Capitulo 04
Meses depois...
Kaká disparou pelo campo, suas pernas trabalhando o mais rápido que conseguiam, os pulmões começando a queimar... Ele levantou a cabeça rapidamente, olhando ao redor, enquanto seguia.
Lá na frente, viu que Cristiano estava em uma posição perfeita. A defesa do Atlético de Madrid correu na direção do brasileiro, tentando impedi-lo, porém em vão. Kaká girou em torno da bola, driblando dois defensores e com um chute preciso transferiu a bola para o camisa 7 do Real Madrid.
Cristiano matou a bola no peito, ajeitou com o pé e chutou com força no gol, não dando chance ao goleiro. A pequena torcida merengue do estádio rival explodiu em gritos. O português saiu correndo e abraçou Kaká bem forte, encostando a cabeça em seu ombro. Logo o resto da equipe se aproximou e deram um abraço coletivo.
O juiz apitou o final da partida. Real Madri sobre o Atlético. Ambos os times se cumprimentaram e foram para seus vestiários. Na volta pra casa, o ônibus do Real era uma verdadeira bagunça. Os jogadores cantavam alto, pulavam e comemoravam a vitória... Estavam cada vez mais perto do titulo do campeonato espanhol. A imprensa nacional estava louca. Todos os jornais elogiavam a ótima fase que o time passava, o entrosamento os jogadores em campo e principalmente as jogadas combinadas entre Cristiano Ronaldo e Kaká.
(...)
Marcos explicava aos jogadores que eles teriam de fazer testes anti-doping naquela semana. Cada um deles seria chamado na sala do técnico, passariam por uma entrevista com o médico da Federação de Futebol na presença de Marcos e teriam tubos de sangue colhidos para análise.
Isso acabou gerando um clima de ansiedade no vestiário. Claro que todos estavam cientes dos riscos que estavam correndo, afinal medicações consideradas comuns no dia-a-dia, como um simples diurético, poderiam ser consideradas doping.
Na terça-feira, Sergio deixou a sala do técnico suando frio e passando mal. Tinha medo de agulhas desde pequeno e só melhorou depois que Casillas o levou pra fora do prédio, deitando-o no gramado do campo.
-Estás sentindo-se melhor? –Cristiano perguntou, aproximando-se do colega.
-Agora sim, mas antes estava tudo rodando. –o loiro respondeu, passando a mão nos cabelos.
-Eu vou ser o próximo! –Di Maria comentou, olhando nervoso ao redor. –Essas coisas me deixam ansioso.
-Por acaso você usou alguma coisa? –Özil perguntou, sua voz aumentando levemente.
-Claro que não, estou limpo! Mas não consigo deixar de ficar nervoso.
Di Maria foi se arrastando, quando viu que o técnico o chamou. Seus companheiros de time lhe desejaram boa sorte, enquanto continuavam treinando.
Os dias foram passando e na sexta-feira, só tinha restado Kaka e Cristiano para realizarem o exame. O brasileiro foi chamado primeiro e entrou na sala, sentindo seu coração batendo mais rápido. Estava tranqüilo, mas ainda sim era uma situação estressante.
Sentou na cadeira e respondeu as perguntas do médico, que escrevia as respostas numa folha rapidamente. Quase todos os parâmetros de sua vida foram vasculhados pelo médico, deixando o jogador sem graça. Após o questionário, passou por um rápido exame físico e então o sangue foi colhido.
Kaka deixou a sala sentindo-se invadido e cansado. Não gostava de ser questionado sobre assuntos pessoais e fazia questão de deixar a vida privada discreta. Assim que saiu, encontrou o português do lado de fora, parecendo nervoso.
No momento em que seus olhares se cruzaram, Cristiano esboçou um leve sorriso e se aproximou.
-E como fostes lá dentro?
-Parecia um interrogatório criminal. –Kaka respirou fundo e encostou-se à parede. –Me senti péssimo.
-Estou com medo. –Cristiano disse, olhando para o outro lado.
-Todos nós ficamos... –o brasileiro se aproximou, colocando a mão no ombro do outro. –É normal.
O camisa sete respirou fundo e encarou o amigo. Toda aquela máscara de confiança e superioridade que sempre transparecia havia dado lugar a uma expressão de medo e nervosismo. Ele olhou ao redor e se aproximou do amigo, a distância entre eles agora era quase inexistente. Seus olhos castanhos o encararam profundamente.
-Estou com medo. –ele repetiu a frase. –Durante essa semana inteira, fui ameaçado e agora o teste. Não pode ser coincidência.
-O que?! Você foi ameaçado?! –Kaka ouviu sua própria voz aumentar e um arrepio forte no corpo. –E foi na policia?
