Lexa estava se sentindo cautelosamente otimista. Enquanto isso era clara existência de tensão e ódio entre as forças que ela tinha reunido, uma expedição de exploração gigante tinha sido lançada e mapearia um quarto da montanha no intervalo de um dia. Ela temia o que aconteceria se tivesse algum caso de nuvem ácida mas mesmo assim essa expedição tinha um grande potencial. Examinando o mapa ela planejou rotas para trazer comida de outros territórios para sustentar o exército massivo que ela tinha reunido. Lexa não olhou para cima quando ouviu Gustus entrar em sua tenda.
— Heda! - sua voz estava claramente alterada.
Ela olhou preocupada quando viu a tensão nele. — Fala Gustus, o que aconteceu?
— O acampamento Azgeda, está cheio, os guerreiros estão armados. Eles devem ter intenção de atacar. Nós devemos nos preparar.
Lexa se aprumou, tentando entender o que estava acontecendo. As forças de Azgeda não estariam se movendo assim sem uma ordem de sua general. E mesmo que Klark fosse claramente hostil não tinha parecido ser idiota. Se sua análise da general estivesse correta alguma coisa deveria ter acontecido com algum dos olheiros deles para ativar isso e o fato de que não tinha recebido uma mensagem sobre as atividades dos homens queria dizer que deveria ser um problema interno. Ela batucou seu dedo contra a bainha de sua adaga. Azgeda era famosa pelos seus assassinos, se o problema não tinha sido resolvido logo era porque a general estava planejando alguma coisa. Ainda assim, ela não fazia a mínima ideia e isso lhe frustrava. Azgeda não iria querer atacar de uma maneira tão óbvia quando cercados de três lados por uma força maior. Então era provável que a atividade aumentada não fosse um ataque. Poderia ser porque a general esperava que alguma das outras facções atacassem mas nesse caso deveria ter lhe informado do que estava acontecendo.
— Heda! Por favor, dê a ordem. - Gustus interrompeu seu raciocínio.
Lexa xingou internamente, ela não tinha tempo para descobrir o que estava acontecendo. — Toque as trombetas, traga os olheiros de volta. - ela olhou para o mapa onde todos os acampamentos guerreiros estavam localizados. — Descubra discretamente os números do acampamentos Ouskejon Kru e Ingranrona. - As Planícies e o Penhasco Azul sempre foram próximos da Nação do Gelo e se isso fosse de fato um ataque também estariam movimentados.
— Nós precisamos nos preparar para revidar um ataque. - Gustus protestou quando percebeu que ela não tinha dado nenhuma ordem relacionado ao acampamento deles.
Ela espalhou sua mão contra o mapa, encarando-o, tentando entender o que estava acontecendo. — Substitua nossos guardas pelos guerreiros mais experientes, dobre a guarda no estoque de comida, pasto e na tenda de médicos. Não aumente a guarda na fronteira do acampamento.
— Mas Heda!
— Não. Eu não farei o primeiro movimento no que poderia destruir essa coalizão e você não fará isso por mim. Você entendeu? - ela o encarou, desafiando-o a descordar dela mais uma vez.
Finalmente Gustus olhou para baixo. — Sha, Heda. - ele se virou e saiu para cumprir suas ordens.
Ela respirou aliviada por ele não a ter desafiado ainda mais. Andando para fora de sua tenda se encaminhou para de onde sabia que os olheiros estariam retornando, ela precisava de informação e precisava agora.
—
— Isso é insanidade Clarke! - Octavia estava andando de lá para cá na tenda da general. Ela estava cheia demais de emoções conflitantes e não sabia o que fazer.
— O que você me mandaria fazer então? - Clarke suspirou de onde ela estava sentada, ao lado do corpo de Atom.
— Só manda Burka ou Niles para cuidar dos filhos da puta que mataram Atom. Manda pro inferno essa comandante, só faça justiça. A Nia pelo menos já teria lidado com isso. - Octavia ignorou o claramente amedrontado guerreiro Trikru parado no canto.
