CAPÍTULO 3
- EU NÃO ROUBO CARROS – ele respondeu indignado – Eu trabalho para o FBI.
- Eles não teriam contratado você se soubessem que você rouba carros – ela respondeu, ignorando sua defesa – Onde está meu carro? E não diga que não sabe, porque o carteiro disse que viu um de seus cowboys dirigindo-o esta manhã depois que eu fui trabalhar.
Ele não negou.
- É um ferro morto. Eu mandei o mecânico consertá-lo – ele disse – Então você mesma pode dirigir.
Houve uma pausa breve,
- Entendo.
Ele mordeu a língua.
- Eu não me importo que você e a senhora Emily usem a Expedição – ele disse irritado – Pare de por palavras na minha boca!
- Eu não disse nada!
- Mas estava pensando!
Ela piscou.
- Deve ser um presente especial, ler mentes, considerando sua linha de trabalho – ela disse docemente.
Os olhos dele escureceram perigosamente.
Ela hesitou, mas apenas por um momento.
- Desculpe, escapou. Queria que você não tivesse ouvido.
- Há um ditado – ele começou lentamente – Sobre morder a mão de quem te alimenta...
- Eu não morderia a sua – ela respondeu – Não perguntarei aonde eles foram! – Antes que ele pudesse reagir, ela agradeceu pela ajuda com o carro e desligou rapidamente.
Ele desligou o telefone até o carregador e murmurou algo com a respiraçao presa.
A senhora Emily arregalou os olhos. Ela nunca havia visto o taciturno chefe de mau humor. Bem, ela pensou enquanto caminhava até a cozinha, pelo menos ele parecia mais vivo do que normalmente. Ela perguntou-se o que Isabella teria dito para provocar aquela resposta.
Isabella, entretanto, estava sentindo-se mal. Seu vizinho havia pegado o carro com boas intenções, para consertá-lo para ela. Ela também sabia que ele não cobraria nada. Ela corou. Ela precisava parar de descontar sua frustração nele. Só porque ela estava assustada por sua avó não precisava machucar outras pessoas. Não que ele parecesse o tipo de pessoa que ela pudesse machucar...
Ela não estava trabalhando hoje, exceto em seu pequeno projeto que consumia a maior parte do seu tempo livre e um pouco de sua renda sobressalente. Então quando chegou a hora de descansar, ela foi à cozinha e começou a cozinhar. Ela ouvia dito a senhora Emily dizer que Edward adorava bolo de maça, e ela era famosa pelos seus. Ela secava as maças, o que dava um sabor todo especial à sobremesa. Naquela tarde, quando o assistente de Edward, Embry Davis, trouxe seu carro de volta, ela saiu para agradecê-lo com o bolo em uma cesta.
Ele estava caminhando em direção a uma pick-up dirigida por um de seus homens, mas parou quando viu Isabella sorrindo, inclinando o chapéu imaculado.
- Senhorita Isabella – ele disse respeitosamente.
Ela deu um risinho.
- Olá, Embry. Pode me fazer um favor e entregar isto a seu chefe?
Ele viu o bolo na cesta.
- Travas ou sombras noturnas mortais? – ele perguntou zombeteiro.
Ela encarou-o embasbacada.
Ele deu de ombros.
- Bem, nós ouvimos falar que vocês dois não se dão muito bem.
- É apenas um bolo de maçã – ela defendeu-se – Eu me senti mal por dizer coisas desagradáveis a ele. É uma oferta de paz.
- Eu direi a ele – ele pegou o bolo.
Ela sorriu.
- Obrigada por consertar meu carro.
- A chave está dentro – ele disse – E você precisar prestar atenção no reservatório de óleo – ele acrescentou – Nós arrumamos o vazamento, mas por cuidado, mas não vá a lugar nenhum sem ter certeza de ter óleo. Se você perceber um vazamento nos avise. Nós arrumaremos.
- Muito obrigada, Embry.
Ele deu de ombros.
- Vizinhos são para isso mesmo.
- Sim, mas não tem muito que eu possa fazer por seu chefe. Ele já tem toda a ajuda que precisa.
Ele sorriu.
- Ele tem um lado doce – ele confidenciou – Embora a senhora Emily não seja muito boa com bolos ou tortas. Não diga a ela que eu falei isso – ele acrescentou – Ela é uma ótima cozinheira.
