Olá meus amados leitores, que saudades de você s... Milhões de desculpas por ficar uma semana sem postar quando eu disse que postaria um capítulo por dia. Eu sei que foi ruim, mas eu tive motivos fortes. Minha mãe passou dois dias internada no hospital, aconteceu na quarta passada. Foi um baque pra mim, e eu fiquei meio sem tempo para vir aqui. Mas já ta td bem com ela, já está em casa e bem. Depois disso foi a correria do fim do período. Eu estudo na UFRJ, e aquilo lá não é mole não. Mas agora estou de férias *-*. Eu vou postar alguns capítulos agora e mais alguns amanhã para ficarmos na conta certa. Depois disso postarei dois capítulos por dia para encontrarmos o ponto em que paramos mais rapidamente. Vocês são leitores maravilhosos e fiéis e não merecem esperar tanto apenas por uma situação chata que aconteceu e que nada tem a ver com vcs. Portanto estou voltando com força total. Adoro vcs queridos, e obrigada pelo enorme carinho e satisfação que vcs me proporcionam. É uma honra estar aqui para vcs. s2


Sinto cheiro de pão assando e dou de cara com um Peeta, de olhar curioso, de pé na porta. "Eu costumava desenhar aqui?"

"Sim", eu afirmo. "No livro de plantas da minha família. Era nisso que nós trabalhávamos quando eu fiquei de cama depois da Turnê".

Ele se senta na cama, enquanto eu lhe conto sobre suas visitas. Ele não me deixa levantar para pegar o livro, então digo a ele que eu acho que o vi no armário onde eu guardo jaqueta de caça do meu pai.

Peeta fica de bruços na borda mais distante da cama e passa a tarde folheando o livro, traçando os desenhos das plantas com os dedos. Suas sobrancelhas estão vincadas de tanta concentração.

Isso continua por um tempo. Sem dizer uma palavra, ele sai do quarto e traz de volta um livro de desenho. Ele abre em uma página e me mostra. Ele desenhou Prim atendendo a ele no hospital no Distrito 13.

Eu decido colocar seu desenho no livro. "Ela merece muito mais do que apenas uma folha," eu digo a ele. Peeta permite que eu folheie seu livro de desenhos. Está cheio de fotos de sua família, Finnick, Boggs- Eu gostaria de poder dar-lhes toda uma página. Pergunto a Peeta se ele gostaria de fazer um novo livro de memórias. Ele parece gostar da idéia.

À noite, é hora de limpar os curativos de novo. Enquanto ele está no outro quarto, eu corro para o banho. Eu verifico a caixa de suprimentos e adiciono alguns sais medicinais na água da banheira.

Eu fecho a porta antes que ele possa entrar, mas sua batida familiar me faz perceber que ficar de fora não faz parte de seu plano. Deixo que ele verifique as ataduras e o mando de volta para o quarto.

Ele parece genuinamente preocupado, e assim, como uma concessão silenciosa, eu deixo a porta do banheiro aberta enquanto ele se senta do lado de fora.

"O que você vai fazer amanhã?" ele questiona. "Eu estava pensando em cozinhar, mas desenhar também soa bem", ele continua falando sobre desenhos dos jogos, pesadelos, enfermeiros... Eu meio que tento escutar.

Quando meus dedos começam a se assemelhar a ameixas secas, eu decido me livrar das ataduras viscosas.

"Está tudo bem aí dentro, Katniss?"

"Tudo bem", eu digo. "O que eu faço com os machucados?"

Ele me diz que, se a pele estiver bem, eu só preciso manter a pomada sobre eles, mas que ele pretende inspecionar as áreas primeiro. Eu seco e me visto antes de ele entrar. Suas mãos são quentes, quando ele aplica pomada na minha pele remendada. Ele começa em meus ombros e trabalha o seu caminho para baixo, nos braços e na pele exposta das minhas costas. Eu pensei que minha febre tivesse passado, mas eu ainda fico arrepiada quando ele me toca.

