Disclaimer: I do not own Relic Hunter – Relic Hunter e suas personagens pertencem a Fireworks Entertainment. Esta fic não possui fins lucrativos.
Summary: O amor tem várias formas, nem todas bonitas. Nigel desaparece, Sydney investiga o paradeiro do amigo e logo descobre que os dois não conseguirão escapar tão fácil das garras de uma mulher em buscado do amor verdadeiro. Violência e desespero os aguardam...
Categoria: Caçadora de Relíquias; Multitemporadas; Sydgel; horror; violência.
Advertências: Tortura e violência física.
Amor Verdadeiro
4 – O amor será domado
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Após as tentativas frustradas de se soltar, Sydney já estava com as pernas cansadas, os pulsos e os tornozelos destroçados, e soltar o peso do corpo totalmente sobre a cinta que prendia seu tronco à parede era desconfortável demais. Muito tempo se passou. Os olhos da caçadora, inchados pelo choro, começavam a querer se fechar. No alento de se manter acordada, mas descansar as pernas, o sono e o cansaço acabaram se apoderando da morena. Sonhos começaram a se misturar com a obscura realidade, e foi aí que a porta do quarto voltou a ser escancarada sem qualquer aviso, fazendo Sydney despertar completamente em um sobressalto.
A forte claridade provinda da abertura denunciava que era dia, e a vã esperança de que fosse uma alma abençoada que estivesse ali para resgatá-los despedaçou-se quando a mulher viu Rachel empurrando a conhecida cadeira de rodas para dentro da sala escura. Sydney forçou a vista, tentando distinguir em que estado Nigel se encontrava. Sentiu as feridas em seus pulsos ameaçarem sangrar novamente, pois a raiva a fez voltar a testar as faixas. Ele estava... Sydney nem encontrava palavras. Ver o homem alegre, sempre impecável, daquela forma deplorável a enchia de raiva e aflição. Ele estava com um pijama diferente do da noite anterior, e esse já estava sujo de sangue em vários lugares. Seus cabelos desalinhados escondiam parte do enorme hematoma que tingia praticamente todo o lado esquerdo de seu rosto com uma coloração escura e arroxeada. Ele ainda estava amordaçado, e seus olhos normalmente atentos e gentis miravam o nada, desfocados e sem vida. Sua cabeça balançava, conforme Rachel o empurrava para perto da cama. Ela o havia drogado novamente.
A ruiva soltou as fivelas de seus pulsos e tornozelos e o passou para a cama, com a rapidez de quem já estava acostumada àquilo. Ela o deitou de lado, com o rosto virado para a parede, de modo que ele não encarasse Sydney. Quando se afastou para puxar a pequena manta e o cobrir, Sydney viu que Nigel tinha feridas nas costas, que haviam sangrado por debaixo da roupa. As manchas não pareciam preocupar Rachel nem um pouco; ela passou as amarras para o outro lado do leito e prendeu o inglês. Passou as mãos pelos cabelos dele, beijou a lateral de sua testa e suspirou pesadamente.
A imagem terrível daquela mulher ali, ao lado de seu amigo, capaz de torturá-lo daquela maneira e continuar impune fez a ira de Sydney crescer ainda mais. A caçadora nunca se perdoaria por ter sido apanhada e estar permitindo a Rachel fazer aquelas coisas horríveis a ele. O cheiro de sangue no quarto aumentou consideravelmente, e Sydney já não sabia se era por Nigel ou por suas próprias feridas se abrindo contra as fivelas de seus braços e pernas. Rachel caminhou devagar e encarou a morena; não parecia estar muito feliz naquele momento.
― Terei que decidir o que fazer com você... – disse pensativa. Virou o rosto para Nigel: ― Ele está exigindo mais esforço do que eu pensava. Por que ele não cede? – encarou a caçadora: ― Me diga, Sydney. O que faz com os homens para deixá-los apaixonados por você? Eu também sou bonita, sou culta, bem sucedida e amigável. Por que ele se nega a me aceitar e me amar?
Sydney espantou-se quando a ruiva esticou os braços e retirou sua mordaça. Estava com a boca dormente e a garganta seca de ter sido amordaçada por tanto tempo: ― Precisa nos soltar, Rachel... – respondeu com a voz crepitando. A outra não disse nada. ― Por que está fazendo isso?