- Ela só não faz pasteis – Isabella terminou por ele, sorrindo também – Tudo bem. Eu posso fritar galinhas ou fazer biscoitos.
- Todos nós temos dons – ele concordou.
- Obrigada novamente.
- Não há de quê.
Ele voltou com o bolo ao seu lado no assento da caminhonete.
Naquela noite, Isabella dirigiu até o hospital. Ela sentou na sala de espera ao lado da unidade de tratamento intensivo, até muito tarde. Jasper encontrou-a lá, sozinha, quando fazia seu último turno.
Ele juntou os dentes.
- Isabella você não pode trabalhar o dia inteiro e ficar a noite inteira sentada aqui – ele grunhiu, caminhando em direção a ela.
Ela sorriu.
- Se fosse sua avó, você estaria sentado aqui.
Ele suspirou.
- Sim, estaria. Mas minha saúde é melhor do que a sua...
- Não comece – ela disse curto – Eu me cuido muito bem e tenho um doutor excelente.
- Elogios não funcionam comigo – ele respondeu – Pergunte a Alice – ele acrescentou. Alice era sua esposa.
Ela deu de ombros.
- Valeu a tentativa – os olhos dela tornaram-se solenes – A enfermeira disse que não houve mudança.
Ele sentou ao lado dela, parecendo cansado.
- Isabella, você sabe que não existe cura para problemas do coração, não sabe?
Ela acenou com a cabeça.
- Milagres ainda acontecem – ela disse teimosamente.
- Sim, eu sei, eu já os vi. Mas nesse caso, é muito difícil – ele acrescentou – Você tem que se acostumar com a idéia de sua avó talvez não voltar mais para casa.
Lagrimas inundaram os olhos dela. Ela juntou as mãos, muito apertadas, em seu colo.
- Ela é tudo que eu tenho, Hale.
Ele mordeu a língua tentando não dizer o que pensava naquele momento.
- Não a faça parecer uma santa – ele disse brusco.
- Ela sentia muito por tudo – ela lembrou-o com os olhos molhados – Ela não tinha intenção de beber naquela noite. Eu sei que não. Doeu para ela saber que mamãe fora embora sem dizer nada e me deixara para trás.
- Ela disse isso? – ele pescou.
A face dela fechou-se.
- Ela não era muito materna, eu acho – ela teve que admitir – Ela não gostava muito de crianças, e eu era muito problema.
- Isabella – ele disse gentilmente – você nunca foi muito problema para ninguém. Você sempre fez todo o serviço em casa. Sua avó ficava sentada assistindo novelas o dia inteiro e enchia a cara enquanto você fazia tudo. É por causa da bebida que ela está assim.
Ela mordeu o lábio inferior.
- Pelo menos ela estava lá – ela disse aborrecida – Meu pai não queria filhos, então quando eu nasci ele fugiu com uma rainha de beleza e nunca voltou. Minha mãe me odiava porque eu era a causa de meu pai sair de casa. E nenhum outro homem a queria com uma filha já formada, então ela partiu também.
- Você parece com seu pai – ele lembrou.
- Sim, e por isso ela me odiava ainda mais – ela abaixou os olhos – Eu nunca pensei que ela se importasse comigo. Foi um choque o que ela fez.
- Foi duro, eu imagino – ele respondeu – Como a sua avó, ela tinha um grande orgulho do nome de sua família. Ela esperava que estivesse em todos os jornais. E estaria, se sua avó não se aproximasse de Quil e implorasse para que ele esquecesse o caso. Mas era muito tarde para salvar sua mãe.
Ela respirou fundo.
- Eles nunca o pegaram.
- Talvez ele já morreu – Jasper disse brusco – Ou talvez ele está preso por algum outro crime.
Ela encarou-o.
- Ou talvez ele fez isso para alguma outra garotinha – ela disse curta.
- Sua avó não se importava. Ela só queria esconder tudo.
- O Chefe Quil sentiu muito pelo que aconteceu com minha mãe – ela disse ausente – Por outro lado, eu acredito que ele teria resolvido o caso. Ele era um bom policial.
- Era mais do que isso – ele disse, a expressão solene – O bandido pensou que vocês estivessem mortas. Quil achou mais seguro ela pensar isso. Ele não queria que você vivesse e testemunhasse contra ele, Isabella.
