Acordei no meio da noite. Ohei o teto escuro por um tempo, me sentia perdida.
Eu sabia que essa era nossa ultima noite em Portland e eu senti, derrepente, medo. Medo de.. sei lá, de não vê-lo mais.
É, agora não tinha nem como tentar evitar, já não tinha mais volta, eu havia realmente me apaixonado como se fosse uma adolescente ao invés de uma mulher de trinta e dois anos. Droga.
Me levantei da cama e olhei o relogio. Onze e meia.. Eu só tinha dormido meia hora. Meia hora.. Todo mundo tinha saido para comemorar, menos eu e Peter, será que ele estava acordado?
Não, eu não ia ter coragem de ir lá bater na porta dele só porque eu não quero ficar sozinha. Certo? Eu podia pedir alguma coisa, mas o que?
Não.. Eu não vou lá.
minutos depois..
- Oi. - Ele abriu a porta.
- Peter.. eu queria saber se você tem um cobertor pra me emprestar, porque eu estou morrendo de frio. - Ele sorriu.
- Entra, eu vou pegar. - Entrei e ele foi para o quarto. Ele voltou com um cobertor e me entregou. - Está com sono?
- Não, nem um pouco.
- Imaginei. Porque você não fica aqui e assisti o filme comigo? - SIM, SIM, SIM.
- Hm... pode ser. - respondi tentando conter meu entusiasmo.
Ele arrumou o dvd e nós sentamos no sofá com a pipoca que ele tinha feito, um cobertor sobre nós e a luz apagada. Ai me Deus. Peguei a capa do dvd e olhei o nome: the bridges of madison county.
O filme começou e nós ficamos em silêncio. O começo não tinha nada de importante, mas quando começa o romance entre os dois atores principais, eu comecei a ficar tensa. Eu podia sentir uma corrente eletrica passando por todo o meu corpo e me apertando o estomago, me perguntei se Peter sentia o mesmo.
A cena do sonho não saia da minha mente.
Não houve uma palavra durante o filme inteiro e eu não tinha coragem de olhar para ele para saber se ele estava prestando atenção no filme ou não.
Quando ele se mexeu para se arrumar no sofá, sua mão roçou meu joelho e eu pensei que meu coração ia sair correndo de dentro de mim e novamente eu me perguntei se ele havia percebido.
O filme acabou e finalmente eu tive coragem de olhar para ele e descobri que Peter dormia profundamente. O olhei por um segundo.
Eu não queria ir embora, mas.. Eu não podia ficar.. Ou podia?
Abusando - e muito - da minha sorte, eu deitei a cabeça no encosto do sofá, meu rosto proximo ao dele, podia sentir sua respiração calma. Tão calma que eu acabei adormecendo também.
PDV Peter.
Eu acordei e tomei um susto. Elizabeth estava dormindo encostada no meu peito e eu tinha os braços ao seu redor, nós estavamos no sofá do meu quarto.
Lembrei-me da noite passada. Elizabeth veio me pedir um cobertor, eu perguntei se ela não queria assistir um filme comigo, aceitou. Só que eu dormi antes do fim e ela deve ter dormindo também.. E eu, devo ter passado os braços ao redor dela sem perceber. Como eu iria sair sem ela acordar?
Comecei a puxar meus braços devagar, mas então ela se mexeu, abrindo os olhos. Quando ela se deu conta da situação ela pulou para fora de meus braços. Não posso negar que eu me senti rejeitado.
- Peter.. Desculpa, eu..
- Ah, não tem do que se desculpar.. Nós dormimos e.. - Ela mordeu o labio e começou a se levantar.
- Eu vou.. Eu vou embora. Tenho que me arrumar, meu vôo sai meio dia.
- Ainda é.. - Olhei o relógio. - Oito e meia.
- Bom.. Eu tenho algumas coisas para arrumar.. Enfim, até, Peter. - Ela saiu e eu fiquei encarando a porta.
O perfume dela ainda estava em minha camiseta e no cobertor, eu não podia negar que era maravilhoso.
PDV Elizabeth
Oh, meu Deus. Essa foi, com certeza, a situação mais embaraçosa da minha vida.
Mas.. Ai.. Eu acordei em seus braços.. Ele parecia não se importar de ter acordado abraçado comigo. Por que você faz isso comigo Peter?
O perfume dele estava na minha blusa. Era tão bom e eu sou uma louca por ter deitado com ele naquele sofá. Com que cara eu vou olhar pra ele agora?
Resolvi ir tomar banho e depois desci para o restaurante do hotel, pensando em tomar café da manhã.
Sentei em uma mesa no canto e pedi um café puro e croissant de queijo. Então eu vejo Peter vindo em minha direção com um sorriso maravilhoso.
- Posso sentar? - Ele perguntou.
- Claro. - Sorri, um pouco sem graça.
- Liz.. Sobre hoje de manhã.. Desc..
- Não, por favor, não se desculpe. Eu não deveria nem ter ficado para assistir o filme, quanto mais dormido. - Falei desviando o olhar.
- Mas eu gostei de assistir o filme com você. - O olhei e ele sustentou meu olhar por um segundo. - Foi melhor do que assistir sozinho.. Então, o que você pediu?
- Hm, café e croissant.
- Garçom!
Nós tomamos café e depois fomos para o aeroporto juntos. Nossos vôos iam sair quase ao mesmo tempo, mas ele iria para Los Angeles e eu iria para Michigan, passar um tempo com minha mãe.
Ele me deu um abraço apertado antes de ir para a sala de embarque e eu fiquei meio perdida, mal podia acreditar que ia passar tanto tempo sem vê-lo, já estava acostumada a passar tanto tempo com ele, conversar, sair junto, mesmo que tivesse o resto do elenco.
Falando em resto do elenco, a Nikki vai querer me matar, porque eu tinha prometido que ia falar com ela antes de ir, mas, com toda a confusão, eu acabei esquecendo. No fim eu duvidava que iria conseguir acorda-la, ela tinha ido dormir tarde. Quando eu chegasse em casa, ligaria.
PDV Peter
Eu iria sentir falta das gravações. Eu gostava do pessoal, nós estavamos fazendo uma amizade, afinal nós passavamos muito tempo juntos. Não que fosse demorar tanto assim para nos vermos, em três semanas seria a premiere e teria mais duas semanas para começar as gravações de lua nova. Derrepente eu mal podia esperar.
Comecei a pensar na cena de hoje de manhã, quando eu percebi que eu havia dormido abraçado com a Liz, um sorriso involuntario surgiu em meu rosto.
O que eu realmente sentia por ela? Só amizade?
N/A: ficou pequenininho, mas foi só uma passagem rapida para adiantar a história (e também porque a Julia e a Isa estavam me atormentando k) A Isa que deu a idéia inicial, então, thanks. Fui.
