Capítulo IV – Quando o vento encontra o mar... (parte 1)
"Michiru-chan, você recebeu uma ligação, mas você sempre diz para não te interrompermos enquanto toca..."– diz a mãe da jovem, com certa preocupação.
"Ah, e quem era?"
"A srta. Tenoh..."
"Ah! Por que você não me – pára – Digo... ah sim, eu ligarei para ela sim...obrigada.
"A-alô... Haruka?"
"Ah! Michiru! Eu liguei uns minutos atrás, mas você estava ocupada, daí deixei recado com sua mãe..."
"Sim, ela me disse... Gomen ne, é que eu sempre peço para não ser interrompida quando estou tocando..."
"Eu entendo...não se preocupe...desculpa incomodá-la...Você está livre agora?"
"Não incomoda! E sim, estou" – responde sorrindo.
"É bom ouvir tua voz...mesmo que seja por telefone...B-Bem, eu liguei pra saber se não queria jantar comigo...
"Hai hai, adoraria!" – dizia, com a voz animada.
"Que bom! Então eu posso te pegar aí digamos...daqui quarenta minutos?"
"Certo, estarei esperando então."
Haruka prepara o embrulho que do que tinha comprado. Uma idéia que não saíra de sua mente durante o treino com Yoshiro. Já a violinista, no mesmo ânimo com o qual desligara o telefone, havia se arrumado em menos tempo do que lhe era habitual, olhava a rua pela janela, e notou quando ela chegou. Despediu-se da mãe e saiu.
- Boa noite, eu sou Tenoh Haruka...queria falar com Kaioh Michiru, por favor... - dirigia-se ao segurança, que a olhava com desconfiança.
- Olá, Haruka - sorri, fazendo sinal ao segurança, que se afasta.
- (sorri) Você está linda...acho que vou pra casa me trocar de novo... - brinca, abrindo a porta do carro.
- Ara, pare com isso... - ria entrando no carro.
- Oe...quem é a "porta"?
- Ah, é um dos seguranças daqui... de vez em quando eu me sinto presa aqui dentro...
- Entendo... - olhando-a - Acho que você vai gostar do lugar que escolhi...é perto da praia...um restaurante muito bom...escolhi uma mesa lá fora...porque gosto de lugares arejados...mas se não for do seu agrado, eu mudo – sorri.
- Ah não, eu também gosto de lugares... "ao ar livre" – sorri – E você conhece lugares maravilhosos...
Haruka sorri, parando seu olhar um pouco no dela, mas se toca do que faz e desvia, fazendo a garota corar. Inicia-se um silêncio, não incômodo, mas um que parecia dizer muitas coisas, das quais as duas não tinham coragem.
O silêncio é quebrado pela vista do restaurante que a loira tinha escolhido.
- Bom, chegamos. Lá está nossa mesa, dá pra ver daqui...
- (sorri) Ahh, tem uma bela vista da praia...
- Hai... - pega o tal embrulho no porta-luvas e põe debaixo do braço - Aceita uma recomendação de prato? Porque da outra vez fiz isso sem nem te pedir...
- E eu adorei a sua escolha. Sim, pode pedir para nós duas... - nota o embrulho, mas não diz nada - E... como foi o treino?
- Horrível... - sentando-se, logo depois da jovem - ...acho que hoje tomei mais bronca do que de costume, Yoshiro-san ficou gritando o tempo todo...aquele imbecil...quem ele pensa que é? Hunf! "Tenoh, supere seu tempo!" "Tenoh, tome mais cuidado nas curvas! Mate-se só depois que ganhar a corrida!" Que ódio! Mas esqueçamos Yoshiro...vou fazer o pedido...
Acena para o garçom, esse atende e a jovem faz o pedido finalmente.
- Ah, eu sei como é isso...
- E quem ousou gritar com você?
- (ri) Ara... não estamos falando de treinos? Imagine algo como "Que tipo de acorde foi esse, Srta. Kaioh?!" ou "Você devia ter afinado antes de começar" e "Por que acentuou essa nota se é uma resolução?".