A pele dela arrepiou-se com a lembrança. Ela pôs os braços ao redor do corpo.
- Você acha que ele ficou com o arquivo?
- Eu tenho certeza que sim, mas provavelmente está bem escondido – ele disse a ela – Eu duvido que Emmett Cullen vá encontrá-lo acidentalmente, se isso está preocupando você – ele acrescentou gentilmente.
Ela franziu a testa.
- Estava. Edward tem sido muito gentil comigo – ela disse a ele – De algum jeito muito estranho e irritado. Eu não quero que ele saiba sobre mim.
- Não foi sua culpa, Isabella – ele disse, a voz suave e gentil, como se estivesse falando com uma criança pequena. De fato, fora Hale quem cuidara dela quando os policiais a trouxeram até a sala de emergência. Ele era um residente.
- Algumas pessoas dizem que eu pedi por isso – ela disse amarga.
- Inferno!
- Ele morava perto e eu usava shorts – ela começou.
- Não invente desculpas para uma criatura como aquela – ele irritou-se – Nenhum homem normal consegue ter malícia com uma menina de onze anos de idade!
Ela esboçou um sorriso para ele.
- Você é muito bom para mim.
- Eu queria ser bom para sua vida social – ele respondeu – Você nem ao menos namora, Isabella. Você tem vinte e dois anos de idade. Você deveria ter feito terapia e aprendido a cuidar de sua própria vida. Eu culpo sua avó por isso. Ela nunca teria um parente próximo ligado de algum modo com um psicólogo.
- Ela é muito antiga.
- Ela é uma avestruz – ele corrigiu nervoso – Proteger o nome da família fingindo que nada aconteceu.
- Todos sabem o que aconteceu – ela lembrou-o.
- Não realmente. Eles apenas sabem dos ossos quebrados.
- Todos cuidam de mim – ela disse, sentindo-se quente e protegida – Nós somos uma grande família em Jacobsville – ela acrescentou pensativa – Como o velho senhor Jameson que esteve na prisão por assalto a banco e veio para casa depois de ser solto. Ele pagou seu débito com a sociedade. Ele sente muito. Agora ele simplesmente é aceito.
Ele sorriu.
- É uma das melhores coisas das cidades pequenas – ele teve que concordar.
- Você acha que alguém contaria a Edward...?
- Ninguém fofoca sobre você – ele disse – Nem a senhora Emily.
Um ombro magro estremeceu.
- Ele é um estranho aqui, mesmo o irmão dele sendo nosso chefe de polícia – ela disse – Eu não acredito que as pessoas falariam sobre o linho sujo.
- Você não é um linho sujo – ele disse firme.
Ela sorriu.
- Você é um ótimo doutor – ela hesitou – Eu não posso ver a vovó, apenas por um minuto?
Ele fez uma careta.
- Só se você prometer que irá para casa depois.
Ela estava relutante, mas queria ver a senhora Dwyer.
- Ok.
- Então venha.
Ele a levou até a unidade, falou brevemente com a enfermeira e encaminhou Isabella até um pequeno cubículo onde estava sua avó, branca como um pedaço de papel e despercebida de tudo ao seu redor, deitada muito quieta na cama.
Isabella teve que morder a língua para não chorar. A velha mulher já parecia morta. Ela respirava de um modo que Isabella recordava vividamente de sua infância. Seu avô estava respirando daquele jeito quando morrera. Era um som raspante. Era assustador.
Jasper aproximou-se dela.
- Isabella, é bom lembrar que isso é algo que todos nós enfrentaremos um dia. Não é um fim. É um começo. Como o casulo que faz uma borboleta.
Ela ergueu os olhos para ele desalentada.
- Minha família inteira está morta.
- Você ainda tem um primo em Vitoria, e ele gosta de você.
Ela teve que admitir que ele estava certo. Embora o primo estivesse próximo aos setenta e fosse um inválido. Ela aproximou-se da cama e lentamente, hesitante, tocou o ombro da avó.
- Eu amo você, vovó – ela disse suavemente – Eu sinto muito… eu tenho sido um fardo para você – a voz dela falhou. Lágrimas escorreram por suas bochechas.
Sua avó moveu-se fracamente, como se tivesse escutado, mas os olhos não se abriram. Depois de um minuto, ela ficou quieta novamente, e a respiração piorou.