― Você não entenderia – a ruiva falou, baixando o olhar. ― Você é a incrível Sydney Fox. Tem admiradores em cada parte do planeta, e ainda assim não se apega a ninguém. Você tem todos aos seus pés, e mesmo assim não precisa deles. Eu preciso. Tenho que ter alguém comigo, que me ame e me faça feliz.
― Como alguém pode te amar se você os trata dessa forma, Rachel? Olhe para esta sala, está coberta com o sangue da pessoa que você quer conquistar – Rachel olhou para Nigel. ― Você tem que soltá-lo, por favor... Se continuar assim, ele vai morrer...
Rachel permaneceu olhando o homem na cama por mais um instante. ― Eles nunca ficam por vontade própria – respondeu. Sydney ficou quieta. ― Eu tenho que mostrar o que acontece se eles se forem. Eu tenho que ser dura para que eles compreendam.
― Está errada! Tem que nos soltar... – Sydney foi interrompida pela ruiva, que começou a rir:
― E você? Está totalmente incapaz agora, Sydney. O que acha disso? Qual é a sensação de ver aquele por quem você se importa escapando de seus dedos sem poder fazer nada? É horrível, não é? Pois saiba que eu também serei feliz desta vez, Sydney. Eu e meu verdadeiro amor!
― Como pode torturá-lo assim e ainda falar de felicidade? Não vê o que está fazendo?
Rachel encarou a outra mulher, séria: ― Eu sei o que está tentando fazer. Mas Nigel não vai voltar para suas garras. Você não o terá!
― Nos solte agora, Rachel! – a ruiva aproximou-se e começou a ajeitar a mordaça novamente. Sydney balançou a cabeça e reclamou o mais alto que pôde, mas foi logo calada mais uma vez pelo trapo improvisado.
― Chegará o momento em que eu me livrarei de você, minha amiga. Eu sei que está tentando roubar este homem de mim, e não terei piedade ou consideração. Agradeça por ainda estar no mesmo quarto que ele! – a ruiva deu meia volta e escancarou a porta, saindo do quarto.
Rachel deixara a passagem aberta desta vez, pelo menos Sydney não estava no escuro total. A luz que entrava no quarto permitiu-lhe ocasião para analisar com detalhes todos os cantos do pequeno aposento. Olhou para Nigel, que continuava imóvel na cama, sua respiração era quase imperceptível, mas estava lá. Sydney respirou fundo, obrigando-se a acalmar as ideias agora que podia realmente estudar o ambiente sem a imagem do amigo sofrendo alguma tortura à sua frente.
As paredes eram escuras. Não havia sinal de janelas ou de outras portas, apenas a lâmpada rubra, solitária no centro do teto. A mesa que ficava encostada na parede ao lado de Sydney não era grande; sobre ela estava o candelabro que Rachel havia usado anteriormente. Do lado desse, permanecia a caixa aberta, onde Rachel guardava os instrumentos médicos. O bisturi continuava no canto da mesa, perto da gaveta entreaberta. Não havia mais nada no quarto além da cama alta de metal, mais certamente uma maca, e a cadeira de rodas agora dobrada debaixo dessa. Sydney voltou a atenção para suas próprias ataduras. Seus tornozelos e braços estavam presos da mesma forma, esticados e separados. Era muito fácil perder o tato das mãos daquela forma, e os membros doíam incrivelmente. As cintas possuíam fivelas, mas Sydney não conseguia alcançá-las com as pontas dos dedos, já havia tentado fazer aquilo. E o mais importante: não era para estarem ali. O material das bandas estava preso diretamente ao cimento, sem correntes ou placas de metal, apenas a parede e o parafuso no couro das faixas, que Sydney considerou já estarem se desgastando provavelmente com a ajuda de sua luta na noite anterior; se continuasse forçando o suficiente, um dos dois cederia. Deveria se concentrar em uma das mãos; Rachel poderia chegar a qualquer momento ou resolver simplesmente dar a ela uma dose do que estava dando a Nigel, então tinha que fazer isso o mais rápido possível.