Antes que Cristiano pudesse responder, o técnico Marcos o chamou para entrar na sala. O jogador encarou seu amigo com uma expressão de desolação antes de a porta fechar atrás dele. Kaka ficou o tempo todo do lado de fora, orando a Deus para que desse tudo certo. Sabia que histórias de adulteração de testes anti-doping e esperava que não acontecesse com Cristiano. Uma situação dessas, mesmo que depois comprovada a farsa, poderia acabar com a carreira dele.
Cerca de meia hora depois, o português saiu de cabeça baixa, parecendo cansado. Prontamente, Kaka se aproximou e colocou a mão em seu ombro, oferecendo apoio.
-E ai, como foi?
-Eu... Eu não sei. –ele respirou fundo.
-Vamos fazer o seguinte, já que o dia está lindo desse jeito, que tal ir lá pra casa? –Kaka sorriu confiante. –Daí você esquece um pouco essa história...
-Tudo bem. –Cristiano sorriu levemente em retorno.
Os dois deixaram o centro de treinamento e Cristiano seguiu o carro do amigo pelas ruas de Madrid. Após quinze minutos, já estavam entrando no portão da casa do brasileiro, que por sinal era muito bonita.
A construção era nova, com linhas retas e desenhada por um arquiteto conceituado. Eles entraram na residência e foram recebidos por uma governanta cinquentona muito simpática, que falava um português com leve sotaque espanhol.
Kaka mostrou sua casa para o amigo, sentindo-se orgulhoso do que havia conquistado. Depois de deixar seus pertences em um dos quartos de hóspedes, Cristiano acompanhou o brasileiro até o lado de fora, onde havia um lindo gramado, piscina e área de lazer.
Passaram o dia ali, completamente à vontade, rindo e brincando, falando sobre coisas aleatórias. Lá pelo meio da tarde, Kaka estava na piscina, encostado na sombra comendo seu sanduíche, enquanto Cristiano estava deitado na borda, bronzeando-se.
-Começou com uma carta anônima... Dois dias depois, recebi um telefonema. –ele finalmente disse, enquanto se sentava e colocava os pés dentro da água. –Achei que fosse brincadeira, porém ficou sério.
-E você procurou a policia? –Kaka nadou até o outro lado, para fica mais perto.
-Como lhe disse, não dei importância. Até que ontem, encontrei meu labrador morto.
-Meu Deus!
-O autor do bilhete disse que tinha acesso à minha casa e que caso não lhe desse dinheiro, iria acabar com a minha carreira.
Kaka saiu da piscina e sentou ao lado do amigo, a água escorrendo pela sua pele branca, molhando o chão. Cristiano observou o movimento e engoliu a seco. Afinal não tinha como negar a beleza do outro e sabia o que ele era capaz na cama.
No momento em que flashes da orgia na casa de Sergio passaram por sua mente, ele balançou a cabeça, afastando as memórias. Aquele não era o momento, muito menos o lugar para pensar nisso.
-Olha, se quiser, pode ficar o tempo que precisar aqui em casa. –Kaka o encarou. –Mas precisamos ir à policia e dar queixa.
Cristiano sentiu seu corpo arrepiar-se com o olhar do outro, era intenso e profundo.
-Obrigado e desculpe pelo incômodo.
-Tudo bem, amigos são pra isso.
Kaka moveu-se rapidamente e jogou um pouco de água em cima de Cristiano, que pulou com o choque térmico. O português mergulhou na piscina e puxou o pé do outro, arrastando-o para dentro. No final, acabaram boiando na água e rindo alto com tudo aquilo.
À noite, Cristiano estava tomando banho quando escutou um barulho. Enrolou-se na toalha e saiu rapidamente para encontrar Kaka no quarto, colocando algumas peças de roupa na cama.
-Eu trouxe... - as palavras morreram na garganta ao ver que o outro estava molhado, usando apenas uma toalha. –Trouxe suas roupas. Pedi para que lavassem enquanto estávamos lá fora.
Era impressionante como a aparência do português mudava quando seu cabelo não estava com todos aqueles produtos e os brincos de diamante. Kaka poderia até dizer que o outro ficava mais bonito daquele jeito, mais natural e menos como o jogador mundialmente conhecido.
-Ah, obrigado. –Cristiano sorriu sem graça. –Amanhã passarei em casa para pegar mais roupas.
-Então, estava pensando em vermos um filme. O que acha?
-Desde que não seja daqueles de raparigas... –Cristiano entrou novamente no banheiro.
-Sem problemas, vou estar na sala te esperando.
Minutos depois, os dois estavam esparramados no sofá assistindo Duro de Matar. No meio do filme, Kaka olhou pro lado e viu que Cristiano estava dormindo profundamente, acabou sorrindo ao ver a cena. Terminou o filme e foi para o quarto, tomando cuidado para não acordar o outro.
