Fay correu o mais rápido que podia em direção ao laboratório, onde os microchips estavam sendo produzidos. Sua respiração saia pela capa em rajadas rápidas e cortantes. Sua visão estava embaçada e ele ainda se amaldiçoava por ter causado todo aquele caos. Mas isso não era nada comparado ao que fizera com Kurogane, aquele que salvara a vida de sua querida irmã… aquele que salvou sua própria vida.
"Não vou deixar você morrer por minha causa", pensou ele enquanto se escondia em um vão enquanto dois soldados passavam, fazendo sua costumeira ronda. "Não vou deixar Kurogane-San".
CAPíTULO QUARTO – O úLTiMO BEiJO ANTES DE SECAR
Com um pouco de habilidade que tinha, Fay conseguiu se pendurar em um cano no teto que o levaria escondido até o corredor dos laboratórios. Isso foi uma ótima idéia, pois o caminho estava infestado de soldados, que a mando de um dos generais patrulhavam o caminho com mais vigor que nunca. Em uma das paradas para secar o suor na testa Fay conseguiu ouvir um fragmento de conversa:
-… acha mesmo que pode ser um deles?
- Com certeza, ainda mais depois de terem matado Shougo Asaki. Ele era um dos melhores…
"Ótimo" pensou Fay continuando seu tortuoso trajeto. "Eles suspeitam dos generais, isso vai ajudar caso tenha que apelar para uma pequena rebelião interna".
Para o alivio de Fay o corredor que levava aos laboratórios estava deserto, e só era patrulhado por dois jovens soldados que possuíam apenas duas pistolas. Com um sorriso de satisfação o loiro pulou no chão e se escondeu atrás de uma pilha de caixas, antes que alguém pudesse notar sua presença.
Procurando algo que pudesse servir de ajuda o loiro encontrou uma lata vazia. Com certeza aquilo poderia afastar os dois do posto e daria uma ótima chance para que ele agisse com o plano. Pegou a lata com cuidado e contou. Jogou-a com força pro outro lado do corredor, provocando um barulho alto e seco que se propagou pelo corredor.
- Quem está ai?! – perguntou um dos soldados engatilhando a arma. – Diga ou atiro!
- Deixa isso comigo… - avisou o outro. -, fique aqui e mantenha a calma.
"Droga" pensou Fay. "Meu plano foi por água abaixo".
Pensando rapidamente no que fazer sem o plano anterior Fay decidiu por arriscar. Assim que o soldado passou ao seu lado ele rapidamente o puxou para o chão e sussurrou em seu ouvido:
- Está na hora de crianças irem para cama! – e com um gesto rápido cortou a garganta do soldado que mal teve tempo de gritar.
O outro soldado disparou para cima e Fay limpou a mão suja de sangue antes de, com a arma do soldado morto dar dois tiros certeiros na testa do soldado que caiu sem vida no chão. Vendo que não teria muito tempo até que outros chegassem o loiro pegou a arma do soldado caído e bateu com violência na porta do laboratório.
- O que está acontecendo?! – perguntou uma voz assustada de dentro do laboratório. – Aconteceu alguma coisa?!
- Sim. Abra logo a porta e deixe-nos entrar! – gritou Fay, imitando uma voz grossa com perfeição.
Houve um barulho de correntes e de uma chave girando na maçaneta antes da porta se abrir, revelando uma imensa sala iluminada onde o único ocupante era um rapaz de roupas pretas usando um óculos de aros redondos sobre os olhos de cores mistas. Enquanto um tinha uma coloração em azul o outro era acastanhado.
- Quem é você?! – perguntou ele segurando a porta ao observar que Fay não era, nem de longe um dos soldados.
- Sou Fay D. Fluorite, aquele que julgará se você vive ou morre antes do sol nascer! Saia do meu caminho pirralho…
- Nunca!
Fay puxou a arma do cinto e mirou-a na testa do rapaz, mas este também era ágil e já estava com uma pequena faca cirúrgica no pescoço do loiro. Os dois suavam frio agora, com um simples movimento eles morreriam, mas nenhum dos dois saberia a hora certa de agir.
- Abaixe a arma… eu posso até deixar você correr se fizer o que estou pedindo! – disse o jovem com a voz trêmula. – Não quero ver meu laboratório sujo de sangue!
Um sorriso débil se formou no rosto de Fay antes dele dizer com uma voz rouca, devido à faca ameaçando cortar sua jugular:
- Eu não vou me mover um centímetro sequer… a escolha é sua rapaz… ou me mata, ou eu faço isso…
- Ótimo! – disse uma voz do outro lado do corredor. – Porque hoje eu estou com o tempo que quiser para se revelar como o ladrão da água…
Kamui Shirou, um dos comandantes estava parado e observando a cena com um pé apoiado na cabeça do primeiro soldado morto. Seus olhos azuis pareciam capaz de soltar faíscas e em uma das mãos ele trazia uma pistola automática apontada diretamente para os dois. Fay engoliu em seco e aos poucos abaixou a arma da cabeça do jovem que recuou alguns passos e trancou o laboratório.