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Sydney estava concentrada já há algum tempo na tarefa de mexer o braço direito ritmicamente, mesmo com a dor de tê-lo esfolado e esticado para cima. Subitamente, ouviu o barulho de algo se quebrando na casa. Prestou atenção e ouviu o som alto de pegadas se aproximando, como se alguém estivesse subindo uma escada. Rachel invadiu o quarto, furiosa, com uma bandeja nas mãos. Ela correu para a mesa, depositou a bandeja e alcançou a caixinha aberta, retirando desta um pequeno frasco. Pegou outro quase idêntico do bolso do casaco e os comparou: os conteúdos já estavam pela metade. Bufou irritada e olhou para Nigel. Sydney apenas a observou enquanto ela parecia considerar um pouco e guardar os dois vidros de volta no estojo escuro. Ela caminhou até a cama e sentou-se aos pés desta. Acariciou as pernas do inglês amorosamente, e ele reagiu. Nigel moveu-se um pouco, sem mudar de posição, e Sydney ouviu o barulho do metal da cama tocando nas fivelas das amarras. Ele mexeu a cabeça, mas continuou virado para a parede.
― Já acordou, meu amor? Eu preparei seu almoço.
Sydney considerou se ela realmente estava alimentando o inglês quando mencionava as refeições. Havia a chance que não, ele se afigurava pálido e frágil. Ela calculou há quanto tempo estavam ali. Ele já havia ficado um dia inteiro com Rachel antes de Sydney chegar, e depois disso, pelo menos mais um dia. A morena estava morrendo de sede, esperava que Rachel estivesse ao menos dando água para o assistente.
A ruiva levantou-se e mexeu em uma das laterais da cama, e metade do colchão se elevou, fazendo Nigel ficar praticamente sentado, com as costas apoiadas. Ele permanecia amarrado ao lado da cama. Rachel puxou a cadeira de baixo da maca e buscou a bandeja na mesa, onde havia um prato de sopa. Sentou-se na cadeira perto do homem e com uma das mãos afrouxou a mordaça do inglês. Ele a encarou, parecendo cansado, então olhou para Sydney:
― V... você vai... soltá-la? – perguntou devagar, com a voz fraca.
― Não vamos falar sobre isso. Trouxe um almoço delicioso, coma – a ruiva disse, e levou uma colher de sopa à boca dele.
Ele virou o rosto de forma mínima, mas o suficiente para não aceitar a comida: ― ... Solte-nos.
― Meu amor, não fale assim. Beba a sopa – e a mulher insistiu com a colherada. Ele movimentou o rosto encarando-a da maneira mais firme que seu estado aturdido permitia:
― Solte-nos. Agora.
Ela devolveu a colher ao prato e abaixou a cabeça: ― Por que faz isso? Eu preparei tudo para você, e mesmo assim só se importa com ela e sobre ir embora!
Ele apertou os lábios levemente, e suavizou o olhar: ― ... Desculpe. Eu... não quis te irritar.
A mulher voltou a erguer o rosto e serviu outra colherada de sopa, com um pequeno sorriso: ― Tudo bem. Beba – disse ela.
Nigel olhou para a comida e tentou ajeitar-se, fazendo barulho novamente com suas presilhas: ― Está escuro aqui, podemos comer na sala? – a ruiva apenas o encarou, sem se alterar. ― Poderemos... conversar a sós. É mais agradável – ele explicou.
― Não. Você fez barulho quando estava lá. Não posso alarmar os vizinhos de novo – ela disse séria.
Ele observou a maca: ― Então pode me soltar? – ela balançou a cabeça negativamente. Ele a mirou, dizendo de maneira doce: ― Só um pouco? Meus pulsos estão doendo.
Ela largou a colher no prato desanimada: ― Eu disse que isso aconteceria, não devia ter se debatido – ela ficou quieta alguns instantes, e pegou a colher novamente, resoluta: ― Você não vai sair daí.
Nigel espiou Sydney rapidamente, e continuou em um tom gentil: ― E quanto a ela? Não pode soltá-la? – a expressão da ruiva ficou mais dura, e ele completou: ― É que nós brigamos no outro dia.
