Capítulo 4: Surpresas na autópsia de Letitia

- "Giselle é uma camponesa francesa, apaixonada por Loys, que na verdade, é o Conde Albrecht. Ele se faz passar por lenhador, e além da farsa não lhe conta que é noivo..." – Começou Grissom.

Sara sorriu um pouco e balançou a cabeça, parecendo estar interessada, quando na verdade pensava na carta que recebera. Estava endereçada a ela e o remetente era seu irmão Tom: Thomas Sidle!

Não o havia encontrado em San Francisco, no período em que estivera por lá. Sua mãe não primava pela credibilidade, dada a Instituição onde se encontrava, mesmo assim aconselhou-a a ficar longe dele, pois ele parecia amaldiçoado: levava infelicidade, por onde passava.

"... chega o Duque e sua filha Bathilde, noiva de Albrecht, Hilarion então..." – Continua Grissom entusiasmado, enquanto Sara lhe dá outro sorriso.

A rebeldia e a teimosia inatas em Sara, taparam-lhe os ouvidos e o coração aos conselhos da mãe, que tinha lá seus momentos de lucidez. Na verdade, apesar de ele ser uma vaga lembrança de sua infância, ela tinha grande curiosidade em conhecer o irmão, de quem não sabia nada há tantos anos.

A carta dizia:

Querida Sara

Que pena nosso desencontro, gostaria muito de vê-la!
Nossa mãe me falou, do ser humano bonito que você se tornou, mas isso não era o suficiente pra mim: precisava vê-la, pessoalmente.
Mamãe deu seu endereço, espero que não se importe.
Chego aí, no dia 20 de abril, à tarde, logo estaremos nos falando. E falaremos um bocado, porque ficarei com você, uns 20 dias. Vai dar pra pôr a conversa em dia.
Até lá! Receba muitos beijos do mano

Tom

Sara estava contente é claro, mas não tinha dado a notícia a Grissom e nem sabia da sua reação. Além da intromissão de 20 dias em sua intimidade, tinha também o fato de Tom ter se drogado e passado algum tempo, num reformatório juvenil.

Mas isso eram águas passadas; pecadilhos da juventude. Estava limpo agora. Mas ela não sabia qual seria a reação de Grissom, sempre muito rígido, nessas questões.

- "... chocada com a notícia, Giselle enlouquece e morre".E assim acaba o 1º ato.
Ótimo, se ela tivesse ouvido qual era a notícia. Mas como o assunto era morte, achou que não caberia um sorriso aí. Adotou um ar pesaroso e viu que Grissom parecia aprovar.

- O 2º ato, vem a calhar pra você querida, é onde aparece as willis.

Sara achou melhor prestar atenção agora pois esse assunto lhe dizia respeito, além do que, não queria fingir, novamente. Não era muito boa nisso.

- "Bem, quando o 2º ato começa, Hilarion está de vigília na tumba de Giselle, quando soa a meia-noite. Esta é a hora em que as Willis se materializam. São almas de jovens que foram enganadas por seus noivos e morreram antes do casamento...".

E assim chegaram ao estacionamento do laboratório. Sara não teve tempo de falar sobre Tom. "É melhor, falar sobre isso, em casa", pensou.

- "... até a aurora, hora em que o poder de materialização das Willis desaparece..." – Concluiu Grissom perfeito no seu "timming".

- Você assistiu mesmo, à todas essas óperas e balés que fala?- Perguntou Sara, enquanto abria o cinto.

- Sim! – Respondeu espantado. – Várias vezes, por que?

- Nada, curiosidade apenas! - Respondeu já fora do carro, revirando os olhos e com uma expressão "Meu Deus!" no rosto.

No elevador ela lhe perguntou o que pensava da cisma do Brass.

- Nossa, ele está convicto, não? Pra ser totalmente, sincero com você, não sei! Primeiro, vamos ver o que diz a autópsia! – Falou Grissom muito sério.

- Acho que nunca tivemos um caso assim; nada de crime, mas um monte de suspeitos. – Sara estava descontraída, achando a situação insólita.

Grissom teve de concordar que toda pessoa que conhecesse Letitia Shawn, tinha algum motivo para matá foi procurar Henry, com os comprimid para dor de cabeça, na mão, enquanto Sara ia deixar as evidências, achadas no camarim e, os cotonetes com Wendy.

Na sala do DNA, encontrou Warrick e Greg e, lhes contou sobre a autópsia da bailarina. Os dois apresentaram reações diferentes: enquanto Warrick, não se importava e deixava claro que para ele, tanto fazia; Greg ia obrigado se forçando a gostar de algo que lhe repugnava.

- Não entendo como Grissom pode gostar disso!

- Cada um tem um gosto, Greg! – Dizia Warrick.

- Eu sei! – resmungava, Greg. - Mas mesmo assim...

Na sala de autópsia o Dr. Robbins na cabeceira da mesa, parecia o aniversariante, os CSI's à volta da mesa, os convidados e o cadáver sobre a mesa, o bolo! Só faltavam os chapeuzinhos pontudos e as velinhas, pensava Greg.

Dr Robbins começou a falar:

- Essa moça, não teve um simples ataque cardíaco, ela foi LEVADA a ter um ataque cardíaco. É homicídio!

- Tem certeza disto, Al? - Indagou Grissom.

- Sim! Tudo começou quando estava lavando o corpo e achei esse furinho no braço direito– e o doutor mostrou a todos sua descoberta. – Agora a não ser que ela fosse canhota, ela não se aplicaria uma injeção na veia do braço direito! Alguém aqui sabe, se ela era canhota?

Os quatro se entreolharam: ninguém sabia! Não é uma coisa usual de se perguntar, a não ser que se tenha bom motivo.

- Ela não podia ser viciada, doutor? – Perguntou Warrick.

- De fato, pensei isso também, pois a cocaína injetada pode levar um jovem ao ataque cardíaco. Mas vejam, tirando esse furinho ela não têm mais nada nos braços e pernas – e o legista mostrava o que dizia aos outros. – Ainda assim, mandei sangue e um pedacinho do tecido do coração, para a toxicologia.

- E, então? – Indagou Sara curiosa.

- Bom, o coração se parece mesmo com um que teve uma arritmia séria. Mas a taxa de sódio é muito alta, até pra quem tem um ataque cardíaco. Como vocês sabem, o coração precisa de um balanço perfeito entre sódio e potássio, um relaxa demais o outro aperta demais. As bradicardias e taquicardias formam as arritmias, que são tão prejudiciais.

- Então ela foi envenenada? – Indagou Greg.

- Sim e não!

- Ora, Doc ou foi ou não foi! – Falou Grissom, quase perdendo a paciência com o doutor.

- Bom, não no sentido que conhecemos; mas sim, alguém lhe aplicou deslanosídeo, para provocar o ataque cardíaco.

E antes que Grissom pudesse articular alguma coisa, o legista se antecipou:

- O deslanosídeo é parente da digoxina.

- Então, ambos são retirados da digitalis. – Afirmou Grissom.

- Isso mesmo! Tanto cura, quanto mata: questão de posologia; - Disse o doutor. – A dosagem diária é de 0,2 a 0.4 mg, ela tinha cerca de 5mg.

- Uau! Dose cavalar! – Exclamou Warrick.