Clarke se ergueu, soltando um rosnado intimidante que fez com que Octavia desejasse não ter exagerado. — Eu não sou a Nia e não vou deixar isso ir para debaixo dos panos. É o Atom, O. - Clarke soluçou no nome dele, ficando em silêncio.
— Eu sei! Por isso estou dizendo que deveríamos só matar as pessoas que fizeram isso. - suas mãos estavam fechadas com raiva e seus olhos brilhavam com lagrimas que não deixava cair.
— Eu quero eles executados apropriadamente, isso não vai acontecer novamente. Eu não só vou sentar aqui e deixar meu povo ser assassinado um por um. Juis drein Juis draun. - Clarke manteve suas mãos fechadas ao seu lado.
— Você está brincando de politica com a morte do Atom! Ele merece ser vingado! - Octavia falou entredentes. — Você sabe que a comandante nunca vai entregar os assassinos dele.
— Já chega O. Vai guardar a fronteira do acampamento.
Octavia estava vibrando de raiva mas ela tinha aprendido do jeito difícil a escutar quando Clarke lhe dava ordens, mesmo quando não gostava delas. Ela tinha acalmado só um pouco quando sentiu Clarke apertar seu ombro. Olhando para cima encontrou os olhos dela e podia ver o próprio luto ecoando nos olhos alheios.
— A morte do Atom não vai ser impune, eu juro. Confia em mim para cuidar disso. - a voz de Clarke foi controlada mas cheia de emoção. Octavia acenou, ela confiava em Clarke já que a loira tinha sido a única razão do porque eles sobreviveram tanto. Embora tivessem tempos que Octavia odiasse a pessoa que Clarke tinha sido forçada a se tornar para levar eles tão longe. Reagir calmamente para a morte de um de seus familiares era algo que O. esperava que nunca tivesse que fazer.
TRÊS ANOS E ONZE MESES ATRÁS
Jasper não tinha certeza se estava acordado ou dormindo. Ele só tinha certeza de estar acordado quando sentia mais da dor insistente ou suas costas sendo limpas. A agonia era o suficiente para lhe trazer para a lucidez momentaneamente. Seus sonhos e realidade eram tão parecidos, ambos frios e quentes, cheios com os ecos de gritos e toques gentis contra sua face. Então ele foi retirado seu estado constante de tremor monótono para uma agonia intensa que queimava através dele. Tentou fugir mas conseguia se sentir sendo segurado para baixo, lutando com todas as suas forças ele tentou fugir das chamas mas elas estavam lambendo suas costas. Finalmente o fogo foi retirado e ele foi deixado para chorar no chão de concreto.
Horas depois ele acordou pela primeira vez de seu limbo, seu corpo inteiro formava uma única e grande dor. Ele soltou um gemido que virou um grunhido quando seus músculos tentaram se mover.
— Ei, tá tudo bem. Você ta bem. - seus olhos arderam um pouco quando ele os abriu mas curvado sobre ele e lhe olhando estava Monty.
— Onty... - ele resmungou.
— Água. - Monty pediu e logo estava colocando gentilmente um pouco de água em sua garganta inflamada.
— Você vai ficar bem, nós cauterizamos suas costas. - Monty estava limpando o suor de sua testa.
Jasper murmurou em apreciação. Ele se sentia super quente e seus ossos doíam, tudo parecia pulsar junto com as batidas de seu coração. Começou a voltar a dormir enquanto escutava os leves sons de uma conversa entre Monty e uma garota. Parabéns por ele ter conseguido a garota.
— Ele está fervendo... água.
— Não tem mais nada... Eu... é tarde... demais... infecção.
— Alguém! Amigo... não... assistir... morrer.
— Eu prometo... melhor... não de novo.
