NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! QUATRO
Gaara havia feito reservas no Carlton Towers Hotel, uma enorme suíte com três quartos, cada qual com seu próprio banheiro e também com uma sala de estar de bom tamanho.
Quando entraram no saguão do hotel, Hinata se sentiu terrivelmente deslocada em comparação com as mulheres elegantes, cercadas de bolsas de compras de lojas caras, que tomavam chá no salão anexo. Mas logo as esqueceu, quando entraram na suíte reservada e ela percebeu que Gaara ficaria na mesma suíte que eles.
Seu coração começou a bater muito forte e seu corpo inteiro subitamente pareceu muito pesado e sensível. A presença de Gaara na suíte, mesmo que estivesse a uns bons metros deles e completamente vestido, de algum modo teve o mesmo efeito sobre seu corpo que teria se ele estivesse parado junto a ela, tocando-a. O som daquela voz masculina fez com que Hinata quase pudesse sentir o calor do hálito de Gaara sobre sua pele. O corpo dela começou a reagir aos seus pensamentos.
Gaara ergueu a mão, gesticulando na direção dos quartos, e falou:
— Pedi que fossem colocadas duas camas em um dos quartos, para os gêmeos.
Em sua mente, Hinata podia sentir a mesma mão que gesticulava envolvendo seu seio. Seus seios incharam e doeram sob a blusa, enquanto ela tentava desesperadamente disfarçar o quanto estava excitada. Por que seu corpo estava reagindo daquela maneira agora? Afinal, vivera muito bem sem sexo por quase seis anos.
Era apenas uma reação à lembrança que tinha de Gaara, mais nada. E seu desejo por ele, assim como aquela lembrança, pertencia ao passado. Hinata tentou se convencer de tudo isso, mas sabia que não era verdade. Só que não queria pensar no fato de Gaara ter o poder de excitar um desejo tão intenso em seu corpo. Sentiu-se ainda mais nauseada. Hinata já estava se sentindo muito enjoada na estrada, e quando eles fizeram uma parada se vira obrigada a comprar um kit de escova e pasta de dente para refrescar a boca. Agora, já no hotel, tudo o que ela queria fazer era se deitar em um quarto escuro, mas estava claro que isso seria impossível.
— Você e eu ocuparemos os outros dois quartos, é óbvio — Gaara estava dizendo. — Imagino que vá querer ficar com o quarto mais perto do deles.
— Eu poderia ter dividido o quarto com os meninos — respondeu Hinata. Porque se dividisse o quarto com os filhos, certamente evitaria que aquelas lembranças indesejáveis voltassem à superfície?—Não havia necessidade de reservar uma suíte com três quartos.
— Se eu tivesse feito isso, o hotel presumiria que nós dormiríamos juntos, e não que você dormiria com os gêmeos — retrucou Gaara.
Outra imagem se formou no mesmo instante na mente de Hinata: dois corpos nus entrelaçados em uma cama grande, as mãos do homem abraçando e acariciando a mulher, enquanto a cabeça dela era jogada para trás, em um êxtase selvagem. As mãos eram de Gaara e a cabeça era a dela. Hinata sentiu todo o corpo quente. As imagens mentais que estava criando estavam começando a lhe deixar apavorada. Provavelmente estava passando pela mesma experiência por que passavam as vítimas de um trauma terrível, que tinham recordações que não podiam controlar, ela disse a si mesma. Era tudo resultado do súbito ressurgimento de Gaara em sua vida.
Para alívio de Hinata, os gêmeos, que inspecionaram a suíte, entraram correndo na sala de estar. Haru foi até ela e informou:
— Sabe de uma coisa? Há uma TV em nosso quarto, e...
— Uma TV que continuará desligada enquanto estiverem na cama — lhes disse Hinata com firmeza, aliviada por ter a oportunidade de retornar ao papel conhecido de mãe. —Vocês conhecem as regras. — Ela era muito rígida no controle do quanto os meninos viam televisão, pois preferia que arrumassem maneiras próprias de se divertir.
