The Collector, The Redeemer... duas forças opostas, vivem para se destruir, um salva e o outro condena... Uma é perdoado e o outro amaldiçoado para sempre; Eu me pergunto se serei capaz de amaldiçoar alguém assim, mas se essa pessoa aceitou a ser um Collector ela sabia desde o começo que assim seria, que um dia um Redeemer apareceria e venceria, mesmo assim... É muito cruel...
Estou sentada na minha cama pensando sobre as últimas palavras q Gabriel me disse assim q nos separamos no orfanato: " O Collector está por perto e ele queria meus pais, eu não sabia o q fazer então o pacto foi minha opção." Me pergunto quantas opções as pessoas q fizeram os pactos tinham ou até mesmo as opções que o Collector tinha... Por experiência própria eu sei que as opções são poucas ou não existem opções. Suspiro e deito, as coisas estão mais complicadas que imaginei, o que eu faço??
- Redeemer! – Asobu entrou no meu quarto vestido em terno – Não está pronta ainda?
- Do que está falando? E por que está vestido assim?
- Dãn... Hoje é o dia da entrevista! A assistente social vai vir aqui conversar conosco, depois vamos até o orfanato assinar os papéis e conversar com aqueles que foram responsáveis pela criação de Alyssa desde que ela foi mandada para lá! Então, levanta logo e vai se trocar.
- Engraçado que Souji foi adotado no mesmo dia, por que nos temos q passar por entrevistas e papelada?
- Porque não somos ricos. Le-van-ta!
Levantei contragosto e fui em direção ao meu guarda-roupa, o abri e comecei a procurar algo, de preferência uma roupa q não gritasse: " Eu sou rebelde, gosto de rock bem alto e comida nada saudável".
- Você também tem que dar um jeito de mudar seu olhar. – comentou Asobu.
- Como assim?
- Você tem q mudar seu olhar: " O que você está olhando, idiota?" Para um; " Goste de mim por que sou uma boa pessoa."
- O meu olhar não fala " O q você está olhando idiota?" Fala: " O q diabos você pensa q está olhando?! Tire seus olhos de mim, antes q eu decida fazer isso por você!!" Viu! É diferente.
- Você sempre me surpreende... – disse ele suspirando colocando as duas mãos nos quadris.
Eu acabei vestindo uma roupa casual, embora Asobu insistisse q eu deveria usar um vestido... Nunca! Eu e vestido não combinamos!
A campanhia tocou e Asobu foi em direção a porta atender, eu fiquei na sala vendo TV, estava passando um filme meloso e cheio de clichê que Asobu insistiu em ver. Sinceramente, eu acho esse cara meio estranho...
- Entre, por favor. – pediu Asobu a assistente social.
Os dois chegaram a sala e eu desliguei a TV, ela sorriu para nós dois e anotou algo na prancheta q carregava.
- Bom, meu nome é Arika Yumemya e eu sou a assistente social de Alyssa.
Ela não aparentava nunca ser uma assistente social, tem algo errado aí...
- Bom, vocês dois estão juntos há quanto tempo? – ela perguntou sorrindo.
- 7 anos...
- 5 anos..
Respondemos ao mesmo tempo, primeiro ele depois eu, então tentamos consertar, mas piorou ainda mais:
- 7
- 5
Eu falei primeiro, não esperava q ele consertasse.
- Na verdade, não gostamos de contar... Nós amamos tanto q não há motivos para contar quanto tempo estamos juntos. – disse Asobu rindo nervosamente.
Eu suspirei, ela não iria cair nisso nunca. Quando realmente se amam, contam até os segundos que ficam com a pessoa amada...
- Entendo, vocês devem realmente se amar muito!! – disse Arika com os olhos brilhando.
Eu não acredito, ela caiu! Eu a olho com os olhos arregalados, Asobu parece tão surpreso como eu.
- Sim, nos amamos... – respondeu ele passando os braços pelos meus ombros.