DIAS ATUAIS
Clarke sabia que quem ela levasse com ela para a tenda da comandante diria muito. Olhou para sua equipe, precisava que fossem ameaçadores e destacassem que ela era muito mais do que capaz de cuidar do problema sem a aprovação ou ajuda da comandante. Por esse motivo tinha selecionado dois dos seus melhores assassinos, Niles e Burka para lhe acompanhar. Burka era séria e focada, seu comportamento seria racional e fácil de acompanhar, Niles era um flertador exagerado mas sabia quando precisava ser sério. Clarke levaria também Silas, o ajudante que lhe tinha sido designado quando virara general. Escolher levar Octavia era um risco, mas ela era uma das melhores guerreiras em seu exército, já Benny era o maior soldado nele e sua cabeça raspada com uma única faixa de cabelo despojada no meio era intimidante. Por fim, ela comandou que Keaton lhe acompanhasse, ele era bruto mas confiável e tinha estado em seu primeiro time de caça pauna e sabia que as roupas diriam isso facilmente.
Ela encarou sua equipe mais uma vez para verificar se estavam todos em ordem, estavam completamente armados, faces pintadas com a grossa tinta branca e vermelha de seu povo. Tris, a segunda Trikru estava parada desconfortavelmente ao lado deles, pouco convencida de que não lhe atacariam. Acenando para seus guerreiros, ela começou a se aproximar do acampamento Trikru e da tenda da comandante. Conforme ela andava a passos largos, mantinha sua cabeça de pé e seus soldados a observavam de várias posições. Clarke sentiu o peso da confiança deles nela e isso só fortaleceu sua determinação em ver a justiça ser feita de uma maneira que protegeria seu povo.
Ela encontrou os olhos de Raven e Monty conforme ia, eles estavam próximos um do outro com as mãos dadas em apoio. Ela teria levado os dois mas Monty não era intimidador o suficiente e Raven seria necessária no acampamento caso tudo desse muito errado. Charlotte estava esperando por eles na borda do campo, seus olhos estavam duros e frios conforme observava e só acenou para eles. Todos eles tinham mudado nesse tempo na terra mas de alguma maneira ver as mudanças nos olhos dos mais jovens tinha sido o mais difícil.
Se endurecendo caminhou confiantemente através das linhas de defesa de seu acampamento para o Trikru, podia sentir o alivio em Tris quando cruzaram a linha. Ao caminhar pelos guerreiros do acampamento rival podiam sentir os olhares sujos mas também o alarme que tentavam esconder. Burka e Niles estavam vestidos e armados como assassinos, ela não tinha dúvida que a comandante saberia da presença do time dentro de minutos.
— Os desgraçados das arvores estão assustadiços. - Keaton disso enquanto fazia uma carranca para os guardas enquanto eles passavam.
— Verdade. - Silas confirmou, olhando serando enquanto andava na esquerda de Clarke.
— Eles deveriam. - Octavia rosnou de seu local a direita de Clarke.
A general suspirou e se concentrou em se acalmar, isso era importante e ela não deixaria incidentes como a fronteira oriental acontecer novamente. Parado do lado de fora da tenda da comandante, ao lado de mais guardas do que da última vez que tinha estado ali, estava Gustus.
Ela parou na frente da tenda, encarando o homem, sabia que seus guerreiros ficariam quietos. Octavia era a mais provável a reagir mas já tinha perdido a cabeça quente que tivera um dia e gastava sua raiva nos fossos de combate depois ao invés de reagir no momento.
— Se você sequer pensar em ferir ela, vou cortar sua garganta. - ele ameaçou.
Ela observou-o, mas não tinha ido até ali para ser boazinha. Seu povo precisava dela para protegê-los e ser boa não faria isso. — Você vai tentar e vai morrer antes que sequer possa tirar sangue. Agora sai da minha frente, não vim para falar com você Gustus kom Trikru.
Ele pareceu sentir uma dor física quando saiu, permitindo que ela e sua equipe passassem. Parando na frente da comandante, não fez nenhuma reverência. — Heda. - ela levou em consideração que a comandante estava completamente ornamentada, inclusive tinta de guerra enquanto estava sentada em seu trono. O cômodo estava completo com guardas e conselheiros, Anya estava rígida em seu lugar atrás da comandante quando viu Tris.
— Klark, o que fez com que você trouxesse seus guerreiros perante a mim e trancasse seu acampamento? Diversos dos meus conselheiros me asseguram que você deve estar planejando trair a coalizão. Explique suas ações. - a voz e o olhar calmo da comandante lhe irritaram.
