N/A: Como eu vou explicar a Candace?... Imaginem uma mulher jovem, da altura do Ed (i.e. baixinha :D), de cabelos pretos pouco abaixo das orelhas, e olhos castanho-claros. Essa é a Candace que eu desenho, a célebre (?) Candy. Ela é muito fofa. OC, mas é a primeira que eu crio e chego a colocar numa fanfic em muitos anos. Com certeza vou usá-la mais vezes, e explicar de onde raios ela veio. u.u
O capítulo com o Hoho fica pra próxima, viu? Esse capítulo ia ser com ele, mas aí eu comecei a escrever sobre o Ed, emendou no Al e deu nisso aqui. o.o" (Será que sou só eu que escrevo assim? Deixando fluir? Não pode ser. Sempre dá certo, deve ser normal...)
Heh, esse aqui não é bem um drabble, mas deixa pra lá... xD E eu adoro o nome Johannes /o/
Leiam... e reviewem!
Capítulo: Boas Novas, ou Um Estranho no Ninho
Normalmente Edward não via desvantagem alguma em nunca ter aprendido a fumar. Francamente, sugar uma grande quantidade de substâncias tóxicas e malcheirosas, deixá-las passear dentro do pulmão e depois soltá-las pelo nariz não era lá sua idéia de diversão.
Ah, mas era em horas como aquela em que ele queria ser uma chaminé humana como o Havoc, ou sabe lá quem. Queria poder participar do ritual de comemoração com a penca de homens que de repente se havia amontoado em sua sala de estar.
Era um ritual tolo e simbólico; Ed não gostava de simbologias. Mas queria realmente ser capaz de se intoxicar como os outros, para celebrar a chegada do terceiro menino Elric da casa.
Explicação: pelas últimas horas, a meia dúzia de marmanjos tinha ficado à espera na sala, ouvindo bastante horrorizados os gritos da mulher que dava à luz lá dentro do quarto, mulher esta que estava cercada por um bando de outras (vindas a título de "ajuda", e cuja única ajuda mesmo fora gritar junto com ela). Alguns daqueles homens já haviam ouvido aqueles sons antes, talvez mais de uma vez, mas ninguém se acostumara a isso.
Um adolescente de no máximo quinze anos estava muito teso, branco como um fantasma, no canto do cômodo, refletindo se valia a pena fazer sua namorada passar por aquilo algum dia. Trauma pro resto da vida, podem apostar...
E, ao final do dia, uma das mulheres emergiu do quarto, muito pálida, mas sorridente, declarar que tinha nascido – e era um menino! Claro que não faltaram tapões nas costas do papai em questão, e em certo momento alguém começou a distribuir os charutos.
Ah, como Ed se sentiu deslocado, devido à sua condição de não-fumante!
Que fique claro: o "terceiro Elric da casa" era cria de Alphonse, não de Edward! Ele não tinha nada a ver com isso, era só expectador.
Talvez seja estranho pensar que o tímido e certinho irmão mais novo tenha composto família antes do atirado e beligerante irmão mais velho. Mas, por mais que Ed tivesse um relacionamento estável com Winry, eles não tinham ainda nem decidido juntar os trapinhos; Al, por sua vez, mal conheceu sua "alma gêmea", já foi fazendo planos para casar com ela, e lá estava ele: à breve idade de vinte e um anos, sendo pai.
E logo estava sendo conjurado por duas das mulheres para ir visitar a criança dentro do quarto. Winry apareceu na porta, a mais lívida de todas elas, tremendo e enxugando as mãos numa toalha já bem manchada de sangue, e fez sinal para Ed vir também.
'Você… é incrível,' murmurou ele, com um sorriso de lado a lado do rosto, plantando um beijo na testa da noiva apavorada.
'Não sei do que está falando,' sussurrou ela de volta, suando frio. 'Eu não sirvo pra isso. Mas não tinha um médico disponível nessa cidade maluca!' Ela suspirou fracamente. 'Congresso de Doutores uma pinóia. Eles estão é tirando férias.'
'E você salvou o dia outra vez,' acrescentou Ed, erguendo as sobrancelhas. Winry fechou a porta atrás de si, sorrindo ainda que trêmula.
Edward sentiu-se um estranho no ninho assim que virou de frente; lá estava Candace estirada na cama, uma colcha estendida sobre suas formas exaustas, um sorriso bobo e cansado no rosto. Umas sete ou oito mulheres assistiam, enternecidas, enquanto Al tentava desajeitadamente segurar um embrulho ensangüentado. O quarto inteiro tinha cheiro de sangue e suor e alegria incontida.
Ele não se atreveria a dizer tal coisa enquanto estivesse cercado de mulheres, que poderiam muito bem capá-lo ali mesmo se enfurecidas; mas aquela coisinha avermelhada e enrugada não era nem um pouco bonita. Pelo jeito seu irmão também era dessa opinião, pela cara estranha que ele tinha, mas podia ser também cara de pai assim que o filho nasce.
Ed não saberia, então não podia distinguir. Ah, a inveja.
'Não é lindo, Ed?' perguntou Winry, num tom pouco mais alto que um sussurro, pousando a cabeça no ombro dele.
'Sim,' mentiu ele, mas estava emocionado do mesmo jeito. 'Ei, Al, vocês já têm um nome pra ele?' perguntou para o irmão.
Al emergiu de seu transe e fitou o irmão, com os olhos mais brilhantes que o normal. 'Hein…? Ah, bem, eu tenho sugestões,' disse ele, devolvendo o bebê para Candace.
'Lembra? Se fosse menino, você escolhia o nome,' disse ela, virando ligeiramente de lado e deixando que o filho lhe achasse o seio. Ed resolveu encarar Alphonse, exclusivamente.
