Como a reunião terminou tarde, o jantar levou muito tempo para ficar pronto e o aspecto não era um dos melhores já que aqueles que cuidavam da comida na casa estavam exaustos demais para dar a devida atenção a refeição. A Sra. Weasley parecia realmente aliviado ao ver que a cozinha estava brilhando sem quaisquer resquício de melado, o que a fez preparar um pouco de suco de abóbora para os meninos. Enquanto ela, Tonks e Sirius esquentavam a comida, os outros guiavam o restante dos membros da Ordem até a saída de tal forma que novamente nenhuma das crianças conseguiu abordar um professor sequer.

A refeição fora silenciosa, volta e meia alguém cochilava e Tonks quase enfiou o rosto dentro do prato nas duas vezes em que pegara no sono. Quando Jorge desceu e sua mãe perguntou sobre seu irmão, ele simplesmente respondeu que Fred fora acometido por uma terrível do de estômago – afinal daquele jeito ninguém iria verificar como ele estava . Discretamente Hermione cutucou o braço de Tonks quando boa parte dos convidados havia se retirado e ficou surpresa que a mulher roncava com um nariz de porco pendurado em seu rosto.

-Ninfadora...! – a mulher despertou de um salto e seus cabelos ficaram brancos com o susto.

-Perdão, acho que estou com sono. – ela bocejou com gosto e voltou a aparência normal – Diga, Hermione.

-Preciso de um favor. – sussurrou ela as pressas. – Está com o dia livre amanhã?

-Oh, diga que não vai pedir para que eu acorde cedo. – com aquela expressão, Hermione não tinha nem ao menos coragem de estipular um horário.

-Não, não. Só quero que me acompanhe até o mercado. Preciso comprar algumas coisas.

-Claro, claro, tudo que quiser... – a mulher bocejou tão alto enquanto concordava e fechava os olhos que Hermione teve suas dúvidas se de fato a mulher havia lhe dado ouvidos.

Não podendo acordar a metamorfomaga de seu sono, Hermione levantou-se então com prato e copo e foi para a cozinha lavar suas coisas: Claro que a Sra. Weasley sempre fazia questão de deixar a louça com ela, pois usava magia e era um processo muito mais rápido do que o manual. Contudo Hermione e Harry tinham anos de prática com aquele tipo de tarefa que se tornava algo quase que automático, logo não foi uma surpresa quando ela se deparou com Harry lavando o próprio prato na cozinha quando ela chegou.

-Oi. – disse sem muito animo.

-Oi. Já estou terminando. – disse ele terminando de enxaguar o copo – Quer que eu lave sua louça?

-Não precisa, estou bem...

-Vamos, Mione, já estou com a mão na massa. – ele tomou o prato gentilmente de suas mãos e pôs-se a ensaboá-los. – Eles pareciam bem cansados hoje...

-É. – a garota abriu a geladeira preguiçosamente e avaliou o conteúdo. – Sabe onde foi parar a sopa de quarta feira?

-Hum... – Harry pôs o último garfo na gaveta de talheres e foi ajudar a amiga. – Acho que Rony deu cabo del... Não, está aqui. – ele pegou um pote de tampo verde e o abriu enquanto observava a amiga – Vai jantar de novo?

-Não é pra mim. Fred não pôde jantar porque rachou os dentes. – ela ignorou a careta do amigo pegando a sopa das mãos dele – Então vou ter que coar isso aqui e levar para ele comer. Acha que Sirius tem algum coador?

-Eu creio que não. – Harry escolheu ficar e ver até onde aquilo iria dar. – Por que está tão preocupada com Fred?

A mão de Hermione vacilou antes de abrir a porta de um dos armários onde eles guardavam as panelas, Harry pôde notar antes que a amiga enfiasse a cabeça lá dentro.

-Hermione – ela retornou do interior do armário com um coador na mão e uma expressão de triunfo nos olhos. – Por que?

-Por Merlin, você e Gina fazem a mesma cara quando estão desconfiados! – urrou ela dando as costas para Harry antes que a visse corar.

A verdade era que Hermione começava a sentir-se infeliz: Harry tinha Cho na escola em quem podia pensar na freqüência que desejasse, Gina estava saindo com alguém também, Rony vivia com a cabeça enfiada no mundo onde ele e Lila eram as únicas pessoas do planeta... Até o momento, quando o assunto se voltava para relacionamento, ela sentia-se sozinha demais ouvindo sobre a vida amorosa dos amigos enquanto a púnica pessoa por quem se apaixonara estava presa uma relacionamento meloso.