- Pronto! – exclamou Fay sem se virar completamente. – Somos só eu e você comandante! Lá no WTC-09 ouvimos muitas coisas sobre você… nenhuma delas são boas, te garanto!
- Não me importo! – cortou Kamui rispidamente. – Caminhe até a morte como homem e alcançara o julgamento divino!
- Quem é você para falar sobre julgamento divino? – retrucou Fay passando a mão na outra pistola presa ao cinto. – Vocês são demônios… demônios que assassinam crianças antes mesmo dela nascerem! Matam famílias inteiras sem encostar um dedo nelas…
Kamui riu malignamente e Fay pode ouvir o pescoço do soldado abaixo do comandante estalar. Os dois olhos cor de safira se cruzavam e o ar em volta parecia conter fúria e sede de sangue.
- Pare de jogar! – exclamou Fay. – Quanto mais rápido acabarmos com isso melhor será!
- Você se acha muito esperto não é delinqüente?!
- Se eu não fosse não estaria roubando vocês bem debaixo do seu nariz!
Novamente o comandante riu, mas desta vez era um riso confiante e ele até baixou a arma por um momento antes de informar:
- Fuuma e eu descobrimos que te pôs pra dentro. Saiba que mesmo não tendo o seu assassinato eu poderei regozijar com a morte do seu companheiro. O soldado Kurogane está preso agora mesmo, esperado julgamento do meu General!
Os joelhos de Fay fraquejaram e as armas em suas mãos caíram no chão. Uma gota de suor que caia de sua testa se misturou com uma lágrima que passeava pelo seu rosto. Estava tudo acabado, ele tinha fracassado e agora Kurogane sofreria por sua causa.
Vendo a submissão do loiro Kamui recolheu a arma no coldre e caminhou em passos decididos até ele. Parou em frente à poça de sangue espalhado pelo ferimento na cabeça do soldado e chutou com força, sujando o rosto e as vestes de Fay com sangue.
- Às vezes eu me acho tão cruel. – comentou o comandante. – Mas em outras vejo que sou apenas… calculista. Já que não vamos precisar mais disto, não há porque continuar com isso.
E caminhou até Fay, mas não parou quando esteve ao seu lado, mas continuou e bateu na porta. Watanuki abriu a porta com receio e observou a cena.
- O que aconteceu comandante?
- Nada querido. Algum pedido especial?
Fay compreendeu. Tentou correr em direção à arma, mas assim que sua mão levantou o disparo foi ouvido pelo corredor deserto. Um baque suave foi ouvido e quando o loiro inclinou o rosto pra trás pode ver o jovem cientista morto, os olhos desfocados por trás da lente transmitiam medo e uma vida sem muitos proveitos.
- Agora é sua vez Fay. Mas não tenha medo… ainda vai demorar pra você morrer! – e puxando o loiro pelo colarinho das vestes gritou. – Caminhe para a morte comigo delinqüente!
OoOoOoOoO
Nada poderia ser pior para Kurogane naquele momento. Por sua causa Sorata estava na enfermaria após ter levado cinco facadas no abdômen, Fay já não deveria estar vivo aquela altura e ele… bom, depois de ter sido espancado por Fuuma e ridicularizado na frente dos outros soldados o moreno foi jogado dentro do quarto que servia como prisão. A única fonte de luz vinha da janela com grades, que permitia a entrada da luz da lua que brilhava forte naquela noite.
"Mas nem tudo foram perdas" pensou o moreno se recompondo das lágrimas. "Eu dei um último momento de alegria à Chii, mesmo que ela tenha morrido em meus… braços".
Mesmo querendo amaldiçoar Fay por ter causado tudo aquilo o soldado não via como não sentir necessidade de ajudar o loiro. Órfão de pai e mãe, e agora irmã ele não tinha mais ninguém no mundo para ajudá-lo. A não ser Kurogane, que fez com que ele esquecesse um pouco da perda da irmã.
"Se não fosse por mim agora o pequeno Fay estaria morto" imaginou o moreno. "Tomara que ele tenha mais sorte pra onde foi agora e…"
Mas os pensamentos do soldado foram interrompidos pela abertura da porta de ferro e pela chegada de uma pessoa que ele nunca esperava encontrar naquela situação caótica que estava. Com o olho esquerdo roxo e com sangue escorrendo dos lábios alvos Fay entrou na cela e assim que seus orbes azuis distinguiram a presença de Kurogane ele correu para abraçá-lo.
- Durmam bem delinqüentes! – falou Kamui. – Amanhã serão julgados. O soldado aí ainda tem chances, mas o loiro vai ser condenado à desidratação permanente! Pensem nos seus pecados…
E trancou a porta pesada com violência, fazendo o som do metal enferrujado reboar nas paredes de concreto do local. Fay continuou abraçado à Kurogane choramingando baixinho. Em um gesto acolhedor o moreno acariciou os cabelos dourados do rapaz e sussurrou:
- Porque se meteu nessa confusão Fay?!