Eu olho para ele com meu olhar " tire-suas-mãos-de-mim-antes-que-eu-faça-isso-por-você-e-não-será-nada-agradavel" e ele volta os braços para bem perto dele.
O resto da entrevista ocorreu calmamente, com alguns pequenos problemas que Arika não percebeu... Aquela garota não pode ser normal, ainda bem que ela não foi minha assistente social, senão sofreria muito comigo... Eu era uma peste e tive milhares de assistentes, não me lembro da maioria... Só dela, Maria era o seu nome, extremamente disciplinada e durona, sofri nas mãos delas, mas era uma boa pessoa que queria o meu bem, pena que eu não dei a mínima naquela época...Acho q ainda não dou.
- Oi, Redeemer! Ta me ouvindo?? – acordei de meus pensamentos com Asobu balançando as mãos em frente ao meu rosto.
Estávamos na cozinha preparando algo para comermos quando eu me perdi nos meus pensamentos.
- Sim... Eu só estava pensando...
- E não seria numa certa médica, seria? – os olhos deles expressavam malicia.
Fecho meus punhos e o olho com raiva.
- Eu a odeio, por que você fica insistindo que eu gosto dela?
- Não sei, talvez seja por que você GOSTE! –
Nossos rostos estão centímetros separados e nos encaramos com raiva, quase rosnando um para o outro.
- Tudo bem? Vocês estavam demoran... Ah, desculpe! – disse Arika vermelha – Não sabia que queriam ficar sozinhos...
Eu sinto meu rosto ficar vermelho:
- NÃO FALE BOBAGENS! – grito imitando perfeitamente um tomate com relação a cor – Nós não estávamos fazendo nada. – dessa vez falei mais baixo enquanto corava mais, se possível.
- Kawaii!!!!! – olho para o lado e vejo Asobu e Arika com os olhos brilhando olhando para mim.
- Com uma mãe tão kawaii, tenho certeza de que Alyssa será muito bem tratada, além de aprender cedo a provocar as pessoas para conseguir reações assim... – disse Arika para si mesma enquanto anotava algo em sua prancheta.
Eu e Asobu nos olhamos surpresos, mas não falamos nada.
- Bom, eu já tenho minha decisão. – disse Arika ficando seria.
Por um momento pensei que ela fosse outra pessoa e senti um frio na barriga. E se ela negasse? Tudo iria por água abaixo... Mas...
- Mas, antes, gostaria de pergunta-lhes: No que vocês trabalham?
Ambos paramos e começamos que gaguejar... Não trabalhávamos! Eu terminei o terceiro ano, mas nem comecei faculdade nem procurei nenhum trabalho, por querer me concentrar solenemente na minha missão, já Asobu... Como uma anjo teria um trabalho??
O telefone tocou! Salva pelo gongo, ou devo dizer, pelo telefone.
Levanto e vou até o telefone, deixando Asobu sozinho para lidar com Arika.
- Oi? – atendo o telefone.
- Olá, eu gostaria de falar com Kuga Natsuki. Ela se encontra?
- Sou eu.
- Kuga-san, sou eu, Kaitou. Sinto pela demora, mas estou te ligando para lhe informar da nossa decisão.
Fiquei em silêncio o ouvindo continuar.
- Nós ficamos impressionados com o demo q uevocê enviou e você me disse que nunca havia feito um curso oficial, certo?
- Sim, eu aprendi por internet e apostilas, mas nunca tive um tutor.
- Então, gostaríamos de lhe propor algo: Iremos lhe mandar um curso online para você atender, contara como uma faculdade no seu currículo, para você atualizar e aumentar seus conhecimentos, se aceitar, gostaríamos de lhe contratar.
Eu fiquei em silêncio... Ele acabou de me dizer que eles vão me contratar? E que eu vou fazer um curso de faculdade em casa? Ganhando?
- Kuga-san? – repetiu Kaitou.
- Sim! – respondi quase num grito. – Eu aceito!
- Ótimo!
- Quando eu começo??
- Iremos te mandar o módulo 1 do curso agora e quando você acabar cada módulo, queremos q você nos envie um jogo para sabermos o quanto você está desenvolvendo.