O comentário de Gaara sobre os quartos ainda martelava em sua mente, como uma bomba-relógio que estava produzindo um efeito completamente desproporcional sobre ela. Ouvir Gaara falando "minha cama" fizera o coração dela disparar no peito... mas por quê? Não tinha a menor vontade de dividir a cama com ele. Gaara não significava nada para ela naquele momento. O que sentia era apenas o resultado de ser sexualmente inexperiente, de ter tido apenas um parceiro sexual na vida. Isso fazia com que reagisse daquele modo ao ouvir um homem dizendo "minha cama", como se ainda fosse uma adolescente ruborizando à simples menção de alguma coisa remotamente conectada com sexo, lamentou Hinata.
— Pensei em passarmos o resto da tarde providenciando as roupas que os meninos vão precisar para a ilha. Podemos ir andando daqui até a Harrods, mas se preferir pegamos um táxi.
A última coisa para a qual Hinata estava disposta era fazer compras, mas estava determinada a não demonstrar qualquer fraqueza. Gaara apenas usaria isso para acusá-la de não ser uma boa mãe.
Com sorte, eles passariam por uma farmácia e ela poderia comprar algum remédio para dor de cabeça. Determinada a continuar tentando ignorar a sensação crescente de náusea, Hinata assentiu com a cabeça para Gaara e então se encolheu quando a dor de cabeça aumentou.
— Os meninos vão precisar de roupas de verão — falou Gaara. — Mesmo em março a temperatura na ilha pode chegar a 22°C, e vai a 30°C no verão.
Duas horas depois, Hinata se sentia dividida entre uma frustração irritada pelo modo como Gaara rejeitara todas as suas tentativas de escolher roupas mais baratas, para diminuir a soma de dinheiro que ele estava gastando, e um orgulho maternal natural em relação aos filhos, que arrancaram sorrisos das vendedoras por terem ficado lindos com as roupas novas. E teve de admitir: os gêmeos estavam adoráveis.
Como recompensa pelo bom comportamento dos meninos, Gaara insistira para que fossem até a seção de brinquedos, onde comprara brinquedos modernos para ambos, de aparência complexa, que os deixaram sem palavras de tanto prazer.
Durante todo o tempo em que estiveram fazendo compras com os meninos Hinata estivera muito consciente dos olhares de admiração que Gaara provocava nas mulheres ao passar.
— Preciso cuidar de alguns negócios esta noite — disse-lhe Gaara, quando fizeram uma parada no caminho de volta para o hotel, para que os meninos brincassem um pouco no Hyde Park. Fora ideia de Gaara e Hinata apreciara, esperando que o ar fresco diminuísse o latejar em sua cabeça.
Depois de assentir ao comentário de Gaara, Hinata se concentrou nos gêmeos, que estavam se distanciando deles. Gaara continuou.
— Mas antes, combinei com um joalheiro para passar pelo hotel com uma seleção de anéis de noivado e alianças de casamento. Também marquei hora para você em um salão de beleza, amanhã, em Harvey Nichols, e logo a seguir com uma consultora de estilo, que irá auxiliá-la na escolha de seu novo guarda-roupa. Pensei em levar os meninos ao Museu de História Natural, para distraí-los enquanto você estiver ocupada.
Hinata parou de andar e se voltou para encará-lo, os olhos fervendo de raiva.
— Não preciso de uma hora em um salão de beleza, nem de um novo corte de cabelo ou de um novo guarda-roupa, muito obrigada. E com certeza não quero um anel de noivado.
Era óbvio que ela estava mentindo. Ou Hinata pensava que poderia conseguir mais fingindo que não queria nada?
Sem ter noção do que se passava na cabeça de Gaara, Hinata continuou a falar:
— E se a minha atual aparência não é boa o bastante para você, o problema é seu. Porque para mim está tudo muito bem. — Ela se apressou para alcançar os filhos, tentando ignorar o quanto estava se sentindo mal. Embora não pudesse vê-lo, Hinata sabia que Gaara estava bem atrás dela. Seu corpo podia senti-lo, mas ela se recusou a se virar.
— Você tem duas escolhas — ele a informou, em um tom frio. — Ou aceita os arranjos que fiz, ou terá de aceitar as roupas que pedirei à loja para separar para você. Como minha esposa, não há condições de continuar se vestindo como agora. Está sempre tão ansiosa para exibir seu corpo aos olhos masculinos que nem mesmo está usando um casaco... assim, sem dúvida fica mais fácil para eles avaliarem o que está sendo oferecido.