- E quem é esse maldito pra eu quebrar? Mude de professor...estou pensando em mudar o meu depois dos gritos..."Tenoh! O que diabos aconteceu com você? Está distraído aí! Quer ganhar a corrida ou não!!!?" Ele disse que ultimamente ando na lua...Bom, mas mudemos de assunto embora eu ainda queira o endereço do seu...pra quebrar um violoncelo na cabeça do maldito...
- (ri baixo) Ele não é mais meu professor... era de quando eu era mais nova...
- Ahh que bom – sorri – Oe Michiru - empurra sua cadeira perto da dela - ...eu queria perguntar algo...
- P-pergunte... - fitando os olhos dela.
- Você que é a minha "sensei"...sabe se as Sailors não têm outro uniforme fora a saiazinha e o salto? - pergunta com expressão realmente séria.
- Que eu saiba... n-não...
- É que odeio os trajes que usamos...bem, você fica muito bem...mas eu simplesmente não me acostumo com saias...e saltos. Não temos direito a devoluções de trajes não?
- E-eu acho que não... Quer dizer - completamente perdida com os questionamentos de Uranus - Eu nunca tinha pensado nisso, entende?... Mas, eu acho que não há como...
- Isso não é nada bom... – suspira - mas que droga...bom, deixa pra lá...Oe...eu queria...perguntar outra coisa... - faz sinal para Neptune chegar mais perto.
- Ah, pergunte... - aproxima-se, hesitante.
- Gomen, pelas perguntas esquisitas...eu só estava ganhando tempo e tomando coragem, para te entregar isso... - pega o embrulho que deixara em uma cadeira próxima à sua - Você não fica chateada se o embrulho estiver amassado? Ele estava no porta-luvas do carro como pôde ver...É pra você.
A caixa tinha a dimensão das embalagens de cd's, mas seu pelo seu peso, não aparentava portar um realmente.
- (cora) N-não, não me importo... - olhando pasma para o embrulho em suas mãos, o abre, e tira um papel, um mapa, de dentro - É... mas o que ...?
- (passando a mão pelos cabelos, um tanto constrangida) Eu disse que não sou muito criativa...mas esse mapa-múndi foi só uma tentativa. Eu comprei hoje...e esses círculos vermelhos que fiz são os lugares onde estarei disputando a corrida esse ano. Perdoe-me, você não está entendendo nada não é?
- Bom...não por completo...
- ... - tentava se acalmar tomando um pouco de refrigerante.
- ... - a fitando, sem compreender.
- É que...apenas, aponte um deles...um dos círculos: Japão, Mônaco ou Estados Unidos...
- A-apontar um deles...? – hesitante – Ermm... está bem... este - apontando para Mônaco - Por quê?
- (encarando-a ruborizada) Michiru, você me faria companhia em Mônaco enquanto eu estiver lá? E-eu iria gostar muito...o que...eu quero dizer é que...gostaria de viajar comigo? - desvia o olhar.
- I-Ir para Mônaco? - a fitando, sem ação.
- Gomen! Gomenasai! Eu, bom...eu...eu sei eu sei, foi uma péssima idéia! - ri nervosa - Vamos esquecer né? - pegando o mapa das mãos dela.
- C-calma... - respirando fundo - Eu... eu... ia te dizer que - a encara, corando levemente - Que eu adoraria viajar com você, Haruka – sorri.
- Sério?! Ótimo! A viagem é na próxima semana...tem certeza que pode mesmo? Bem...seus pais...eu vou entender se você não puder Michiru.
- Eu... - se acostumando com a idéia - Eu creio que não terei problemas não... Meus pais estão acostumados com as minhas viagens em turnês... Mas, eu não vou ser um incômodo pra você? Quer dizer, durante os seus treinos e provas e...
- Não. - colocava o dedo indicador nos lábios dela - Você é minha convidada Michiru... – sorri – Será um prazer pra mim...