— Meus guerreiros Atom e Mozu foram atacas por três guerreiros Boudalan durante a expedição de patrulha. Eu exijo justiça. - Clarke permaneceu firme, observando a comandante.
— E nós deveríamos acreditar somente na sua palavra? - Indra falou de seu lugar atrás de Heda.
Clarke virou levemente seu corpo, fazendo menção para que Tris fosse para a frente. — Se você deseja confirmar a informação que dei então pergunte a um dos seus. - ela virou para ficar completamente de frente ao trono. — Mande quem você achar necessário para confirmar as penas das flechas no corpo do meu guerreiro e questionar a guerreira sobrevivente que também estava envolvida no ataque.
— Se você fala a verdade, então porque levou seu acampamento para a preparação de batalha. É claro que um único assassinato não exige preparação para guerra. - a comandante falou calmamente, sua face aparentemente neutra enquanto as de seus conselheiros mostravam emoções fortes.
— Meu primeiro trabalho com general foi na fronteira oriental do território Azgeda. Tenho certeza que apesar de sua inatividade deve estar ciente do conflito que só acabou quatro meses atrás. - Clarke viu a comandante se enrijecer no trono. Bom, ela deveria se sentir desconfortável. — Centenas de pessoas morreram e mesmo assim você não fez nada. Eu espero que você não seja tola o suficiente para acreditar que os nômades não possuíam apoio nenhum para conquistar um território próprio. Sozinhos eles nunca teriam conseguido causar tantas perdas para Azgeda. Aqueles Sankru, um clã extremamente aliado do seu estavam apoiando eles nessa empreitada, claro que isso é uma teoria. Mas não vou permitir meu povo ser morto e a morte deles trazer nada além de inatividade mais uma vez.
— Como ousa acusar Heda de tal traição! - Gustus rosnou, dando um passo a frente.
Clarke não se moveu, sentindo um prazer ao ao ver e sentir Octavia ir para entre ela e o homem, pausando a mão na bainha de sua espada. — Eu não acuso Heda de nada, mas ela deveria ser cuidadosa em implicar tais coisas.
— Klark kom Azgeda, você estar em minha presença implica muitas coisas. - a comandante pausou, vagando seus olhos entre a loira e sua equipe. — Você exige justiça para os seus mortos. O que você quer? Você deseja a cabeça de Bassiolo kom Boudalan ou talvez até a minha?
Clarke respirou cuidadosamente, mostrando apenas raiva e calma. Isso era critico, ela tinha passado diversos limites e tinha que tomar cuidado para não irritar demais a comandante. Isso seria tão desastroso quanto irritar de pouco. — Eu quero que os três assassinos cumpram a pena pelos seus crimes. A essa hora amanhã eu queimarei Atom com ou sem os corpos dos seus assassinos. Mas se for sem eles, então tomarei o sangue devido para mim. - ela gesticulou levemente para os dois assassinos parados ao lado dela. — Depois de ter tomado o sangue deles, retirarei meu exército e voltarei para Azgeda. - um silêncio mortal caiu sobre a tenda. Sair sem a permissão da Heda era traição e todo mundo sabia disso.
Finalmente a comandante falou. — Você cometeria traição pela morte de um único guerreiro? - genuína confusão podia ser notada através da voz dela.
— Eu cometeria traição para proteger meu povo e eu não posso proteger meu povo se nossos aliados são uma ameaça tanto quanto nossos inimigos. Ainda mais se eles podem nos esfaquear pelas costas. Se Nia precisar me executar quando eu voltar para Azgeda que seja. Não vou ficar quieta enquanto meu povo é assassinado por aliados. - Clarke podia se sentir suando por baixo de seu casaco. — O exército que ela mandaria para me substituir não seria o que eu jurei proteger e liderar com minhas melhores capacidades.
A comandante se ergueu e deu diversos passos até parar diretamente na frente de Clarke. A loira se xingou internamente sua altura quando descobriu que era um pouco mais baixa. — Muito bem, vou investigar essa situação. Se você fala a verdade e o evento aconteceu como disse, então terá seu sangue.