Jasper, que sabia o que isso significava, tirou Isabella do cubículo e voltou a sala de espera.
Ela pegou um lenço de sua bolsa e secou os olhos.
- Sinto muito.
- Não há necessidade de sentir. Droga, Isabella, você não deveria estar aqui sozinha!
Logo que ele disse, a porta se abriu automaticamente e Edward Cullen, em um terno cinza, entrou na sala de espera.
Jasper encarou-o abismado. Cullen era a última pessoa que ele esperava ver, especialmente depois que o homem fora tão frio com Isabella na noite passada.
Edward juntou-se a eles, os olhos verdes presos no rosto devastado de Isabella.
- A senhora Emily disse que você estaria aqui – ele disse brusco – Eu passei para agradecer pelo bolo de maçã, e seu carro já foi.
- Você fez um bolo de maçã a ele? – Jasper perguntou surpreso.
Isabella mexeu inquieta.
- Eu fui rude com ele e me senti mal – ela explicou – Ele mandou um de seus homens arrumar meu carro.
- E ela me acusou de roubo – Edward acrescentou. Uma sobrancelha arqueou-se – Mas o bolo valeu o insulto. Estava muito bom.
Ela sorriu através das lágrimas.
- Fico feliz por você ter gostado.
Ele olhou para Jasper.
- Eu pensei em segui-la até sua casa – ele disse – Embry disse que o carro ainda pode estar vazando óleo. Você mora em lugar muito afastado.
Jasper gostou da atenção do homem, mas não demonstrou.
- Deixe-o segui-la até em casa, e fique lá – ele disse a ela – Você não pode fazer nada aqui, Isabella.
Ela respirou fundo.
- Eu acho que não – ela virou-se para Edward – Eu tenho que ir ao banheiro por um minuto, então estarei pronta para ir.
- Eu esperarei – ele assegurou.
Ela caminhou pelo corredor. Quando estava longe, Jasper virou sua atenção para Edward.
- A senhora Dwyer não vai durar mais do que algumas horas – ele disse relutante – Eu acho que Isabella sabe, mas ela não aceitará.
Edward concordou.
- Eu não a deixarei sozinha lá. Quando sua avó partir, ela poderá ficar conosco no rancho por uma semana ou duas, até que possa se estabilizar. A senhora Emily a tratará como uma filha.
- Não será um incômodo para você? – Jasper perguntou – Até algum tempo atrás você não queria nem ser importunado sobre o transporte de Isabella.
Edward evitou os olhos dele.
- Ela tem um bom coração.
Jasper hesitou.
- Ela é uma boa pessoa – ele concordou. Ele franziu a testa – Você não trabalhou até tarde?
Ele concordou.
- Nós temos uma criança desaparecida próximo a Tyler – ele respondeu – É minha especialidade, então eu fui indicado para o caso – a expressão dele fechou-se – Eu estou a serviço da lei praticamente a vida inteira. Geralmente, quase nada me choca. Este caso... – ele balançou a cabeça – O seqüestrador retirou a criança da cama pela janela. Nós encontramos evidências de violência no quarto – os olhos dele brilharam zangados – Esse homem é um animal. Ele tem que ser pego.
- Vocês encontraram a criança?
Ele balançou a cabeça.
- Ainda não. Mas eu sou como uma tartaruga teimosa. Não vou parar até encontrá-la. E o seqüestrador também.
Jasper sorriu.
-Eu aposto que você é igualzinho o seu irmão.
- Quando ele ainda era um Texas Ranger – ele confidenciou – Emmett seguiu um suspeito de assalto até o Alabama.
Jasper sorriu.
- Eu acredito.
Ele balançou a cabeça.
- Se alguém me dissesse que ele se assentou em uma cidade pequena e teve filhos, eu riria da cara dele. Desde que a filha dele nasceu, no começo do mês, ele tem se mostrado um homem de família empenhado.
Antes que Jasper pudesse responder, Isabella voltou pelo corredor, parecendo amuada e solitária.
Edward sentiu sua dor. Ele não era um estranho em relação a dor.
- Venha – ele disse gentil – Eu seguirei você até em casa.
Isabella hesitou. Ela encarou Jasper.
- Você vai me ligar...?
