Capítulo 4 – Vivendo com o inimigo

Se algumas semanas atrás me dissessem que agora eu estaria morando na casa de Sesshoumaru, eu teria socado o rosto de quem disse tal blasfêmia. Isso não muda o fato de que eu ainda quero me bater por ter concordado com tudo isso.

Podem me chamar do que quiserem, eu vou concordar.

O fato principal era: Estava a três dias trancada dentro dessa 'casa', depois de uma semana de viagem cheia de provocações, xingamentos e ironias, e ainda nem tinha encontrado com Sesshoumaru! Qual o sentido de suportar ele durante todo esse tempo se não posso ficar procurado um ponto fraco dele?

Bom, 'casa' é um jeito simpático de chamar esse lugar que mais parece um palácio.

Não é como se eu estivesse trancada no meu quarto, eu só tinha medo de sair dele e depois não conseguir voltar. Simples, não?

Apesar de ter chances de ficar semanas perdida aqui dentro, eu estava disposta a sair do quarto a qualquer momento.

Sério, ficar ali dentro era tedioso, e eu começava a me sentir uma prisioneira, ou algo do tipo.

Vesti uma yukata amarela simples, mas que tinha um belo decote. Sinceramente, eu estava me sentindo linda mesmo depois de todo o caos da transformação em hanyou, então usar uma roupa mais ousada não estava me incomodando muito. Sem contar que sedução era um dos truques que eu estava guardando na manga. Qual homem resiste a uma bela mulher, não é?

Tudo bem, eu não podia me considerar 'mulher' no auge de meus 17 anos, e Sesshoumaru fazia questão de me chamar de 'filhote' em qualquer pequena oportunidade, mas mesmo assim eu ainda era bela, e ele tinha que cair na minha armadilha. Sinceramente, eu não estava nem um pouco preocupada com esse negocio todo de profecia, eu só queria minha vingança e pronto.

Saí do meu quarto me sentindo um pouco mais confiante em andar naquele labirinto infernal que ele chamava de 'casa', e me apressei em tentar sentir o cheiro dele por perto. Não foi fácil, levando em consideração que havia humanos que trabalhavam naquele lugar. Sim, tinha MUITOS humanos trabalhando ali, e a maioria eram mulheres. Aquilo era uma questão a se pensar mais tarde, mas no momento eu não estava preocupada em procurar razões para se ter humanas como serviçais, e sim em achar o dono daquele lugar.

Então eu vi um youkai pequeno passar correndo, e me lembrei de ser apresentada a ele quando cheguei. Só o nome que não me vinha à mente com clareza.

- Jaben! – Chamei o pequeno youkai verde. Ele olhou para mim irritado.

- É Jaken! O que quer, hanyou?

- Onde está Sesshoumaru?

- Ssessshoumaru-ssama não deseja sser incomodado! – Ele disse, e aquelas puxadas no 'S' me deixavam louca.

Andei até ele, que já tinha se virado para ir embora, e o levantei pela roupa.

- Não vou incomodar seu Sesshoumaru-sama, seu sapo irritante. – Dei um tom irônico ao pronunciar o nome de Sesshoumaru, o deixando vermelho de raiva.

- Como ousa? Coloque-me no cchão, ssua Hanyou nojenta! – Ele se sacudia loucamente, e eu estava começando a gostar da brincadeira de 'importunar o sapo'.

- Onde ele está, sapinho?

- Eu não ssou um ssapo! – Ele me encarou com fúria, e eu estava lutando para segurar o riso.

- Tanto faz, só me diga onde está Sesshoumaru e eu te solto. Simples e rápido, o que acha?

- Esstá na biblioteca, ele não ssai de lá desssde quando cchegou. Agora ssolte-me ou terei de usar a força!

- Viu como foi fácil? – O soltei 'delicadamente' no chão.

Fui andando pelo primeiro corredor que vi na minha frente e deixei o youkai sapo resmungando para trás, ele me irritava muito. Depois de perguntar para umas quatro serviçais, até que não foi difícil encontrar a tal biblioteca. Bati na porta e entrei sem nem esperar uma resposta, ele provavelmente sabia que era eu e ia me mandar embora de qualquer jeito.

- Sentiu minha falta? – Perguntei num tom irônico, colocando a mão sobre um pergaminho que ele estava lendo.

- Não. – Ele empurrou minha mão

- Acho que você me deve desculpas, sabia? – Me sentei na mesa, e recebi um olhar reprovador por isso. – Meus pulsos ainda estão com hematomas.

- Isso foi por você ser teimosa, garota estranha. – Ele se levantou e foi para uma estante afastada de onde eu estava, fingindo olhar alguns outros pergaminhos.

- Eu tenho um nome, como já te disse antes. – Pois é, ele não me chamou pelo nome uma única vez sequer.

