Título: Founding Fathers
Autora: Rebeca Maria
Categoria: pós season finale 4ª temporada
Advertências: Futuro smut, Angst.
Classificação: M/MA - Nc17
Capítulos: Este é o quarto
Completa: Não
Sinopse: "As pessoas esquecem e tem a chance de recomeçar, mas fazem tudo igual, as mesmas escolhas, se apaixonam pelas mesmas pessoas."


PARTE UM: SLEEPLESS

Founding Fathers

Capítulo 04

War Inside
T. Brennan & S. Booth
Angst / Romance

Smut

WAR INSIDE


"It's never just the one person who dies, Bones. Never. Never. You know, we all die a little bit, Bones. With each shot, we all die a little bit."


Ela tentou pela quinta vez aquela manhã, e como sempre, o celular de Booth chamava até cair na secretária eletrônica.

"Booth, é a Bones. De novo. Estou passando aí. Sweets, lembra?" – ela falou rapidamente após o bip da secretária eletrônica. Minutos depois estacionou na frente do prédio dele e tentou ligar novamente – "É, é a Bones. Estou subindo."

Ela parou na frente da porta de Booth e procurou pela chave do apartamento, que ele tinha lhe dado na época em que ele estava com problemas na coluna. Antes, bateu duas vezes e só quando não obteve resposta que resolveu usar sua chave.

"Booth?" – ela abriu a porta e colocou a cabeça para dentro. Deu um passo para frente e percebeu que havia pisado numa poça enorme de água – "Booth?" – chamou de novo, mais alto.

Olhou para o chão e viu que estava inundado. O carpete estava todo molhado e, provavelmente, arruinado.

Correu os olhos pelo caminho da água, vendo que se originava da cozinha e já alcançava quase o corredor até os quartos. Ela andou cuidadosamente até a porta da cozinha para ver de onde vinha tanta água, mas então, sem perceber, parou junto ao batente, e apenas ficou ali.

Bem à sua frente, deitado de costas no chão, estava Booth. Ele se esgueirava para debaixo da pia, tentando apertar um cano que, pelo pouco que ela observou, era a origem de toda a água do apartamento.

A primeira coisa que ela observou foi a cena geral. Booth tentando consertar um cano quebrado. A segunda coisa que ela observou, foi a mais óbvia: Booth estava absolutamente todo molhado. Os cabelos, àquela altura mais compridos do que o usual, grudava um pouco na testa, que estava um pouco franzida devido à concentração dele para arrumar o cano. A água escorria pelo pescoço e descia pelo corpo dele. E a terceira coisa que ela realmente observou foi que Booth estava sem camisa. E com um olhar mais atento no caminho que a água fazia no corpo dele, ela podia jurar que ele tinha descoberto mais músculos no abdômen do que qualquer outro homem que ela já tivesse visto. Se isso fosse possível, talvez ela acreditasse, claro.

Um filete de água em particular chamou sua atenção. Escorregou pelo pescoço e pelo peito, passou pela barriga e perdeu-se no cós da calça que Booth usava. Ela não percebeu quando passou a língua pelos lábios e mordeu o lábio inferior.

Ela não percebeu que, por mais algum tempo, ela perdeu-se naquela cena e analisou cada movimento que Booth fazia, praticamente decorou cada movimento que o corpo dele executava.

A testa franzida e a boca curvada. Os olhos estreitos e atentos. Os braços fazendo força com a ferramenta, o abdômen contraído, uma das pernas flexionada para dar mais apoio. A água escorrendo por todo o corpo dele e fazendo tudo aquilo parecer ainda mais... tentador.

"Droga!" – ele ralhou, fazendo-a balançar a cabeça e piscar algumas vezes, percebendo que ele ainda não tinha notado a presença dela.

Por mais alguns segundos ela o observou brigar com a ferramenta e o cano e, então, mais água começou a vazar, fazendo-o ralhar novamente, mais alto dessa vez.

"Se você inclinar um pouco a chave de cano," – ela começou, fazendo-o olhá-la imediatamente, surpreso – "você vai conseguir botar mais força para apertá-lo e parar com o vazamento."

"Brenn..." – ele sussurrou, saindo de baixo da pia para olhá-la melhor – "Eu... há quanto tempo você está aí?" – o olhar dela passou pelo rosto surpreso dele e captou o movimento das mãos dele em retirar o cabelo da testa.