Depois de secar meu cabelo, eu estou surpresa que ele ainda esteja aqui. Dr. Mellark está livre de seus deveres médicos, mas ele está assistindo televisão na sala de estar.

Eu chego à porta e me deparo com o lindo vestido cor de carvão feito por Cinna no Massacre Quaternário: eu sou um tordo. Sento-me do outro lado do sofá calmamente.

"Eu nunca vi isso", eu digo a Peeta, paralisada.

"Eu já vi várias versões", diz ele com um olhar triste em seus olhos azuis.

Eu não sei o que responder, então eu só assisto. Peeta pula as entrevistas e estou aliviada por não ter de falar sobre vestidos de noiva e bebês.

A fita chega ao primeiro dia do Massacre. Eu penso no espancamento de Cinna e recolho meus joelhos para junto do meu peito.

Peeta deve ter percebido o meu momento de angústia, já que me envia um olhar questionador.

"Cinna," eu começo. "Momentos antes, eles me fecharam no tubo e fizeram com que eu assistisse eles baterem em Cinna até sangrar".

Ele começa o vídeo a partir do momento em que estamos de pé sobre as plataformas da arena cheia de água. Estou espantada com a minha rapidez em recuperar a compostura depois de ver Cinna apanhar e ver como os tributos nadaram em direção à Cornucópia.

"Olhe só para você," Peeta me admira assim como Finnick, enquanto eu defendo a Cornucópia. "Nós não tínhamos a menor chance."

Finnick resgata Peeta fora da plataforma e nosso grupo se embrenha na selva.

Em algum momento, eu sinto a minha mão agarrar a sua. Peço-lhe para pular a próxima cena. "Por favor, não."

Depois de um longo olhar nos meus olhos, ele persiste. Ele está tentando descobrir alguma coisa.

"Eles disseram que o meu coração parou."

Aceno silenciosamente.

Eu fecho meus olhos até que o Peeta da tela tenha revivido.

"Isso é muito mais intrigante", ele congela a cena nas minhas lágrimas. "Essa não é a mesma garota que eu vi nos primeiros jogos."

Eu balanço a minha cabeça.

"Qualquer dia desses, você vai acabar me dizendo o que mudou."

Continuamos assistindo ao resto dos Jogos. Ele agarra a minha mão com mais força e a Tv mostra a mim, me forçando a carregá-lo através do nevoeiro, mergulhando na frente de um macaco para salvá-lo. Quando chega a hora da cena da praia, onde ele me dá o medalhão, digo-lhe que não precisamos assisti-la, mas eu não me oponho realmente quando ele decide vê-la, de qualquer forma. E eu me lembro da menina, determinada a tirá-lo de fora da arena vivo, mesmo que isso significasse acabar com a sua própria vida, a minha própria vida.

O replay mostra Peeta dando-me a pérola.

"Eu a perdi no bombardeio da Capital," eu admito.

"É uma pena", ele dá de ombros.

Quando começa a parte em que Johanna me bate e corta meu braço para retirar o rastreador, Peeta toca a minha cicatriz do tamanho de uma maçã, agora cheia de marcas de queimadura branco e rosa.

"Essa explosão foi realmente grandiosa," eu digo. "Esse choque me colocou no hospital e me deixou confusa por meses."

Na tela, a arena explode e a fita termina sem nenhum comentário. Eu sei que a qualquer momento as perguntas serão iniciadas.

Mas sua primeira pergunta não é o que eu espero.

"Assim?" Ele faz um gesto para as nossas mãos entrelaçadas. "Foi desse jeito que assistimos aos primeiros Jogos?"

Concordo com a cabeça.

"Foi em um programa de Tv?"

Eu fico em silêncio durante algum tempo para escolher com calma minhas palavras. Esta é uma conversa que tem que acontecer. Embora eu queira fugir, gritar com ele, eu persisto. "Era a única coisa que me mantinha na cadeira, me impedindo de correr para fora do palco."

"Ok", ele aceita a minha resposta. Ele leva um momento considerando-a.

"E esse vídeo, é assim que você se lembra do Massacre?", pergunta ele.