E quando Fred beijou sua mão, oh, nem mesmo Krum havia despertado aquele tipo de sentimentos onde seu estômago parecia cheio de borboleta. Estava confusa, não sabia se agora prestava mais atenção em Fred porque ele era irmão de Rony ou porque ele parecia ser o único que não tinha nenhum comentário a tecer sobre qualquer namorada. Naquele caso, então, o que o diferenciava de Jorge? Por que ela não ficou nervosa quando foi ele que a segurou no corredor e pediu sua ajuda?

-Eu vou subir e ver como Rony está. – Harry quebrou seus pensamentos com a mesma intensidade que uma pedra atingiria uma janela. – Precisa de alguma coisa?

-Não, obrigada. Boa noite, Harry. – murmurou ela ouvindo a porta da cozinha abrir e se fechar.

Seus momentos ali dentro enquanto providenciava uma refeição adequada para Fred foram silenciosos. Ela tentou não pensar nos gêmeos e tentou não julgar-se demais por estar fazendo aquilo tudo com tanto cuidado e não suportaria ver qualquer um deles cair doente ou com dor, mas precisava admitir que quando Rony derrubou o irmão da cadeira e o som alto do impacto do maxilar de Fred contra a pia a fizeram fraquejar.

E enquanto subia as escadas com a bandeja onde um prato fundo com sopa e um copo d'água todos os seus argumentos começavam a ruir: em menos de vinte e quatro horas começava a se importar com Fred na mesma intensidade com que cuidava de Gina, Harry e Rony. Queria vê-lo bem logo, queria ouvir os gêmeos correndo pela casa e pregando peças nos outros, quebrando o clima de tensão. Mal notou quando finalmente alcançou o quarto dos dois e chutou de leve a porta pois suas mãos estava ocupadas com a bandeja.

Jorge abriu a porta o suficiente para ver quem era. Não esperava por Hermione, havia duvidado que ela iria ser tão prestativa. Abrindo passagem, deixou a garota entrar:

-Serviço de quarto, Fred! – gritou ele para o irmão adormecido.

Hermione conteve um grito de horror quando o viu: seu rosto estava horrivelmente inchado nas bochechas e boa parte do queixo estava tomado por um terrível hematoma escuro. Ele parecia mais pálido do que nunca, os olhos fundos, a boca seca e inchada. Apavorada com a visão do rapaz sofrendo, ela tentou controlar o tremor de suas mãos enquanto sentava na cama ao lado de Fred, que se ajeitava até estar em posição que o possibilitasse comer.

Ele gemeu quando recostou as costas na parede atrás de sua cama e a espiou com o olhos cansados: há pouco finalmente conseguira dormir, sua cabeça latejava e parecia que a qualquer momento seus dentes iriam explodir. A poção que Jorge lhe dera mais cedo não havia ajudado muito, apenas contribuíra para deixar sua boca com um gosto amargo e língua áspera.

-Pode abrir a boca um pouco, Fred? – ela perguntou gentilmente tentando ignorar a agitação de Jorge.

Prendendo a respiração, Fred separou mais os lábios até onde sua dor permitia. Hermione olhou para a gengiva inchada e os dentes com cuidado. Levou uma mãe até a testa de Fred e conferiu se havia qualquer sinal de febre pois, se fosse o caso, talvez houvesse infecção, porém ficou aliviada que ele permanecia com a temperatura normal.

-Amanhã vou com Ninfadora até o mercado e trago sorvete e tento preparar alguma poção para dor, está bem? – tentando animá-lo, ela sorriu da maneira mais reconfortante que pôde quando ele fez um aceno positivo com a cabeça.

-Ele vai precisar ficar deitado o dia todo? – Jorge perguntou sentando-se do outro lado da cama. Ficou feito uma coruja empoleirado na cama tentando encontrar qualquer maneira que agilizasse a cura do irmão, porém tinha medo de fazer besteira (o que era um sentimento novo para o rapaz).

-Eu acho melhor. – Hermione pôs o copo no criado mudo ao lado da cama. – Se não ele pôde agitar-se demais e sangrar pela boca. Mas tem que mantê-lo com gelo. – ralhou ela notando que Fred não tinha nenhum por perto.

-Acabei de esvaziar a saca, estava encharcando Fred. – ele indicou uma grande mancha úmida nas roupas do irmão. – Ainda tem alguém acordado? Posso pedir para preparar um pouco.

-Se correr deve encontrar alguém na sala de estar ou na cozinha lavando a louça. – Jorge saltou de imediato e saiu pela porta tomando cuidado de fechá-la ao deixar o quarto.

-Ele está realmente preocupado com você. – comentou ela de maneira distraída. Então pegou a tigela com sopa e mergulhou a colher no líquido aquoso. – Eu tirei qualquer pedacinho de comida que pudesse ficar preso nos seus dentes, então não vai ser muito consistente, mas já alguma coisa.