— Isso é uma coisa desprezível de se dizer, além de totalmente falsa. Você devia saber que a razão por que não estou usando um casaco é... — Hinata se deteve ao perceber que a raiva quase a levara a confessar algo que não tinha a menor intenção de dizer a ele.
— Sim? — provocou Gaara.
— Porque me esqueci de trazer um — completou Hinata, desajeitada. A verdade era que ela não tivera condições de comprar um casaco para si, não com os gêmeos crescendo com a rapidez que cresciam, sempre precisando de roupas. Mas não iria se expor a mais uma humilhação admitindo isso para Gaara.
Como poderia casar com uma mulher como aquela? Se perguntou Gaara, irritado. Quando contratara investigadores para encontrá-la, tivera esperança de conseguir provas de que era uma mãe negligente, para assim ganhar a guarda dos filhos na justiça. No entanto, o relatório que recebera dizia o contrário. Hinata era uma boa mãe, o tipo de mãe que, caso fosse afastada dos filhos, traria danos para as crianças. E esse era um risco que ele não estava preparado para assumir.
Ele ignorou o desafio de Hinata e prosseguiu:
— Os meninos estão chegando a uma idade em que se tornarão mais conscientes da aparência das pessoas e da opinião dos outros. Já terão de passar pelo stress de se ambientar em um novo lugar, e tenho certeza de que a última coisa que você quer é tornar tudo mais difícil para eles. Como um Sabaku, tenho uma posição a zelar, tenho deveres, que incluem frequentar certos eventos. E será esperado que minha esposa me acompanhe. Além disso, minha irmã, suas amigas e as esposas dos meus executivos que vivem em Atenas são muito ligadas em moda, perceberiam rapidamente que nosso casamento não é o que parece se você continuasse a se vestir como está vestida agora. E isso poderia ter um impacto ruim sobre nossos filhos.
Nossos filhos. Hinata sentiu o coração apertar e ficou muito tentada a usar a tática imatura de dizer que, como ele não fizera parte da existência dos meninos até muito pouco tempo, dificilmente estava em posição de aconselhá-la sobre o que poderia ou não afetá-los. Mas de que adiantaria fazer isso? Ele vencera... novamente, foi obrigada a admitir. Porque, agora, ela estava muito consciente de que estava sendo julgada por sua aparência, e que isso poderia afetar o bem-estar dos filhos. Era importante que os meninos fossem aceitos. Hinata sabia que mesmo meninos muito pequenos detestavam ser vistos como "diferentes", ou se sentir envergonhados. Pela segurança deles Hinata estava disposta a aceitar a caridade de Gaara, mesmo que seu orgulho odiasse a ideia.
Ela detestava se sentir tão desamparada e dependente dos outros. Amava as irmãs e era infinitamente grata a elas por tudo o que haviam feito para apoiá-la e aos meninos, mas às vezes era difícil depender dos outros para tudo, sem nunca poder experimentar o orgulho de se sustentar. Havia tido a esperança de que depois que os meninos estivessem bem adaptados à escola poderia terminar os estudos e assim conseguir um emprego. Mas agora seria ainda mais dependente da generosidade financeira de alguém do que já era antes. Mas seu orgulho não tinha a menor importância, Hinata lembrou a si mesma. O que importava era a felicidade e o equilíbrio emocional dos filhos, que não haviam pedido para nascer. E ela não pedira a opinião de Gaara sobre sua aparência, assim como não pedira o dinheiro dele. Tinha 23 anos e era ridículo se sentir tão desamparada e humilhada a ponto de estar à beira das lágrimas.
Na tentativa de esconder suas emoções, Hinata se abaixou para avisar aos meninos que não corressem para longe de onde estavam. Os dois balançaram as cabeças, concordando.
Foi quando se levantou que aconteceu. Talvez tenha se movido muito rápido, mas em um minuto estava se erguendo e no minuto seguinte se sentiu tão zonza por causa da dor de cabeça que perdeu o equilíbrio. E teria caído se os reflexos de Gaara não fossem tão rápidos. Ele a agarrou pelo braço e ela se apoiou no corpo dele, para não desabar no chão.