Ele concordou.
- Eu ligarei, Isabella.
Acima da cabeça dele, os olhos de Edward encontraram os de Jasper, e uma mensagem silenciosa passou entre eles. Jasper poderia ligar para Edward também. Ele disse a ele, sem dizer uma única palavra.
Isabella subiu os degraus com Edward logo atrás dele. Ela saiu do carro hesitante. Havia passado muito tempo desde sua última noite sozinha com um homem. Ela não confiava em homens.
Ela hesitou quando chegou aos degraus, virando para observar Edward saindo do carro e caminhar até ela. Ela estava rígida como um pôquer, algo que ele deveria ter reconhecido.
Os olhos verdes estreitaram-se.
- Você quer que eu mande a senhora Emily passar a noite com você? – ele perguntou.
- Não. Eu ficarei bem. Obrigada – ela acrescentou estupidamente.
Ele franziu a testa. Ela estava relaxada no hospital, com Jasper por perto. Mas sozinha como agora, e com ele, ela parecia criar garras e arame farpado. Não era preciso ser um cientista para perceber que ela estava desconfortável. Ele perguntou-se se ela também era assim com outros homens.
- Você tem o nosso número – ele lembrou-a – Se precisar de nós, apenas ligue.
- Obrigada. É muito gentil – ela disse.
Ele respirou fundo.
- Eu não lido muito bem com relações – ele disse repentinamente – Meu trabalho afasta muitas pessoas, especialmente quando elas percebem que eu carrego uma arma o tempo todo, mesmo em casa. Eu as deixo desconfortáveis.
Ela mordeu o lábio inferior.
- Eu não estou acostumada com as pessoas também – ela confessou – vovó e eu somos reservadas. Eu tenho pequenos trabalhos – ela acrescentou – e tenho apenas poucos amigos casuais. Mas ninguém próximo.
Ele inclinou a cabeça.
- Existe uma razão para isso?
- Sim – ela disse simplesmente – Mas eu não falo sobre isso.
Ela deixou-o curioso. Ele notou que ela ainda estava vestindo jeans e uma camiseta, com a jaqueta por cima. Nenhuma de suas roupas era nova, e seus sapatos tinham marcas de uso e lugares esfolados. Ela devia trabalhar como louca, ele pensou.
- Você gosta de rosas? – ele perguntou, notando os arranjos próximos a porta de entrada.
- Eu as amo – ela respondeu sorrindo – Especialmente minha Audrey Hepburn e minha Império Chrysler.
- Uma rosa e uma vermelha – ele murmurou.
- Ahn, sim! – ela exclamou surpresa.
- Eu não tive muito tempo para plantar rosas nos últimos anos – ele disse – Eu farei novamente, agora que tenho o rancho. Costumava ser um passatempo.
- Eu tenho essas rosas desde que era uma menininha – ela lembrou calorosamente – Meu avô – ele está morto – adorava criá-las. Ele conhecia todas as variedades, e me ensinou. Nós éramos melhores amigos. Ele morreu quando eu tinha nove anos.
- Eu nunca conheci meus avós – Edward respondeu – Todos morreram antes de nós nascermos.
- Nós? – ela perguntou – Você e Emmett?
- Somos em quatro irmãos – ele respondeu - Tony e Peter são os outros dois. Tony cuida de nosso rancho no oeste do Texas com nosso pai. Peter está a serviço da lei.
- Seu pai era um homem da lei? – ela perguntou.
- Não. Mas nosso avô era um U.S. Marshal – ele disse orgulhoso – Eu ainda tenho seu cinturão e sua velha Colt .45.
- Meu avô era um vaqueiro – ela disse – Mas ele foi chutado por um touro e ficou incapacitado. Ele aposentou-se e se mudou para cá com vovó quando minha mãe era uma garotinha.
- Suas raízes estão fincadas aqui – ele disse.
- Sim. É bom ter alguma.
Ele checou o relógio.
- Eu tenho que ir para casa. Eu tenho que checar uns papéis antes de ir para a cama. Ligue se precisar.
- Ligarei. Obrigada – ela acrescentou.
Ele deu de ombros.
- O bolo estava gostoso.
Ela sorriu.
- Fico feliz por ter gostado.
- Tranque as portas – ele disse quando entrou no carro.
- Pode deixar. Boa noite.