- 'Garota estranha' é mais apropriado para você. – Ele continuava fingindo ler um pergaminho. Eu sabia que ele estava fingindo porque percebi que os olhos dele estavam parados.

- Acho que posso me acostumar com isso. – Revirei os olhos e continuei sentada encarando-o.

- Se não tem nada para fazer aqui, saia. Estou ocupado e seu cheiro me incomoda.

- Hei! Eu não estou fedendo! Acabei de tomar banho! – Levantei da mesinha em um pulo, o olhando furiosa.

- Seu cheiro de hanyou me incomoda. – Ele corrigiu, sem tirar os olhos do pergaminho.

- Setsuna disse que eu tenho um cheiro bom. – Comentei me sentando de volta na mesa, sem me importar com o olhar estranho que ele me lançou.

- Seu primo lhe disse isso porque a queria na cama dele. – O observei enrolando o pergaminho lentamente para colocá-lo novamente na estante junto com os outros.

- Grande novidade. – Não consegui segurar minha risada ao lembrar as investidas estranhas do meu primo.

- Não posso negar que ele tem um péssimo gosto. Serviçais e hanyous... – Ele apoiou a mão no queixo e olhou para cima, fingindo pensar em alguma coisa. O jeito irônico me deixava louca.

- Ora, a Koneko-chan é linda! – Olhei irritada para ele. – E eu também não sou de jogar fora.

- Realmente, a serviçal é bonita. – Ele me olhou de cima a baixo. – Já você é bem confiante, para uma hanyou filhote.

- Ora, seu...

Levantei da mesa e parti para cima dele com os punhos levantados. Ele segurou meus pulsos com força, e eu tentei acertá-lo com chutes. Ouvimos a porta abrindo e olhamos para ela imediatamente, era uma das serviçais dele.

- Taisho-sama, tem um hanyou e duas humanas que insistem em falar com o senhor. Inuyasha, Kagome e Rin são os nomes.

- ... – Ele suspirou longamente, antes de dizer. – Traga-os aqui agora.

Assim que a mulher fechou a porta eu continuei a tentar acertá-lo com chutes, e ele só continuava a segurar meus pulsos. Quando ele se entediou daquilo apertou meus pulsos com força, me fazendo soltar um pequeno gemido de dor.

- Pare com isso, garota estranha. – E me jogou contra a parede mais próxima.

- Droga, porque você tinha que ser tão forte? – Perguntei entre dentes, alisando um dos meus pulsos, que agora estavam ficando decorados com manchas roxas.

- Você que é fraca demais, agora cale a boca e fique sentada ai, ou te jogo pela janela. – Ele sentou novamente atrás da mesinha, onde estava quando eu cheguei.

- Maldito cachorro sarnento. – Resmunguei num sussurro, sentando no chão de pernas cruzadas.

- Eu ouvi isso.

Então a porta se abriu, e por ela entrou a mulher de alguns minutos atrás. Ela foi para o lado e deu passagem para que entrasse um homem com os longos cabelos prateados, como os de Sesshoumaru, mas esse tinha orelhas no topo da cabeça, e logo vi que era um hanyou realmente. Seguido dele veio uma mulher usando roupas de sacerdotisa e uma menina que aparentava ter uns dez anos, vestida com um quimono rosa.

- Sesshoumaru-sama! – A menina correu até ele e o abraçou.

- Rin... – Ele passou a mão nos longos cabelos negros da criança e se deixou ser abraçado por ela. – O que fazem aqui? – Ele se direcionou aos outros dois.

- Rin-chan queria te ver, então resolvemos trazê-la aqui para uma visita rápida. – A mulher disse. Provavelmente aquela que era Kagome.

- Precisa de mais alguma coisa, Taisho-sama? – perguntou a empregada, ainda parada na porta.

- Não. – Sesshoumaru respondeu seco, e a mulher saiu do local imediatamente. – Eu ia passar por lá uma hora ou outra, não precisavam fazer essa viagem tão longa só por causa disso.

- Rin quer ficar aqui de vez com você, Sesshoumaru. – Inuyasha se apressou em dizer. – A velhota não queria deixar trazê-la, mas nós viemos escondidos.

- Kaede deve estar surtando uma hora dessas. – Kagome deu uma risada.

- Eu quero ficar aqui com você, Sesshoumaru-sama. – A menina que ainda estava abraçada a ele o olhou com olhos pidões.

- Tenho assuntos importantes para resolver ainda, você não pode ficar aqui, Rin.

- Pois é, como se ele não tivesse milhares de pessoas que podem fazer as coisas por ele. – Resmunguei do meu canto da sala, atraindo todos os olhares para mim.

- Mandei ficar calada. – Ele me lançou um olhar mortal, e eu só sorri ironicamente.

- Quem é ela, Sesshoumaru? – Inuyasha olhou para mim curioso, provavelmente pelo fato de eu ser uma hanyou também. – Alguma irmã perdida? – Ele arqueou uma sobrancelha.