Aquilo fez Hermione se lembrar de como sua mãe fora gentil ao ajudá-la a comer quando suas gengivas estavam inchadas e com ponto por conta dos sisos retirados. Ela virava a colher próxima aos lábios Fred e estava pronta para limpar seu rosto toda vez que a sopa escorria pelo queixo do rapaz. Não se incomodava nem um pouco, era como tratar de um enfermo, ele não podia mover os lábios normalmente, logo não controlava a comida dentro da boca. Porém Fred não conseguia aceitar que Hermione levasse aquele tipo de trabalho tão bem: deveria ser nojento cuidar de alguém naquelas condições, varrendo a sujeira que ele deixava, tomando cuidado com uma situação frágil. E ele tinha certeza do quão horrível estava pelo olhar de preocupado que seu irmão lançara ao seu rosto inchado a tarde inteira.

Fred segurou a mão de Hermione cuja colher já tocava a sopa, e a fez abaixar o prato. Pegando o pedaço de pergaminho ao lado da cama onde podia se comunicar com os outros, ele escreveu com a mão trêmula "estou satisfeito" e ficou surpreso com a facilidade de mentir por meio da escrita. Hermione não pareceu tomar muita fé nas palavras, ele mal havia comido o dia inteiro.

-Tem certeza? – perguntou, recebendo uma resposta positiva. – Bom, quer água então? E eu vou pegar um pouco de sal pra você bochechar e lavar bem sua boca, está certo?

Fred deixou que Hermione lhe entregasse a água, porém bebeu por si só. O que estava acontecendo? Por que não queria que ela o ajudasse, mas também fazia questão que ela permanecesse? Naquele instante queria poder abraçá-la e dizer o quanto estava grato, porém sabia que se o fizesse, soaria como um bobo, então apenas bebeu água lentamente sendo observado por aqueles doces olhos castanhos. Jorge surgiu sem aviso com duas sacas cheia de gelo mágico que não mais derreteria.

-Prontinho. Vai dormir como um boneco de neve. – ele largou os sacos de cada lado do irmão e pôs as mãos nos ombros de Hermione – Você é a pessoa mais adorável que já conheci. Depois de meu charmoso irmão.

Rindo, Hermione esquivou-se dos braços do rapaz e recompôs-se.

-Tenho boas notícias! – continuou Jorge com um sorriso no rosto. – Mamãe acabou de me contar enquanto preparava o gelo: Papai volta amanhã. Vai vir ficar conosco aqui!

-Oh, por Merlin, Jorge! – exclamou Hermione abrindo um largo sorriso e o abraçando – Fico tão feliz por vocês!

Então ela se voltou para abraçar Fred e o viu tocando o próprio rosto com uma expressão sofrida: aparentemente havia sorrido com espontaneidade e machucado a si mesmo. Agora ficou infeliz olhando para o nada enquanto os outros celebravam. E havia um fogo em seus olhos quando Hermione abraçou Jorge que apenas seu irmão havia notado e interpretado corretamente. A garota sentiu a tensão no ar e preferiu sair dali.

-Bom, vou avisar a Gina e os outros. Jorge, pode pegar um copo com água e sal para seu irmão lavar a boca? E deixe a sopa coberta, caso ele resolva comer mais depois. Qualquer problema, me chamem no quarto de cima. – porém antes de sair ela cuidadosamente se inclinou por sobre Fred e beijou sua testa com cuidado – Parabéns pela notícia e melhoras.

Bastou que os passos dela sumissem enquanto Hermione percorria o corredor para que Jorge tornasse a sorrir de maneira marota para Fred. O rapaz sacudiu os ombros como quem pergunta "O que?", porém Jorge já havia preparado o discurso enquanto estava retornando para o quarto.

-Você gosta dela. Ah, isso vai ser tão fácil – riu ele quando notou que, por mais que fizesse caras e bocas, Fred não podia se defender ou desmenti-lo a altura – Esperei para falar agora porque até então você poderia me interromper. Acha que eu sou burro, Fredie? Bom, pelo menos, não mais do que você é! Sou seu irmão gêmeo, seu idiota, consigo prever até mesmo quando você está apertado para ir ao banheiro, então não pense que não sei nada sobre seus sentimentos. Agora vejamos, quando começou... Eu acredito que foi no ano passado durante o Baile de Inverno quando ela apareceu feito uma Afrodite pelo hall de entrada.

Jorge avaliou o rosto pensativo do irmão, provavelmente se recordando de como Hermione estava fantástica naquela noite.