Ele acenou e partiu, mas ela viu-o hesitar no final da rua até ver as luzes acesas na casa dela. Era realmente confortante.
Ela trancou as portas e checou duas vezes. Ela checou as travas nas janelas fora de moda para evitar que alguém as abrisse, Ela checou a janela de seu quarto quatro vezes. Era um ritual que nunca abria mão.
Seu vizinho havia surpreendido-a ao aparecer no hospital. Ele era um solitário, como ela. Ela não gostara dele no começo, mas ele parecia ter algumas pequenas graças.
Ela vestiu a longa camisola branca e penteou os cabelos até fazê-los deslizar por seus ombros como mogno derretido. Ela não olhou no espelho enquanto fazia isso. Ela não gostava de olhar-se.
Estava quase terminando quando ouviu alguém batendo incessantemente na porta de entrada. Ela estava dormindo em um quarto no primeiro andar, ao invés do velho quarto no segundo andar da casa. Não era longe da entrada. Ela vestiu um robe e parou para olhar pela pequena festa da janela antes de acender a luz da varanda.
Ela franziu a testa. Era seu vizinho, vestido e solene. O coração parou no peito. Ela só podia pensar em uma razão por ele estar lá.
Ela abriu a porta com um pequeno tremor na voz.
- Não – ela disse roucamente – Por favor, não...!
- Eu sinto muito – ele disse baixo.
- Ela... se foi?
Ele concordou.
Lágrimas escorreram por suas bochechas. Ela não fez um som. Ela apenas ergueu os olhos para ele com seu rosto trágico, chorando incessantemente.
Ele moveu-se para frente para segurá-la pelos ombros. Era uma invasão de seu espaço pessoal que a chocava, assustava. Ela grunhiu nervosa, mas quando as mãos dele perderam-se e mal a tocaram, ela relaxou repentinamente e moveu-se para os braços dele. Ela não podia lembrar uma única vez em sua vida jovem ter sido segurada por alguém enquanto chorava.
Ele tocou seu cabelo longo com mão gentil.
- As pessoas morrem, Isabella – ele disse gentilmente, usando seu nome pela primeira vez – É algo que todos nós temos que enfrentar.
- Você perdeu sua mãe – ela lembrou soluçando.
- Sim – ele não acrescentou que ela não era a única pessoa que ele havia perdido. Ele não a conhecia bem para confiar nela.
- Foi rápido? – ela quis saber.
- Jasper disse que ela apenas respirou fundo e relaxou – ele respondeu – Foi rápido e sem dor. Ela nunca recobrou a consciência.
Ela mordeu o lábio inferior.
- Droga – ela exclamou – Eu não sei nada sobre seu seguro. Ela mesmo foi a funerária e assinou os papéis. Ela possuía um pequeno documento... eu não sei onde está – ela soluçou novamente, gostando de sentir-se nos braços dele. Ela nem tentara soltar-se. Ele era forte e quente e agora, ele não era assustador.
- Eu vou ajudá-la com isso – ele disse – Mas você virá para casa comigo agora. Suba e se troque, Isabella. Nós nos preocuparemos com os detalhes amanhã. Qual funerária?
- Jackson e Williams – ela lembrou.
- Eu vou telefonar para eles enquanto você se veste. Ligarei ao hospital também – ele acrescentou antes que ela pudesse perguntar.
- Eu não sei como agradecer… - ela começou, erguendo o rosto grato para ele.
- Eu não quero agradecimentos – ele devolveu – Vá logo.
- Ok.
Ela virou-se e foi para o quarto.
Edward observou-a ir com os olhos apertados. Jasper havia sido enfático sobre manter os olhos em Isabella. Ele disse que ela não saberia enfrentar, e que precisava de alguém cuidando dela. O doutor ruivo conhecia-a há muitos anos. Talvez ele apenas se importasse mais do que outras pessoas.
Edward pegou seu celular e discou o serviço de informações.
N/A Então, a velhinha rabugenta #partiu... rsrrsr
Não fiquem com raiva da Bella como eu fiquei por ela sofrer com a morte da avó, afinal além do Nahuel a velha é a única referencia de familia que ela tem.
Mas, Porém, Todavia, Contudo, estão gostando da historia? Vou encarar o Silencio como um não.
Bjuss
Sophie Moore