- Eu não ia agüentar mais um hanyou nessa família. – Sesshoumaru revirou os olhos. – Ela é filha daquele youkai lobo que era amigo de papai, Kimiro. Você já deve ter ouvido falar dele.

- Já sim. – Ele parou de olhar para mim e voltou a encarar Sesshoumaru. – O que está fazendo com essa garota aqui? A seqüestrou da terra dos lobos brancos?

- Digamos que foi um seqüestro consentido.

- Seqüestro consentido? Ameaça de morte é consentimento? – O olhei espantada pelo nível de seu descaramento.

- Eu odeio não poder matar essa garota agora. – Ele apoiou os cotovelos sobre a mesa e cobriu o rosto com as mãos.

- Eu vou para o meu quarto. – Me levantei e limpei a poeira de meu quimono. – Se eu ainda lembrar como chega lá. – Completei para mim mesma.

- Ainda não terminei com você, sente-se no seu canto como um bom filhote de lobo e espere. – Sesshoumaru apontou para mim.

- O filhote de lobo aqui tem vontade própria. – Continuei andando na direção da porta sem me importar com ele.

- Sesshoumaru-sama? – A voz da garota que ainda o abraçava fez com que ele parasse de me olhar de um jeito mortal.

Aproveitei a distração dele para sair da biblioteca de vez. Eu sabia que ele ia me procurar realmente irritado depois, mas esse era meu objetivo. Algo dentro de mim adorava irritá-lo.

Consegui voltar para meu quarto sem muitos problemas, seguindo o caminho que havia feito anteriormente.

Sentada na minha cama me lembrei do jeito que ele olhou para aquela menina humana, e por um momento ele não me pareceu realmente tão mau assim. Ele parecia gostar dela, sem contar que tratava aquele hanyou e a outra humana de um jeito normal. Tudo aquilo me fez pensar que ele só agia daquela forma comigo.

Tudo bem, ele tinha motivos para ser grosseiro comigo. Eu tentei matar ele dês da primeira vez que nos vimos.

A porta do meu quarto se abriu em um só baque, o que me fez pular com o susto.

- Onde estávamos mesmo? – Ele entrou e fechou a porta atrás de si.

- Não se incomode comigo, pode voltar para a sua menina humana. – Me levantei rapidamente e procurei pela janela. Fugir estava totalmente nos meus planos.

- Não tão rápido. – Ele apareceu atrás de mim e segurou meus ombros. – Alguém precisa te ensinar que você deve obedecer aos mais fortes.

- Você não quer me machucar, minha pele é bonita demais para ficar com marcas, não acha? – Falei um pouco sem-graça, tentando convencê-lo de que não valia a pena perder o tempo dele comigo.

- Não. – Ele apertou mais forte meus ombros, o que provavelmente ia deixar uma marca vermelha.

- Você já fez isso. – Levantei os braços e as mangas do meu quimono subiram, expondo as marcas roxas dos meus pulsos. – Não acha que já está bom?

- Me diga você. – Ele me virou de frente para ele e apertou mais meus ombros. – Você acha que já está bom?

- Sim! – Falei entre os dentes, tentando segurar um gemido de dor.

- Resposta errada. – Ele apertou mais forte. – Acha que já está bom?

- ... – Não consegui responder, me controlando para não gemer de dor.

- Que demora. – Ele apertou mais forte ainda, e eu senti algumas unhas dele entrando em minha pele. – Quero a resposta correta.

Balancei minha cabeça negativamente, enquanto fechava com força meus olhos para que lágrimas não saíssem deles. Senti o cheiro do meu sangue e minha vontade era de xingá-lo por isso. Ele apertou mais forte, e eu abri os olhos assustada. Ele me encarava com um sorriso satisfeito nos lábios.

- Porque está fazendo isso comigo? – Sussurrei em meio a um gemido.

- Você anda muito insolente. Acho que esqueceu quem eu sou.

- Droga, pare com isso! – Uma lágrima teimosa saiu de meu olho direito, e eu quis me bater por isso.

- Opa, mas uma resposta errada.

Ele cravou as unhas completamente nos meus ombros, e me empurrou para baixo. Cai de joelhos na frente dele, e ele ainda segurava meus ombros. Eu estava com muita raiva, mas a dor que eu sentia me impedia de dar as respostas que eu tanto queria dar.

- Me solte, por favor. – Pedi, me controlando para não falar nada mais do que o absolutamente necessário.

- Ainda está errado.

- Por favor, já chega. – Mais lágrimas saíram dos meus olhos e eu olhei para baixo, para que ele não visse.

- Você não acerta uma. – Ele suspirou longamente. – Vou te dar uma dica: Peça com jeitinho, e demonstre respeito por mim. Quem sabe assim eu não solto?