Concordo com a cabeça.

"Você sabia?"

"Não tinha ideia".

"Haymitch me disse, depois de um tempo, que você realmente não sabia. Eu não tinha certeza se eu poderia acreditar nele", diz Peeta. "Como você soube que deveria atirar no campo de força?"

Respondo que foi o mesmo com as amoras, que eu realmente não sabia.

"Beetee tinha o fio na sua faca. Achei que ele tivesse eletrocutado a si mesmo tentando explodir o campo de força."

Eu digo a ele que eu pensei que ele poderia estar longe o suficiente da explosão para sobreviver, mas que eu tinha certeza de que morreria.

"Por que você estava chamando o meu nome?", pergunta ele.

"Por que você estava chamando o meu?", eu me desvio.

"Katniss, eu estou tentando me lembrar."

"Tudo bem", eu digo com firmeza, e em seguida, conto a ele sobre o acordo duplo de Haymitch.

"Vocês dois e seus segredos", ele zomba.

"Eu poderia dizer a mesma coisa."

Estamos um pouco irritados um com o outro, mas eu não estou gritando e nem espumando de raiva, logo, conto isso como um progresso.

Eu continuo a história a partir da explosão, quando eu acordei em um aerodeslizador. Eu deixo de fora a parte sobre procurá-lo com uma seringa.

"Fiquei muito feliz quando soube que você estava vivo," Eu admito.

Aparentemente Haymitch lhe disse esta parte, porque ele ouviu falar sobre minhas várias ausências antes. Uma coisa embaraçosa a menos para dizer a ele, eu penso.

Eu quero saber o que aconteceu com ele. Mas talvez eu não queira.

Ele diz boa noite e retorna para sua casa. Eu fico no sofá, sentindo-me um pouco mais vazia. Eu enrolo um cobertor em torno de mim e mudo a mim mesma nas almofadas, até que eu possa encontrar uma posição mais confortável.

A porta clica novamente e ouço passos, vindo para o sofá.

"Eu ainda estou preocupado com você." Encaro-o através das pálpebras, lentamente fechando-as. "Talvez eu devesse ficar de olho em você esta noite."

Quando eu não me oponho, ele se move até o armário do corredor e coloca alguns travesseiros e cobertores no chão.

Ele sabe que a minha febre já passou e que eu estou bem. Meu palpite é que ele não queria enfrentar a sua casa vazia. No entanto, ele optou por voltar pra sua casa vazia e viver em um distrito dizimado, por mim. Eu posso entender por que ele não volta para 13 ou pra Capital. Eu provavelmente faria a mesma coisa.

Os pesadelos de hoje à noite são sobre Peeta morrer, brandindo a faca e outra vez com o campo de força, eu chamando seu nome e não sendo capaz de salvá-lo a tempo. Vindo em repetições, porém cada vez um pouco diferentes. Na segunda vez, eu corro em direção a ele e caio pra fora da borda da arena. Na terceira vez eu sonho que ele está muito perto, entretanto eu não posso alcançá-lo. Meus olhos se abrem e eu estou olhando para os seus olhos azuis sonolentos, parcialmente encobertos por seu cabelo de areia.

Demoro alguns segundos para me situar, e percebo que as almofadas do sofá rígido não estão mais sob meu corpo.

"Eu devo ter caído do sofá", digo em voz muito sonolenta, o que evidencia o meu embaraço. "Eu me mexo muito dormindo e..."

Ele balança a cabeça. "Você fala demais".

O dia ainda não amanheceu, mas eu necessito sair casa. No momento em que calço em minhas botas velhas e coloco o meu arco por cima do meu ombro, estou quase acordada.

"Algum pedido especial?" Eu me viro para Peeta.

Ele boceja. "Não como um dos seus esquilos a um bom tempo".

Concordo com a cabeça. A memória de meu pai fazendo a minha mãe esta mesma pergunta para em seguida beijá-la dando adeus, começa a piscar na minha cabeça. Eu rejeito a ideia e suas consequências, não querendo ser abalada completamente por ainda estar com sono.