- Tive medo… não queria te pôr em perigo! – respondeu o loiro.
- Você é um idiota! – disse ele, mas com um tom calmo e sem reprovação. – Agora nós dois estamos ferrados… vamos pra forca se é que você me entende.
Fay ergueu o rosto e mirou os orbes vermelhos de Kurogane antes de pedir com uma voz sufocada:
- Não deixa eles me machucarem Kurogane?
Um nó se formou na garganta de Kurogane e ele esboçou um sorriso trêmulo antes de responder:
- Eles não vão encostar em você. O único que pode te tocar depois dessa noite sou eu!
- Porque está falando isso?
- Quero que você me beije Fay, como se fosse a última coisa pra se fazer na sua vida!
Sem esperar mais o loiro beijou Kurogane. Os dois se beijaram de forma sôfrega e necessitada, como se há tempos quisessem fazer isso, se não fosse mais ou menos isso que estivesse ocorrendo naquele momento. Fay se ajeitou entre as pernas de Kurogane e passou os braços em torno do pescoço do moreno, que o segurava pela cintura de forma protetora.
Quando os dois se soltaram, buscando ar como se tivessem passado muito tempo debaixo d'água, Fay falou rouco:
- Eu quero ser seu esta noite Kurogane… só seu e de mais ninguém!
- Eu também quero Fay… mas continua me beijando, por favor!
Os beijos se tornaram mais quentes e logo os dois estavam apenas com as peças intimas, deitados no chão duro e frio de pedra. A respiração quente e rápida de ambos e o suor pelo corpo declaravam a necessidade de ambos em se amarem. A mão alva e suave de Fay percorreu toda a extensão do corpo de Kurogane antes de parar na última peça do soldado e retirá-la sem demora, exibindo a ereção do moreno, que ficou ruborizado.
- Não fica assim… - sussurrou Fay dando um selinho em Kurogane. – Eu não quero que você tenha medo de nada…
Ele foi percorrendo uma trajetória que começou pelo pescoço do moreno, passou pelo peitoral definido até chegar na região do baixo ventre onde abriu os olhos e olhou diretamente nos orbes vermelhos do moreno.
- Posso? – perguntou.
Kurogane assentiu sem forças para contestar e Fay abocanhou seu membro com volúpia e desejo, arrancando suspiros e até gemidos do moreno, que arranhava o chão na falta de cobertas. Passado algum tempo Fay parou e tirou sua última peça intima. Debruçou-se sobre Kurogane e disse:
- Chegou a hora de eu ser seu…
- Como assim?! – perguntou Kurogane com o rosto quente e a respiração falha.
- Quero que você me possua totalmente Kurogane… agora.
Vendo que não poderia resistir muito tempo Kurogane deitou Fay em seu peito e com um pouco de dificuldade penetrou, arrancando um gemido de dor do loiro.
- Não quero te machucar! – disse ele segurando a cabeça do loiro e beijando-o na testa suada.
- Não está me machucando… pode continuar! – pediu o loiro.
Kurogane continuou, primeiro com movimentos leves e delicados antes de usar um pouco mais de força e velocidade. Não demorou muito para os dois caírem exaustos no chão duro e frio, saciados de prazer. Fay puxou a capa suja de sangue para perto, de forma que os dois ficaram abraçados por baixo do pano. Kurogane o abraçou com força e disse com a voz falha:
- Me dá mais um beijo?
- Claro! – respondeu Fay atendendo ao pedido do moreno.
Os dois ficaram abraçados em meio aos beijos e caricias até que Fay se acomodou de costas para Kurogane, que o abraçou delicadamente e mordiscou o lóbulo de sua orelha.
- Ninguém vai te tocar depois de hoje… eu prometo Fay.
- Eu quero acreditar Kurogane. – sussurrou o loiro em resposta. – Eu quero acreditar…
- Então acredita. Porque eu não estou mentindo.
E após mais um beijo os dois adormeceram, sem a certeza de poderem acordar no dia seguinte com o sol iluminando seus rostos felizes. Sem nenhuma perspectiva de absolvição. Uma promessa foi feita sem que pudesse ser cumprida. Um amor finalmente se mostrou agora que não poderia mais ser vivido. Duas pessoas apaixonadas que nunca mais poderiam se amar. Tudo dependeria do dia que estava pra nascer. O juiz seria aquele que castigava todos com seu calor e imponência. E os primeiros sinais de que ele viria já apareciam no horizonte. A vida… ou a morte?
Nota do Autor: Yo o/
Finalmente, depois de uma semana sem escrever eu consegui trazer o quarto capítulo de WOD. E com o meu primeiro lemon!
Não sei se ficou bom, porque eu não tenho costume em escrever nesse estilo, mas se vocês curtirem eu posso continuar, quem sabe?!
Espero que mandem muitos reviews, e que antes de tudo: gostem da fic!
- Só faltam mais alguns cap. pro fim, então aproveitem!