- Ótimo, ótimo... – respondi excitada! – ahn... diga-me Kaitou... o salário será de...?
- Bem, como você vai começar agora, mas num nível não tão profissional... O salário será de...
- O que será que houve? – disse Asobu olhando para Arika.
- Não sei, mas o senhor ainda não me respondeu... No que vocês trabalham?
- Bem...er...você tem que entender...
- Programador de jogos! – exclamou ao voltar para o sofá e me sentar ao lado de Asobu.
- Huh?
- Eu trabalho como Programador de Jogos! – digo com orgulho.
- Que interessante! – diz Arika anotando na prancheta.
Eu olhei para Asobu q estava surpreso e me olha com aquele olhar q diz " Porque-você-mentiu-para-ela-agora-estamos-ferrados! Então eu o tranqüilizei com o meu olhar : Calma-que-eu-sei-exatamente-o-que-estou-fazendo.
- Sim, agora eu tenho certeza mesmo da minha decisão. – disse Arika – Vocês se importam de vir comigo até o orfanato?
- E por que temos q ir, Yumemya-san? – perguntou Asobu.
- Para vocês assinarem as fichas e pegarem Alyssa. – disse ela sorrindo.
Eu sorrio. Hoje deve ser meu dia de sorte!
Saímos com Arika do apartamento e no carro dela vamos até o orfanato, claro que eu dirigi... Eu ainda me pergunto como alguém que não sabe onde é o acelerador pôde ser capaz de tirar carteira! Tem algo muito errado aí...
A fachada do prédio iludia qualquer um de que ele era realmente um lugar bom e bonito de se ficar, mal sabem que é um inferno na terra. Eu passei por isso na minha infância e não foi nada agradável.
Entramos logo após Arika. Asobu a seguiu por um corredor conversando com ela, já eu andava observando tudo, relembrando tudo, tudo o que passei nesse lugar. Quando criança, eu sempre dava um jeito de fugir; passava uma semana no orfanato e três nas ruas. Eu sempre soube me virar, não foi fácil, ganhei várias cicatrizes por causa disso, mas também aprendi muito.
As paredes estavam marcadas e não importa quantas camadas de tinta passem sobre elas, isso nunca vai mudar o fato do que elas fizeram, do que elas viram e das memórias que deixaram e que lhe foi marcado. Eu não teria pena alguma de destruir tudo, ajudaria muitas pessoas a esquecer o que passaram nesse maldito lugar.
Ao perceber em que corredor eu estava, paro e fico a relembrar...Foi nesse corredor que aquilo aconteceu, aquilo era somente uma das poucas lembranças boas que eu tenho. Naquele dia estava chovendo forte e ela tinha acabado de me trazer de volta da rua, dessa vez eu tinha ficado um mês longe, ela estava furiosa e nem sequer olhava para a minha cara. Eu estava confusa porque normalmente ela gritava comigo. Paramos no corredor, exatamente onde estamos agora, e ela se virou para mim...Seus olhos verdes fixados em mim, sérios...
- O que pensa que está fazendo? – aquela pergunta me pegara de surpresa e nada respondi. – Acha que é engraçado? Eu morri de preocupação que alguém tinha feito algo de ruim com você! – ela gritava agora – Você é minha responsabilidade, Natsuki! Eu tenho que cuidar de você!
- Eu não te pedi que fizesse isso por mim! – eu estava chorando.
Ela me olhou e eu tentava dizer algo, mas só saiam soluços da minha boca. Então, ela se ajoelhou e me abraçou. Eu tentei me soltar, mas acabei desistindo e a deixei me abraçar até que eu parasse de chorar.
- Não quis parecer tão zangada, mas você realmente me preocupou dessa vez... Prometa-me que você nunca mais fará isso. – ela pediu.
Ainda limpando as lágrimas, concordei. Ela se virou para mim e sorriu, foi a primeira e ultima vez que eu a vi sorrir. No dia seguinte, ela foi afastada e nunca mais a vi, embora tenha tentando e muito, mas nunca consegui encontra-la...