Clarke sentiu um pouco de alivio, ainda duvidada que a comandante lhe daria os três assassinos. Mas ainda assim ela talvez conseguisse o arqueiro e bem... Burka era muito boa em fazer mortes parecerem acidentais. Esse seria o ultimo membro de seu exercito que perderia para aliados nessa guerra. Ela curvou muito pouco sua cabeça antes de se virar e sair sem nenhuma palavra. Ou Heda lhe daria pelo menos um dos assassinos ou ela teria que ir para a frente e mudaria seus planos para a Nação do Gelo de maneira significativa para assegurar que o que tinha sacrificado não seria em vão.
TRÊS ANOS E NOVE MESES ATRÁS
Os vinte e três membros sobreviventes da queda da nave estavam parados em frente ao trono da Rainha de Gelo. Ela encarava todos eles de seu trono como se fossem insetos a serem esmagados. O corpo inteiro de Dax doía, sua mão esquerda era o que ele mais sentia já que suas unhas tinham sido arrancadas no dia anterior. Eles tinham sido trazidos perante a mulher que ordenou a tortura deles e agora ela só estava ali encarando as formas cheias de sujeira e manchas de sangue que eles eram. Ódio por ela queimava dentro dele mas ele engoliu, não era como se ele fosse forte para agir. Eles só estavam de pé graças a pura força de vontade. Finalmente a voz da tirana soou.
— Vocês tem sido meus convidados por três meses e graças as informações que nos deram seu povo já deve ter morrido na cela de metal do céu. - ela parecia ter satisfação nisso. — O que torna vocês os últimos de sua raça. Seria fácil o suficiente matar vocês e colocar um ponto final na existência triste de vocês. Mas alguns de meus conselheiros parecem achar que vocês mostraram força sobrevivendo tanto tempo em minhas masmorras. Então lhes darei uma escolha: jurem lealdade a mim e provem a força de vocês em meu exército até o fim do ano ou morram.
Dax chiou, se erguendo o máximo possível, encarando-a sem acreditar, ele preferiria morrer do que servir essa mulher. Ele notou os outros se mexendo com olhares raivosos, mas o que lhe surpreendeu foi a reação de Clarke. Não tinha passado três meses numa cela com ela por nada, a loira estava considerando a oferta da Rainha e Dax estava horrorizado com isso até realizar o porquê... Clarke faria tudo para mantê-los seguros.
Então, numa espécie de terror, observou ela caminhar lentamente com a cabeça erguida até estar na frente de seu grupo. Ela parecia estar analisando a mulher a frente deles para então se ajoelhar com sua cabeça abaixada. O grupo soltou diversos barulhos de surpresa quando perceberam o que ela tinha feito, pôde escutar Bellamy murmurar algo sobre sua irmã antes de também andar para a frente e se ajoelhar.
Virando-se viu a traição no rosto de Octavia, então ela pareceu ranger os dentes e também se moveu para frente. E ele entendeu, todos estavam sofrente e tentando sobreviver só rezando por uma chance mínima de esperança e ali estava ela. O custo porém era inaceitável.
Ele não conseguiria. Ele não podia jurar lealdade para essa mulher, ela tinha praticamente matado sua mãe que era a única pessoa sobrando na família dele, tinha torturado e matado todos que tinham descido com ele, não poderia deixar essa raiva ir e servir essa mulher mesmo que visse um a um do grupo se ajoelhando para ela... até que só restou ele de pé, parecendo cheio de conflitos. Mas então ele viu o rosto de Monty, o garoto era doce e cheio de perdão mas seu rosto era uma máscara de raiva. Finalmente ele entendeu e se ajoelhou, porque ele viveria outro dia e no futuro mataria a mulher naquele trono.
