N/A: Woow, me empolguei nesse capítulo! Espero que gostem :)
4. And all I have to do is think of him
- Meio-dia.
Ino observou Gaara acenar uma última vez para a cliente que acabara de entrar, dar meia volta e sair da loja. Observou sua silhueta até perdê-la de vista.
Ela havia convidado-o para almoçar.
Ela havia convidado o Kazekage para almoçar!
Não acredito no que acabei de fazer, pensou, sentindo o coração bater mais forte. É verdade que a espirituosa Yamanaka Ino era acostumada a lidar com indivíduos do sexo oposto; desde a puberdade gostara de flertar, e com o tempo ficou realmente boa naquilo. Não se sentia constrangida em dar o primeiro passo e certa vez chegara a convidar um rapaz para um festival.
Mas, bem, aquilo era diferente. Primeiro porque aquele era o Kazekage, segundo porque era um assassino letal, terceiro porque era um Jinchuuriki e quarto porque... porque ele a intrigava. Mexia com ela de alguma forma. Despertava seu interesse, mais do que os outros rapazes.
Não ousaria dizer mais que Uchiha Sasuke, pois ainda sentia o coração doer um pouco ao lembrar-se dele. Porém ele era um traidor e fizera com que seus companheiros se ferissem. Chouji ficara em estado crítico e Shikamaru se sentira culpado pelo fracasso da missão. Naruto e Sakura agora carregavam uma sombra no olhar que antes não estava ali e até Kakashi havia perdido um pouco de seu sarcasmo habitual. Durante o tempo que passara desde então, Ino havia tentado se livrar daquele sentimento que, agora se dava conta, só lhe fizera mal. Havia feito com que brigasse com a melhor amiga – graças aos deuses haviam voltado a se falar – e com que fizesse papel de tola diante de toda a vila ao correr atrás de um garoto que obviamente não sentia nenhum interesse por ela.
Mas aquela dorzinha no coração persistia – diminuindo cada vez mais, de pouquinho em pouquinho, mas ainda existia. Porém achava que era normal; Sasuke fora sua primeira paixão e primeira decepção, afinal. Sempre se lembraria dele, seja com afeição ou mágoa, sendo ele um traidor ou não.
- Ahn... senhorita?
- Sim... desculpe-me. No que posso ajudá-la?
Por conta da chegada de Gaara os moradores estavam um tanto quanto afoitos. Todos queriam enfeitar um pouco suas lojas e as entradas de suas casas e a maioria optou por flores – ainda bem, de outra forma Ino enlouqueceria de ansiedade. A loja estava suficientemente movimentada e acabou fazendo com que as horas passassem rápido. Quando deu por si, já era quase 11 horas.
A kunoichi estava terminando de atender mais um cliente quando seu pai chegou.
- Olá, minha flor – Inoichi a cumprimentou, com um sorriso no rosto. Ele sempre a chamara assim e havia tempos Ino desistira de chamar-lhe a atenção quando o fazia em um lugar público ou na frente de estranhos. Mas você é minha flor e não há por que sentir vergonha disso, ele respondia, magoado. – Manhã agitada?
- Você sabe que sim – lançou-lhe um olhar de soslaio, desconfiada. – Por um acaso, você sabia que o Kazekage chegou à vila ontem? Todos querem comprar flores.
- Ei, isso é bom para o negócio, certo? Além disso, fazia algum tempo que você não ajudava na loja – respondeu, com um olhar acusador.
Ino cerrou os lábios. – Sim, que seja – murmurou, tirando o avental. – Pelo menos você está aqui agora. Tenho que falar com Tsunade-sama – continuou, enquanto rodeava o balcão e jogava o avental na direção do pai. – Cubra pra mim até a hora de fechar para o almoço, sim?
- Hã? Como assim? – Inoichi parecia ter sido pego de surpresa. – Pensei que você ia falar com ela depois do almoço.
- Surgiu um compromisso – ela não pôde evitar um sorriso.
- M-Mas... eu tinha... algo para fazer...
- Algo para fazer, sei. Você estava indo se encontrar com o Chouza-ojisan e com o Shikaku-ojisan para bater papo, não estava?
Inoichi teve a decência de parecer arrependido.
- Cubra pra mim até meio-dia e depois feche a loja para o almoço que eu não conto nada para a mamãe, fechado?
- Fechado.
Ino sorriu abertamente para o mais velho enquanto assistia-o pôr o avental, em derrota. Então, saiu da loja – não antes de ouvir a voz de seu pai dizer "se fizer algum comentário engraçadinho sobre um shinobi tão letal como eu vendendo flores, eu cobro o dobro do preço" para algum cliente desafortunado – e começou a caminhar em direção à Torre do Hokage.
