Disclaimer: Naruto não me pertence. Obviamente.
Boa Leitura!
OoOoOoOoOo
Porque nós estamos quebrados
O que nós devemos fazer, para restaurar
Nossa inocência...
( We are Broken, Paramore)
OoOoO
Hinata trancou cuidadosamente a porta do banheiro atrás de si mesma. O silencio invadiu o recinto, deixando a moça um pouco desacostumada, com toda aquela ausência de sons. Os olhos perolados percorreram o lugar, captando cada mínimo detalhe. Havia um boxe, razoavelmente grande, uma antiquada banheira de porcelana estava do lado, em contraste com o resto do banheiro que era decorado modernamente. Hinata achou que o lugar era muito escuro, já que as paredes e o chão eram de mármore negro, mas a perspectiva de tomar um banho deixava que aquele mínimo detalhe não lhe incomodasse nem um pouco.
Sem pressa Hinata olhou-se no espelho fixado na parede a sua frente. O longo cabelo estava desgrenhado, e o antigo pijama de moleton que ela vestia, parecia ainda mais antigo e acabado.
Os olhos perolados observaram cobiçosamente à banheira vazia. Naquele momento a moça daria qualquer coisa, por estar ali dentro cercada por água morna, e espuma branca fofa, e cheirosa, então ela iria descansar sua cabeça na beirada de porcelana, deixando o cabelo para fora, pensando em nada, até que a água ficasse fria demais para seu gosto.
Um sorriso levado surgiu nos lábios da garota, por um momento ela imaginou como Sasuke iria reagir, caso ela demorasse dentro do banheiro. Provavelmente ele iria arrombar a porta do banheiro. Nem por um segundo Hinata chegava a duvidar disso. Era melhor ela se contentar com um banho simples de chuveiro, e deixar para quando ela estivesse em casa os demorado e deliciosos banhos de banheira.
Pensar na casa fez com que a moça sentisse uma fisgada prolongada no coração. Os cantos de seus olhos pinicaram, mas Hinata não queria chorar. Se começasse, talvez ela não fosse capaz de parar... Tentando ocupar a mente, a moça se despiu, jogando num canto do banheiro seu pijama predileto. O ar frio do ambiente ricocheteou no corpo da garota, fazendo com que os pêlos de seu corpo se arrepiassem, imediatamente Hinata se encaminhou para o boxe, fechando a porta de vidro fume. Ligou o chuveiro, e sorriu abertamente quando a água quente bateu no topo de sua cabeça, escorrendo pelo seu corpo.
Por alguns instantes, de olhos fechados, a moça permitiu-se esquecer de onde estava, e de todo o problema em que estava envolvida. Naquele banheiro só havia ela e a água deliciosamente quente batendo em sua pele suada.
Por fim quando Hinata sentia-se encharcada até a alma, a moça voltou a abrir os olhos perolados encarando agora com um pouco mais de atenção, o interior do banheiro. Do seu lado esquerdo fixado na parede, estavam alguns produtos de higiene. Hinata reparou que o sabonete estava pela metade, e o xampu era para cabelos masculinos. Com um ligeiro aceno de ombros a moça pegou ambos. Era aquilo ou nada. Não era assim uma escolha tão difícil.
Sem perder tempo Hinata derramou na mão em forma de concha, o xampu masculino. Ela percebeu que o frasco, quase não havia sido usado. O cheiro, forte e agridoce invadiu-lhe as narinas. Não havia nenhum condicionador a vista. Realmente aquele era um banheiro extremamente masculino.
Lentamente a moça ensaboou os cabelos, sentindo a espuma macia infiltrar-se por seus dedos, e escorrer por sua nuca dolorida, onde o curativo que Sasuke havia colado ali começava a se desprender.
Os dedos delgados de Hinata, deixaram as melenas e buscaram o sabonete pela metade, a morena procurou no aparador, por uma bucha. Mas, não havia nenhuma. Que tipo de pessoa não tinha uma misera bucha no banheiro?
Contrariada a Hyuuga, começou a se ensaboar, somente com o meio sabonete, tentando aproveitar ao máximo da espuma em seu corpo. Provavelmente o 'senhor assassino', não devia utilizar aquele banheiro com muita freqüência. Era mais provável, que ele tivesse em sua enorme suíte, um banheiro luxuoso com uma jacuzzi*, nunca utilizada, e varias buchas somente pra ele. Os movimentos, de Hinata tornaram-se mais vigorosos, enquanto ela pensava naquilo.
Levemente irritada, a moça enxaguou-se deixando o jorro de água cair abundantemente por seu corpo. O vapor estava por todo o lugar, deixando o boxe embaçado. Hinata reparou que as pontas de seus dedos estavam enrugadas. Tinha sido delicioso, mesmo sem uma bucha, mas estava na hora de sair dali.
Relutantemente a moça, fechou o chuveiro os pêlos do seu corpo voltaram a se eriçar em contato com a umidade agora predominante no ambiente. Hinata abriu a porta de vidro do boxe, esticou a mão agarrando a toalha felpuda que Sasuke lhe entregara, enrolando prazerosamente seu corpo nela. O frio passou imediatamente. A moça secou-se da melhor forma possível, então saiu de dentro do boxe.
Hinata parou de frente ao espelho completamente embaçado pelo vapor da água, passou os dedos pela superfície fria, deixando que sua imagem se revelasse. As sobrancelhas da moça franziram ligeiramente. Naquele momento ela gostaria muito de uma escova de cabelos... Definitivamente ela estava precisando.
Suspirando resignada, a moça caminhou descalça até o canto do banheiro onde havia atirado sua roupa. Os orbes perolados se arregalaram.
Não havia nenhum sinal do seu velho pijama a vista... E pior muito pior, sua calcinha também sumira.
Confusa a moça, olhou ao seu redor. Tinha certeza que havia deixado suas roupas ali. Elas não podiam ter sumido do nada. Ela tinha certeza que tinha trancado a porta ...
Um estalo surgiu na mente da Hyuuga, a garota se levantou e foi até a porta do banheiro. Seus orbes perolados arregalaram-se ligeiramente. Na maçaneta estava pendurada uma camiseta. Com receio Hinata estendeu seus dedos pegando-a na mão. Era preta e estava desbotada, e devia ser pelo menos uns três números maiores do que ela usava.
Ele estivera ali! Sasuke havia entrado no banheiro, enquanto ela estava nua tomando, banho e lhe deixara uma camiseta! Definitivamente aquele homem não conhecia a palavra 'privacidade'.
Examinando a camiseta mais de perto, Hinata viu que se tratava de uma camiseta de banda de rock, que parecia ter sido usada muito frequentemente. Uma sobrancelha se arqueou, quando a moça leu o nome "Metálica" escrito, com letras brancas de forma artística. Sasuke era roqueiro e gostava do Metálica?
O pensamento irritou a Hyuuga ligeiramente. Ela não devia estar se preocupando com o gosto musical do seu muito provável assassino. Devia se preocupar em achar seu pijama, e mais importante ainda sua única calcinha. Afinal, estava muito claro que Sasuke achava que ela ia vestir somente aquela camiseta e sair do banheiro! Ele tinha até mesmo tido o trabalho de abrir a porta, que estava trancada e deixa-la ali. Bem estava claro que a moça ia ter que mostrar que ele estava completamente enganado. Ela não ia a lugar nenhum vestindo somente aquilo!
Os olhos perolados fixaram-se na porta, Hinata pensou em abrir somente uma fresta para espiar. Se o corredor estivesse vazio, ela poderia sair dali, mesmo enrolada na toalha e procurar suas roupas... Obviamente ela ia rezar para não encontrar Sasuke no meio do caminho. Afinal era mais fácil se desfazer de uma toalha do que uma camiseta certo?
Hinata balançou ligeiramente a cabeça, como se aquele movimento pudesse lhe afastar os pensamentos indesejados. Sentia o rosto quente, e sabia que devia estar vermelha. A moça repreendeu-se mentalmente por estar tendo aquele tipo de pensamento. Se Sasuke quisesse fazer algo naquele sentindo, ele já teria feito, pois já tivera inúmeras chances, mas ela encontrava-se intacta. Não devia se preocupar...
Mas até agora ele não tinha levado sua calcinha embora! Disse uma vozinha irritante que surgiu na mente da Hyuuga. A moça fez questão de ignorá-la.
Extremante frustrada, Hinata olhou para a camiseta, que Sasuke havia lhe deixado. Aquele pedaço de pano desbotado parecia estar rindo da sua desgraça. Contrariada, a moça tirou a toalha rapidamente e colocou a camiseta por cima do corpo seco. A barra lhe desceu quase até os joelhos, mesmo assim os dedos de Hinata puxavam quase a todo instante a camiseta para baixo, na esperança que o comprimento ficasse ainda maior.
Receosa a moça olhou sua imagem no espelho. O vapor já havia quase se dissipado totalmente do banheiro. Pequenas gotículas transparentes, estavam penduradas nas paredes de mármore. O reflexo de Hinata estava extremamente vermelho, enquanto ela se observava. Com o cabelo completamente emaranhando, e seminua, ela sentia-se ridícula. Com todas suas forças ela queria seu pijama de volta!
- Metálica – bufou baixinho a moça, para seu reflexo – eles nem tocam bem...
OoOoOoOoOoO
Hinata abriu apenas uma parte da porta, e colocou a cabeça pra fora. O corredor estava deserto. Nenhum ruído ou murmúrio indicava que havia alguém ali, mesmo assim a moça não conseguiu sentir-se confiante.
Lentamente colocou outra parte do corpo pra fora da porta do banheiro. O simples pensamento de alguém vê-la, naqueles trajes, se é que uma camiseta de rock pode ser chamada de traje, fazia com que o estomago da moça, desse saltos mortais dentro de seu corpo.
Tentando ser a pessoa mais silenciosa, do mundo Hinata, pisou com a ponta dos pés no corredor, fechando a porta atrás de si, bem devagarzinho. Na mão direita a garota segurava a toalha ainda úmida que Sasuke lhe dera. Talvez ela conseguisse encontrar um varal em algum lugar, para estendê-la, mas obviamente sua prioridade eram suas roupas.
Com os ouvidos aguçados, Hinata caminhou lentamente pelo corredor puxando nervosamente a barra de camiseta que estava usando. Tinha de parar com aquele gesto, ou acabaria rasgando a camiseta, algo bem possível, dado o estado lastimável daquele tecido antigo.
Até aquele momento a Hyuuga não havia conseguido reparar no ambiente em que estava. Por isso enquanto caminhava pelo corredor da mansão Uchiha Hinata aproveitava para observar tudo a sua volta, tentando guardar todos os mínimos detalhes do lugar. Mais tarde aquilo poderia vir-lhe a ser útil.
A casa era antiga notou Hinata, austera e ligeiramente fria. Não parecia ter um sistema de aquecimento, mentalmente à moça se perguntou como Sasuke conseguia viver ali no inverno. Tudo parecia ter sido construído em madeira, as paredes o chão o teto. No corredor em que Hinata estava andando havia varias portas trancadas, a moça chegou a experimentar algumas maçanetas, mas nenhuma se abriu. Não havia quadros, ou qualquer detalhe. Era difícil para Hinata acreditar que alguém vivia ali. O lugar parecia ser tão impessoal, não lembrava a casa de uma pessoa.
Astutamente Hinata percebeu que o ambiente também era muito silencioso. Ela não conseguia ouvir som algum. Como pássaros cantando, ou o som de algum carro passando na rua. Nada. Todo aquele silencio lembrava a moça, do esconderijo onde ela vivera a maior parte de sua vida. No subterrâneo da mansão Hyuuga.
Os passos da garota cessaram abruptamente, quando ela chegou, até um comodo que parecia ser uma sala de estar. Os olhos perolados percorreram o lugar certificando-se que não havia ninguém ali.
A sala era ampla, e parcialmente iluminada. Cortinas em tons pastel, cobriam as janelas, que ficavam voltadas para o lado direito. Numa parte do chão havia um tatame, e sobre ele futon azul-escuro, como havia no quarto em que Hinata estava ocupando. Papéis, e desenhos arquitetônicos estavam espalhados por todo lugar.
A curiosidade corroeu as entranhas da Hyuuga, a moça queria abaixar-se ali onde estavam todos aqueles papeis, e lê-los. Talvez assim, ela conseguisse descobrir algo sobre Sasuke. Os pés da garota chegaram a mover-se ligeiramente para aquela direção, mas então outra idéia surgiu na mente de Hinata.
Ela ainda não tinha visto sinal do assassino, talvez fosse melhor continuar sua exploração pela casa. A Hyuuga não iria saber quando poderia ter novamente uma oportunidade como aquela. Os papéis teriam que ficar para depois. Caso ela tivesse um pouco de sorte.
Cautelosamente a moça, andou em direção ao próximo comodo.
A austera cozinha chamou a atenção de Hinata, os armários brancos, e o fogão limpo demais mostrava que aquele não era um lugar muito utilizado na casa. Sobre a pia, haviam caixas e restos do almoço notou a moça. Delicadamente a moça ergueu, uma das caixinhas de yakissoba, lendo a propaganda do restaurante. Pelo visto Sasuke, não era um solteiro prendado. Hinata estremeceu-se ao imaginar, o quanto ele deveria gastar por mês, com restaurantes. Talvez ele fosse rico...
Com os olhos perolados Hinata reparou numa porta que se encontrava fechada no fundo da cozinha, silenciosamente a moça caminhou até ali girando a maçaneta com cuidado. A porta rangeu levemente, mostrando uma área de serviço bagunçada e suja. Mas naquele momento só havia uma única coisa que Hinata conseguia olhar. Penduradas num varal de ferro, estavam seu pijama e sua calcinha.
Sem pensar duas vezes a garota alcançou suas roupas, percebendo que elas haviam sido lavadas e estavam ainda úmidas.
- O que você está fazendo? Isso ainda está molhado.
A voz de Sasuke fez com que Hinata quase pulasse de susto, a morena virou-se para encarar o Uchiha que estava atrás dela, com um olhar levemente irritado.
- Coloque isso de novo no varal – disse Sasuke.
O rosto de Hinata ardeu, quando ela deu-se conta, que estava vestida somente com uma camiseta, e sem mais nada, e Sasuke a encarava como se aquilo fosse normal.
- Não... – respondeu a moça, tentando desesperadamente não correr tamanha sua vergonha – eu só tenho essa roupa para usar.
- Está usando uma das minhas camisetas. Pode ficar desse jeito até sua roupa secar.
Os olhos de Hinata se arregalaram ao ouvir a resposta do homem a sua frente. Ele só podia estar fazendo uma brincadeira muito sem graça. Ela não podia vestir, "só" aquilo esperando até suas roupas secarem.
- Não posso – murmurou a Hyuuga – não posso usar...
- Qual o problema com a camiseta? – perguntou Sasuke, sem entender mais nada – é uma das minhas favoritas.
O rosto de Hinata tingiu-se ainda mais de vermelho, a moça desviou o olhar do rosto de Sasuke, implorando silenciosamente que ele entendesse o que ela tentava dizer... Sem chances que ela iria falar aquilo em voz alta.
- Eu... não – começou a garota com o coração a mil – não posso vestir somente isso...
A voz de Hinata morreu no ambiente, enquanto ela abaixava a cabeça, escondendo seu rosto com a farta franja negra. Confuso Sasuke olhou para a garota dos pés a cabeça, então seus olhos pousaram nas roupas que ela segurava. A calcinha branca, estava sobre a calça do pijama de moletom. O rapaz olhou então, para as pernas nuas e delgadas de Hinata, que estavam cobertas apenas pela sua camiseta do Metálica. Certo ele não tinha pensando naquele detalhe.
- Bem... – começou o Uchiha sem saber o que dizer – eu...
Ambos ficaram em silencio, nervoso Sasuke passou as mãos pelos cabelos, e tentou não olhar para a garota a sua frente, ou pensar em como ela ficava extremamente sexy, com todo aquele cabelo molhado vestida somente com uma camiseta desbotada.
- Merda – praguejou o Uchiha tentando fazer com que sua mente tivesse uma idéia.
Hinata sentiu a quentura do seu rosto aumentar gradativamente, de forma alguma ela ia conseguir olhar de novo para o rosto Sasuke. A moça desejava algum buraco, onde ela pudesse se enfiar e não sair de lá tão cedo. Pelo menos até suas roupas estarem secas de novo.
- Certo – disse Sasuke por fim – coloque as roupas para secarem de novo.
- Mas... – tentou responder Hinata sem levantar o rosto.
Sem dizer uma palavra Sasuke, agarrou as roupas e a toalha da mão de Hinata, e as jogou de qualquer forma, de volta sobre o varal, e sem nenhuma explicação o Uchiha agarrou o braço da Hyuuga e a arrastou sem nenhuma delicadeza, de volta para a sala, e então depois para o enorme corredor.
Assustada Hinata pensou que Sasuke, iria deixá-la trancada mais uma vez no quarto, que ela estava ocupando, mas o moreno passou direito por aquela porta, seguindo corredor adiante. Finalmente eles chegaram quase ao fim daquele imenso corredor, e Sasuke abriu uma porta que estava somente entreaberta. Ali o moreno deixou Hinata parada debaixo da soleira, enquanto ele se encaminhava na direção do seu próprio guarda-roupa.
Sem nenhum cuidado Sasuke procurou por algo dentro do seu armário, deixando que peças de roupa caíssem no chão, sem se importar com aquilo.
Hinata aproveitou o momento para observar o quarto do Uchiha. Era muito mais amplo que o que ela estava usando, havia uma imensa porta dupla de vidro, que dava para algum lugar que Hinata não conseguia dizer onde era. Mais pra frente, havia uma porta simples, que revelava um pedaço da parede de mármore negro, ali devia ser o banheiro deduziu a moça.
O som de tecido sendo rasgado chamou a atenção de Hinata, a garota então voltou sua atenção para Sasuke, e viu o rapaz, rasgar de qualquer forma, um short negro, que parecia ser feito de malha. O trabalho não foi realizado muito bem, a barra ficou parcialmente destruída, e completamente desfiada, o tamanho da peça de roupa reduziu-se drasticamente.
- É provisório – explicou Sasuke, entregando a peça de roupa parcialmente destruída para Hinata.
Sem entender a moça, deixou seus olhos recaírem sobre o short rasgado e o rosto de Sasuke.
O rapaz pareceu irritado quando, Hinata não conseguiu entender, o que ele havia feito.
- Roupa de baixo – explicou o Uchiha.
O rosto de Hinata tingiu-se então rapidamente de vermelho, enquanto ela entendia o que estava acontecendo. De forma alguma, ela não queria usar aquilo, como roupa de baixo... Mas, precisava ser realista. Não tinha roupa alguma naquele lugar, e com toda certeza aquilo seria o máximo que iria conseguir. Era aquilo ou nada. Talvez fosse melhor sentir-se grata.
Com extrema relutância, Hinata estendeu seus dedos tocando na peça que o assassino lhe oferecia, assim que a pegou o rapaz deixou o quarto, fechando a porta atrás de si e dizendo:
- Pode se trocar aqui.
Por alguns instantes a moça ficou completamente imóvel parada dentro do quarto do Uchiha, na altura do peito segurava sua mais nova roupa de baixo improvisada. Os lábios da Hyuuga ergueram-se num sorriso espontâneo, que a garota teve de controlar para não se transformar numa gargalhada histérica. De forma alguma aquela situação era engraçada, mas o desespero faz com que as pessoas reajam de formas diferentes a situações, adversas.
Recuperando-se Hinata foi à direção á suíte de Sasuke, fechando a porta atrás de si com cuidado. Os olhos perolados percorreram o recinto, a Hyuuga ficou chocada ao perceber a bagunça que estava ali dentro. Toalhas espalhadas, pelo chão junto com tênis e roupas de ginásticas. Pelo visto o assassino, não era lá muito organizado.
Deixando todos os pensamentos de lado, Hinata vestiu o minúsculo short, que Sasuke havia feito para ela, a peça de roupa era tão curta, que foi tranquilamente escondida pela barra da camisa que a garota estava usando. Um pouco desconfiada daquela idéia, a moça abriu a fechou um pouco as pernas, e depois as ergueu. Achou a sensação um pouco estranha, mas estar com aquilo sem sombra de duvidas era melhor do que nada.
Hinata estava pronta para sair do banheiro, quando algo sobre a pia lhe chamou a atenção fazendo com que ela demorasse ali dentro um pouco mais.
Era um pente de cabo preto com alguns dentes faltando. Durante alguns segundos a moça perguntou-se se deveria ou não usa-lo. Então por fim a tentação a venceu. Com pressa a moça de orbes perolados passou o pente rapidamente pelas longas melenas negras, ignorando um pequeno nó que aparecia ocasionalmente. Por fim a moça depositou o pente novamente sobre a pia no mesmo lugar que o encontrara. A moça torceu para que Sasuke, não percebesse que ela o havia utilizado, não era nada educado usar as coisas dos outros, mas Hinata sentia-se muito melhor agora, com o cabelo penteado.
Quando deixou o quarto do assassino, Hinata ficou em duvida para que lugar devia ir. Não tinha nenhum um pingo de vontade de voltar para seu quarto, já que lá não havia nada para fazer. Mas, então para onde ir?
No corredor a moça procurou por Sasuke, mas não o encontrou, por fim Hinata deixou que seus passos a levassem novamente a sala que ficava ao lado da cozinha. Ali a garota encontrou o Uchiha.
Ele estava de costas, sentado desajeitadamente sobre o futon azul-marinho, com um caderno de desenhos aberto sobre as pernas. Hinata viu-o rabiscar sobre o papel, traços finos e rápidos, com a mão esquerda. Ele era canhoto. Curiosa para ver o que ele estava desenhando, Hinata deu um passo em direção a sala.
- A roupa ficou boa? – perguntou Sasuke, sem olhar para trás.
Os olhos perolados arregalaram-se ligeiramente. A audição dele, era quase sobrenatural. Encabulada, a garota demorou alguns segundos para responder:
- Sim... Obrigada.
- Suas roupas vão ficar secas logo.
A Hyuuga não respondeu silenciosamente ela observava por sobre os ombros de Sasuke, o que ele estava desenhando, admirada com a perícia dele. Suas mãos eram delgadas e precisas, e seguravam a lapiseira de uma forma engraçada, tombada de forma bastante acentuada para o lado direito.
Hinata viu os traços finos se juntarem com mais grossos, em horizontais e verticais, formando paredes de várias espessuras. Ela estava completamente entretida, observando aqueles traços, quando Sasuke fechou o caderno, deixando-a sem reação.
Sem nenhuma palavra, Hinata deu um passo para trás, enquanto Sasuke permanecia em silencio, ainda de costas para garota.
- Me desculpe – disse a Hyuuga encabulada – não queria atrapalhar.
- Não atrapalhou – respondeu o Uchiha – apenas estou sem paciência para trabalhar. Sou arquiteto.
- Pensei que fosse somente um assassino...
As palavras escaparam dos lábios rosados de Hinata, antes que ela pudesse se conter. Lentamente ela viu Sasuke se levantar, com um sorriso torto nas faces pálidas, ele parecia ter achado aquela frase engraçada.
- Isso é um segundo emprego – explicou Sasuke – não tempo integral.
Hinata viu o Uchiha juntar de qualquer os papéis que estavam no chão, e formar uma pilha um tanto disforme, logo depois ele colocou tudo aquilo, em cima de uma mesinha onde estava o aparelho telefone.
A garota reparou que ele se mexia com extrema naturalidade naquele ambiente, sem se importar com a presença dela, ou com o fato de estar sendo observado. Vendo-o daquela maneira ninguém diria que ele era um assassino. Seu perfil era contido e serio, mas não estava mais ameaçador como na noite anterior.
- Não vai me deixar trancada no meu quarto? – perguntou Hinata, tentando atrair a atenção do rapaz.
- Por quê? Você não sabe onde está, e duvido que consiga fugir daqui.
As sobrancelhas de Hinata franziram ligeiramente embaixo de sua farta franja. Não podia estar assim tão longe de outras pessoas, ela havia ouvido o barulho de carros trafegando nas ruas. Como ele podia ter tanta certeza, que ela não conseguiria auxilio para fugir.
Vendo a confusão no rosto de Hinata, Sasuke caminhou até uma das janelas, e abriu as cortinas, deixando que a paisagem se revelasse abertamente.
As faces da moça de orbes perolados mostraram um tremendo espanto enquanto ela observava casas e mais casas e varias ruas abandonadas. Era um bairro fantasma. Os carros que Hinata havia ouvido transitavam em ruas muito distantes. No fim daquele bairro.
- Que lugar é esse? – perguntou Hinata espantada, sem olhar na direção de Sasuke.
- Isso já foi um bairro extremamente prospero e nobre na cidade – explicou o Uchiha – a maioria das pessoas que moravam aqui tinham envolvimento com a máfia. Foram eliminadas. O lugar ficou assim, abandonado. Mas as casas não foram vendidas. Como você mesmo pode ver ninguém nunca vem aqui.
- Por que você mora num lugar como esse?
Os olhos cor de ônix cravaram no rosto de Hinata, como um alerta. O rapaz não lhe respondeu a pergunta. Em vez disso, ele deixou a cortinha cair sobre a janela, voltou-se e sentou em seu futon, dessa vez de frente pra Hinata.
- Como eu disse – continuou Sasuke – não preciso deixá-la trancada naquele quarto. Dificilmente você conseguiria escapar daqui sozinha. E ninguém irá desconfiar que você esteja aqui. Se quer realmente ir embora, talvez esteja na hora de responder as minhas perguntas.
O coração de Hinata acelerou dentro de seu peito, ela não tinha duvidas que aquele homem era perigoso. Não podia dizer quem era de verdade. Se revelasse seu segredo, com toda certeza ele a mataria, e toda a família estaria em perigo. Não. Tinha de ficar ali, arranjar tempo até conseguir uma maneira de escapar.
- Certo você quem escolhe quanto tempo vai querer ficar – respondeu o rapaz vendo o silencio da moça.
Hinata encarou-o tentando não vacilar diante daquele olhar frio e negro. Aquele homem tinha completamente o controle da situação.
Com raiva da sua própria incapacidade, a moça desviou o olhar do rosto de Sasuke. Queria ir embora daquele lugar, voltar para sua casa e para as pessoas que conhecia. Estar de volta na segurança do seu mundo...
- Vai rasgar minha camiseta desse jeito.
A voz de Sasuke tirou Hinata do seu devaneio, a moça então percebeu que estivera apertando com força o tecido da camiseta entre suas mãos. O fato de o Uchiha ter-la visto daquela forma a deixou encabulada.
- Até quando eu vou ter que usar suas roupas – perguntou a moça tentando deixar sua voz, tão controlada quanto à do assassino.
- Eu já disse até o seu pijama secar.
- Não posso ficar usando somente meu pijama – rebateu Hinata indignada.
- Certo, então vamos comprar roupas pra você.
- O que? – o tom de voz de Hinata era incrédulo.
- Eu já entendi que você não pode ficar usando somente seu pijama – respondeu o rapaz se levantando e ficando de frente para Hinata – e eu também não estou disposto a ficar lavando-o frequentemente. Não faço isso nem com minhas roupas. Vamos comprar roupas pra você.
Hinata arregalou os olhos, e deixou que sua boca permanecesse ligeiramente entreaberta. Ele não podia estar falando serio podia?
- O que foi? – perguntou o Uchiha irritado – estou tentando resolver seu problema.
- Está me dizendo que vai me levar para sair daqui? Para comprar roupas?
- É a melhor solução – disse o rapaz, como se aquilo não fosse nada demais.
Hinata observou bem o homem a sua frente, tentando perceber se por trás daquelas palavras não havia uma armadilha escondida. Mas o rosto de Sasuke, estava como sempre. Impassível.
- Não posso sair assim – respondeu a moça puxando a camiseta para dar ênfase as suas palavras – muito menos de pijama.
O rapaz olhou de cima abaixo no corpo de Hinata mais uma vez, como se o estivesse avaliando, enquanto aqueles olhos negros percorriam seu corpo a moça sentiu o calor subir por seu pescoço e instalar-se nas duas bochechas.
- Espere aqui – respondeu Sasuke por fim, e saiu da sala deixando a garota sozinha.
Hinata acompanhou-o com os olhos, percebendo mais do nunca que ele falava serio. Realmente o Uchiha iria levá-la para algum lugar para comprar roupas... O coração da moça retumbou em seu peito de encontro com suas costelas. Talvez ela não precisasse ter que esperar tanto... Que outra oportunidade melhor do que aquela ela teria para tentar fugir?
OoOoOoOoOoOoO
Tenten desligou o telefone depois de mais de meia hora de conversa. Sentia-se exausta e rígida por estar tanto tempo naquela cadeira. Desfez com calma os coques do cabelo castanho, deixando que as melenas onduladas e castanhas caíssem por sobre seus ombros.
Ela estava precisando de um banho, e uma aspirina já que podia sentir o começo de uma enxaqueca chata lhe apontar no fundo de sua mente.
Fazia apenas um dia que Neji havia lhe ligado, ela havia mergulhado de cabeça no trabalho que ele pedira para ela executar. Passara metade da noite em claro, fazendo ligações cobrando favores, tentando descobrir informações sobre o paradeiro de Hinata. Mas não tivera muito sucesso... O seqüestrador era profissional, e extremamente habilidoso. Não tinha nenhum padrão em suas ações, ou alguma pista de sua identidade. A Mitsachi não gostava de admitir, mas, tinha que tirar o chapéu pra aquele cara.
Cansada e com a mente fervilhando Tenten levou a mão a nuca que estava extremamente dolorida. O que ela não daria para uma massagem naquele momento... Com os olhos castanhos inchados, Tenten consultou o relógio de pulso, já fazia algum tempo que Rock Lee saíra, já era para ele estar de volta...
- Onee-chan!!! – o gritou característico veio de fora da porta do escritório, junto com batidas fortes e insistentes – abra já essa porta!
Tenten deixou que um sorriso franco surgisse em seus lábios. Não importava quanto tempo passasse, seu irmão adotivo seria sempre o mesmo. E ela rezava a Deus para que isso não mudasse nunca.
- Está aberta – respondeu Tenten.
A porta se abriu com um grande estrondo, um rapaz alto de corpo delgado, com cabelos negros cortados em tigelinha entrou na sala. Sem nenhuma cerimônia Rock Lee, bateu os punhos na mesa bem em frente a irmã adotiva e começou a gritar:
- O que você pensar que está fazendo trancada aqui dentro trabalhando sem parar? Quando foi sua ultima refeição? Está querendo ficar doente!
- Pare de exagerar Lee!
- Não estou exagerando Tenten – respondeu o rapaz, fazendo um ar de ofendido – você nunca ouve seu irmão, que só quer o seu bem. Só por causa daquele carrapato nojento do Hyuuga, você está trabalhando desde ontem sem parar...
- Não o chame desse jeito - repreendeu Tenten fechando os olhos momentaneamente, às vezes à energia de Rock Lee a deixava cansada somente de olhar.
Emburrado o rapaz cruzou os braços sobre o peito, e virou o rosto para a parede.
- Descobriu alguma coisa? – perguntou Tenten, na tentativa de mudar de assunto.
O rosto de Lee ficou de repente muito serio, o rapaz soltou um suspiro cansado e sentou na poltrona em frente a mesa do escritório de Tenten. Durante alguns instantes ele nada disse, como se dentro de sua mente estivesse escolhendo as melhores palavras ou o jeito certo de dizer aquilo. Por fim ele respondeu:
- Nada. Nem mesmo uma única pista. Ninguém sabe quem é o cara, e se sabem não vão dizer. Eu realmente estou começando a ficar preocupado com a Hinata-chan...
- Fique tranqüilo, Lee nós somos os melhores rastreadores da máfia. Vamos encontrar a Hinata.
Tenten viu o irmão adotivo fechar o punho sobre seu joelho. Ela o conhecia tão bem, todo seu fôlego e animo inesgotáveis, sua vontade de sempre ajudar as pessoas próximas. O que seria dela se não fosse ele?
- Sabe Tenten, eu fico me perguntando por que a Hinata-chan – disse Rock Lee pensativo – porque não o Neji, ou o pai dela... Será que mais alguém sabe que...
- Eu duvido – respondeu Tenten – tecnicamente nem mesmo nós devíamos saber, que ela é na verdade filha de Hyuuga Hiashi, e não Neji. Esse é um segredo muito bem guardado, talvez o mais bem guardado dos Hyuuga.
- O que você acha que esse seqüestrador quer então Tenten? Já faz muito tempo e ele ainda não entrou em contato com a família... – a voz de Lee tornou-se mais carregada - Você acha que a Hinata está morta...