DIAS ATUAIS
Anya podia sentir a raiva radiando de Lexa e sabia que iria estourar quando viu Klark sair da tenda com os seus guerreiros. Ela já tinha visto sua antiga segunda brava o suficiente para saber que Lexa estava prestes a estourar. Se estivesse certa, as partes responsáveis por isso iriam receber a fúria completa da comandante. Sua segunda atual estava claramente aterrorizada, presa entre uma general brincando com os limiares da traição e uma comandante brava. Anya não podia culpá-la, olhou ao redor da tenda enquanto todos deixavam as informações que tinham sido recebidas assentar. Viu a raiva no rosto de Gustus assim como no muitos guardas mas tinha uma sensação de que eles não sabiam ainda o motivo da raiva de Lexa. Sem surpresa alguma Gustus foi o primeiro a falar e o primeiro a ser sacrificado para a ira de Lexa.
— Você não pode deixar ela te respeitar assim Heda!
— Já passamos do desrespeito. - Lexa caminhou para seu mapa, encarando-o enquanto pensava. Então se virou para um de seus guardas, Ryder se Anya não estivesse errada. — Vá e informe Bassilo kom Boudalan que ele deve se apresentar aqui imediatamente.
— Sha, Heda. - com isso o homem saiu da tenda.
Anya observou sua antiga segunda enfiar a adaga com força na mesa. — Gustus você é meu general e eu coloquei minha fé em você. Klark kom Azgeda não tem razões para confiar em mim e muitas para desconfiar. - os dentes de Lexa estavam tão cerrados de uma maneira que mostrava o quanto de sua raiva ela estava guardando. — Não vai acontecer nada referente ao comportamento dela.
Cuidadosamente e sabendo que Lexa estava aos poucos acalmando sua raiva para parecer calma para todos que não lhe conhecessem bem. Anya deu um passo em direção a Tris. — Reporte Tris.
Tris, com os membros ainda estranhos por causa do crescimento repentino da puberdade, se aprumou. — Eu acompanhei a General Klark como instruído junto com o segundo dela Brady na expedição de patrulha. Nós não encontramos nada em particular mas eles estavam tomando notas e anexando diversas plantas. Nós estávamos logo no oeste da curva do rio na nossa parte quando Brady escutou alguma coisa. Foi baixo mas tanto Clarke quanto eu escutamos da segunda vez, era um grito de ajuda. Brady e eu nos aproximamos da pessoa pedindo ajuda enquanto Clarke deu a volta no caso de uma armadilha.
— Você deixou que as forças de Azgeda protegessem sua retaguarda? - Anya se viu perguntando surpresa.
Tris assentiu. — Nós não sabíamos de que clã o pedido de ajuda era e fiquei preocupada de que se fosse um patrulheiro Trikru eles não intervissem. Achamos Mozu kom Azgeda, ela tinha sido ferida e estava no rio fazia um tempo e apontou para irmos até o companheiro caído que ela tinha escondido nos arbustos. Clarke confirmou a morte dele e insistiu que carregássemos o corpo dele conosco. Quando chegamos no acampamento Azeda ela ordenou que o campo fosse colocado em lockdown imediatamente, me mandou seguí-la enquanto estivéssemos dentro do acampamento. As flechas saindo de Atom, o guerreiro caído, nas minhas melhores habilidades de reconhecimento pareciam ser das forças Boudalan.
Tris respirou fundo por ter falado rapidamente. — De acordo com Mozu, eles interviram quando dois guerreiros Boudalan estavam sendo perseguidos por três Reapers. Durante a luta um terceiro guerreiro Boudalan que estava atirando nos reapers acertou Atom ao invés do alvo dele. Os guerreiros decidiram então que era melhor matar os patrulheiros Azgeda do que arriscar serem punidos por ferir um deles acidentalmente. Mozu foi clara que eles pareciam achar que Heda não ligava para a morte de guerreiros da Nação do Gelo. - ela olhou para seus pés, com medo de ter dito isso.
— Porra. - disse Anya, ela sabia que Indra, Gustus e Lexa nunca expressariam a realidade da situação então ela fez por ele. — Alguém te maltratou?
— Não, nunca fui ameaçada ou ferida de qualquer maneira. - Tris assegurou.
Lexa sentou em seu trono enquanto observava Tris com cuidado. — O quão importante era esse guerreiro Atom, que morreu?
