Disclaimer: Escrevo fanfics sobre Saint Seiya há anos e nunca ganhei, nem ganharei, nada com elas. Logo, é tudo do Kurumada.

N/A: Eis que hoje é Valentine's Day na maior parte do mundo~ Eu acabei tratando por "Dia dos Namorados" para não ficar estranho o título e as menções durante a fic, mas é desse dia aí que estamos falando :3

Ao carneiro-beta, Orphelin, meu obrigada pela betagem~


Esta segunda história está dividida em duas partes e é dedicada a reneev, que eu nunca sei se vai aparecer aqui ou no Nyah, mas o importante é que ela aparece :3 Obrigada por ter recomendado Change of Heart no Nyah! S2


Num Dia dos Namorados Qualquer

Parte I

Um som baixo e agudo, que se assemelhava a um choro, despertou Mu. Ele rolou na cama, ficando de barriga para cima, e pestanejou até focalizar o teto branco.

— Hey, você está legal?

Mu virou o rosto no sentido da voz. Aiolia tinha arrastado a poltrona que ficava no quarto para perto e estava sentado nela, como se fosse uma visita em um hospital. Mu fez menção de se sentar, porém, Aiolia segurou seu braço tão depressa que acabou desistindo.

— Ehrm… O que aconteceu?

— Depende. Do que você se lembra?

Que pergunta era aquela? O olhar de Mu vagou pelo quarto atrás de alguma pista que justificasse o comportamento do namorado. A brancura geral – que descia pelas paredes até o piso, passando pelos poucos móveis e pela roupa de cama – nada lhe revelou.

Na verdade, produziu uma sensação quase hostil. Que estranho. Sempre gostara do efeito sereno e amplo do branco total. Aiolia não. Às vezes, ele implicava dizendo que dava ares de um dormitório de hospício. Por certo, a causa desse desconforto anormal era por ele estar sentado daquele modo ao seu lado.

Por fim, diante do semblante inquisitivo de Aiolia, respondeu:

— Eu tive que sair mais cedo do que o usual para o trabalho. Cheguei em casa no início da tarde e resolvi dormir um pouco. Minha cabeça doía e eu precisava descansar, ou não conseguiria ficar com você à noite.

Era Dia dos Namorados. Aiolia faria questão de sua companhia. Fazia em qualquer dia do ano e Mu queria ficar com ele também.

No momento, Aiolia parecia intrigado. Mu espiou o céu cinzento através dos vidros das janelas. Aiolia estar em casa significava que anoiteceria em breve.

A lamúria aguda se repetiu, tirando Mu de seus devaneios. Franziu o cenho, inclinando a cabeça na direção da porta.

— Está ouvindo isso? Esse… choro?

— Ah, é a bebê. – Aiolia deu de ombros, como se fosse algo óbvio.

Bebê? Desde quando eles tinham um bebê?

— Do que está falando?

— Ahn? – Aiolia contraiu uma sobrancelha, mordendo o lábio inferior.

Ahn? Mu o encarou de volta.

— Droga, bem que os médicos avisaram que você poderia ficar meio estranho. – Aiolia se levantou, bagunçou os cabelos e passou a andar em círculos. – É. Trauma pós-parto ou algo similar.

Parto? Mu se sentou na cama com tanta rapidez que o mundo escureceu. Fechou os olhos e massageou as têmporas. Aiolia sussurrava para ir com cuidado, massageando seus ombros de leve.

— Não foi nada. Eu… – Respirou fundo, procurando trazer racionalidade para a conversa no intuito de esclarecer aquilo de forma prática. – Parto? Aiolia… minha condição de homem não permite a existência de um útero. Tenho certeza de que você sabe que a falta de um útero tende a impedir a produção de filhos.

— Você já viu aqueles yaoi esquisitos da Shina. – Aiolia se jogou na poltrona, apoiando os cotovelos no colchão. – Se for pra um cara engravidar, vai aparecer um jeito.

— Nós estamos na vida real. É impossível. Se fosse possível, eu me recordaria de ter estado grávido, não acha? Nove meses é um período considerável.

— Vai ver, algum defeito na Matrix mexeu com suas memórias.

Mu deu um peteleco na testa dele.

Ouch! Caramba, vem cá. – Aiolia se levantou e estendeu a mão para ajudá-lo a fazer o mesmo. – Vou te levar ao hospital.

— Não precisa, estou ótimo. – Mu ficou de pé sozinho, calçou suas pantufas de carneiro e se dirigiu para a porta. – Por que não estaria? Não tive um bebê.

Uma bebê. É menina.

A mão de Mu se deteve sobre a maçaneta. Será que Aiolia bebera além da conta? Ou era um sonho bizarríssimo?

— Ela é linda. Tem as suas pintinhas na testa.

Céus, e se Aiolia estivesse ingerindo certos fármacos recreativos ilegais? E se tivesse enlouquecido? E se…?

— Amor… atingiram você no treino? – Mu se aproximou e encostou as mãos no rosto dele com suavidade, deslizando os dedos sob a franja e pelo topo da cabeça até alcançar a nuca, em busca de algum galo.

— Não. – Aiolia envolveu seus punhos, afagando-os. – Putz, acho que você está em choque.

— Não estou. Espera. Isso… – Mu se calou, concentrando-se no som. – Isso não é um choro humano. É um… uma cachorrinha, não é?

— …

— …

— Dez pontos pra Ravenclaw! – Aiolia inclinou a cabeça para trás, dando risada. – Podia ser Gryffindor, né? