N/A: Yo! E… estou aqui outra vez. Tive mais uma ideia e decidi partilhar. Espero que gostem. o/~

Advertências: Colecção Inatingível. Pode ser relacionada às anteriores fanfics. Tyson x OC. UA. Romance/Drama. One-shot.

Disclaimer: Tyson Granger/Takao Kinomiya pertence a Aoki Takao. Elise Anderson Taylor pertence-me. A história foi escrita sem quaisquer fins lucrativos.


Chuva

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A porta bateu com força, mas nenhum deles se importou com o ruído desta. Os ecos das suas vozes eram muito mais ensurdecedores e eram a única coisa na qual se conseguiam focar naquele momento.

A mala de Elise foi atirada com força para cima da mesa de centro e ela virou-se para encarar o rapaz, as palavras já explodindo da sua boca para fora.

— Tens noção do que fizeste?! — Tyson virou-lhe a cara, a sua expressão irritada mais que notável. — Claro que se não fosses tão burro nada disto tinha acontecido!

Ele virou-se para a loira num ápice, a raiva escalando nos olhos acastanhados.

— Burro?!

— Tu ouviste-me!

— Ahh, agora eu sou burro! — ele replicou, num tom recheado de ironia. — E tu és o quê? Achas que o mundo é obrigado a engolir o teu ar snobe e arrogante todos os dias?!

As palavras atingiram-na. Tal como as suas o tinham atingindo a ele. Em cheio.

— Tyson…

— Não esperava ouvir isso de ti, Elise. — a raiva tinha baixado e a desilusão e tristeza repicavam naquele tom condescendente. — Dispenso a tua companhia nos próximos tempos.

E com aquelas palavras, ele foi-se embora, batendo a porta atrás de si e deixando-a sozinha.

Elise caiu no sofá e levou as mãos ao rosto, sentindo-se uma idiota. Aquela briga estúpida tinha ficado fora de controlo e ela tinha acabado por o magoar. Trazendo ao de cima aquilo que toda a gente assumia, sem nem se dar ao trabalho de o conhecer.

O suspiro escapou-lhe dos lábios, ao mesmo tempo que as primeiras gotas de chuva bateram na grande janela de vidro. O olhar da loira foi até à vidraça e ela sentiu o coração balançar.

Ele vai chegar encharcado a casa.

Ela sabia Mas também sabia que não podia simplesmente agarrar no guarda-chuva e ir a correr atrás dele. A última coisa que ele queria naquele momento era vê-la. E Elise sabia que ele preferia aquela chuva no corpo, a ter que olhar para a cara dela.

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Já tinham passado três dias desde a última vez que o tinha visto. E o bar da faculdade nunca lhe tinha parecido tão vazio. Não havia os sorrisos confiantes, a voz desafiadora, nem as exclamações indignadas sempre que ela soltava alguma das suas refutações impróprias. De propósito.

Agarrou na chávena de chá com as duas mãos e sentiu-as aquecer sob a porcelana. Estaria ele apenas a evitá-la enquanto se escondia nos corredores? Ou será que ele a odiava tanto que nem sequer queria estar no mesmo edifício que ela?

As divagações esdrúxulas de Elise foram interrompidas por um trio que parou junto à sua mesa e que ela sabia pertencer à mesma turma que ele.

— Taylor.

Elise preparou o seu melhor sorriso e fitou o grupo que a encarava.

— O que posso fazer por vocês?

— Ouvimos dizer que és amiguinha do Granger. — antes que ela pudesse negar, um bloco de folhas foi colocado à sua frente, sem cuidado nenhum. — Sendo assim, será que podias fazer isto chegar a ele? Há três dias que ele não aparece nas aulas e nós já estamos fartos que os professores nos dêem as coisas dele.

O sorriso da jovem amargurou-se. E o desprezo que ela sentia por aquele grupinho, triplicou. Fitou-os com cuidado, mas decidiu conter a sua língua por um momento. Tyson não precisava daquilo.

— É claro. — ela declarou, vendo as expressões fecharem-se ao serem tocadas pela sua falsa simpatia. — Podem contar comigo.

Deram aos ombros e viraram-lhe as costas. E ela bebeu o resto do chá, enquanto observava o monte de folhas à sua frente. Ele não aparecia na faculdade há três dias… será que… ele a odiava tanto assim?

Uma risada seca saiu dos seus lábios, enquanto ela agarrava no monte de papel e colocava a sua mala ao ombro. Odiando-a ou não, só havia uma maneira de descobrir o que se passava.

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Elise deu a volta à rua umas três vezes, até achar alguém e conseguir indicações correctas para onde se tinha de dirigir. Apesar do seu japonês ser impecável, isso não a ajudava em nada quando tinha que achar algum sítio sozinha. Pelo menos, tinha a capacidade de pedir ajuda e entender o que lhe diziam.

Não que aquela fosse a primeira vez que visitava a casa dele. Nos primeiros meses em que se conheceram, ele tinha-a levado até lá, mostrando-lhe, com bastante orgulho, cada canto desta. Um tradicional dojo japonês, grande e imponente. Mas das poucas vezes que estivera lá, a jovem fora conduzida por ele durante todo o percurso, não se dando ao trabalho de decorar o caminho que precisava percorrer até chegar ao local. Talvez porque acreditasse que ele estaria sempre ao seu lado para a guiar.

Encarando a porta de madeira, ela não sabia o que fazer. E se fosse ele a abrir e não o avô dele? Respirando fundo, a loira bateu três vezes e esperou. Até a porta deslizar para o lado e o velho Ryu aparecer e olhá-la com alguma curiosidade.

— Vejam só quem é ela! O que te traz por cá, Elise?

— Desculpe aparecer assim, mas uns colegas do Tyson deram-me isto, hoje. Acredito que sejam trabalhos da faculdade. — ela entregou o monte de folhas ao velho homem. — Eles… disseram-me que o Tyson não aparece nas aulas há três dias. Ele está bem?

— Não, o baixote ficou doente estes dias. — as palavras de Ryu apanharam-na desprevenida. — Ele apanhou chuva no caminho para casa e acabou por ficar com uma gripe.

— Estou a ver… — ela murmurou, sentindo um misto de alívio e preocupação no peito. Talvez ele não a odiasse. — Diga-lhe que lhe desejo as melhoras.

— Não queres entrar para vê-lo? — Ryu ofereceu, já se desviando para dar espaço à jovem.

— Ohh não, eu tenho que voltar para casa, preciso resolver umas coisas. — ela respondeu, dando um passo atrás e tentando evitar que o velho homem a obrigasse a entrar. — Fica para uma próxima.

Após acenar-lhe, a porta fechou-se e Elise pôde fazer o seu caminho de volta até à saída do dojo. Forçando cada fibra do seu corpo a manter-se séria e indiferente ao notar quem a esperava, junto ao pilar da entrada.

— Não devias estar deitado? — ela soltou, assim que ficou ao seu lado, mantendo o seu olhar afastado dele.

— Não devias estar na faculdade?

— Não é da tua conta.

— Digo o mesmo.

Levada pela frustração que aquela teimosia quase infantil dele sempre originava, Elise virou-se para o rapaz, fitando os olhos acastanhados. Que a olhavam de volta, com a mesma firmeza.

Sem que nenhum se apercebesse, uma gota de água caiu entre eles, as restantes seguindo-se aos poucos, tornando a sua presença notória. Mas nenhum se moveu.

— Se apanhares mais chuva, vais ficar pior.

— Se saíres daqui sozinha, vais-te perder.

— Eu sei tomar conta de mim.

— Digo o mesmo. — ele repetiu, virando o rosto e afastando-se dela.

Elise deixou a tensão daquele pequeno encontro esvair-se num suspiro e riu sozinha. Como sempre, ela não sabia desculpar-se ou resolver a situação. Como sempre, a sua língua e o seu orgulho tornavam tudo pior.

Irritada, agarrou na alça da mala e abandonou o dojo. Ela não se ia perder. Elise Anderson Taylor era inteligente demais para isso.

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Tyson estava deitado na cama, uma perna traçada sobre a outra, enquanto relia um dos seus mangás favoritos. Pelas portas entreabertas, via a chuva cair no pátio e perguntava-se se ela realmente tinha conseguido achar o caminho de volta para casa.

Apesar de ser esperta e ter bons instintos, a loira tinha a tendência a confundir-se com as ruas na sua parte da cidade. Estava tão habituada a ir para todo o lado de carro, que quando era obrigada a andar a pé em sítios que desconhecia, perder-se era a primeira coisa que lhe acontecia.

O rapaz fechou o livro e colocou-o em cima da mesinha-de-cabeceira. Talvez devesse ligar para ela, só para ter a certeza que ela tinha chegado bem a casa. Ou talvez não. O mais provável seria ela irritá-lo ainda mais com os seus comentários esbanjando superioridade e arrogância.

Sentando-se na cama, Tyson ponderava sobre o que fazer até ouvir a voz do seu avô. E uma voz a mais juntar-se à dele. A voz dela. Saltou da cama e foi até à entrada, onde a encontrou, a roupa encharcada e os fios loiros colados ao seu rosto, vermelho da provável corrida.

— Tyson, arranja uma muda de roupas para a Elise, anda lá.

A voz do seu avô despertou-o da figura vulnerável e o rosto dela pareceu mostrar vergonha por um segundo.

— Não é preciso! — ela interveio, o corpo começando a dar sinais de frio. — Eu só… — mas a loira não pôde continuar, pois o velho homem interrompeu-a.

— Nada! Vais entrar, vais tirar essas roupas e vais tomar um banho quente!

Um certo desespero pareceu tomá-la.

— Estou a falar a sério, não precisa…

Ela não queria ficar. Por causa dele.

— Entra. — disse o rapaz, recebendo a atenção daqueles olhos verdes. — Se não, ficas doente.

Ela ficou sem resposta, mas Tyson sabia que não tinha mais como ela recusar. Ouviu-a agradecer ao seu avô, naquele tom simpático que escondia embaraço, enquanto ele se afastava até ao quarto, para lhe arranjar uma muda de roupas.

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Passaram perto de quinze minutos até ela bater-lhe à porta, entrar e sentar-se na beira da sua cama. Tyson estava sentado na cadeira da secretária, fingindo que lia o seu mangá.

— Perdeste-te. — ele constatou, assim que o silêncio começou a ficar insuportável.

— Perdi-me. — ela devolveu, admitindo a derrota. — Estás melhor…?

— Estou.

Um novo silêncio. Ainda pior que o anterior. E sem vontade alguma de se ir embora. As palavras ditas há três dias atrás ainda pisavam e o orgulho de ambos só recalcava na ferida. Elise observou-o por um momento e perguntou-se se valia a pena. Se toda aquela fachada valia a pena, quando nem mesmo a precisava usar.

Aconchegou-se nos pijamas dele, que quase lhe serviam na perfeição e voltou a sentir-se uma idiota.

— Eu não te acho burro. — ela murmurou, minutos depois, num tom suave.

Viu-o fechar o mangá e sentiu-se um tanto insegura quando o olhar dele recaiu no seu.

— Eu acho-te arrogante.

A risada dela fugiu-lhe ao ouvir a afirmação dele. Não o podia culpar.

— Eu sou arrogante. — a loira devolveu, notando um pequeno sorriso naqueles lábios amuados. Sentindo-se corajosa, as palavras saíram mesmo antes de as medir com cuidado. — Desculpa.

O sorriso tornou-se mais nítido e ela sentiu-se mais leve.

— Eu também peço desculpa. — ele acabou por dizer, um ligeiro rubor no seu rosto.

Ouviu-a rir, o que não o preparou para a almofada que acertou-lhe em cheio no meio da cara. As risadas tornaram-se mais firmes assim que Elise assumiu a sua vitória.

— Ei! — ele reclamou, agarrando no objecto e atirando-o de volta para ela, Elise agarrando-o com facilidade.

Ambos partilharam um sorriso tonto, enquanto as memórias daquela briga ridícula se esvaneciam no som da chuva a bater no chão.

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Fim


N/A: E terminou. o_o

Só uma coisa: alguém se lembra de V-Force…? O Tyson tem uma prateleira cheia de mangás. E alguém se lembra do quarto dele? Tem umas portas deslizantes que dão para aquele corredor de madeira em volta da casa e para o pátio, daí a descrição que fiz. E o motivo da briga, claro, não é importante.

E… é isto. Tive esta ideia solta depois de ler o último capítulo do Retorno da Ana e foi isto que saiu. Parece que este casal ainda não me deixou. :v Mas é isso, espero que tenham gostado, reviews são sempre bem-vindas e obrigado a quem leu até aqui! o/~