Quando percebi que alguém estava me observando, fui procurar quem era. Fiquei sem expressão quando vi um garoto me olhando bem nos olhos com cara de confuso. Só pensei em desviar o olhar dele sem que ele percebe-se que o olhava também.

Meu coração começou a bater mais forte quando percebi que os olhos dele estavam brilhando ao olhar para mim, — isso realmente não era normal.

Fiquei pensando no que poderia ser aquele brilho nos olhos daquele desconhecido, fiquei com medo que fosse obsessão ou coisa pior como amor.

— Alice, Alice... — chamou a professora repetidamente, eu estava totalmente fora de mim, tentando parar de pensar naquele garoto, mas estava impossível.

Finalmente acabou a aula de Português e trocamos de sala e pra minha "sorte" ele também estava na mesma aula que eu.

A professora de Biologia entrou na sala e se apresentou. Quando virei para o lado em quanto à professora falava percebi que ele me olhava novamente. Meu coração disparou novamente, isso foi mais uma vez estranho. Mas tenho que me controlar — Alice, poderia me responder à questão 11? — disse a professora — Desculpe professora, eu não consegui fazer! — Hum... Então, por favor, preste mais atenção na aula.

Então tocou o sinal para o intervalo, levantei calmamente e sai da sala, e uma garota que pareceu ser fofinha, me parou — Seja Bem-Vinda, Alice — Obrigado, mas como sabe meu nome? — Como assim? Todos sabem seu nome! — Você só pode estar brincando não é? — Não, é verdade. Você esta sendo uma das meninas novas mais faladas da escola! — Nossa sério? Mas por quê? — Alice, você é linda. A maioria dos meninos esta comentando de ti. Hum... acho melhor eu ir senão vou pegar uma fila enorme na cantina! — Ok. Mas me diga seu nome! — Caroline! — então ela saiu correndo pelas escadas.

Quando ela foi embora pensei um pouco, pois talvez tivesse acabado de fazer uma nova amiga — coisa que às vezes me arrependo ¬— mas senti que Caroline não queria ser minha amiga pelas coisas que tenho. Então continuei descendo as escadas e todos me olhavam, (não acreditava como me achavam bonita de tal modo). Assim que desci o último lance de escadas, uma pessoa me segurou, quando vi era aquele garoto das aulas que não parava de me olhar. Pensei em dizer para ele me soltar, mas ele falou — Alice, esse é seu nome? — Sim é, mas você pode me soltar? — ele ignorou o meu pedido — Tudo bem com você? — Sim, mas você realmente pode me soltar? — respondi querendo sair de lá o mais rápido possível — Estou bem também! — disse ele mesmo sem eu perguntar, sendo irônico. — Olha não é por nada, mais eu preciso ir, me solte! — puxei meu braço, mas ele continuou segurando-o, percebi que estava na dúvida em deixar-me ir ou não ir e então ele me largou — Aleluia — gritei e fui descendo a escada o mais depressa para ele não mudar de idéia. Mas ouvi alguém me chamando e por costume parei de andar e virei-me para observar quem era, e novamente era ele — Só deixe eu te dizer uma coisa, você é linda — Fique parada por alguns instantes e então fui direto para o banheiro. Olhei-me no espelho e pensei, como? Eu linda? Não, ele só pode estar cego. Ou melhor, todos devem estar cegos!

Fiquei um grande tempo me perguntando porque estava com a guarda abaixada com as pessoas dessa escola, eu nem era de deixar as pessoas me cumprimentarem! Parece que estou fazendo as coisas erradas, só que as pessoas que conversaram comigo, até agora, me lembraram como é bom conversar e fazer amizades. Pelo menos eles parecem legais... Talvez não tenha que me preocupar.