"Pouco tempo. Eu tentei te ligar. Várias vezes." – ela falou, um pouco apressada, mas tentando manter um tom normal. Booth observou-a atentamente enquanto ela retirava o blazer e botava sobre a mesa, e então desfazia-se dos sapatos.

"O que você está fazendo?" – ela dirigiu-se até ele e abaixou-se. Apanhou a chave de cano da mão dele e se curvou até alcançar a pia, ficando na mesma posição que Booth estava antes.

Ela não estava mesmo fazendo aquilo, certo? Ele fechou os olhos por alguns segundos, na intenção de não olhar para ela. Não ver que ela estava deitada ao lado dele e que já estava toda molhada. Ele não queria ver a blusa dela colar ainda mais em seu corpo e instigá-la mais do que quando estava seca. Não queria ver o cabelo dela grudar no rosto, dando-lhe um ar divertido, descontraído e absolutamente sensual. Ele respirou profundamente, na intenção de controlar seu corpo. Abriu os olhos e tentou manter-se focado apenas no rosto dela, mas era bastante difícil quando a água do cano deixava-a cada vez mais molhada. Ele pôde perceber que a pele dela estava arrepiada e por um instante cogitou tocá-la. Não foi sua idéia mais brilhante. Apenas o pensamento de tocá-la o levou a olhá-la. O pescoço, o colo, a barriga. A blusa branca, a essa altura, mal cobria a pele dela, e a constatação desse fato o fez fechar os olhos novamente. Apesar de tudo, lembrando-se ou não dela como sua parceira, ele ainda era um perfeito cavalheiro.

"Consertando o seu cano." – a voz soou bem perto do seu ouvido. A respiração dela bateu em seu pescoço, fazendo-o se arrepiar e não ajudando em nada o seu corpo a se controlar. Ele abriu os olhos e virou o rosto.

Os olhos deles se encontraram, o nariz dele roçou o dela, e nenhum dos dois falou nada. Nenhum movimento, nenhum gesto. Nada. Ela abriu e fechou a boca algumas vezes. Ele aproveitou para olhar o rosto dela. Os fios de cabelo molhados na testa, o filete de água escorrendo pela bochecha até perder-se nos lábios dela.

Ele curvou o rosto e viu-a suspirar profundamente e fechar os olhos. Ele viu seu autocontrole sumir quando os lábios dela apenas roçaram os seus. Era um toque tão leve, tão suave e quase tão inocente que era quase imperceptível. Quase. Mas tanto para ele quanto para ela, aquele simples roçar de lábios enviava sensações a cada parte do corpo, fazendo-os se arrepiar e tremer.

Brennan ergueu a mão, até tocar o ombro de Booth. Assim como o toque dos lábios, o toque dos dedos dela eram leves e sutis. Apenas as pontas dos dedos dela roçavam a pele dele, vagarosamente.

A boca dela estava entreaberta e Booth deu uma última olhada em seu rosto antes de fechar os próprios olhos.

Um roçar de lábios a mais. Um arrepio a mais. Um segundo a mais e um toque alto e estridente depois e Booth viu Brennan saltar para longe dele para apanhar o celular no bolso de seu blazer.

Ela fez um sinal para Booth, que apenas balançou a cabeça e se levantou, indo para fora da cozinha. Quando retornou, segurava duas toalhas secas e uma camisa na mão. Estendeu uma para Brennan e usou a outra para se secar.

"Sweets ligou dizendo que vai se atrasar um pouco para a nossa sessão de hoje. É o tempo para a gente chegar lá." – ela pegou a toalha e a camisa e sorriu ligeiramente para ele.

"Eu vou me trocar. Você vai precisar passar em casa?"

"Coisa rápida. Eu preciso de uma calça, e não é como se a sua calça fosse caber em mim. Ou ficar bem em mim, de qualquer jeito." – ela sorriu para ele, quase sem perceber, e ele sorriu de volta, concordando.

"É melhor você se secar rápido, ou pode pegar uma pneumonia." – ele disse, antes de virar-se e sair da cozinha.

Quando Booth voltou, já estava todo arrumado, de terno e gravata, como se nada tivesse acontecido. E ele parou bem na entrada da sala para observar Brennan com sua camisa.

O tom do tecido era azul claro, o mesmo tom dos olhos dela. E ele imaginou que era impossível uma mulher parecer tão maravilhosamente bem numa camisa masculina como Temperance Brennan parecia.

"A camisa ficou bem em você." – ele anunciou sua presença, fazendo-a olhá-lo.