- Re- digo, Natsuki-chan?
Me viro e vejo que Asobu e Arika me olhavam um pouco preocupados, mas no fundo eu sei que eles entendiam o porquê eu olhava tão fixamente e perdida em memórias.
- Nada, vamos. – e Arika recomeçou a andar e nós dois a segui-la.
Passamos por um corredor onde uma mulher de cabelos pretos presos num coque digitava no computador, ela já era de idade e aparentava ter muitos anos naquele lugar. Não só aparentava como era, pois eu me lembro dela...Foi umas das pobres almas que tentaram me 'domar'; pena, pois ela é uma grande mulher, eu sempre soube disso.
Passamos por ela e continuamos a andar pelo corredor. Memórias invadem a minha mente com a intenção de me levar de volta àqueles dias. Ao olhar as paredes ou o chão ou até mesmo o teto, eu me lembro do que passei, das vezes que corri por esses corredores, das vezes que chorei neles, que sangrei e pouco a pouco perdia toda ' a criança dentro de mim'. Suspiro, eu realmente odeio esse lugar, só espero que Alyssa não seja a metade do que esse lugar me transformou.
- Aqui estamos! – disse Arika em frente a uma porta. – Alyssa está lá!
- Só precisamos entrar e pega-la? – perguntou Asobu.
- Claro que não. – disse Arika balançando o indicador de forma negativa com os olhos fechados – Vocês vão conversar com ela enquanto eu vou pegar minha superior e o resto da papelada.
- "Mais papelada" – Eu e Asobu pensamos ao mesmo tempo com um suspiro;
Arika saiu e Asobu e eu entramos na sala. Alyssa estava sentada na cadeira abraçada ao lobinho de pelúcia olhando para o chão completamente imóvel, mas ao nos perceber, virou-se e sorriu, um sorriso inocente, puro e infantil... Um sorriso que fez maravilhas ao meu coração. Eu sorri ao olhar sua feição feliz e me aproximei com Asobu atrás de mim hesitante.
- Olá Alyssa. Lembra-se de mim? – perguntei me ajoelhando perto da cadeira.
Ela me olhou sorrindo e balançou a cabeça concordando. Eu sou uma pessoa muito fria e normalmente me dou mal com as crianças porque elas ficam com medo de mim e sinceramente nunca gostei de crianças, mas Alyssa é diferente, eu me sinto bem com ela, é como se todos os meus sentimentos ruins se apagassem no momento em que eu me aproximo dela. Ela realmente não é um ser humano normal...
- E-eu...S-ssoou...A-As-Asobu. – gaguejou Asobu se ajoelhando.
Alyssa sorriu para ele inocentemente.
- Que lindo! – disse Yuurei sarcástico aparecendo no nada.
Eu e Asobu nos levantamos e entramos na frente de Alyssa prontos para protegê-la.
- Você está fazendo as coisas mais complicadas do que elas são, Natsuki-chan. Desista e tudo voltará ao normal.
Sinto algo abraçando firme a minha cintura, olho para baixo e vejo Alyssa se abraçando a mim, não com medo, mas com um olhar de desafio. Ela não gostava dele.
- Desista você! Estamos quites, esqueceu? Eu não vou parar até tudo estar terminado!
Yuurei não pareceu feliz, mas se recompôs e sorriu.
- Grande coisa. Você vai ser minha, mais cedo ou mais tarde... Sua alma vai ser minha e eu vou pessoalmente me encarregar de torturá-la pela eternidade... – ele falava perigosamente como se degustasse cada palavra e era obvio que era prazeroso planejar o meu sofrimento, mas será tudo em vão, pois eu vou ganhar!
- Guarde seus discursos, Yuurei! – digo confiante. Acaricio a cabeça de Alyssa mostrando para ela que estava tudo bem. – Eu vou ganhar! Nada que você disser ou fazer vai mudar minha decisão.