Anya de repente sentiu terror quando juntou as peças que Lexa já tinha juntado. Afinal tinha sido ela que mencionara o guerreiro que acreditou ser o amante da general. Se essa suposição estivesse correta então eles estavam com sorte de que a general não tinha atacado as forças Boudalan diretamente.
— Eu não sei o posto dele no exército, mas Clarke estava obviamente triste com sua morte e quase chorou diversas vezes. Ela se referia à ele como seu irmão. - Tris pareceu triste. — Heda eu acho que ela quis dizer de sangue, ela ordenou que seu corpo fosse deitado em sua cama e ele era muito amado pelos outros guerreiros. Uma das guerreiras, acredito que seja próxima da general, exigiu que Clarke buscasse pelo sangue devido por causa da morte dele. Não estou certa da relação dela com Clarke mas a general é próxima e permite companheirismo com os guerreiros dela que nunca vi antes.
— Explique o que quis dizer com companheirismo. - Indra comandou.
— É só que... ela mostra carinho. A guerreira que estava com raiva por ela não buscar o sangue com as próprias mãos ao invés de exigir, Clarke permitiu o desrespeito e até confortou a guerreira.
Anya observou Lexa digerir as notícias. — Indra, leve Nyko e o filho dele com você. POde levar outros três guerreiros e vá para o acampamento Azgeda para confirmar o que a Tris reportou.
— É claro. - Indra deixou a tenda rapidamente.
Lexa pareceu se afundar mais ainda em seu trono. — Tris você está dispensada. Fique pronta para ser chamada de volta, seu testemunho pode ser necessário novamente. - ela olhou para Gustus por um momento antes de continuar. — Gustus leve uma equipe e veja pessoalmente se o local do ataque combina com a história de Azgeda.
— Sha, Heda. - ele se curvou levemente antes de sair.
Anya se aproximou da mesa e colocou duas canecas de vinho e deu uma para Lexa antes de arrastar uma cadeira para perto para que pudesse olhar para a comandante enquanto bebiam. Esperou pacientemente para Lexa começar a beber antes de falar. — Você sabia que juntar os exércitos dos clãs sem uma batalha imediata seria um risco.
Lexa estava brigando com alguma coisa interna. — Eu não intervi no problema do território oriental porque a Nia não pediu e porque esperei que em sua teimosia o filho dela lhe tirasse do trono.
— E ao invés disso o futuro regente de Azgeda que você esperava acabou morto e você tem uma futura regente que te odeia. - Anya bebeu de sua caneca enquanto pensava, estava tudo uma bagunça. — Era a responsabilidade de Nia pedir para você intervir e ela não fez isso por causa do orgulho dela.
Lexa bufou. — Mas Klark estava certa, eu sabia. Jurei proteger o povo da coalizão e falhei com o povo de Azgeda, não pela razão que a general acredita mas isso não muda minha falha.
Anya se inclinou para a frente, observando a autoincriminação crescendo nos olhos de sua amiga. — Você esperava que deixando o conflito para uma tirana, que não fez nada além de tentar desestabilizar a coalizão, acabasse com ela deposta. Nós duas sabemos que seria melhor para Azgeda ter um novo lider. - Anya odiava política, um traço que dividia com sua atual segunda. — Teria sido melhor para você ignorar os desejos da rainha e ter intervido, mas o que está feito está feito e como você diz os vivos estão famintos.
Lexa riu. — Uma vez uma professora sempre uma professora. - ela deu um longo gole do vinho em sua caneca. — Qual é o seu conselho para a situação atual então?
— Eu acho que se queremos que a guerra contra a montanha seja bem sucedida você precisa dessa general de Azgeda e não Quint. E se você não quer que as rixas entre os clãs gerem novos banhos de sangue tem que fazer de exemplo aqueles que desafiam a sua paz.
— Juis drein Juis draun então. - Lexa soou mais velha quando disse isso. — Fico feliz por você estar do meu lado nisso Anya.
A face de Anya ficou mais lece quando olhou para sua antiga segunda que tinha se tornado a maior Heda de todos. — Eu sempre estarei ao seu lado.