'Hmmm,' fez ele, olhando para os lados; todos os olhos do quarto eram para ele. Al nunca foi fã de platéias. 'Não sei decidir sobre pressão!' E as mulheres todas olharam para o teto, para as paredes, para a porta. Candace soltou uma risadinha.
'Desde que não seja Hohenheim ou Roy, eu permito qualquer nome, Al,' comentou Ed, ganhando uma cotovelada merecida de Winry.
Alphonse olhou outra vez para o bebê. 'Eu acho que ele tem cara de Johannes.'
'Pois eu acho que ele tem cara de Joelho,' sussurrou Ed para si mesmo, mas Winry escutou e acotovelou-o de novo. 'Ai, ai!'
'Johannes é lindo, Al!' disse ela, comovida. Várias das mulheres ao redor deles concordaram. Uma delas tinha o rosto vermelho de choro. 'Johannes Elric. Soa bem?'
'Como música,' murmurou Candace, os olhos quase se fechando, os braços ao redor do bebê.
'E vocês, mulheres, moças, senhoras,' Ed acrescentou, virando-se para a meia dúzia de visitantes ainda dentro do quarto, 'Acho melhor sairmos. Vamos deixar a família em paz.'
A maioria delas foi bastante compreensiva quanto ao seu pedido, e foram embora sem mais delongas; mas uma senhora, já bastante idosa e meio caduca, que por sinal não devia estar por ali num momento de tensão, resolveu que não abandonaria a cadeira em que estava sentada. Queria assistir ao resto do espetáculo, tinha pagado o preço (uma roupinha que ela tinha dado de presente, quem saberia que ela ia cobrar depois?) e queria ver até o fim.
'Eu tenho o dobro das idades de vocês dois somadas, vocês deviam me respeitar! Moleques!' guinchava ela, histericamente, bengalando-lhes a cabeça enquanto eles a carregavam para fora do quarto, com cadeira e tudo.
'Psicótica!' resmungou Ed, irritado, ele e Al entrando no quarto outra vez. 'Ei, Win… vamos embora também.'
'Sim,' concordou ela, sorrindo e se levantando.
Candace já estava dormindo a essas horas, mas Al pareceu espantado com o papo deles. Tirou os olhos da coisinha enrugada em cima da cama por um instante, e olhava para eles com as sobrancelhas juntas. Quase assustado.
'Do que estão falando? Ninguém mandou vocês irem embora!' protestou ele, saltando da cadeira. 'O que vocês acham que são, visitas?'
Edward e Winry, a porta já aberta pela metade, meio que não sabiam o que dizer. É que... Eles só iam…
'A gente só ia deixar vocês—' Winry começou a dizer, mas Al interrompeu.
'Sssh! Quietos! Voltem pra dentro e sentem!' Se eles não soubessem que Alphonse estava feliz até as orelhas, poderiam jurar que ele estava bravo com eles. No máximo, estava irritado. E ralhando com eles em voz baixa, para não acordar Candace. 'Muito me admira você, Winry,' continuou ele, quando os dois se acomodaram, mudos. 'Faz todo o trabalho e depois vai embora sem que eu sequer possa agradecer!'
'Ah, mas… eu sei que você tá agrad—'
'E você, Edward,' continuou ele, cortando-a outra vez, 'Ia fugir na hora mais feliz da vida do seu irmão e fingir que você não faz parte disso?'
'Na verdade, Al, isso é só entre vocês doi—'
'Cala a boca, tá bom? Não me faça bater em você.' Fazia tempo que nenhum dos dois via Al tão sério assim. Sentiam como se estivessem levando uma bronca de alguém muito mais velho, como um professor. Era desconcertante. 'Isso é entre a família inteira. E, se vocês não se lembram, vocês são parte da família! Idiotas,' acrescentou, só para se fazer entendido, e voltou para sua cadeira ao lado da cama, amuado.
'Bem, então…' Winry tentou outra vez, devagar para ver se Al não a interromperia outra vez. 'Então eu acho que é uma boa hora pra dar banho no Johannes. Me ajuda, Al?'
Impressionante, pensou Ed, como ela mudava de assunto de forma rápida e eficiente. Ela daria uma ótima dentista, ou talvez um carrasco; com um movimento rápido e certeiro, dava conta do recado…
'Não pense que vai fugir, Ed,' avisou Winry, já jogando uma chaleira vazia nas mãos dele. Ele olhou para a chaleira. Depois olhou para ela. '… É pra esquentar água, Einstein,' explicou ela, risonha, diante da expressão confusa dele.
'Ah, claro. Eu sabia disso,' murmurou ele, indo até a pia e enchendo a chaleira, enquanto Winry carregava um bebê e guiava um Alphonse muito desnorteado até o banheiro. A banheirinha os esperava.
'Sabe usar o fogão, não sabe?' perguntou ela, lá de dentro.
'Quem precisa de fogão?' retrucou ele, batendo as mãos uma vez e pousando-as na chaleira – seguiu-se um pequeno flash de luz e vapor saiu pelo bico na mesma hora.
Será que Al deixaria Ed ser o professor de alquimia do moleque? Ele já formava uma imagem de si mesmo, mostrando a uma miniatura de Alphonse como desenhar um círculo de transmutação… seria divertido, não?… Contanto que Winry não tivesse a brilhante idéia de incutir no menino as maluquices de maquinaria dela… e que Candy não inventasse de transformar o menino numa margarida do campo, como ela tinha feito com o próprio irmão…
Ah, Ed pensou, alegremente, enquanto levava a chaleira até o banheiro, Johannes não sabe o que o espera. Entrou na família mais interessante de todas.
