Capítulo 4

Andava de um lado para o outro sentindo o desespero tomar conta de si. Os enjôos se tornaram frequentes e tinha estranhos desejos por diversas vezes no dia. Sabia o que era isso. Sabia o que aconteceria com isso, mas não queria acreditar. O que estava por vir era algo completamente inapropriado para a atual situação em que estava. A guerra estava em seu início e só Deus sabe quando terminaria, sem contar do risco que Sasuke corre ajudando o melhor amigo, Naruto. Segundo seu marido, a viagem do Uzumaki seria dali a duas semanas, fazendo com que Sasuke passasse mais tempo fora de casa, organizando a fuga do amigo.

Sakura senti-se aflita e temerosa. Se o que pensava que estava por vir fosse verdade, tudo isso seria uma completa desgraça para si. Não que ela não quisesse um filho. Amava Sasuke mais do que tudo no mundo, e uma parte dele crescendo em seu ventre seria uma felicidade incomparável, mas aquele não era o momento correto para colocar uma vida nova no mundo. Não era justo com a criança. Não na forma como o mundo estava naquele momento.

A entrada de Sasuke fez com que se assustasse e desse um pequeno pulo. O moreno não poderia desconfiar do que estava acontecendo. Não agora.

- O que foi, Sakura? Parece nervosa. – Droga. Ele notara.
- Não é nada, Sasuke. – Foi até ele e colocou as mãos nos seus ombros, massageando. – Como foi o dia hoje? Não te vejo desde ontem, acordou e saiu cedo. Nem se despediu de mim! – O Uchiha deu um meio sorriso e se virou para ela, a pegando pela cintura.
- Fui resolver uns problemas da loja. Os materiais de escritório que tínhamos encomendado não chegava, então tive que dar uma passada lá e ligar com o representante.
- Fico tão orgulhosa de ter me casado com um homem tão útil e prestativo. – Disse com um sorriso de canto e Sasuke a puxou mais para perto, também sorrindo, colando seus corpos. Tentou dar-lhe um beijo, mas Sakura desviou. Sasuke a encarou com dúvida no olhar.
- Se começarmos, não conseguiremos parar, e eu estou realmente cansada. – Ele assentiu, rindo baixo, e enterrou o rosto no pescoço dela. Sakura fechou os olhos e respirou pesadamente. – Vem, vamos dormir. – Ele assentiu.

Sakura já estava pronta e foi direto para a cama, enquanto Sasuke foi para o banheiro banhar-se. Em vinte minutos o homem estava pronto e se deitava ao lado da mulher, abraçando-a e dando-lhe boa noite.

Abriu os olhos após ouvis a porta da casa sendo fechada por Sasuke. Ele saíra. Levantou-se, tomou um banho, tomou seu café e chamou um táxi. Entrou nesse e foi ao hospital, após pedir a Frieda para que não falasse nada sobre a sua saída para Sasuke.

Chegou ao hospital um pouco acanhada, mas logo encontrou uma amiga de longa data, Ino.

- Sakura! O que faz aqui? – A loira de belos olhos azuis a cumprimentou com um abraço.
- Vim fazer um exame. Está trabalhando aqui, Ino? – Ela assentiu. – Então preciso que me ajude.
- Que exame veio fazer? – Sakura respirou fundo.
- Teste de gravidez.
-Oh meu Deus! – Exclamou a loira, exageradamente feliz. – Venha comigo!

Fez o exame com o coração na mão. Torcia para que o resultado fosse negativo e os enjôos fosse apenas algo que comera. Ino apareceu na sala de espera minutos depois e a olhou sorrindo.