Na metade do caminho, porém, ouviu vozes familiares.
- Essa é a única loja que vende roupas femininas dessa vila?
- É a única que eu conheço.
- Tch. Francamente, que guia mais imprestável você é.
Um pesado suspiro. – Tão problemática.
A loira procurou pelos passantes e localizou um de seus companheiros de time acompanhado de outra loira, que levava um gigante leque preso às costas.
- Oi! Shiiikaaaaamaaaaaaaruuuuuuuuu! – Ino chamou, balançando uma das mãos no ar enquanto andava na direção deles, atraindo a atenção da maior parte das pessoas que estavam por ali.
Shikamaru fechou ainda mais o semblante. Ele odiava quando ela fazia isso, e ela sabia. Ah, a arte de pentelhar os amigos! É tão divertido.
- Se já não bastasse uma... – ela ouviu o amigo murmurar quando finalmente conseguiu alcançá-los. – O que você está fazendo aqui? Pensei que tinha o turno da manhã na loja.
- Saí um pouco mais cedo. Tenho que falar com a Tsunade-sama – olhou para a acompanhante dele. – Temari-san, não é?
- Sim. Você deve ser a Ino – ela sorriu de leve.
- Eu mesma! – retribuiu o sorriso. – Fazendo um tour por Konoha?
- Hm, na verdade não. Estava precisando de algumas roupas, mas o guia – e aqui a palavra foi dita cheia de sarcasmo – que me arranjaram parece não saber muito sobre a própria vila.
- E porque diabos eu saberia sobre lojas de roupas de mulher?
- Nara Shikamaru! – Ino colocou as mãos na cintura, com o cenho franzido em sinal de censura. – Isso é coisa que se fale na frente da irmã do Kazekage?
O moreno olhou para o outro lado, emburrado.
- Não se preocupe, Ino-san. A falta de modos dele não me atinge.
A outra kunoichi cruzou os braços, mas não pôde deixar de se sentir um pouco irritada com o companheiro. Será que nem disposição para ser simpático ele tinha? Francamente!
- Bem, se o seu problema for esse, eu posso ajudar.
Ino não perdeu o revirar de olhos zombeteiro do Nara, mas resolveu ignorá-lo. E daí se ela gostava de fazer compras? Era algo absolutamente normal para a idade dela.
Bem, talvez não seja normal fazer compras tão frequentemente quanto eu, sua consciência rebateu, mas ela resolveu ignorá-la. Era quase uma mulher feita e ganhava o próprio dinheiro; porque não poderia ter a autonomia sobre como o gastaria?
- Ah, finalmente alguém útil – Temari soltou um suspiro de alívio um tanto quanto exagerado. – Por favor, eu ficaria imensamente grata.
Shikamaru ficou quieto enquanto Ino explicava a localização de mais duas lojas de roupas que, segundo ela, eram as melhores de Konoha. Temari pareceu verdadeiramente grata pela ajuda e despediu-se amigavelmente de Ino, que já havia recomeçado sua jornada para o escritório da Hokage, mas antes que ela se afastasse mais, ele finalmente resolveu falar.
- Churrasco mais tarde com o restante do time? – perguntou, naquele tom manso característico dele.
- Hãn, hoje não. Quem sabe outro dia? – ela respondeu, lançando-lhe um sorriso culpado. Não gostava de faltar aos encontros do Time 10, mas o almoço com Gaara era algo que ela não queria perder, e quantas oportunidades ela teria de almoçar com o Kazekage? Nem sabia quantos dias ficaria na vila.
Shikamaru ergueu uma das sobrancelhas, surpreso. Pareceu que ele ia falar mais alguma coisa, mas Ino virou-se e apressou o passo. Não queria dizer que tinha planos com Sabaku no Gaara – principalmente na frente de sua irmã. Além do mais, o amigo sempre reprovara seus flertes e encontros. Era um dos motivos da maioria de suas discussões. Mas quando o rapaz mostrava ser mais um idiota que só queria tirar proveito dela, Shikamaru sempre estava lá para consolá-la.
Não que o almoço com Gaara fosse um encontro, mas ela sabia que a reação do amigo seria a mesma e não tinha certeza se o ruivo gostaria se ela acabasse levando seu time sem avisar; afinal, ele parecia ser extremamente reservado e o fato de ter iniciado uma conversa com Ino e ainda por cima aceitado o seu convite para levá-lo ao Ichiraku era algo próximo a um milagre.
Uma pontada forte de culpa apertou-lhe o peito. Não gostava de esconder nem evitar seus companheiros, mas não é como se tivesse muitas opções naquela situação. Ele só iria comprimir os lábios daquele jeito reprovador e encará-la com a cara fechada, e, como ela odiava quando ele a olhava daquela maneira, iria começar uma discussão, com certeza, e Ino simplesmente não queria brigas naquele dia.