A Mitsachi sentiu o impacto daquelas palavras, que fizeram com que sua enxaqueca viesse à tona. Ela já tinha pensando naquela possibilidade. E a cada hora que passava o medo dentro dela crescia.
Neji jamais iria perdoá-la, se ela encontrasse apenas o corpo sem vida da Hyuuga. E dentro do seu intimo Tenten também sabia que ele não perdoaria a si mesmo.
Interiormente a Mitsachi riu daquela situação toda, acima de tudo ela queria encontrar Hinata, porque estava preocupada com Neji. Preocupada em como ele iria ficar se perdesse a mulher que amava...
Tenten fechou os olhos, desejava tanto naquele momento uma cama e suas pastilhas de aspirina. Desejava tanto esquecer Neji... Amor. Às vezes esse sentimento podia ser tão patético.
- One-chan você está me ouvindo?
A voz de Lee trouxe a moça de seus pensamentos. Não era tempo para ficar pensando naquilo. Ela precisava se focar nos problemas de imediato.
- Vamos encontrar a Hinata, Lee. Vamos encontrá-la viva.
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Orochimaru viu a porta do seu escritório fechar-se com um pequeno baque, quando ficou novamente sozinho, um sorriso ferino surgiu em seus lábios descorados. Ele simplesmente adorava, quando homens que se diziam dignos e corretos, vinham correndo para ele, numa tentativa desesperada de resolverem seus problemas. Mal sabiam eles que naquele ato, seus problemas iriam apenas se multiplicarem.
Dignamente, Orochimaru levantou-se e caminhou pelo seu elegante escritório. Estava começando a ficar sem paciência de olhar sempre para as mesmas, peças de esculturas, e os mesmo quadros. Talvez estivesse já na hora de trocar de decorador, e remodelar aquele lugar.
Girando nos calcanhares, o homem extremamente pálido, parou em frente, as suas enormes janelas, que ficavam atrás de sua mesa de trabalho. Valia a pena pagar pelo aluguel exorbitante daquele lugar, apenas para ter uma vista privilegiada como aquela. Ali ele podia enxergar quase toda cidade. Os outros prédios, as ruas movimentadas, os carros de varias cores. Toda aquela agitação típica, das pessoas que iam e vinham, e nem por um segundo imaginavam que ali em cima havia um homem a observar todos. Um homem com o poder de mandar assassinar qualquer uma daquelas pessoas, apenas como um capricho.
Orochimaru deixou que seus olhos saíssem da janela e pousassem sobre sua mesa. Estava apenas no meio do expediente ainda tinha trabalho a fazer.
Calmamente ele sentou na sua cadeira de couro, e mais uma vez leu a manchete do jornal que continuava sobre sua mesa que dizia em letras garrafais: Seqüestro na família Hyuuga.
A matéria do jornal, era comprida, e dava poucos detalhes sobre o caso. Mas Orochimaru, conseguira entender que a policia também estava envolvida, o que denunciava que os Hyuugas estavam desesperados, enquanto ele estava começando a sentir-se levemente irritado com aquilo.
Com extrema agilidade Orochimaru, apertou um digito no seu aparelho de telefone e falou no viva-voz, com sua secretaria, que estava na sala adjacente:
- Recebi alguma ligação do senhor Uchiha Sasuke?
- Nenhuma senhor até esse momento. – a voz daquela jovem mulher, sempre era eficiente.
- Quando ele ligar, passe-o imediatamente para mim, mesmo que eu esteja em reunião.
Orochimaru não esperou a resposta da secretaria, desligou o aparelho, amassou o jornal e tacou-o na lata do lixo embaixo de sua mesa, onde era seu lugar.
Com elegância, o homem extremamente pálido reclinou-se na sua cadeira, e fechou os olhos, ainda faltavam alguns minutos para sua próxima reunião.
- Então Sasuke-kun – disse Orochimaru em voz alta, para si mesmo na sala vazia – você quer brincar de gato-rato. Apesar de saber que eu nunca perco...
OoOoOoOoO
Yare mina-san!! Aqui estou com mais um capítulo dessa fic!
Eu espero que vocês tenham gostado! Estou tentando deixar os capitulos cada vez maiores!
Quero agradecer de coração a todas as pessoas que estão acompanhando essa fic,
aquelas que mandam reviews (principalmente), aquelas que não mandam, mas ajudam fazendo os hits aumentarem
de verdade obrigada!
Nos vemos nos proximos capitulos!
Agradecimentos mais do que especiais:
Viic Girotto, Hanae Ichihara, Melly Hyuuga, FranHyuuga, Izzy Doll,
Tilim, Guida-Hyuuga, Asakura Yumi, Elara-chan, Lust Lotu's, aikochibi, marcy bolger.
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