Os dias cada vez mais demoravam a passar de tal forma que Regina se sentia presa em sua própria tristeza. A data de seu casamento estava cada vez mais próxima, mas por mais que ela tentasse a alma daquela jovem não conseguia esquecer a dor pela morte de Daniel. Uma das criadas da família sempre a pegava chorando pelos cantos e ela sempre tentava disfarçar sempre dando a mesma desculpa.

- Não está acontecendo nada demais comigo. É apenas a emoção pela proximidade de meu casamento. Sabe como nós mulheres somos sentimentais. – mentia Regina.

Mas a verdade continuava dentro de seu corpo e sentia uma enorme dor dentro de seu coração como se uma flecha estivesse cravada em seu peito. Havia perdido o amor de sua vida e se casaria com alguém que não amava apenas para fugir da criação opressora de Cora.

Interesseira como sempre, Cora havia se encarregado de providenciar imediatamente todos os preparativos para o casamento de sua filha. Faltavam apenas alguns detalhes para a sua filha ter um casamento a sua altura. Cora não havia tido o casamento de seus sonhos e queria que sua filha tivesse um casamento digno da mais alta realeza. O vestido já estava quase pronto e faltavam apenas alguns detalhes para a finalização do reluzente vestido. Aliás, essa era a parte que Regina mais detestava porque além de não estar satisfeita com nada em sua vida, ela não suportava ficar horas parada com todas as criadas tendo que costurar aquele maldito vestido sobre sua pele.

- Será que não podemos parar por hoje? Estou me sentindo tão cansada. – suplicava Regina.

- Infelizmente nós não podemos Regina. Ordens explícitas de sua mãe que quer que este vestido fique pronto o mais rápido possível.

- Eu já estou a cinco horas parada nesta mesma posição. Eu quero ficar um pouco sozinha. Necessito de um pouco de ar fresco.

- Eu sei que está sendo torturante para você. É assim para todas as jovens quando se casam. Para o vestido ter um caimento melhor em seu corpo requer todo o tipo de sacrifício. Mas logo você estará liberada.

- Foi o que vocês me falaram ontem, mas eu fiquei aqui até às duas horas da manhã. Eu não estou aguentando mais. – explode Regina com lágrimas escorrendo em seus olhos deprimidos.

Regina deixando de lutar contra suas lágrimas começa a chorar copiosamente. A costureira mais experiente delicadamente pede para as outras costureiras saírem e aproveita para ficar a sós com Regina.

- O que houve com você minha menina? Até parece que você não está querendo se casar.

- É claro que eu quero me casar! – mente Regina limpando as lágrimas em seu rosto.

- Mas não é isto o que está me parecendo. Anda sempre tão deprimida pelos cantos. Eu sei o quanto sua mãe pode ser difícil de lidar.

- É que eu apenas não aguento ficar tantas horas na mesma posição enquanto costuram em meu corpo um vestido que é completamente desconfortável.

- Eu sei como isso pode ser esgotante meu bem. Eu tenho muita experiência com o que eu faço e no fim dará tudo certo. Pense que você será a moça mais bela do reino no dia do seu casamento.

- Eu não me importo em ser a mais bela. Eu não me importo com nada. Eu quero apenas ser feliz. Será que isso é pedir muito? Eu quero encontrar um motivo para sorrir e eu não consigo. Simplesmente não consigo. Meu coração dói tanto e eu não sei o que fazer para acabar com essa dor que eu sinto dentro do meu coração.

- Vem aqui minha menina! Eu te conheço há tanto tempo e não gosto de te ver assim sofrendo tanto.

A velha senhora surpreende Regina quando a acolhe em um terno abraço. A jovem se sentindo protegida nos braços que ela tanto estava precisando em sua vida se põe a chorar.

- Regina! Ainda dá tempo de você desistir do seu casamento. Eu estou percebendo que não é isso que o seu coração quer.

- Eu não posso desistir desse casamento. É a minha única esperança de me livrar dela. Eu a amo tanto, mas não quero mais ficar aqui porque ela me sufoca demais.

- Tudo bem minha menina! Mas eu quero que você me prometa uma única coisa.

- Você quer que eu prometa o que?

- Não se perca em sua vida. Me prometa que nunca deixará seu coração ficar endurecido pela vida?

A simplicidade daquela sentença proferida pela senhora escondia a profundeza do que ela estava pedindo para Regina. Aquelas pequenas palavras atingiram Regina da mesma forma como se ela estivesse recebendo um soco no estômago. Ela não sabia o que dizer, aliás, ela não sabia nem o que ela estava pensando naquele momento. Ela nem saberia explicar se sentia ódio da mãe ou se ainda estava apenas sofrendo pela perda de Daniel para pensar com mais profundidade sobre sua vida. Da mesma forma que ela apenas sentia que seu coração havia se endurecido depois de tudo o que tinha acontecido. Ela somente tinha a certeza em seu coração que ela não queria se apaixonar novamente por ninguém por ter medo e receio que o mesmo acontecesse que aconteceu com Daniel. Seu olhar ficou perdido no horizonte e apenas as lágrimas escorrendo pelo seu rosto davam o sinal que ela tinha escutado o pedido da costureira.

- Regina! Fala alguma coisa comigo! Regina! Você está bem minha querida?

- Me desculpa! Mas acho que não estou me sentindo muito bem. Mas já irei me recompor. – disse Regina limpando as lágrimas de seu rosto.

- Que mal irá fazer se fizermos um pequeno intervalo? Vai lá minha querida! Descanse um pouco e volte quando estiver se sentindo melhor.

Quando aquele pesado vestido foi retirado do corpo de Regina, a jovem sentiu como se todo o peso do mundo estivesse sendo retirado de suas costas e ela sentiu que todo o ar que ela tinha perdido durante aquelas horas estivessem lentamente de volta em seus pulmões. Ela queria se distanciar o máximo que ela pudesse do castelo. Ela queria ficar sozinha e ir para algum lugar onde ninguém a julgasse e que não precisasse prestar contas de sua vida a ninguém.

Regina foi ao estábulo e pegando o seu cavalo preferido saiu cavalgando pelo reino sentindo apenas em seu rosto a brisa daquele fim de tarde que logo estaria se transformando em uma bela noite. Quanto mais o seu coração doía mais rápido Regina cavalgava. Queria sentir que sua vida ainda tinha algum sentido e não importava como ela encontraria um sentido para a sua vida.

Em uma determinada parte do caminho o cavalo da jovem se assustou com uma cobra que estava em seu caminho. O cavalo assustado começou a relinchar e Regina não foi capaz de continuar domando aquele pobre animal. Ela sentia cada vez mais que ela estava perdendo o controle sobre ele. Ela estava se segurando o máximo que podia, mas ela via que a queda estava cada vez mais impossível de se evitar. Seus dedos que estavam segurando a sela com força já estavam se tornando cada vez mais fracos e ela sentia que todas as suas juntas não estavam mais obedecendo a seus comandos e em consequência disso ela já não estava mais sendo capaz de se segurar ao animal. Seus dedos estavam vermelhos e doloridos e eles foram escorregando da sela. Regina depois de lutar com todas as suas forças caiu de seu cavalo batendo sua cabeça do chão.