- Confiante, huh? Isso é bom, mas não é o suficiente. Caso você tenha esquecido, seu inimigo é o Collector e até agora ele não apareceu para te atrapalhar. Esse será seu último caso sem a interrupção dele, mas depois as coisas vão mudar e eu serei o único a rir. Boa sorte com o cliente! – disse ele com uma reverencia e sumiu.
- O que vamos fazer?! O Collector vai começar a agir depois desse cliente! – quase gritou Asobu agarrando a gola da minha blusa.
Calmamente tiro as mãos dele de mim e o olho nos olhos com uma expressão séria.
- O que vamos fazer? Simples, enfrentar esse tal Collector. Como eu já disse não pretendo perder, nem para Yuurei nem para esse Collector, eu lhe dou a minha palavra. Não vou perder!
Eu não sei o que deu em mim, mas eu sinto toda essa confiança correndo pelas minhas veias; sinto força, vitalidade, sinto... vida. Ou eu estou mudando ou essa garota tem algo relativo a isso ou os dois.
- Se você diz, eu confio em você.
Eu sorrio e olho para Alyssa que parece mais calma, mas ainda não me soltava.
Arika entrou na sala acompanhada de uma mulher loira. Sentamos-nos e fingimos estar tudo bem. A loira era a chefe de Arika e parecia feliz por Alyssa ter nos encontrado.
- Eu realmente fico feliz, espero que cuidem bem dela.
- Não se preocupe, nós cuidaremos. – respondeu Asobu.
A loira me era familiar. Muito familiar. Os olhos verdes dela me lembravam ela, mas não seria possível...seria?
- Qual o seu nome? – pergunto.
- Ah, que falta de educação, meu nome é Yuriko Graceburt.
GRACEBURT?! Eu lembro desse nome, é o sobrenome dela! Essa mulher...
- Você é parente de Maria Graceburt?
- Ela é a minha mãe. Você a conhece?
- Sim, ela foi...minha assistente social.
Os três me olharam surpresos. Eu sinto que estou corando e desvio o olhar para um ponto imaginário no chão.
- Eu falo para ela que a encontrei hoje, Kuga-san. – disse Yuriko sorrindo.
- Er... eu estou atrás dela já tem um tempo, mas não conseguia acha-la...er...obrigada.
Yuriko sorriu enquanto eu corava.
Finalmente, saímos do orfanato e com Alyssa fomos para o apartamento. As pessoas nos olhavam com curiosidade, afinal eu estava lá por tão pouco tempo e além de trazer um homem para a minha casa, eu também havia trago uma criança. Abrimos a porta, entramos e eu fui direto para o sofá com Alyssa enquanto Asobu foi para a cozinha.
Sentamo-nos e ficamos a ver um programa idiota que passava na televisão.
- Quer assistir algum desenho, Alyssa? – perguntei pegando o controle e me virando para ela.
Ela balançou a cabeça negativamente. Eu a olhei por um momento, ela era muda, Yuriko nos falou que ela não falava nada desde que chegara ao orfanato, mas conseguia ouvir muito bem...
- Você não fala, por que não quer ou por que não pode? Balance a cabeça uma vez para o não quer e duas para o não pode.
Ela balançou a cabeça três vezes. Eu me sentei no sofá e esqueci a televisão.
- Você não fala por que não pode e nem quer?
Ela concordou.
- Tem haver com o Collector?
Alyssa abraçou o lobinho. Ela estava com medo, ela tinha medo somente do nome, enquanto que tinha visto Yuurei e não se assustara, ou seja, o Collector é mais perigoso do que o próprio Yuurei.
- Você já o viu?
Alyssa timidamente balançou a cabeça que sim, não soltando o lobinho do abraço apertado.
- Ele fez algo com você?
Ela negou. Graças! Por que do contrário eu o iria fazer se arrepender de sequer ter nascido.
Ao ver o medo no olhar dela, decidi mudar de assunto. Outra hora iria perguntar mais.
- Quem te deu esse lobinho? – pergunto tentando fazer a atmosfera melhor – foi alguém do orfanato? Ou sua mãe?