Perdida nesses pensamentos culpados, ela mal notou que já havia chegado ao seu destino. Cumprimentou os jounins que estavam por ali e rapidamente estava na frente da porta do escritório da Quinta Hokage. Bateu.
Foi Shizune quem abriu a porta.
- Ino! Pensei que só viria mais tarde – comentou, surpresa, a mais velha, enquanto abria espaço para que a loira entrasse no aposento.
- Hm, sim, surgiu um compromisso. Espero não estar atrapalhando...
- Não, não, quanto mais cedo melhor – veio a voz de Tsunade por trás de uma pilha de livros. Ino franziu o cenho. – Argh, Shizune, já falei pra tirar isso daqui de cima.
A morena correu até a mesa da Hokage e retirou os livros de lá, depositando-os no chão. A mais nova aproveitou a deixa para aproximar-se e começar a relatar sobre os ferimentos com que Hyuuga Neji aparecera no dia anterior. Normalmente, os shinobis enviavam as informações dos ferimentos obtidos em uma missão juntamente com o relatório, mas era de Neji que elas estavam falando, e ele sempre omitia a gravidade dos seus. Já era costume um médico ir diretamente à Tsunade para realmente descrever quão ferido o jounin voltara de alguma missão.
- Tch. Ele não havia mencionado nada sobre este corte profundo na panturrilha. Quantos pontos ele teve que levar?
- Quinze, Tsunade-sama.
- Quinze! – a outra exclamou – Francamente. E no relatório ele disse que estaria pronto para outra missão em alguns dias...
- Vai levar mais do que alguns dias para ele se recuperar dessa – Ino concordou.
- Francamente! – repetiu Tsunade – Esse garoto Hyuuga é sério demais, centrado demais... aposto que nunca nem tomou saquê! Preciso me lembrar de levá-lo para um bar qualquer dia desses – ela pareceu pensativa por alguns segundos. – É, pode ser uma boa ideia...
- Não, Tsunade-sama, não é uma boa ideia – interveio Shizune.
- Tch. Que seja. Ino foi bom você ter vindo mais cedo. Sakura partiu numa missão ontem à tarde, creio que você saiba – a chuunin concordou com a cabeça, ainda impressionada em como a Hokage conseguia mudar de assunto tão rapidamente. – E o Kazekage chegou ontem, pouco depois da partida dela. Creio que esteja ciente disto, também? – outro aceno com a cabeça – Ótimo. Quero que você vá até o hospital, por volta das duas da tarde, avise a todos que Gaara-kun irá aparecer por lá às três e meia e os ajude no que eles precisarem. Desculpe, sei que você não gosta muito desse trabalho administrativo, mas Sakura não está e Shizune irá me acompanhar a tarde inteira, então faça isso por mim, sim?
- Claro, Tsunade-sama. Como quiser.
- Obrigada. Está dispensada.
- Com licença – Ino curvou respeitosamente a cabeça para Tsunade e depois para Shizune, então saiu do escritório.
Após fechar a porta, finalmente esboçou o sorriso que tentava escapar de seus lábios desde que recebera aquela pequena missão da Hokage. Não era só o fato de Tsunade ter-lhe confiado àquela tarefa, mas também a perspectiva de poder encontrar-se com Gaara duas vezes no mesmo dia.
Bem, três se ela contar a entrada inesperada dele na floricultura.
Que seja.
Começou a dirigir-se para a saída, calmamente, pensando no porquê de estar tão contente com isso. Era verdade que o novo Gaara a havia surpreendido e a cativado, de certa forma. O modo tímido com que ele ria, como se não estivesse habituado, deixava-a um tanto quanto triste. E ao ouvi-lo admitir que gostaria que Naruto já estivesse de volta, Ino tomou para si a missão de entretê-lo enquanto ele estivesse em Konoha. Fazer com que ele sorrisse mais.
Ela quase podia ouvir a voz brincalhona de Chouji:
- Às vezes você parece uma mãe.
Ok, então ela podia se preocupar um pouco demais com as pessoas ao seu redor e frequentemente se metia em assuntos que não eram de sua conta; mas não conseguia esquecer o brilho gentil dos olhos do ruivo. Alguém com aquele olhar deveria ser capaz de sorrir mais vezes.
Decidida, ela apressou um pouco o passo; não tinha ideia de que horas eram e odiava deixar os outros esperando.
Porém, como que atraído por seus pensamentos, a voz do Kazekage chegou-lhe aos ouvidos:
- Ino?