Ela apenas consentiu e fez um gesto para que eles fossem embora. Passaram rapidamente no apartamento dela e depois foram para o J. Hoover Edgar Bulding e, durante todo o tempo até chegarem ao consultório de Sweets, devidamente arrumados e profissionais, tudo o que eles conversaram foi amenidade.

x.x.x

Havia sido um acontecimento, isso era um fato que ninguém ousava contestar. A perda de memória de Booth transformou a vida de cada um deles de uma forma diferente. Em níveis diferentes. Mas ele sabia que nada se comparava ao que Brennan vivia durante aqueles dias desde que o seu parceiro acordara. Ainda assim, estudá-los tornou-se apenas mais interessante.

A confusão na cabeça do agente o fascinava e o intrigava ao mesmo tempo. Ele observava as reações que aquilo provocava nela. A dor que ela escondia ainda mais fundo dentro de si a cada momento compartilhado entre os antigos parceiros.

Ele gostava de observá-los, e mais ainda, gostava de fazê-lo quando nenhum dos dois sabia da presença dele. Antes, quando Booth ainda era Booth e Brennan ainda era Bones, a interação deles evoluía a cada instante. Ele percebia os toques sutis entre eles, e a proximidade que ficavam, mesmo sem perceber, sempre que se sentavam num banco ou no sofá, ou mesmo quando estavam conversando e um dos dois se inclinava para falar algo. Ele percebia a parceria e cumplicidade entre eles, apenas no ato de completarem frases e pensamentos, e ainda assim negarem o que era tão óbvio. Era.

Porque agora, quando Booth era um outro Booth e Brennan era Brenn... era estranho. Era uma interação com uma sombra do passado que perseguia principalmente a ela. Era cruel e ao mesmo tempo fascinante. Era um novo começo para ele, de certa forma, mas com lembranças que a mente dele tinha criado com uma perfeição tão incrível que às vezes ele pensava que realmente era verdade e Booth tinha vivido tudo aquilo.

"Bom dia, Dra. Brennan. Bom dia, Agente Booth." – Sweets fez-se presente, sorrindo para os dois – "Como estão indo os negócios do bar, Agente Booth?"

"The Lab está indo bem, Sweets, você sabe disso, você trabalha..." – Booth perdeu o sorriso e olhou de Brennan para Sweets – "Quando você vai parar de me perguntar isso?"

"Quando você me responder que não tem um bar, Agente, Booth."

Brennan suspirou cansada, lançando um olhar pesado para Sweets, que apenas o captou pela visão periférica.

"Isso não vai dar em nada." – ela sussurrou e levantou-se, na tentativa de ir embora.

No entanto, Sweets seguiu-a até a porta e barrou sua saída, deixando que um de seus braços a impedisse de passar. Ele olhou-a seriamente, analisando-a com o olhar atento e cenho franzido.

"O que exatamente incomoda você nessa realidade alternativa criada pelo agente Booth, Dra. Brennan? Seria por ele ter feito de vocês um casal de verdade?" – ele perguntou, baixinho, para que só ela ouvisse.

Sentado no sofá, Booth observava os dois sem entender muita coisa. Às vezes entender Brennan era fácil. Ele podia saber, muitas vezes, o que ela queria ou o que faria apenas observando os gestos corporais dela ou os tons de sua voz. No entanto, quando ela tinha esses rompantes de raiva ou indiferença, ele apenas se deixava ficar na ignorância. Talvez algum dia entendesse essa parte de Brennan.

"Nada me incomoda na realidade que ele criou, Sweets. E você sabe por que? Porque ela não existe e eu não acredito em nada que não possa ser cientificamente provado. Você me incomoda." – ela tentou abrir a porta e sair, mas Sweets a impediu e olhou-a ainda mais seriamente, fazendo com que ela voltasse para o lugar ao lado de Booth no sofá.

"É, eu acho que agora podemos prosseguir com a nossa sessão de hoje." – Sweets olhou da seriedade de Brennan para a confusão de Booth e sorriu.

Normalmente os dois estariam parcialmente confortáveis, apesar de petulantes quanto aos exercícios propostos por ele. Mas agora o clima era quase sempre pesado e, de certa forma, hostil.

Sweets entendia que por um lado Booth estava sofrendo por não lembrar adequadamente de Brennan. E ela, por sua vez, racionalizava as coisas de tal forma que tudo parecesse como se ela não estivesse sofrendo, embora para um olhar mais atento –ou um olhar que a conhecia- a tristeza era bastante evidente.