- Me solte, por favor, Sesshoumaru-sama! – Eu falei rapidamente, e senti um alívio enorme quando ele me soltou. Senti meu sangue escorrendo pelos buracos que ele havia deixado em meu ombro.

- Não foi fácil? – Ele continuava parado no mesmo lugar, ainda olhando para mim.

- Você tem algum prazer estranho em me machucar, não é? – Limpei rapidamente as lágrimas dos meus olhos e o encarei.

- Não tanto quanto você pensa, mas sim, tenho.

Levantei-me sem falar nada e me afastei dele. Sentei-me em um dos cantos do meu quarto e abaixei as mangas do meu quimono, para ver o nível do estrago. Ele ainda estava parado no mesmo lugar me olhando com aquele ar vitorioso.

- Que droga. – Sussurrei, vendo que os ferimentos eram um pouco profundos. – Isso vai demorar a sarar.

- Você faz muito drama. – Ele revirou os olhos.

- Saia. – Olhei para ele com verdadeira fúria.

Preparei-me para levantar e tentar atacá-lo quando vi que ele estava andando na minha direção, mas antes mesmo de eu tentar, ele me segurou pelos pulsos e me levantou.

- Não está satisfeito ainda? – Rosnei para ele, mas fui ignorada.

- Droga garota, fica quieta um pouco. – Ele abaixou mais ainda as mangas do meu quimono, o que quase revelou meus seios.

- O que está fazendo? – Corei instantaneamente.

- Evitando ouvir suas reclamações durante semanas.

Ele soltou meus pulsos e enlaçou minhas costas com um de seus braços, me puxando em sua direção. Fechei meus olhos instantaneamente, estava com medo do que ele ia fazer.

Senti uma pontada de dor nos ferimentos de um dos meus ombros, e abri meus olhos para ver o que ele estava fazendo. Espantei-me ao ver que ele estava lambendo o local.

- O que está fazendo? – Tentei me soltar dos braços dele, mas ele me segurou mais forte.

- Isso já é desagradável o suficiente sem você reclamando no meu ouvido. – Ele me virou de costas para ele. – Então fique quieta, ou eu faço aquilo de novo.

Senti a pontada de dor no outro ombro agora, mas logo veio uma sensação de formigamento em ambos e eu não sentia mais dor. Ele continuou me segurando contra seu corpo, com um braço me enlaçando pela barriga.

- O gosto do seu sangue é horrível. – Ele sussurrou.

- Eu sou horrível, meu cheiro é horrível, meu gosto é horrível. O que mais? – Eu estava ofegante, e não consegui controlar muito bem a minha respiração.

Ele me virou de frente para ele novamente e continuou me segurando, enquanto olhava no fundo dos meus olhos. Eu fiquei intrigada com a atitude dele, mas não estava pensando com lógica naquele momento.

Sesshoumaru segurou minha nuca e levou meu rosto na direção do dele, selando nossos lábios em um beijo. Eu abri meus olhos na surpresa, mas logo fechei ao sentir a língua dele pedindo passagem. Sem pensar em nada, me entreguei aquele beijo, que era o meu primeiro.

Envolvi o pescoço dele com meus braços, e senti-o me abraçando mais forte. Os minutos que se seguiram me pareceram segundos. Quando separamos nossos lábios, ele olhou bem fundo nos meus olhos e novamente aquele pensamento me ocorreu: Eu nunca vira olhos tão bonitos antes.

- Seu gosto não é ruim. – Ele sussurrou e deu um leve sorriso.

Eu não consegui responder nada, minha mente estava confusa demais depois daquele beijo inesperado. Desviei meus olhos dele, minha vergonha não me deixava olhar para ele. Quando o olhei de novo, aquela mascara de frieza já estava escondendo qualquer outra coisa que podia ter no rosto dele antes. Ele me soltou rapidamente, me fazendo recuar alguns passos.

- Isso NUNCA aconteceu. – Ele falou, cerrando os olhos e saindo do meu quarto com pressa.

Fiquei parada no meio do quarto com meus pensamentos totalmente confusos, e senti uma vontade enorme de me bater quando percebi que tinha gostado de ser beijada por ele. Ele podia ser um imbecil grosseiro, frio e que gostava de me ver sentindo dor, mas eu não podia deixar de admitir que o beijo dele fora maravilhoso. E a sensação de ser abraçada por ele também havia sido ótima, e por um momento eu me deixei confiar nele. Então no meio de todas aquelas sensações confusas eu me dei conta.

Aquele era o homem que havia matado meu pai, e eu estava gostando de tê-lo beijado.

Arrumei meu quimono depressa e saí pulando a janela do meu quarto. Corri pelo jardim que cercava a casa até chegar o mais longe que eu podia ir. Parei de correr, ainda ofegante, e me sentei sob meus joelhos em meio às flores, sentindo o sol na pele.

