Capítulo 4 - Uma estranha presença.
Preparei-me para a batalha juntamente com Shirou.
Apesar de já ter o mana suficiente para fazer alguns explosivos, achei que isso não seria suficiente, por isso equipei-me com a arma que me daria a vitória certa contra qualquer inimigo: o punhal de Azoth.
Senti que Shirou também olhava para a faca. Fora com aquela arma que ele fizera com que Kirei desaparecesse de vez do mundo dos vivos. A faca que fora do meu pai e que também lhe trouxera a morte, quando a entregou àquele maldito...
Senti as minhas mãos tremerem de raiva enquanto apertava o punhal.
- Rin. - chamou Shirou, interrompendo as minhas divagações mentais. - Tens a certeza que queres usar o punhal?
- Sim. - respondi confiante. - Apesar de tudo, ele era do meu pai. É mais que justo que ele volte às minhas mãos. - descontraí um pouco - Já para não falar que é a melhor arma que tenho de momento. Não vou ter tempo de carregar mais jóias com mana. E esta faca já tem bastante só por si mesma.
Ele não disse nada, mas pareceu concordar comigo.
A sua atitude incomodava-me. Ficara bastante silencioso e parecia ter-se entregue aos seus pensamentos após a nossa relação.
Será que se estava a sentir-se culpado por ter traído a Saber?
Acho que a palavra trair nem seria a mais correcta. Afinal fora apenas uma obrigação. Nós tínhamos de lutar juntos para vencer os vampiros! E ele precisava da minha ajuda e...
...Sem saber porquê, aquele pensamento deixou-me triste.
Fora apenas uma obrigação.
Claro...
- Shirou... - chamei. Não havia tempo para hesitações e pensamentos idiotas. - Estou pronta.
Em poucos minutos, encontravamo-nos abrigados pela escuridão do jardim da mansão. Lá fora, conseguia ver os vampiros a trepar as grades e a tentar entrar.
Mas de cada vez que um deles punha um membro do lado de dentro do jardim, formavam-se faíscas e ouvia-se o som de uma pequena explosão, juntamente com os guinchos aflitivos das criaturas. Vi que tinham os braços todos queimados, de tanto tentarem entrar. Mas isso não parecia demovê-los. Eram seres desprovidos de inteligência, com o único objectivo de entrar na mansão e eliminar os seus ocupantes: eu e Shirou.
- Trace... on. - ouvi o meu companheiro murmurar. Era o sinal que eu esperava.
Abandonei o refúgio das árvores e corri direita para o inimigo!
Os pobres coitados pareceram extasiados com a minha presença e precipitaram-se para o local para onde eu corria.
Saltei as grades, ficando por cima deles e comecei a lançar os meus ataques:
- Gand! Gand! - pequenas bolas de mana formavam-se no meu dedo indicador e eram impelidas em direcção aos vampiros, provocando-lhes ferimentos graves.
Entretanto Shirou começara a atirar flechas para os mesmos inimigos, de tal maneira que fazíamos um ataque duplo e à distância.
Mas a gravidade não me deixava no ar por muito tempo e rapidamente aterrei no chão ficando frente a frente com os vampiros que restaram do primeiro ataque.
Empunhei a faca de Azoth e preparei-me para o embate. Com uma facilidade assustadora, cortei as mãos do primeiro vampiro, assim que estas ficaram ao meu alcance. Ele ficou a olhar para os cotos ensanguentados de uma forma idiota e aproveitei para o atingir em cheio no lugar onde ficaria o coração. No instante seguinte ele pareceu pulverizar-se e desapareceu no ar, deixando apenas as roupas que vestia.
Olhei para aquilo incrédula. Era assim o final de um vampiro?
Mas não tive tempo para pensar mais. Senti outro vampiro à minha retaguarda e rodei o mais rápido que pude, apenas para o ver cair no chão com uma seta a perfurar-lhe o crânio.
Olhei para o local de onde viera a seta e vi Shirou a correr para atravessar a grade da mansão.
Não perdi mais tempo e corri para os vampiros à minha direita, ignorando os restantes para que Shirou tratasse deles.
- Trace On! - ouvi-o dizer, enquanto decepava a cabeça de um vampiro, e vi que as tão conhecidas lâminas gémeas que Archer costumava usar.
- Onde será que ele viu aquelas lâminas... - pensei para mim mesma, levando o braço atrás e apunhalando o vampiro que se preparava para me atacar pelas costas.
Passados alguns minutos não restava mais nada a não ser as roupas dos vampiros e o sangue nas nossas roupas.
Olhei em volta, procurando mais inimigos.
Ia jurar que haviam mais, mas onde é que eles estavam?
Foi então que senti o meu coração parar com o choque.
Não queria acreditar no que via.
O portão estava aberto.
E havia uma forma humana a dirigir-se para a porta principal.
- Shiroooou - chamei a atenção do meu companheiro, enquanto corria para lá com toda a velocidade que as minhas pernas me permitiam.
Quem era aquela criatura? Como conseguíra atravessar a barreira da mansão? O que é que ela queria?!
- PÁRA! - gritei estacando a poucos metros do individuo.
Ele pareceu ouvir-me e virou-se lentamente, revelando-me as suas faces.
Era uma mulher. Os seus cabelos eram louros e ficavam um pouco acima dos ombros. Os olhos vermelhos pareciam olhar para mim, mas não me fixavam. Limitava-se a olhar na minha direcção.
- Quem és tu? - perguntei num tom autoritário, deixando a faca bem visível, para que ela não tivesse nenhuma ideia.
Ao ver a minha arma, os seus olhos arregalaram-se e pareceram ganhar algum brilho.
- Zelretch... - ouvi-a murmurar. De seguida olhou para mim. - Onde arranjaste esse punhal?!
- Não estás em posição de fazer perguntas! - disse-lhe, e apontei-lhe o punhal para. - És tu a responsável por estas criaturas?
Ela pareceu embaraçada e desviou o olhar.
- Em parte sou... - disse num tom quase inaudível.
- Como assim? Em parte? - perguntei, nunca deixando o tom hostil. Entretanto senti que Shirou se aproximara de nós.
- Eles estão aqui por minha causa... Vieram atrás de mim - que desculpa tão esfarrapada.
- Peço desculpa, mas não acredito na tua actuação. - e avancei lentamente para ela.
- Tohsaka, espera! - senti Shirou a agarrar-me o ombro.
- Que é que estás a fazer? - perguntei revoltada. - É óbvio que ela veio com os vampiros! Ela é uma deles!
- Não creio nisso. - disse calmamente. - Os outros mal conseguíam falar, só agiam para nos destruir. No entanto ela não levantou um único dedo contra nós e é dotada de inteligência.
- Obrigada pelo elogio. - disse a mulher loira.
O quê?! agora ela usava a ironia? Em que posição é que ela pensava que estava?
- O meu nome é Emiya Shirou. - bonito... agora apresentava-se a uma completa desconhecida que provavelmente seria um inimigo. - Quem és tu e o que te trás aqui? Que criaturas eram aquelas e como é que elas vieram aqui parar?
A mulher pareceu contrair-se e continuava a olhar de lado para mim.
- Tohsaka... - definitivamente aquele tipo confiava em toda a gente. Não tive outro remédio a não ser baixar o punhal. Mas sem nunca tirei os olhos da estranha. Se houvesse algum problema, ainda tinha jóias nos meus bolsos e o corpo cheio de mana para usar.
Ela pareceu obter o sinal que queria e fixando Shirou disse:
- É uma longa história. - começou. - Por agora, posso dizer que me chamo Arcueid Brunestud e procuro um homem chamado Zelretch.