Ela fez um dois com os dedos.
- As duas?
Ela concordou. Eu levantei e peguei um bloquinho que tinha ao lado do telefone:
- Já sabe escrever, Alyssa?
Alyssa aparentava ter uns 10 anos, loira e olhos verdes.
Ela pegou o bloquinho e começou a escrever nele, depois de terminado eu voltei a pegar.:
- " Sim, eu sei escrever."
- Ótimo, que tal me explicar sobre o lobinho?
Ela pegou o bloquinho e começou a escrever. Eu paro e simplesmente a observo. Ela está toda concentrada em escrever e não me percebe, seus olhos não saem do bloco e quando termina de escrever algo, ela pára de escrever e coloca a mão no queixo vendo se está tudo bem, depois volta a escrever. Inocência. É só isso que penso ao olhar para o rosto de Alyssa.
- Alyssa, eu vou ali até o Asobu para ter certeza de que ele não queimara nada, já volto para ler, ok?
Ela me olha, sorri e concorda.
Saio da sala e vou até a cozinha. Escoro-me na parede e fico a pensar:
- Tudo bem? – ouço Asobu me perguntando, mas não respondo. – Tud...
- Me diga... – começo, mas paro e levanto meu rosto para encara-lo – Se Alyssa é um ser divino, que vai me ajudar nesse problema, por que ela teve que viver num orfanato todos esses anos? Por que não cresceu numa família normal?
Eu realmente não entendo! Se ela é para ser do bem, então por que deixa-la com pessoas do mal? Por que deixa-la a sorte? Por que não escolheram um lugar melhor para ela?
Asobu parou o que fazia e passou a me olhar:
- Quando alguém faz um pacto, ele tem que ter um azar, certo? É a mesma coisa com Alyssa...
- Ela não fez um pacto!
- Não, mas tem poderes divinos! Coisas que humanos normais não têm Redeemer. Alyssa nasceu assim, com essa vida para que aprendesse desde cedo a ser humilde, a fazer valer das pequenas coisas, a ser completamente inocente, assim como você!
- O que quer dizer com isso?
- Você acha que foi escolhida por acaso por Yuurei? Claro que não. Há algo em você que chamou a atenção dele desde o começo, foi ele que influenciou toda sua vida até agora, até você fazer o pacto da Redeemer! Ele encaminhou tudo para esse desfecho! Alyssa foi criada desse jeito por que se fosse criada normalmente, ela seria diferente, não teria metade da maturidade, compaixão, inocência e amor como tem agora, entende, Redeemer?
Faço um sim com a cabeça e penso em tudo que ele me falara. Asobu voltou a cozinhar e eu voltei a sala onde Alyssa me esperava vendo televisão.
- Desculpe a demora...
Ela sorri e me estende o bloco. Eu o pego e o leio:
" A moça me falou que minha mãe deixou esse lobinho para mim quando ela me deixou no orfanato, pertencia a minha irmã, então eu ando sempre com ele, pois representa minha irmã e minha mãe."
Então, Alyssa tinha uma irmã...
- Entendo, você não se lembra da sua irmã, né?
Alyssa pegou e bloco e respondeu rapidamente:
" Só lembro que assim como eu, ela tinha olhos verdes, mas tinha cabelos mais escuros, é só o que eu sei."
Eu sorrio e me sentou ao lado dela.
- Quer assistir algo?
Assim começo a trocar de canais até que uma reportagem capta o meu interesse.
- " Hoje foi confirmado a presença da família Graceburt ao congresso que ocorrerá em nosso cidade daqui a 1 semana. A matriarca da família, Maria Graceburt, não quis nos dar um entrevista alegando estar cansada da viagem. Só nos resta esperar o dia do congresso e a nossa tão esperada entrevista com a Matriarca Graceburt. Eles estão hospedados no hotel pertencente a família, representante de Kyoto e de todo Japão, Fujino..."