Respirei fundo e tentei colocar meus pensamentos em ordem, o que não era uma tarefa muito fácil. Nem mesmo sentir o vento, o sol, ou o cheiro das flores e da terra estava me ajudando. Fechei os olhos, e não pude evitar que algumas lágrimas saíssem, apesar de eu nem saber por que estava chorando de fato.

Não senti o tempo passar, mas quando percebi já estava escuro. As estrelas estavam tomando conta do céu e eu me senti bem ao olhar para elas.

- O que você faria mamãe? – Sussurrei para as estrelas, e bem no fundo eu esperei por alguma resposta.

- Não sei sua mãe, mas eu não ficaria do lado de fora nesse frio. – A voz de Sesshoumaru soou no tom de sempre, e senti-o sentando ao meu lado. – O que ficou fazendo aqui fora esse tempo todo?

- Eu não sinto frio. – Me resumi a dizer isso, e não quis responder a segunda pergunta.

- Sobre hoje no seu quarto...

- Está tudo bem. – Respondi, o cortando. – Quero ficar sozinha, se não se importa.

- Só queria saber se seus ombros estavam melhores. – Ele passou a mão pelos longos cabelos prateados.

Sem responder abaixei um pouco o quimono para que ele tivesse visão de um dos meus ombros. Ainda estava um pouco machucado, mas não estava doendo.

- Está doendo? – Ele tocou um dos ferimentos com um dedo.

- Porque parece tão preocupado agora? – Olhei para ele com um pouco de raiva, puxando meu quimono para cima novamente.

- Não importa mais. – Ele se levantou.

Eu não me movi, nem falei mais nada, só voltei a olhar para o céu. O ouvi suspirando longamente ainda parado ao meu lado.

- Vou ter mesmo que te arrastar para dentro?

- Não quero entrar agora.

Ele se abaixou do meu lado e colocou a mão por cima da minha.

- Eu não me senti tão bem quanto parecia hoje mais cedo.

- Claro, me ferir deve ser terrível para você. – Revirei os olhos.

- Eu não gosto tanto quanto parece.

- Então porque faz? – Puxei minha mão debaixo da dele.

- Você me irrita tanto que me deixa sem controle... E não é só seu jeito de me irritar que me descontrola.

- O que quer dizer com isso? – Olhei para ele com curiosidade verdadeira.

Ele segurou meu queixo com uma das mãos e me puxou para outro beijo. Eu fiquei sem reação e acabei permitindo.

Todas aquelas emoções conflitantes em mim desapareceram naquele momento, e eu só pensava nele e em todas as sensações que aquele beijo me fazia sentir. Meu coração estava batendo acelerado e descompassado, enquanto a mão dele escorregava do meu rosto para minha cintura e me puxava de encontro ao corpo dele.

Ele se separou de mim bruscamente e me puxou pela mão, para que eu levantasse. Levantei sem relutância e o segui, coisa que eu faria mesmo se ele não estivesse me segurando.

Entramos na casa apressados, e eu preferia não perguntar para onde ele estava me levando.

Ele entrou na biblioteca e me puxou para dentro, eu ainda estava desnorteada com as mudanças de humor repentinas dele. Depois de fechar a porta ele me abraçou pelas costas, afastou meu cabelo e começou a distribuir beijos pelo meu pescoço. Eu fechei os olhos e aproveitei aquela sensação, inclinando a cabeça um pouco para trás e deixando um gemido baixo escapar pelos meus lábios. A imagem de Setsuna com Koneko me veio à mente novamente.

- Que inferno, garota estranha. – Ele me virou de frente para ele e me abraçou novamente, segurando minha nuca e mantendo a boca perto do meu ouvido. – Como você consegue fazer isso comigo? – Sesshoumaru sussurrou em meu ouvido, o que me fez ficar arrepiada.

- Você sabe muito bem meu nome. – Sussurrei de volta, mas foi mais pela incapacidade de falar alguma coisa do que pela vontade de falar baixo.

- Sei sim. – Ele afastou um pouco o rosto e olhou para mim. – Garota estranha.

Antes que eu pudesse responder, ele colou os lábios aos meus em outro beijo. Ele foi andando para frente e me empurrando junto, até que eu encostei-me a algo que eu achava ser uma das estantes da biblioteca. Ele intensificou o beijo e eu não consegui evitar abraçá-lo. Sesshoumaru levou os lábios ao meu pescoço novamente, e inconscientemente eu inclinei minha cabeça para trás, o que fez com que eu batesse em uma das prateleiras da estante, que fez um barulho meio alto e me acordou do transe de sensações que estava sentindo.

- Sesshoumaru, Sesshoumaru. – Comecei a tentar me afastar dele.

- Inferno. – Ele respirou fundo, e passou uma das mãos pelo rosto. – O que foi?

