Capítulo 4: O Fim?

Agora, toda vez que conseguia se afastar de Kisame, espionava também a jovem Hyuuga. Seguia-a invisível pelos telhados, becos e ruelas. Seguia-a com os olhos, camuflava seus passos, transformava-se em típicos moradores locais. Espionava-a dentro de seu próprio clã, tomando todos os cuidados possíveis para não ser notado pela elite Hyuuga. Hinata era decidida, e sua timidez escondia em seu interior uma intensa força de vontade e uma forte insistência em cumprir as metas padrão que seu amado pai estipulava. Hiashi era extremamente rigoroso e rude. Cobrava de suas filhas o mesmo ou mais que Sargentos cobram de Recrutas. Era detestável, de todos os jeitos, mas Itachi não poderia fazer nada quanto a isso. O que ele fizesse para interferir, o mínimo que fizesse, seria notado pelo Líder Hyuuga. E aí, tudo se faria perdido para ele, todos os planos, todas as possibilidades de um destino menos cruel. Mas como ele desejava sentir o gosto daquele sangue esnobe... Ah, só o fogo poderia entendê-lo, nessa vontade de consumir a tudo. Itachi via pouco a pouco aquela linda e cheirosa flor desabrochar pouco a pouco, a cada desafio ficando mais forte e saindo da sombra do primo e do pai para traçar seu próprio destino no mundo dos grandes Shinobis.

Itachi viu sua aprovação na academia ninja, observou sua equipe se unir cada vez mais, observou seu progresso em todo o exame Chunin. Escondido, disfarçado como um dos ninjas examinadores. Observou sua luta com o primo e sentiu-se orgulhoso da menina que cada vez mais se tornava a mulher que almejava. Todo o corpo se desabrochava em flor, cada vez mais lindo, suave e perfumado, pedindo carícias de seu corpo rude e rígido. Cada vez mais sonhava com esse amor platônico. Que pele macia, que gestos singelos, que voz aveludada e cruelmente abafada quase sempre por sua timidez agressiva. Itachi se via apaixonado loucamente por alguém que poderia ser sua irmãzinha.

Itachi tinha assim, mudado de planos. Não o objetivo, sim a essência. Ansiava morrer por acabar com a dor que sentia no peito toda vez que via Hinata admitir a si mesma, entre quatro paredes, que era Naruto a quem amava. Esse moleque abusado não sabia a sorte que tinha. Sempre a ignorou, sempre a ignorar... O que esse idiota estaria pensando? Não sentia ele que aquela era a mais bela das shinobi? Que aquela era a única pura e bela o suficiente para fazer esquecer de todos os tormentos da vida? Que tipo de neblina cruzava o juízo daquele moleque estúpido? Itachi sentia o ódio crescer com o ciúme e o amor que tinha à Hinata. Mas, ele não precisava de mais ódio, então o deixou dissipar, transformando, mais uma vez no já havia virado sua especialidade, o desprezo.

Deixava-se então, quando havia de esperar o tempo passar para seu plano fluir naturalmente, acariciar junto aos cabelos negros e penteados de sua amada. Deixava a chuva banhar-lhe a alma e esfriar-lhe o corpo, quando a mesma lhe fazia excitado. E cada vez mais, o dia de seu juízo final se aproximava, Sasuke cada vez mais poderoso, já havia derrotado diversos inimigos, poderosos, sim... Inclusive o detestável e vil Orochimaru, a quem Itachi nunca teve grande apreço. Seu irmão crescia e ficava forte à medida que a existência de Itachi se tornava insuportável para o próprio. Em alguma hora próxima, Itachi sentia, teria de ser ultrapassado pelo irmão. E nesse momento, o plano se concretizaria com toda a glória que merecia ser cumprido. Como planejado, sempre. Nenhum imprevisto poderia mais abalar Itachi.

O dia chegara então, Itachi se via frente a frente com o irmão, contando-lhe todas as etapas do plano, sentia as lágrimas e o sangue escorrerem pelo seu corpo. As lágrimas escorriam por ele mesmo, por nunca ter dito o que sentia por Hinata para ninguém. O sangue escorria por Sasuke, por nunca ter dito ao irmão o quanto ele o amava e por todas as oportunidades que seu irmão perdeu. Seu irmão não lhe dava ouvidos. Ansiava por aquele momento como ele. Mas ansiava com o ódio que lhe ensurdecia e com a vingança que lhe cegava. Nesse momento, perguntava-se se iria encontrar-se com Hiyami do outro lado da vida. Estava nesse momento, enquanto fazia isso, preparando tudo o que tinha acumulado para o irmão, para ele fazer o que quisesse com o pagamento de culpa que Itachi sentia. Itachi se levantou, ergueu seu dedo, e com a ironia da frase que ele havia dito à Hiyami, entoou:

- Me desculpe irmãozinho... Não haverá uma próxima vez...

Sorria então, pela ironia que seu destino encerrava sobre ele mesmo. E via as luzes do mundo que ele conhecia se apagarem para ele, ao mesmo tempo que via as gloriosas trilhas de fogo e glória que eram traçadas nesse mesmo momento para as pessoas que ele amava. Tocava a testa de seu irmão com todo o carinho que acumulou por todos esses anos, e a vontade de abraçar o irmão infelizmente era menor do que as forças que impediam Itachi de fazê-lo. Desejava que Hinata seguisse seu caminho feliz, e que pelo menos um dia entendesse o motivo de seu castigo. Adormecia, como o shinobi que fora toda a vida, e entendia o que havia posto na herança de seu irmão. A flor, que sempre almejara, o símbolo de seu amor platônico, para que todos vissem e temessem, porém nunca compreendessem.

CONTINUA NO EPÍLOGO...