No mesmo instante, Hinata se sentiu transportada ao passado. As circunstâncias eram diferentes, mas também naquela noite ela tropeçara e Gaara a segurara. Só que, na época, o motivo fora a altura dos sapatos que Ino lhe emprestara, insistindo para que ela os usasse, e o efeito de drinques em excesso. Mas o resultado fora muito parecido. Agora, novamente, ela podia sentir as batidas do coração de Gaara contra o corpo, enquanto seu próprio coração disparava no peito, fazendo-a se sentir ainda mais fraca, incapaz de lutar para se libertar dos braços que a seguravam. No passado, a proximidade dele também havia tomado de assalto seus sentidos; o cheiro de sua pele, a forma nova e máscula como os músculos se enrijeciam sob a pele macia, o poder daquela masculinidade, física e emocional, e, mais do que tudo, a necessidade dela de simplesmente ser abraçada por ele. Sentira-se tão encantada por estar nos braços dele naquela noite... mas agora... O pânico a tomou de assalto. Não deveria se sentir daquele jeito e não queria se sentir assim. Gaara era inimigo dela, um inimigo com quem era obrigada a compartilhar os filhos porque ele era pai deles, um inimigo que destruíra sua inocência com o desprezo cruel que sentia por ela.
Determinada, Hinata tentou se libertar, mas ao invés disso só conseguiu que Gaara a segurasse com mais força.
Já notara o quanto ela era delgada, reconheceu Gaara, mas só agora que a abraçava daquele jeito percebeu que podia sentir seus ossos e que estava muito magra. E estava tremendo também, apesar de alegar que não precisava de um casaco. Mais uma vez ele se lembrou do relatório que os investigadores haviam lhe entregue sobre ela. Seria possível que ela houvesse se privado de coisas essenciais para que os filhos pudessem comer bem? Gaara abraçara os filhos e sabia o quanto eram fortes e robustos. E a quantidade de energia que esbanjavam era a prova de sua boa saúde. Afinal, era a boa saúde deles que lhe interessava, não a da mãe deles, cuja presença em sua vida e na deles era apenas uma coisa que ele teria de aceitar pelo bem dos meninos.
Mas mesmo assim... Ele abaixou os olhos para o rosto de Hinata. Sua pele estava mais pálida do que ele se lembrava, mas até agora atribuíra isso ao fato de que quando se conheceram ela usava uma maquiagem pesada, e agora não usava nenhuma. As maçãs de seu rosto estavam mais pronunciadas, mas os lábios ainda eram cheios e macios. Lábios de uma sereia sensual que sabia exatamente como usar o corpo em seu próprio benefício.
Gaara nunca acalentara qualquer ilusão sobre o motivo por que Hinata se aproximara dele. Ouvira ela e a amiga conversando sobre os jogadores de futebol ricos que tinham como alvo. Como fora incapaz de encontrar um, Hinata obviamente decidira que ele seria o novo alvo.
Gaara franziu o cenho, sem querer admitir o contraste entre a fragilidade da mulher que tinha nos braços e a garota de quem se lembrava e sem querer também se sentir preocupado com ela. Por que deveria se importar com ela? Não faria isso. E mesmo assim, agora que Hinata lutava para se libertar de seus braços, os olhos muito grandes no rosto magro, os fios negros brilhando sob um súbito raio de sol, ele se sentia relutante em soltá-la. Para negar a própria reação, Gaara acabou soltando-a em um rompante.
Fora a rapidez com que Gaara a soltara que a deixara se sentindo assim tão... confusa, disse Hinata a si mesma, recusando-se a usar a palavra "desolada". Afinal, por que se sentiria desolada? Queria se livrar dos braços dele. O abraço de Gaara não a atraía de forma alguma. Obviamente não passara os últimos seis anos desejando voltar para os braços dele. Por que deveria, quando a última lembrança que guardava daqueles braços era a pressão amarga dos dedos dele em sua pele, enquanto a mandava embora, com raiva?
Havia começado a chover e Hinata começou a tremer e chamou os meninos. Não lhe faria nenhum bem começar a sentir saudades de casa, ela disse a si mesma, enquanto voltavam para o hotel no táxi que Gaara chamara, com os gêmeos acomodados entre os dois. Precisava se concentrar no belo futuro que aguardava seus filhos. A felicidade deles era muito mais importante que a dela.
Quando chegaram de volta à suíte, Hinata se trancou no banheiro e tentou tomar dois comprimidos de analgésico que comprara na farmácia sob o pretexto de precisar de pasta de dente. Mas seu estômago não conseguiu nem engoli-los e a náusea a dominou.