- Alguma coisa caiu. – Eu sentia meu rosto quente, enquanto passava a mão pelo quimono

Ele olhou por cima do meu ombro e me soltou, indo para o outro lado da prateleira. O segui e vi que ele estava com um pergaminho nas mãos, o colocando de volta na prateleira.

- Não vai ler? – Encostei-me à prateleira e cruzei os braços na frente do peito.

- Porque deveria? Tenho coisas mais importantes para fazer agora... E isso envolve você.

- Bom, minha mãe sempre me dizia que nada acontecia sem motivo. – Eu andei até onde ele estava e peguei o pergaminho que ele havia acabado de colocar de volta na prateleira. – Se isso aconteceu deve ter um bom motivo. – Coloquei o pergaminho nas mãos dele e o vi revirar os olhos.

- Você é a garota mais estraga-prazeres que eu já conheci.

- Pode dizer o que quiser, estou indo dormir.

Dei um beijo na testa dele, sem exatamente saber por que fiz aquilo, e saí da biblioteca.

No caminho para meu quarto me lembrei que minha mãe costumava dar um beijo na testa do meu pai em algumas ocasiões, principalmente quando ele não queria fazer alguma coisa que ela pedia. Sorri um pouco com a lembrança e entrei em meu quarto, que estava totalmente escuro, somente sendo iluminado pela luz da lua.

Puxei meu futon para perto da janela e me deitei, sentindo a luz da lua na minha pele.

Não sei exatamente quanto tempo eu passei deitada ali, mas depois de certo tempo ouvi minha porta sendo aberta, e dei um longo suspiro.

- Sesshoumaru, eu avisei que vinha dormir, não era para você vir atrás de mim. – Me sentei e olhei na direção dele.

- Você não estava dormindo, estava? Então para de reclamar e me ouve. – Ele se sentou ao meu lado e puxou um pergaminho de dentro da roupa. – Eu, finalmente, consegui encontrar o maldito pergaminho que estava procurando.

- VOCÊ achou? – Arqueei uma sobrancelha.

- VOCÊ achou porque EU fiz você achar, mesmo que contra a minha vontade.

- E quem não queria ler? – Cruzei meus braços e continuei olhando para ele com uma sobrancelha arqueada.

- Cala a boca e me ouve. – Ele abriu o pergaminho e eu dei uma olhada rápida, mas desisti ao perceber que ler no escuro não era uma tarefa muito fácil, mesmo para mim. – Aqui diz que será uma nova era para os youkais quando você subir no trono.

- Porque você tem tanta certeza que sou eu?

- Bom, levando em consideração sua marca terrivelmente chamativa, você ser hanyou, e ter quase se deitado comigo, acho que tenho muitas chances de estar certo.

- O que eu ter feito ou não com você tem a ver com essa profecia? – Senti meu rosto arder e agradeci por estar escuro o suficiente para ele não ver o rubor em minha face.

- Eu resumi para você. O que eu entendi por essa profecia, é que os dois reinos serão unidos, por isso vai ser uma nova era.

- Ainda não sei onde você se encaixa nessa história toda.

- Burra. – Eu olhei para ele irritada e já ia abrir a boca para xingá-lo quando fui interrompida. – Se eu sou o senhor do oeste, e o seu tio é do leste... O que exatamente você entende por 'juntar os reinos'? – Ele revirou os olhos.

- Você vai se casar com meu tio? – Eu tentei segurar uma risada, o que não foi muito fácil.

- Seu pai deveria ter subido no trono, e você seria sua sucessora. – Ele enrolou novamente o pergaminho e deixou-o de lado.

- Então isso quer dizer que vamos juntar os reinos? – Parei, fingindo pensar um pouco. – Sesshoumaru-sama, senhor de toda a razão existente, vai se casar com uma hanyou? – Não consegui me controlar e caí na gargalhada. Era difícil de acreditar em tudo aquilo.

- Infelizmente, essa profecia não vai se realizar. – Ele se levantou. – Porque provavelmente eu vou te matar antes mesmo de você voltar pra tirar seu tio do trono.

- E quem disse que eu vou voltar?

- Eu estou dizendo. – Ele segurou meus ombros onde estava machucado e me puxou para ficar de pé. – Amanhã.

- Para, está machucando. – Falei um pouco baixo, mas não chegou a ser um sussurro.

Ele percebeu o que fez e me soltou imediatamente. Passei os braços ao redor do meu próprio corpo e fiquei olhando para baixo, pensando porque ele estava me tratando desse jeito depois do que aconteceu.

- Você tem o talento de me tirar do sério. – Ele passou a mão pelo rosto e suspirou longamente. – Como você consegue me fazer agir assim?

- Eu não sei... – Sussurrei, ainda olhando para baixo.

- Que inferno, garota. – Ele me abraçou, me surpreendendo. – A culpa é toda sua.