- Amanhã eu terei o resultado confirmado. Você prefere vir buscar ou quer que eu leve até a sua casa? É uma desculpa para a gente fofocar! – Sakura deu um risinho sem humor.
- Se quiser ir lá, pode ir, mas pode apenas me ligar.
- Ah, tudo bem. – Seu sorriso desapareceu. – Sakura...
- Hm?
-Você não quer esse filho, quer?
- Não, Ino. Não agora.
- Por quê? Sempre achei que você sonhava em ter um filho do Sasuke!
- Ai, Ino, eu sonhava. Mas agora não é o momento certo. Não quero fazer isso com essa criança. Olha como o país está, olha como o mundo está!
- E o que vai fazer se realmente estiver grávida? Vai tirar?
- De jeito nenhum! Eu terei a criança, mas não faço idéia de como cuidarei dela, Ino. Me deseje sorte.
-Boa sorte, amiga. – Abraçou Sakura e se despediram.

Chegou em casa a tempo de tomar um banho e esperar Sasuke entrar pela porta cinco minutos depois de sentar-se no sofá da sala. Seus pelos se arrepiaram quando viu a imagem do homem adentrar o aposento com um semblante cansado e feliz ao vê-la. Deu-lhe boa noite acompanhado de um curto e significativo beijo e foram à sala de jantar para logo após dormirem.

A manhã seguinte se passou lenta e torturantemente. A ânsia da espera agoniava a mulher dos cabelos cor-de-rosa. Necessitava daquela resposta o mais rápido possível para conversar com Sasuke caso fosse positivo. E torcia esperançosamente para que fosse negativa.

Ino apareceu por lá no meio da tarde. Sakura lia um jornal com a intenção de fazer o tempo passar mais rápido, mas isso parecia não acontecer. A chegada da mulher loira na sala de sua casa foi o que precisava para o coração bater mais rápido do que jamais fizera. Os olhos azuis brilhavam de receio e os verdes de nervoso. Ino sentou-se na cadeira em frente a Sakura e respirou fundo.

-Então? – A Haruno perguntou com as mãos inquietas apertando o pano do vestido.
-Foi positivo, Sakura.

A dona da cabeleira rosada fechou os olhos e respirou lenta e profundamente. Já esperava por isso, portanto não sabia o motivo da mistura de felicidade e medo dominando-a. Falaria com Sasuke naquela noite e o faria parar com essa besteira de ajudar Naruto.

Conversou com Ino durante toda a tarde. Recebeu instruções do que faria a partir dali, já que era mãe de primeira-viagem e nunca procurara saber dos cuidados que uma grávida tinha que tomar. Exames, alimentação, controle dos nervos. Era tudo muito cansativo e duradouro. Mas valeria a pena. Em nove meses teria uma miniatura de si misturada com Sasuke em seus braços e isso valeria cada momento de todas as idas ao médico, todos os enjôos e desejos.

Ver Sasuke adentrar à sala fez o seu coração acelerar. Temia a reação dele, apesar de saber que era louco por um filho. Levantou-se e o encarou, fazendo-o notar sua ansiedade.

-Aconteceu alguma coisa, Sakura?
-Sim, Sasuke. Eu preciso conversar com você. No quarto.

Foram para o quarto em silêncio. O Uchiha temia o assunto da conversa, portanto esperou para que sua mulher começasse. Sentou-se na cama e a viu andar de um lado para o outro e não falar nada.

-Você estava com o Naruto, não estava? – Ela jogou no homem de forma rápida e pesada.
-Estava. Esse mês vou vê-lo um pouco mais, já que ele vai embora e preciso deixar a viagem perfeita para que não o peguem. Por quê?
-Quero que pare de ajudar o Naruto, Sasuke.
-Sakura, eu já te disse que não vou deixar o meu amigo.
-Por mim!
-Você é a minha esposa, a mulher da minha vida. Naruto é o meu melhor amigo e irmão. Os dois tem peso quase que igual, não me peça para fazer isso, por favor.
-Sasuke, eu nunca te pedi algo que não pudesse ser relevado, mas isso é realmente importante. Eu te peço para que pare de ajudar Naruto por mim, por você e – deu uma pausa para olhá-lo nos olhos – e pelo seu filho.
-Filho? Sakura, você...
-Eu estou grávida, Sasuke.

Choque.