Rachel abandonou o interesse na comida, encarou a outra mulher de soslaio e olhou para o homem. Nigel viu que havia conseguido a atenção dela, e continuou: ― Foi por sua causa. Eu disse que queria ver você de novo, mas ela não acreditou que nós dois podemos ficar juntos – continuou de maneira animada: ― Mas nós podemos. Sydney não vai interferir. Se soltá-la, ela irá embora, e nós dois poderemos ficar aqui, a sós... Podemos ter aquele jantar que você queria, poderemos fazer tudo o que você quiser.
Rachel acariciou o rosto dele com uma das mãos, o olhar sonhador: ― Meu amor, como eu esperei para ouvir isso – ele sorriu, mas ela falou: ― Só que você não entende, Sydney quer te roubar de mim. Terei que dar um jeito nela para podermos ser felizes.
― Não precisa. Apenas a solte e mande-a embora. Eu estou aqui, já estamos juntos.
A ruiva continuou admirando o rosto machucado do inglês: ― Ela te enfeitiçou. Mas eu irei te libertar – declarou, arrancando a esperança dos olhos dele. ― Você ainda vai me amar de verdade, e agradecerá por tudo isso.
― E-eu já estou livre. Pode me soltar, ficaremos bem – Sydney percebeu que a conversa não iria mais tirá-los dali. E a ponta de desespero na voz de Nigel denunciou que ele havia chegado àquela mesma conclusão.
― Eu não irei te soltar. E não soltarei Sydney, ela quer arruinar nosso relacionamento, terei que puni-la.
Ele ofegou ruidosamente: ― Eu quero sair daqui... Por favor, me solte, Rachel – ela apenas balançou a cabeça, com o sorriso plácido no rosto. Ele ameaçou se debater: ― Nos solte! Tem que nos soltar!
Rachel levantou-se e largou o prato sobre a mesa, apanhou uma seringa da gaveta junto com um dos frascos que havia colocado na caixinha. Nigel soube o que aconteceria, e começou a berrar: ― SOCORRO! PRECISAMOS DE AJUDA! – a mulher encheu o aparelho com o líquido transparente e voltou para o lado dele. ― ESTAMOS PRESOS! SOCORRO! – o inglês gritou o mais alto que conseguiu, apavorado, só que sua voz estava rouca; ao mesmo tempo, tentava espernear e se contorcer na cama. Rachel pegou seu braço, mas não conseguiu segurá-lo, então ela pôs a seringa no bolso, dobrou a cadeira de rodas e a arrojou com toda a força sobre o homem.
Sydney quase engasgou tentando gritar. A ruiva aproveitou enquanto Nigel estava zonzo pelo golpe, que o atingira em cheio na cabeça, e o segurou, aplicando parte do conteúdo da seringa em seu pescoço. Ele se moveu algumas vezes, mas perdeu a consciência rapidamente.
Rachel, então, jogou a seringa no chão: ― Droga! – ela passou as mãos pelo rosto, respirou devagar, recompondo-se, e ajeitou suas roupas. Sydney analisou o amigo, que estava com o rosto levemente virado para o lado oposto, havia um pouco de sangue escorrendo de sua cabeça por cima do olho direito e da bochecha. Rachel apanhou a cadeira de rodas, preparou o dispositivo e ajeitou Nigel sobre esse. Ela saiu do quarto, levando a bandeja do almoço e o homem inconsciente consigo.
Sozinha, a caçadora resumiu-se a forçar novamente a presilha de seu braço direito, para se soltar, como que em transe, voluntariamente ignorando os pensamentos sobre seu amigo para que conseguisse continuar. A cor de seus olhos estava ainda mais escura, sem espaço neles para nada além do furor de sua determinação. Ela se soltaria, definitivamente, e da próxima vez que Rachel entrasse no quarto, a ruiva teria uma surpresa.
-continua-
N.A.: CRIS! Minha flor maravilhosa! Obrigadíssima pelos reviews! Estou feliz que nós duas compartilhamos deste gosto sádico, hahaha! Estou doidinha para ler as suas próximas torturas ao nosso Danny cute-cute! Beijos enormes, minha flor! Te lóviuuu!