"Então, como está indo com seu novo parceiro, Dra. Brennan? Agente Hanson, certo?"

Brennan pensou por um instante antes de falar o que veio à sua cabeça. Falar para Sweets que Hanson era um imbecil egocêntrico e idiota não era a melhor forma de encurtar o assunto. Muito pelo contrário.

"Bem," – ela disse apenas, fazendo com que Booth a olhasse incrédulo. Olhar que não passou despercebido por Sweets.

"Aparentemente o Agente Booth não concorda com você."

Brennan e Booth trocaram um olhar rápido, mas cheio de significado. E Booth soube que ela apenas queria sair dali o mais rápido possível. Então ele virou-se para Sweets.

"Eu não aprovaria homem nenhum trabalhando com a Brenn, Sweets." – o psicólogo pareceu considerar a resposta, que no final das contas, era um ótimo argumento.

"Tudo bem. Então eu tenho um exercício para vocês dois. Para todos nós, aliás."

"É mais um daqueles de palavras? Eu até gosto daqueles." – Sweets riu e balançou a cabeça.

"Não, Dra. Brennan. Este será um exercício de memória, principalmente para o Agente Booth. Nós todos, inclusive Angela e Hodgins, iremos nos reunir em lugares que costumavam ser familiares para o Agente Booth. Isso pode ativar neurônios no cérebro dele, fazendo-o lembrar-se gradativamente dos anos que ele esqueceu."

"E isso vai funcionar?"

"Não saberemos até tentarmos, não é mesmo?"

"E onde iremos?"

"Ao Founding Fathers."

Brennan olhou de Sweets para Booth. Este não exibia qualquer expressão que sugerisse que ele sequer soubesse o que Founding Fathers queria dizer. E isso a deixou magoada, mesmo que ela soubesse que não era culpa dele não se lembrar. Mas aquele era o lugar deles, certo? Um dos. Além do Royal Diner e do Wong Fu. Mas o Founding Fathers, nos últimos tempos, era o lugar que eles mais freqüentavam juntos, o lugar no qual eles mais tinham passado momentos importantes e especiais. Juntos.

"Eu não..." – ela começou, com a voz baixa e apanhou a bolsa, levantando-se – "Eu não posso ir."

"É extremamente importante que você vá, Dra. Brennan." – ela parou na porta e olhou para eles.

"Eu sinto muito, eu não posso."

Ela saiu, deixando Booth e Sweets em silêncio. Nenhum dos dois sabia exatamente o que dizer sobre a saída repentina de Brennan da sala.

"Eu não entendi..." - Booth não sabia o motivo de ela ter saído.

"A Dra. Brennan pensa que perdeu alguém que ela ama, Agente Booth." - e Sweets sabia exatamente.

x.x.x

Booth parou assim que entrou no Founding Fathers. Ajeitou a jaqueta verde sobre os ombros e olhou de um lado para o outro, procurando inconscientemente por Brennan. Mas tudo o que encontrou foi Sweets, Hodgins e Angela em uma mesa mais ao fundo. Ele parou para observá-los.

Alguns segundos depois Sweets levantou-se e sumiu num corredor. Aparentemente não percebeu a presença de Booth. Então ele passou a observar Hodgins e Angela, que conversavam alegres e sutilmente se inclinavam em direção um ao outro. Nunca deixavam de se olhar, e Hodgins nunca largou a mão de Angela sobre a mesa.

Por um instante Booth imaginou que aqueles dois na mesa, na verdade, eram ele e Brennan. Brenn. E pensou em quantas vezes eles já tinham se inclinado um em direção ao outro e se beijado. E se perguntou como aquilo na sua cabeça podia parecer tão real quando, na verdade, não passava de uma alucinação.

E ele podia enumerar infinitas vezes que eles tinham feito isso. E mais do que isso. Muito mais. Ele tinha em sua mente a primeira vez que a vira, ele se lembrava da primeira coisa que ele tinha falado para ela, e se lembrava perfeitamente de como tinha estado com ela durante a primeira noite inteira. Cada detalhe era tão vivo em sua mente que ele podia jurar que sentia cada arrepio e cada sensação cada vez que pensava nisso.