- Eu não entendo... – Sussurrei, abraçando-o também. – Porque eu me sinto assim perto de você? Era para eu te odiar! – Afundei meu rosto contra o peito dele, e percebi o quanto o cheiro dele era bom.

- E eu te pergunto a mesma coisa. – Sesshoumaru passou os dedos pelo meu cabelo.

Ele me segurou delicadamente pelos ombros, com cuidado para não me machucar e me afastou do corpo dele, me fazendo olhar para ele. Com cuidado, foi afastando as mangas do meu quimono, e quando eu percebi, ele não parou somente onde estava machucado, ele foi abaixando mais e mais, até que meus seios apareceram. Eu podia jurar que naquela escuridão eu pude ver o que parecia ser um sorriso de satisfação. Meu rosto aqueceu e eu senti vontade de me esconder, mas algo dentro de mim me dizia que eu não precisava sentir vergonha dele.

- Sesshoumaru... – Sussurrei e coloquei minhas mãos sobre as dele, o parando.

- Sim?

- Eu não sei... Isso parece errado. – Olhei para baixo, com medo de encarar aqueles olhos âmbares.

- Não é tão errado assim. – Ele segurou meu rosto com as duas mãos e me fez olhar para o rosto dele, que estava mais belo do que nunca, iluminado pela lua. – Eu quero você.

Dizendo isso, me puxou para mais um beijo. Depois daquilo eu não conseguia mais manter um pensamento lúcido por mais do que um segundo, e acabei me deixando levar pelos toques e caricias dele.

E então me entreguei de corpo e alma para o homem que deveria ser o meu maior inimigo.

Acordei com o sol batendo no meu rosto, e abri meus olhos lentamente. Vi Sesshoumaru deitado do meu lado. Eu estava com o rosto sobre seu peito, enquanto ele me abraçava pela cintura. Olhei em volta e percebi que ainda estávamos no meu quarto, então notei nossa falta de roupas, o que me fez lembrar a noite passada.

Levantei em um pulo, fazendo Sesshoumaru acordar também.

- O que fizemos? – Segurei a coberta contra meu corpo, não pelo frio, mas para esconder minha nudez.

- Você tem amnésia? – Sesshoumaru virou para o outro lado e fez menção de voltar a dormir.

- Você está agindo como se isso fosse natural! – O sacudi freneticamente.

- Mas é natural. É o que um homem e uma mulher fazendo quando sentem atração um pelo outro. – Ele segurou minha mão que estava no ombro dele. – Deixe-me dormir, garota infernal.

- Ótimo, eu tive minha primeira vez com um homem desses. – Comentei mais para mim do que para que ele ouvisse, e apoiei o queixo em uma das mãos.

- Jura que você era virgem? – Ele se virou para mim, mas continuou deitado.

- E isso realmente importa agora? – Me deitei de novo, e cobri minha cabeça. – Estou tão envergonhada!

- Não pareceu envergonhada ontem. – Ele puxou o cobertor para o lado, deixando nossos corpos nus descobertos. – Vamos, não precisa ter vergonha disso.

- Wa! – Gritei, pulando por cima dele para pegar o cobertor de volta. – Você é infernal!

- Alguma coisa nós concordamos. – Ele estava me segurando para que eu não alcançasse o cobertor.

- Qual é o seu problema? – Eu estava me debatendo, ainda tentando me soltar dele.

- Eu te pergunto a mesma coisa. Não gostou de ontem? – Ele me abraçou forte quando eu tentei passar por cima dele.

- Eu... Ontem... – Parei de falar ao perceber que eu realmente havia gostado e corei imediatamente.

- Você está fazendo um escândalo à toa. Vamos dormir mais um pouco. – Ele continuou me segurando em cima dele, apesar de eu não estar mais tentando me soltar ou pegar o cobertor.

- É, talvez você tenha razão. – Suspirei e tentei rolar para o lado, mas ele ainda não tinha me soltado. – O que foi? Não vou mais tentar pegar o cobertor.

- Eu gosto de sentir você assim. – Ele fechou os olhos e continuou me segurando.

Sorri ao ver como ele parecia estar relaxado, e deitei minha cabeça sob seu peito, sentindo as batidas de seu coração.

- Sesshoumaru...? – Esperei que ele respondesse e ouvi um 'hum?' – Você quer mesmo que eu vá falar com meu tio?

- Ele vai tentar matar você. – Ele continuava de olhos fechados.

- Isso não foi uma resposta para a minha pergunta.

- Quero. – Ele parou por um momento, e quando eu ia responder ele continuou. – Mas eu vou com você.

- Você vai me entregar pessoalmente na boca do lobo? Cruel.

- Não vou permitir que ele toque em você. – Ele me fez ir para seu lado. – Você realmente acha que eu ia te entregar para seu tio para que ele a matasse?