Ainda se sentindo enjoada e fraca por causa da dor de cabeça que não a deixava em paz, deu banho nos filhos, serviu-lhes o jantar e colocou-os na cama.
Os dois haviam acabado de dormir quando o joalheiro que Gaara chamara chegou. Gaara o apresentou a Hinata, o homem pegou um rolo de feltro na pasta e todos se sentaram.
Quando o rolo foi aberto, Hinata precisou controlar um arfar de choque ao ver o brilho dos anéis arrumados ali dentro.
Eram todos lindos, mas alguma coisa fez Hinata rejeitá-los. Parecia errado e vulgar usar algo tão caro. Ura anel de noivado devia representar um amor e um compromisso igualmente preciosos e duradouros, ao invés do vazio que representava o casamento deles.
— Você escolhe — disse Hinata, com a voz sem expressão, desviando os olhos das joias.
A falta de interesse dela nas pedras de valor inestimável que cintilavam à sua frente fez Gaara franzir o cenho. A mãe dele fora apaixonada por joias. Quase podia vê-la, sentada diante da penteadeira, vestida para sair à noite, admirando as pulseiras Cartier que cintilavam em seus braços.
— Seu nascimento foi o que pagou essas pulseiras — a mãe havia lhe contado. — Seu avô insistiu para que seu pai me comprasse apenas uma, então tive de lembrá-lo de que havia dado à luz o seu herdeiro. Felizmente você não foi uma menina. Seu avô é tão mesquinho que teria se certificado de que eu não ganhasse nada se houvesse tido uma filha. Quando for adulto, Gaara, lembre-se de que quanto mais cara for a joia que der de presente a uma mulher, mas bem disposta ela ficará, e você poderá exigir dela o que quiser. — Então ela rira, retocara o batom dos lábios e acrescentara: — Eu não deveria estar lhe revelando os segredos do meu sexo, não é?
O casamento dos pais fora arranjado pelo avô: a noiva pobre, mas de uma família aristocrática grega, e o rapaz rico, mas sem berço. Quando já tinha idade o bastante para perceber o modo como seu bondoso pai era humilhado pelo pai que o forçara a casar e pela esposa que pensava nele apenas como uma conta no banco, Gaara jurara que jamais permitiria que a mesma coisa acontecesse com ele.
O que Hinata estava pretendendo ao fingir aquela ausência de interesse? Alguma coisa mais cara ainda? Gaara olhou irritado para os anéis, a mão repousando sobre o menor solitário que encontrou. A intenção dele era puni-la escolhendo aquele... até ter sua atenção chamada para outro anel que estava próximo, dois diamantes perfeitos, cintilando sob a luz.
Hinata se sentia enjoada demais para se preocupar com qual anel de noivado teria e respirou aliviada quando viu Gaara selecionar um deles. Tudo o que queria era que toda aquela farsa terminasse.
—Vamos ficar com esse — Gaara disse ao joalheiro, a voz áspera de raiva pelo próprio sentimentalismo.
Foi o joalheiro quem entregou o anel a Hinata, não Gaara. Ela o pegou desanimada, deslizando o metal frio no dedo, mas seus olhos se arregalaram e seu coração acelerou quando olhou melhor para a joia. Dois diamantes perfeitos, engastados em uma aliança lisa, levemente separados, mas ainda se tocando. Dois diamantes gêmeos pelos seus dois filhos gêmeos. Hinata sentiu um nó na garganta e buscou Gaara com o olhar, e por mais que quisesse evitar fazer isso, suas emoções ficaram completamente transparentes. Mas não havia calor algum nos olhos de Gaara, apenas uma frieza que a congelou por dentro.
— Uma excelente escolha — estava dizendo o joalheiro. — Cada pedra tem dois quilates e são de uma qualidade particularmente admirável.
Enquanto ouvia o homem, Hinata sentiu uma onda de pânico pela variedade de emoções conflitantes que estava sentindo e sua náusea aumentou. Foi um alívio quando o joalheiro finalmente partiu. E Gaara também, logo atrás dele, para a sua reunião de negócios.
Finalmente ela poderia ceder à necessidade de se deitar e descansar um pouco, depois de verificar como os filhos estavam, é claro.
