Palavras utilizadas: 037. Finito; 044. Harry


Finite
Por B. Wendy Witch


You tell me that you love me
But you never wanna see me again


Não foi um choque. Quando Ginny entrou em minha casa, maltrapilha, chorando desesperadamente, eu esperava algo muito pior que aquilo, e talvez por isso não tenha me espantado tanto. Apenas perguntava o que havia acontecido, como se disso dependesse minha vida.

Eu realmente a amava.

Ela demorou um pouco para se acalmar o suficiente para conseguir falar. E quando a ficha caiu, eu não quis acreditar. Eu simplesmente não podia acreditar. Não era verdade, não era, não era. Mas eu não ia ser derrotado, simplesmente. Meu orgulho pesava dos dois lados agora. Seria ferido tanto se eu ignorasse os fatos e continuasse com Ginny quanto se eu acabasse tudo e fosse o "corno" da história.

Não faria diferença agora.

Escolhi a primeira – e talvez mais fácil – opção. Fingi que não me importava, que meu amor por ela era trandescendente e que nada que acontecesse poderia terminar com ele. A abracei, e tentei até mesmo fazê-la esquecer de tudo aquilo com beijos e carícias.

O feitiço virou contra o feiticeiro.

Ao ouvir isso ela se indignou, a culpa tomando conta de seu ser. Eu brigava comigo mesmo por ficar feliz com isso. Mas no fundo, eu tinha motivos, não? Ela me traíra, a alguns meses de nosso casamento, como se não tivesse nenhum valor para ela.

Eu a deixei ir embora. Sequer me levantei do sofá quando ela saiu correndo, com certeza esperando que eu a seguisse, gritando "Ginny, por favor, fique". Não, eu permaneci ali, a observando ir embora. E quando ela sumiu de vista, eu apenas me levantei e tranquei a porta, voltando para o que estava fazendo antes. Simples.

Afinal, tudo tem fim um dia. As coisas infinitas não existem, são apenas invenções de quem não tem mais esperanças nas finitas e se agarram ao que acreditam ser infinito. Deus é uma delas. Porque se o infinito existisse, seríamos todos inferiores, pois temos as limitações de quem não dura para sempre. Sempre teremos. Não, na verdade, sempre não. Durante todo o tempo que existirmos.

E como tudo que é finito, o nós acabou para Ginny e eu. Não existia mais nós dois, agora éramos ela e eu, separados, sempre. Por toda nossa existência.

Finito é tudo aquilo que tem um fim, segundo o dicionário. Poderia ser resumido apenas com "finito é tudo". Sucinto e mais correto. As coisas precisam ser assim.

Talvez agora Ginny estivesse com Draco, e ele estaria enxugando suas lágrimas. É claro que dói pensar nisso. Mas é a verdade. E eles também são finitos. Assim como eu e Ginny não duramos, eles não durarão. É a lei da vida.

Não há quem viva feliz para sempre, há apenas quem morre cedo demais para sofrer.


I need the darkness, the sweetness, the sadness, the weekness
Oh, I need this


N/A: H/G de novo, sim, mas pelo menos o Harry sofreu um pouco, né? Review!