-Estou certo, não estou? – continuou ele – Bom, agora você disfarçou bem em na escola, mal dava pra notar essa sua carinha linda secando nossa inocente Mione enquanto ela andava com nosso irmão de inteligência questionável. Por Deus, você roubou o livro dela e chegou aqui olhando para ele como se fosse o Mapa do Maroto ou pedacinhos da Umbridge! Até folheou o livro e inspirou fundo quando sentiu o perfume da garota, cara, você está completamente e terrivelmente... – Jorge fingiu desmaiar enquanto levava a mão a testa – apaixonado.

Rindo o necessário para irritar Fred, Jorge saltou sobre a cama do irmão e passou os braços por sobre os ombros do gêmeo com um sorriso bobo.

-Deve estar adorando receber toda essa atenção dela, não é? Eu iria gostar também, ela é simplesmente adorável. Não me olhe assim! – protestou quando seu irmão o fulminou com o olhar – Ela não faz meu tipo. Então, quer que eu investigue? Posso pedir para Gina fazer algumas perguntas, nossa irmã adora esse tipo de coisa. Ou posso dar vomitilhas para ela assim vocês partilham dessa crise de enfermidades juntos!

Quando Fred gemeu qualquer coisa, Jorge chegou a conclusão de que já havia brincado o bastante. Geralmente ele não conhecia aquele limite, porém agora se tratava dos sentimentos de seu irmão gêmeo, a pessoa mais importante em sua vida, e não queria vê-lo magoado em hipótese nenhuma.

-Falando sério, Fred, eu não imaginava isso. – ele largou o irmão e o ajudou a deitar-se e a posicionar o gelo em seu rosto de maneira confortável – espero realmente que dê certo. Olha, eu não me lembro de vê-la dar tanta atenção nem mesmo para Harry quando ele se enfiava na Enfermaria quando se machucava durante o Quadribol. Pense positivo, cara, e eu vou tentar mantê-la aqui dentro o máximo de tempo possível...

Naquele instante Fred se sobressaltou e imediatamente pegou o pedaço de pergaminho e a pena que mantinha no criado mudo, começando a escrever de um jeito nervoso. Quando entregou o papel a Jorge, ele pôde ler:

"Não quero prendê-la com obrigações. Estou forçando Mione e tirando o tempo livre dela"

-Não seja burro! – ele devolveu o papel ao irmão com olhar zangado – Nós conhecemos Hermione, sabemos que se ela não quer fazer algo, bom, agiliza o trabalho. Não me pareceu que ela estava enfiando a água dentro da sua garganta para andar mais rápido. Agora vá dormir, eu estou cansado e você precisa descansar para voltar a ficar lindo e irresistível. Como eu.

Jorge quase escapou do chute desferido por Fred. Ele apagou a luz do quarto e com facilidade pegou no sono, porém Fred permaneceu acordado, um pouco por causa da dor, porém muito porque seus pensamentos estavam fixos em Hermione: ele há algum tempo havia começado a pensar na garota com uma certa freqüência, porém tinha tanta certeza que ela e Rony tinham uma atração mútua que ficou surpreso ao ver Rony as voltas com outra garota. E agora ela parecia infeliz quando estava junto a ele, e se isolava com freqüência pela casa. Não, não queria vê-la triste, aquilo cortava seu coração como uma lâmina fria, e o fato de não poder se mexer ou falar... Maldição, era tão frustrante! Queria tê-la junto ao peito, queria abraçá-la e sussurrar que tudo estaria bem, queria poder sorrir de volta para aquele rosto angelical, porém sua sinceridade estava comprometida por seus ferimentos, e a impaciência estava junto de sua espera.

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N.A.: Hey, Cheff! Bom, mais um capítulo e está saindo incrivelmente rápido (pelo menos, mais do que as outras), não sei se é a empolgação ou se meu amor faz meus dedos escreverem até sangrar ;)

D. Y. Uchiha, muito obrigada mais uma vez pela Review! Adoro ler os cometários sobre os capítulos, não se esqueça que meu coração está aberto a sugestões, então sinta-se livre para tal!

Ines G., muito obrigada também pelos comentários! Calma, calma (é impressionantes, porém eu só descrevi um dia nesses quatro capítulos, mas a magia já, já vai acontecer ;) )

Mirian Black, agradeço por ter colocado minha história na sua lista de favoritos ^^ Fico feliz que tenha gostado

E para todos os outros, obrigada por acompanhar esta fanfic! Logo vou lançar mais uma envolvendo Hogwarts, o nome será "Kirin", então se quiserem dar uma olhada, provavelmente sairá junto com o próximo capítulo desta!

Até mais e um abraço!