- Não, eu sei que não. – Sorri e me ajeitei contra seu corpo.

Na verdade eu não sabia de nada, e eu tinha minhas duvidas sobre confiar nele. Ele ainda havia matado meu pai. Eu estava me sentindo muito errada em estar ali com ele, mas por um momento eu me fiz esquecer tudo que havia acontecido e aproveitar a companhia dele.

- Não precisamos nos apressar para ir. – Ele deu um beijo na minha testa antes de me abraçar. – Não vai ser fácil ficarmos assim quando estivermos lá.

- Meu tio não pode saber?

- Ninguém pode saber.

- Tudo bem. – Suspirei longamente e pensei em um modo de mudar o assunto. – Quem eram aqueles três que vieram aqui ontem?

- Inuyasha, meu meio-irmão. Kagome, a mulher dele. E Rin.

- Rin é filha deles?

- Não. Eu cuidava dela há uns anos atrás, mas acharam melhor eu deixá-la onde tivesse contato com outros humanos.

- Faz sentido. – O senti passando levemente o dedo indicador pelo meu ombro. – O que foi?

- Eu te machuquei. – O ouvi suspirar longamente. – Eu estava tentando te manter afastada de mim, mas acho que isso não deu muito certo.

- Você fez isso para que eu ficasse com medo de me aproximar de você? – Me soltei do abraço dele e fiquei de bruços, apoiada sob meus cotovelos. Ele fez que sim com a cabeça. – Então não estava nos seus planos aquele beijo?

- Não. Na verdade eu devia ter saído assim que te soltei. – Ele deitou de bruços também e passou um braço pelas minhas costas. – Não consegui ver você daquele jeito e não fazer nada.

- Falando nisso, o que você fez? – Apontei para o meu ombro. – Não dói mais, e está quase bom.

- Truque de família.

- Vou aceitar essa resposta por enquanto. – Dei um sorriso e me deitei também, com o rosto a poucos centímetros do dele.

- Porque você tem tanta certeza de que fui eu? – Ele perguntou, me surpreendendo.

- Do que está falando?

- Seu pai.

- Droga, estava bom demais pra ser verdade. – Suspirei e fechei os olhos. – Já disse que eu vi você lá, não tem como negar.

- E se eu dissesse que não fui eu, mesmo assim? Você acreditaria em mim?

- Você me convenceu a ir para a cama com você para me convencer de que você não é culpado? – Olhei para ele com um pouco de raiva.

- Eu não vou deixar de admitir que estava lá naquela hora, mas não fui eu.

- Então porque não tentou me dizer isso antes?

- Eu realmente não estava me importando com o que você pensava antes.

- Quem foi então?

- Vai parecer que estou tentando jogar a culpa para outra pessoa por beneficio próprio se eu falar. Você vai ter que esperar para saber.

- Mas que inferno, Sesshoumaru! – Me levantei em um pulo e fui até o pequeno armário que ficava do outro lado do quarto, e comecei a procurar por algum quimono.

- Porque está tão apressada para se vestir? – Ele me abraçou pelas costas, me impedindo de tentar me vestir.

- O que você quer que eu faça? Acabei de dormir com o homem que provavelmente matou meu pai e ainda quer me enganar!

- Até cinco minutos atrás você não via problemas nisso.

- Até cinco minutos atrás eu não tinha me dado conta.

- Confia em mim. – Ele beijou meu pescoço. – Quando chegar a hora você vai poder saber a verdade. Agora, o que acha de voltar pra cama comigo? – Ele segurou o quimono que estava na minha mão e jogou de volta no armário.

Suspirei longamente e concordei com um aceno, apesar de não me sentir totalmente confortável com aquilo. Infelizmente ou felizmente, não sei, Sesshoumaru tinha o dom de me fazer parar de pensar quando começava com seus beijos e toques.

Quando dei por mim, já estava na cama com ele novamente.

Continua...

Yo! Bom, pra começar eu gostaria de agradecer a quem andou lendo minha fic. (yey!) E agora, gostaria de avisar que eu não estava planejando que as coisas andassem rápido assim, mas aconteceu. x_x

Ahhh... Hikari sortuda! Já ta se esbaldando nos braços do cachorrinho mais sexy do pedaço -q

Bom, é claro que eu não vou deixar a vida deles feliz assim, né? Afinal, ainda existe o bixinho da dúvida vivendo na cabeça de nossa protagonista. :/

Será que Sesshoumaru realmente matou o pai dela?

Nem eu sei! 8D –q shIAOHSOIAHIOSA. Mentira, sei sim, mas não vou contar, porque sou uma ficwriter muito má. U_ú

Espero vocês no próximo capítulo, e não se esqueçam da Review pra deixar a titia Matsuri feliz. ;x

Beijos nas bochechas de todos os leitores.

:***