Capítulo Quatro – Quando As Ideias Loucas Viram Soluções.

Hermione Granger entrou na recepção nervosa. Como se estivesse em um hospital. Sabia que algo grave aconteceria, mas não poderia imaginar o quão louco tudo poderia ser. Caminhou lenta e calmamente até a recepcionista. Não poderia ter um ataque na frente da mulher. Ela não tinha culpa.

- Boa tarde, Lucy. – Disse num sorriso à mulher loira e jovem, de quem sua mãe tinha tantos ciúmes. Por que todo executivo necessita de uma secretária bonita?

- Boa tarde, Hermione. – Respondeu de forma cordial. – Seu pai me disse que viria, mas é necessário que aguarde um pouco. Tudo bem? – A menina assentiu e se sentou em uma das cadeiras de espera. Odiaria esperar muito.

Harry entrou no local com muita pressa. Como se fosse salvar alguém da forca, ainda que a cabeça a ser cortada fosse exatamente a sua.

Ao ver a figura de Hermione sentada, uma sensação de reunião familiar lhe preencheu. Ótimo. Não tinha nada mais legal para fazer. Aproximou-se dela e sentou ao seu lado.

- Olá. – Disse tentando parecer gentil. Incrível como sempre tinha que tentar parecer algo para ela.

- Oi. – Retribuiu sem muito importar. Estava nervosa demais para ser cordial com Harry Potter e iniciar uma nova conversa estranha. – Seu pai também te chamou? – Questionou curiosa e ele assentiu.

- Então é bem pior do que esperávamos. – Concluiu de maneira impaciente estalando os dedos e causando um barulho que irritava a menina.

Aguardaram ali por eternos, infindáveis dez minutos. Até que, por fim, foram convidados a entrar na sala de reuniões.

Harry abriu a porta, mas permitiu que Hermione entrasse primeiro. Em seguida o fez também.

Lá estavam James e John esperando pelos filhos com expressões sérias. Era mesmo uma reunião.

- Olá, querida. – John disse a filha, que sorriu nervosa. – Harry, oi. – O moreno assentiu com a cabeça, enquanto James nada dizia. – Sentem-se por favor. – Pediu de maneira amigável e eles fizeram.

- Chamamos vocês aqui porque temos uma notícia importante... – O anfitrião da família Potter iniciou sendo notado em silêncio. - Como vocês sabem... A empresa vem passando por muitas dificuldades e precisamos de verba... – Os dois assentiram, sem saber ao certo o que falar. Era melhor não dizer nada.

- Então precisaremos usar o seguro que fizemos. – John complementou.

- Se é realmente necessário, não acho errado. – Hermione comentou pedindo aos céus que fosse apenas aquilo.

- Concordo. – O jovem de olhos verdes se limitou a dizer.

- Que bom que concordam. Porque precisamos da ajuda de você. – James revelou fazendo os dois se olharem em confusão.

- O que quer dizer? – A morena indagou o mirando.

- Para conseguirmos o seguro é necessária a união de dois membros, um de cada família dos sócios. – John contou antes que explodisse, mas seu coração doeu ao ver que não tinham entendido.

- Vocês precisam se casar para que consigamos o dinheiro do seguro. – James fora mais direto, assim assustaria menos.

- O que?! – O moreno questionou incrédulo.

- Nós dois? Digo, eu com ele?! – A morena parecia ainda mais desesperada. John assentiu com um olhar que ela conhecia bem. Aquele olhar de uma situação bem incomoda.

- Vocês estão loucos! – Harry grunhiu e Hermione apenas se levantou.

- Que tipo de piada é essa, papai? – Indagou ao homem, mesmo que soubesse que era tudo verdade.

- Não é piada e Harry, comporte-se! – James o repreendeu passando as mãos nervosas sobre os poucos cabelos enquanto John tomava um gole amargo de whisky.

- Vocês não podem fazer isso com a gente. – Há essas horas a menina já estava aos prantos.

- Isso é insano, eu não acredito! – Reclamou novamente sem olhar para sua futura noiva.

- Pois acredite, foram vinte anos dedicados ao trabalho, anos dedicados ao bem-estar de vocês. – Tudo aquilo irritava James. Eles não poderiam ser tão ingratos. Era para o bem de todos. - É o mínimo que podem fazer se querem uma boa faculdade e um futuro!

- Prefiro dormir embaixo da ponte à viver uma mentira como essa!

- Papai, diga que tem outra solução. Por favor. – Hermione pediu sem esperanças e o homem lhe fitou chateado.

- Não há, querida. – Respondeu abaixando o olhar.

- São apenas três meses. Depois vocês fazem o que quiser. – James explicou tentando tornar as coisas mais fáceis. – Mas até lá vocês tem que fazer parecer real e não contar a ninguém que é uma farsa.

- Obrigado por arruinar minha vida, pai. – Harry disse antes de se levantar e sair inconformado. Hermione respirou fundo, levantou e saiu também.

Ele não conseguia pregar os olhos. Era tudo insano demais. Parecia uma novela demasiadamente idiota. Casar-se com a garota que seu melhor amigo morre de amores. Ainda tinha isso! Ron iria odiá-lo. Por que seus pais não poderiam ser normais como todos os outros pais do mundo? Que tipo de piada era aquela? Agora teria que arrumar um jeito de convencer o ruivo. Já estava conformado em perder a amizade dele.