Booth podia ouvir sua própria voz falando algo para ela e dando um passo à frente. Ela sorria e também se aproximava. E então ele sorria de volta e a abraçava. E o abraço que ela retornava era tão intenso e maravilhoso que o fazia ficar sem ar. O abraço demorava alguns segundos apenas, mas para ele era como se fosse uma eternidade. Porque eram apenas ele e ela. E então eles se separavam e alguém chamava a atenção deles. Uma mulher negra vestida em uma beca e segurando uma bíblia.

Ele piscou. Estavam numa igreja, em frente a um altar. Um casamento. Dele e dela. Mas não era o casamento que ele se lembrava de ter tido com ela, com a Brenn. Piscou mais uma vez e viu o interior do bar entrar em foco na frente dele. E bem diante dos seus olhos, Angela e Hodgins, ainda inclinados muito próximos um do outro, quase se beijando.

Aquilo tinha sido uma lembrança? Ele e Brennan parados na frente de um altar como se fossem se casar? Mas se isso era uma lembrança, porque ninguém tinha contado para ele que eles já estiveram nessa situação? Não era cruel demais privá-lo dessa informação?

Ele piscou mais uma vez e, quando parou para olhar Angela e Hodgins novamente, eles estavam olhando para ele, acenando e sorrindo, chamando-o para juntar-se a eles. E nesse momento Booth decidiu que não contaria para eles sobre essa nova memória recuperada.

x.x.x

Brennan parou na frente de seu prédio e olhou para o seu acompanhante. Ele era bonito. O tipo de homem alto e forte, com ombros largos, maxilar grande e rosto simétrico. Parecia gentil, já que tinha pagado o jantar num dos restaurantes mais caros da cidade e feito coisas que a maioria dos homens já não fazia mais, como prestar atenção ao que ela dizia, deixá-la falar, ou mesmo abrir a porta de saída e do carro.

Ele parou na frente dela e sorriu. Ajeitou o colarinho da camisa e o terno e então puxou uma corrente que estava por baixo do pescoço. Duas TAGs militares. Brennan encarou-as, mesmo sem perceber. Seu coração acelerou, e ela não soube porque.

"Eu ganhei as TAGs quando fui para a Guerra do Kosovo." – ele disse, chamando a atenção dela para que o olhasse – "Você já esteve numa, guerra?"

"Eu já vi coisas tão ruins quanto, acredite."

"Eu amo esse país. Eu amo essa cidade. Eu realmente amo os Estados Unidos da América. E estar na guerra... ver o que eu vi foi a maior prova de amor que eu pude dar. Mas no final das contas, não é apenas uma pessoa que morre, Brenn. Nunca. Nunca. Você sabe, todos nós morremos um pouco, Brenn. A cada tiro, todos nós morremos um pouco."

Ela desviou o olhar imediatamente e deu um passo para trás. Ele franziu o cenho e ergueu a mão para tocar o braço dela, mas no instante em que sua pele tocou a dela, Brennan pareceu saltar para o lado e olhou-o assustada. Um olhar que dizia claramente 'Não me toque!'.

"Desculpe, eu falei algo que não devia?"

Ele parecia preocupado, mas ela não ligou para isso. Seu coração estava descompassado demais, sua respiração estava difícil demais e sua mente pensava demais para que ela ligasse para a preocupação dele. Ou mesmo percebesse.

"Eu sinto muito, Phillipe..." – ela sussurrou – "Eu não posso fazer isso..."

Antes que ela se desse conta, antes que ele conseguisse impedir, ela correu. Para longe dele. Para longe de qualquer lugar. Sua mente gritava que ela não estava fazendo sentido naquele momento, e que entrar em pânico por causa de uma frase era idiotice. Sua parte racional dizia para ela voltar e se desculpar com seu acompanhante, e passar a noite com ele. Mas sua parte racional estava totalmente abafada pelo pânico irracional que sentia no momento.

Brennan não percebeu quando começou a chover levemente, mesmo que, em poucos minutos, sua roupa e cabelos já estivessem parcialmente molhados. E quando ela parou de correr, percebeu que não sabia por quanto tempo tinha corrido, nem para onde. E percebeu que estava sem ar e cansada e molhada e com uma expressão que ainda dizia para todos que ela estava em pânico.

Um segundo depois ela percebeu onde estava. E isso não melhorou em nada o seu estado. Na verdade, deixou-a ainda mais inquieta.

Estava na frente de um bar, com uma fachada bonita e elegante. Em cima, o letreiro bem grande dizia 'FOUNDING FATHERS'.

Fim do Quarto Capítulo