No momento que o jornalista termina sua fala, a tela muda para uma senhora acompanhada de alguns seguranças. Meus olhos se arregalam ao ver a senhora, ela era a Maria, minha antiga assistente social!
Levanto do sofá sem ao menos pensar e vou direto ao telefone:
- Redeemer? – escuto Asobu indagar.
Não o respondo e ignoro o olhar curioso dele enquanto disco o número ao telefone:
- Fujino Shizuru falando. – ouço aquela voz irritante com aquele distinto kyoto-ben.
- Shizuru!
- Natsuki? Ara, quanto tempo?
- A família Graceburt está hospedada no hotel da sua família, não está?
- Vejo que as noticias correm rápido, huh? Sim, eles estão. Algum problema?
- Eu preciso falar com ela, preciso falar com Maria.
- Eu posso saber o por quê?
- Você não vai me ajudar se eu não disser, vai?
- Natsuki é quem sabe... Ela quer me falar?
- Não posso, só tenho que falar com ela.
- Infelizmente não posso ajudar, mas se você me disser o porquê, talvez eu possa ajudar...
- Olha... Ela foi minha assistente social quando menor. Eu preciso falar com ela novamente... Não espero que entenda, mas eu preciso da sua ajuda!
- Eu vou ver o que posso fazer, amanhã eu te ligo e te dou um perecer.
- Okay... Obrigada... De novo.
- Tudo bem... Tudo pela minha Natsuki. – e assim desligou sem esperar minha resposta.
Corando, eu desliguei.
- O que houve? – perguntou Asobu arrumando a mesa do jantar.
Alyssa já estava sentada a mesa. O lobinho ao lado dela a mesa.
- Maria foi minha assistente social quando menor e eu preciso falar com ela de novo.
Eu não sei o porquê, mas algo me fala que eu tenho que vê-la pessoalmente e rápido!
- Então iremos também! – disse Asobu.
Ele e Alyssa me olhavam com determinação;
Parei e refleti. Eu poderia fazer sozinha, mas... Alyssa e Asobu são pessoas escolhidas para me ajudar, então por que não?
- Tudo bem, iremos assim que Shizuru me ligar amanhã.
- Shizuru?! – Ele disse com o mesmo sorriso malicioso –Já na base do primeiro nome? Eu devo admitir, você é rápida!
Isso somente resultou numa noite dolorosa para ele.
Depois do jantar, Alyssa e eu subimos para o banheiro... Ambas precisávamos de um banho.
Depois
de um merecido banho, nós duas fomos dormir. O apartamento
tinha três quartos felizmente. Asobu foi para o seu quarto e eu
fui deixar Alyssa no dela.
- Aqui, Alyssa. Esse será seu
novo quarto! – digo abrindo a porta e a guiando para a cama.
Ela se senta e depois deita. Eu a cubro e ao ver que ela está confortável, preparo-me para sair. Antes de fechar a porta, eu a olho fechar os olhos, abraçar-se ao lobinho e se perder no mundo dos sonhos.
Meu quarto é ao lado dela. Pulo na cama e fecho os olhos... Estou exausta, então não demora muito e o sono vem me clamar.
É ainda de madrugada, não preciso abrir meus olhos para saber que a lua ainda brilha. Sinto algo se mover perto do meu corpo, me abraçando. Abro os olhos lentamente para ver o que é. Está me apertando com força como se estivesse com medo:
- Alyssa? – murmuro.
Ela olha para mim. Seus olhos verdes expressando medo.
- O que houve? – pergunto me levantando para poder olhá-la melhor.
Olho ao redor, mas não vejo nada. Alyssa só se ajeita no meu travesseiro e fecha os olhos , ela esta um pouco corada por eu tê-la pego em fragrante. Eu sorrio compreensiva e me deito novamente ao lado dela e novamente vamos para o mundo de sonhos. É estranho dormir com alguém do meu lado, mas acho que posso me acostumar...
Amanhã será um longo dia e não pretendo perder para Yurrei. Acordarei bem cedo amanhã e acharei Maria... Bom, bons sonhos Alyssa...
