Um Dia...?
Despertei com ranger da porta que estava sendo aberta.
- Yo Kakashi... – Não precisei olhar nos olhos escuros para saber quem era. Reconheci o amigo de longa data pela voz.
Sim... Itachi ainda é meu amigo. Mesmo que eu nutra um sentimento de ódio por ele ser capaz de te fazer feliz de uma maneira a qual eu queria. Mesmo sabendo que, sempre que eu cometi uma estupidez como esta, quem te acolhia era ele. Mesmo que o ciúme esteja corroendo-me aos poucos, não posso esquecer-me de tudo que Itachi já sacrificou por mim. De tudo o que fez.
- Ela disse que você quis dar uma lição à parede... – Ele sorriu, tentando fazer graça. Eu sou a pior pessoa do mundo por odiar meu melhor amigo?
Ele está ali, tentando arrancar um sorriso de mim e eu estou aqui, pensando no fato de você ter ido até ele para contar o que aconteceu.
Sinto-me aliviado por você não estar aqui para ver as expressões distorcidas em meu rosto.
Ele sentou ao meu lado... Exatamente no mesmo lugar onde você estava quando eu adormeci. Sorri confuso com esse pensamento.
Eu me pergunto se você o acorda com caricias pelo cabelo. Da mesma maneira a qual você já tentou me acordar varias vezes... Mas só despertei ao ouvir suas palavras.
Eu me pergunto se essas mesmas palavras acariciam os ouvidos dele do mesmo jeito que acariciavam o meus.
- Então... Você dormiu bem? Quer alguma coisa? Comida ou... Sei lá. – Ele falou cortando meus pensamentos.
- Não, estou bem. – Pelo menos por fora eu sinto que está tudo bem.
- Humm... Não parece. – Ele sorriu debochado, fazendo com que brotasse um sorriso irônico em meus lábios. – Kakashi... Qual é a sensação? – Cruzou os braços sobre o peito olhando-me disperso.
- Como?
- Socar a parede e não sentir dor... Não tem nenhuma sensação?
Olhei o teto... É irônico, mas eu senti sim. Senti uma coisa ao socar a parede. Fracasso. Talvez não seja a sensação que ele queria ouvir, mas foi o que senti.
- Nenhuma novidade... Senti-me o mesmo inútil e fracassado de sempre. Não tenho noção de minha força e nem da dor que deveria ter sentido.
Eu já estava começando a me arrepender por tê-la feito me deixar aqui com Itachi. Eu queria socá-lo até quebrar os oito dedos ainda intactos. Mas não poderia. Nunca.
Forço-me a continuar lembrando-me das várias vezes em que ele salvou minha vida. Esses pensamentos me ajudam a manter a calma.
Um dia, quando minhas dividas com ele forem devidamente pagas, eu ei de lhe socar a boca até que fique inchada!
A boca que você tanto beijou, vai ser a primeira coisa que irei partir em pedaços!
O Medo esvai essas ideias de minha mente enquanto lembra-me do que aconteceu na última vez em que fui ingrato com Itachi.
A culpa de toda essa cena é inteiramente minha, mas um filão de ódio em meu peito diz que Itachi tem parte da culpa.
A médica loira adentrou no quarto rompendo meus pensamentos.
- Então Kakashi, como está se sentindo hoje? – Seus olhos não saíram da prancheta que tinha nas mãos.
Oras! Como me sinto? Fácil...
- Se puder ligar o ar condicionado, estou com um pouco de frio... Ah! Aquele recheado de peixe que comi ontem, tinha um gosto realmente bom, não contive em sair pela madrugada à procura de outro. Mas infelizmente bati meu joelho enquanto tateava no quarto do paciente vizinho, meu joelho ainda está roxo, mas dói apenas quando ando... – Sorri irônico.
Não sentia o citado frio, nem o gosto do maldito recheado de peixe que comi. E obvio que não sai do quarto à procura do que comer, sai do quarto a procura de você, mas só encontrei o apoio de uma mesa... Usei meu joelho para encontrar a maldita mesa, de fato, ele estava roxo agora, mas isso não me incomodava.
Não pude deixar de olhar pelo canto do olho direito a expressão no rosto de Itachi. Ele não sabia se ria ou ficava momentaneamente assustado.
- Eu me expressei mal. – Ela me olhou com um suspiro derrotado. – Não está sentindo nenhuma alteração? Náuseas, palpitações...?
- Não... Estou apenas esperando você devolver-me os meus remédios para que eu possa voltar para casa. – Olhei-a com um ar desafiador.
Eu sabia que ela não devolveria, eram esses remédios que estavam matando meu fígado lentamente. Eu apenas levava aquela conversa adiante para que ela cedesse e contasse quanto tempo ainda me restava.
- Você sabe que só os devolverei com o consentimento dela.
Por quê?! Por que eu fui assinar aquela papelada a qual fazia de você a responsável por mim toda a vez em que pisasse em um hospital?!
- Eu posso ter uma convulsão a qualquer segundo sem esses remédios! – Eu não gritei, mas minha voz tinha uma sonoridade ríspida e amargurada.
- SE... Você tiver uma convulsão, terá ela dentro de um hospital. E não na rua com algumas pílulas no bolso. Agora me deixe ver sua... Oh inferno... – Ela exclamou ao tocar minha testa. – Você está congelado Kakashi!
Essa informação iria acrescentar muita coisa a minha vida. Revirei os olhos.
Ela puxou as cobertas para meus pés, assustei-me ao ver a expressão dos dois quando ela fez isso.
- COMO RAOIS VOCÊ FEZ ISSO?! – A loira gritou ao observar a pele, já morta, ganhar um tom escuro em volta de meu joelho que já estava em pré-decomposição.
Ela continuou a gritar, mas mesmo que me esforçasse, não entendia o que falava.
Eu estava respirando com dificuldade, sentia as palpitações em meu peito.
- Onde ela está? – Foi o que pude dizer quando olhei meus batimentos no aparelho que gritava escandalosamente.
Onde você está? Foi o ultimo pensamento coerente que tive antes de...