- Neste caso - sente um leve arrepio ao toque dela - Está bem... - sorri também.
- (sorri) Olha... - percebendo o tempo que passara - Ainda bem que pedi sashimi...porque depois de toda essa conversa...a comida certamente iria esfriar...E pra variar eu terminei primeiro que você. Bom eu estava pensando se...
- (ri) ... Ah sim, estava pensando se...?
- Não, nada importante... – sorri – bom...deixe-me pedir a conta...
- Ei... - põe a mão sobre a dela - Era algo sim... vamos, me diga... - sorri, a fitando.
- (cora) ...É que o mar é tão perto daqui...queria saber se queria caminhar um pouco por lá...
- (sorri) ...Indo no meu ponto fraco, Haruka? - ri, nem percebendo bem o que falara.
- Ah...perdão... - sorri meio surpresa - Então descobri um ponto fraco seu? Vamos marcar outro dia só pra comemorar isso – sorria acenando para o garçom, pedindo a conta.
- (ri) Hum, mas agora eu estou em desvantagem...preciso descobrir um seu também...
- O meu não é tão difícil... – ri.
- Ah é? – sorri – Vou tentar então - se levantando também.
- Vamos à pé, tudo bem? Deixo o carro aqui mesmo...
- Nossa, jura que eu ouvi isso de Tenoh Haruka? – sorri.
- (ri) Bom...esqueceu que eu corro também? Se quiser apostamos uma corrida agora...
- Hum...mesmo sabendo que eu vou perder? – ri.
- Opa, veja só...torci meu tornozelo, que tragédia...aproveita – diz obviamente brincando com a violinista.
- Isso também não resolve – ri.
- (tirando os sapatos pois se aproximava da areia) Tenho uma idéia...se eu colocar seus saltos eu perco na hora. Não consigo andar com isso...
- (rindo) ... É só uma questão de costume... - tirando os sapatos também.
- (sorri) Michiru... - olhando a expressão tranqüila da garota que fitava o mar - Você falou que é o seu ponto fraco... O que sente perto dele? - sentando-se na areia.
- O mar...às vezes eu acho que ele quer me dizer algo... - senta-se ao seu lado. Fecha os olhos, sentindo a brisa que vinha do mar - Eu não sei... Às vezes eu sinto como se meus sentimentos flutuassem com ele... - sorri, abrindo os olhos e a fitando - Você deve estar me achando louca...
- (a encara, percebendo que seu coração se acelerara) Não, de maneira nenhuma, Michiru...eu me sinto assim...mas é com o vento... – sorria, olhando para ela - Ele quase sempre traz notícias para mim, boas ou não...
- (sorri de volta, sem conseguir desviar o olhar) ... "Eu queria dizer que... que a influência que a presença dela tem sobre mim é mais forte do que o mar... eu nem consigo pensar direito..." - pensa a garota enquanto fita Uranus.
- Você... - sem conseguir desviar o olhar do dela - Fica diferente quando está perto do mar...parece...não sei como...mas...fica. É engraçado, "meu céu" e "teu mar", nossos elementos unidos...agora aqui... - sussurra a última parte, mal conseguindo tirar os olhos dela - "Kami-sama, estou completamente...".
- (sentindo o coração disparar) Realmente, este lugar é... especial... - ainda a olhando - É onde o céu e o mar se tocam... talvez por isso emane uma harmonia tão grande...Eu acho que o mar seria negro e sem vida, se o céu não o tocasse...
- Bom, mas o que seria do vento sem o frescor que o mar oferece? - se aproximava dela sem pensar muito, quase em transe - Não existiria essa brisa que passa pelas tuas mechas agora... - pega uma das mechas dela e brinca, ainda se aproximando.
- (sorri e se aproxima, sem raciocinar direito) Então, é por isso que eles se encontram aqui... porque... só o céu pode tocar o mar... - a encara,
- Se "ele" deixar... - a beija.
(continua)
