O dia seguinte veio, acompanhado de tensão e ansiedade. Na sala 1-A, Kaoru e Hikaru não suportavam as aulas. Fitavam o relógio da sala como se isso pudesse fazer o tempo andar mais rápido. Haruhi parecia tranqüila, mas sentia-se estranhamente inquieta também.

Na sala 3-A, Hani estava mais agitado do que o normal, assim como Mori estava mais quieto do que o de costume. (N/A: isso é possível…?) Era o dia em que receberiam as respostas daqueles dois desconhecidos. Um que se parecia com Tamaki e outro que se parecia com os gêmeos…

Já na sala 2-A, as coisas estavam mais normais. Tamaki havia se recuperado do mau-humor do dia anterior, mas ainda estava um pouco tenso. Kyouya, por sua vez, parecia indiferente à história. Não havia motivo para se exaltar, já que os dois responsáveis pela confusão haviam dito que dariam respostas…

A ruiva era da sala de Tamaki e Kyouya e continuava no mesmo lugar do dia anterior: diante de Tamaki. Podia sentir o olhar irritado que recebia algumas vezes, mas simplesmente ignorava. Não gostava de confusões desnecessárias.

Já o pequeno loiro que estava com ela era da sala dos gêmeos e Haruhi e se sentava bem longe deles. Às vezes olhava para o trio, indiferente. Imaginava o motivo de eles darem tanta importância para quem era ou para a relação que tinha com o diretor. A vida não era deles, afinal…

O almoço veio depois de longas horas e como um flash, rapidamente passou. Todos os integrantes do Host foram rapidamente para a Terceira Sala de Música, com exceção de Mori e Hani, que haviam se dirigido para o clube de kendô. A ruiva e o loirinho ainda não estavam lá, logicamente. Afinal, o Host Club ainda não estava em andamento. Isso só aconteceria dali algum tempo.

Tamaki andava de um lado para o outro na sala, Kyouya fazia alguma coisa no laptop, Haruhi preparava alguma coisa para comerem e os gêmeos estavam em um sofá, discutindo sobre algo. Quem parasse para escutar, perceberia que era sobre a ruiva que se parecia com eles, mas que tinha uma personalidade horrível, como eles mesmos haviam definido.

Quando deu o horário, a porta do clube se abriu, revelando a ruiva e seu amigo loiro. Mori e Hani ainda não estavam lá, mas ninguém parecia se importar. Um clima estranho de tensão pareceu se instalar, mas os dois parados à porta não ligavam. Entraram calmamente, fechando a porta, e foram até um sofá qualquer.

Hikaru foi o primeiro a se aproximar, parando diante deles do outro lado da mesa.

- Muito bem, agora terão de nos contar tudo o que queremos saber!

- Na verdade, vamos contar aquilo que querem saber e que nos for conveniente revelar. – a ruiva o corrigiu.

Aquilo o irritou mais.

- Ora, sua…!

Mas Kaoru interveio antes que o irmão pudesse fazer algo.

- Hikaru…! Acalme-se…! Teremos alguma resposta, pelo menos! – ele segurou o mais velho pelo braço e fez com que se sentasse, se sentando também.

Ainda com uma expressão irritada, mas com um tom de voz mais controlado, Hikaru continuou:

- Tudo bem, é melhor do que nada, afinal.

Os outros também se aproximaram, com exceção de Tamaki. E nessa hora, Mori e Hani chegaram, indo para perto do grupo.

- Então, qual é a primeira pergunta? – foi o loirinho quem quis saber.

- Quem são vocês? São amigos do Tama-chan? – Hani estava mais perto dos dois do que os demais.

- Vejo que Tamaki cumpriu com a palavra. Parabéns, loiro. – a ruiva fez um sinal para ele, como se dissesse "bom trabalho!".

- Como podemos dizer isso sem chocá-los? –o loirinho pareceu meio entediado.

- Não tem como, então o jeito é chocá-los o máximo possível. – a ruiva sorriu, apoiando as mãos no colo.

O loiro que estava com ela suspirou. "Lá vem…"

- Nós somos… Ayame e Ryuu Suou! – ela falou de forma bastante animada.

- Como é que é?! – os gêmeos se colocaram em pé automaticamente.

- Isso mesmo que ouviram. Eu sou parente de sangue daquele idiota. – Ryuu apontou para Tamaki.

- Devia ter mais amor por seu irmão, Ryuu-chan. – a ruiva olhou de forma levemente repreendedora – Eu também sou parente de sangue, mas sou prima. – ela sorriu para os anfitriões.

- Ora, não sabia que tinha um irmão, Tamaki. – Kyouya ajeitou os óculos e anotou isso em seu caderno.

- Na verdade, são poucos os que sabem. Eu não tenho o menor orgulho de ter aquilo como irmão. Até nossa avó me acha uma pessoa mais capacitada, mesmo sendo menor. Sou como a repetição do erro, mas vovó não me odeia como odeia àquele lá. – Ryuu apontou para Tamaki.

- Eu quero saber uma coisa! – Ayame levantou a mão, empolgada.

- O que foi, Aya-chan? – Hani parou diante dela.

- Quero ver se conseguem falar meu nome francês. – ela tinha os olhos brilhando.

- Você tem um nome francês e um japonês…? – o gêmeos não pareciam muito crentes.

- Lógico. Afinal, sou meio a meio, não sou? – ela pareceu se ofender com o comentário.

- E qual é seu nome francês, Aya-chan? – Hani parecia empolgado.

- Chantal. – ela disse como se fosse muito fácil.

Todos olharam estranho para ela. Por ser nome estrangeiro, a pronúncia era diferente da que estavam acostumados.

- Seu nome vai ficar escroto se passar para a pronúncia japonesa. – Ryuu virou o rosto para a ruiva.

- Eu sei, mas queria saber se eles conseguiam falar normal… Fica algo como "Shantaru", né? – ela franziu o cenho.

Imediatamente os ruivos começaram a rir escandalosamente.

- Estão rindo de que, posso saber? – de repente, ela os havia jogado no chão e tinha o pé em cima das costas de Hikaru – Tratem de me chamar de Ayame se não quiserem morrer. – uma aura maligna envolvia a garota.

- S-sim, senhora…! – eles ainda riam escandalosamente, mas tentavam se acalmar.

- Tamaki. – a voz de Kyouya fez o loiro se virar.

- O que foi?

- Por que não se junta ao grupo? – ele ajeitou os óculos.

O loiro não respondeu, apenas olhou de Ayame para Ryuu.

- Entendi… Então tente não se afogar em depressão. – Kyouya se virou para Ryuu – Por que vieram para o Japão?

- Viemos mais porque na França estava chato. – Ayame já havia retomado seu lugar no sofá.

Kyouya desviou o olhar para os gêmeos, que estavam estatelados no chão.

- Na verdade, foi um pedido do diretor. – Ryuu corrigiu.