outro foi abrir o colarinho da sua camisa encardida. Kushrenada olhava pra ele como se perguntasse o porquê dele usar uma roupa de padre, mas provavelmente ele só estava compenetrado demais no seu trabalho e Duo estava imaginando coisas

Franzindo o cenho, ele levou os dedos ao cabelo sujo preso na trança. Duo conseguia agüentar os golpes de olhos fechados, sem mexer um músculo, mas só a irmã Helen podia tocar em sua trança. Só que ela estava morta e a culpa era daquele cara. Duo encolheu o corpo instintivamente, e Kushrenada agarrou-o pelo cabelo. O choque o fez arregalar os olhos e abrir a boca, em pânico.

- Duo… - ele cuspiu as palavras da boca. - Duo Maxwell.

Kushrenada olhou pra ele incrédulo, e os seus dedos brincaram mais uma vez com os fios castanhos enrolados na trança, como se perguntasse se ela era mesmo o seu ponto fraco.

- Eu nunca minto - Duo continuou apressado. Ele já estava perdido, e Treize Kushrenada sabia disso tão bem quanto ele. - Me larga.

Claro que Kushrenada não largou. A mão dele deslizou até o fim da trança e arrebentou o elástico que prendia seu cabelo. A força com que Duo cerrou os dentes foi tão grande quanto a que Kushrenada usou para bater nele. Ele fechou os olhos com força, tentando não gritar. Mais um tapa estalou na sua bochecha dolorida, e sua boca se encheu de sangue. Duo cuspiu sangue e saliva nos pés de Kushrenada, que retribuiu com um puxão firme em sua cabeça. Segurando-o, ele forçou Duo a manter os olhos abertos.

- Continue.

- Vai se foder.

Kushrenada devolveu o olhar, desapontado. Ele se afastou e desapareceu nas sombras da sala, o que fez Duo prender a respiração. Quando ele voltou, trazia uma tesoura nas mãos.

Duo devia ter falado qualquer coisa que não percebeu, porque Kushrenada virou-se pra ele e riu. O riso era alto e cortante, mas Duo não conseguiu desviar o olhar da tesoura. Ela era larga, enferrujada, e foi parar ao lado do seu pescoço.

Ele segurou a vontade de gritar.

Kushrenada usou a lâmina para desprender um segundo elástico, e Duo começou a falar.

- Seu filho da puta! - ele grunhiu entre dentes cerrados, recebendo uma reprimenda com o olhar. Kushrenada mantinha-o preso contra a cadeira empurrando-o com a sola do sapato em seu peito, e só falar doía. - Vai se foder, seu filho da puta escroto! Você matou ela, seu babaca!

Kushrenada permitiu que ele continuasse. Talvez ele não tivesse ficado tão contente assim, talvez ele tivesse notado que o que Duo falava não passava de xingamentos e uns pedaços de sua história. Duo sabia que era melhor falar qualquer coisa do que algo que realmente importasse, já que era impossível ficar sem falar nada. Por mais que ele não quisesse que Treize Kushrenada vencesse, ele precisava que ele soubesse do que ele havia feito com a irmã Helen e com Solo, precisava saber que ele o odiava.

Quando Duo se calou, Kushrenada não pareceu impressionado.

Preso à cadeira pelo peso sólido do outro, Duo respirava com dificuldade. Seu peito subia e descia em busca de ar e ele ofegava audivelmente, como um cachorro. Foi o coronel Kushrenada que fez a comparação, olhando para ele com desgosto. Duo não havia passado no teste. Com um gesto rápido, ele o segurou pelo cabelo e o cortou.

Um gemido escapou da boca de Duo quando os fios castanhos se espalharam pelo chão. O ar gelado da prisão açoitou o seu pescoço, fazendo-o se arrepiar, mas Kushrenada logo cobriu com a mão a pele exposta. Seus dedos eram surpreendentemente frios.

Uma mão pesada desceu sobre seu ombro exposto, e Duo achava que sabia o que vinha em seguida.

Duo pensou em sua cruz, descartada num escoadouro, e começou a rezar.

e mesmo quando me parecer estar perdido nas sombras da morte, não temerei, porque Vós sempre estais comigo, e não me deixareis enfrentar sozinho…

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Espero que tenham gostado do capítulo. Quero relembrar a existência do botãozinho roxo aí embaixo também, ein! Reviews fazer autores felizes =D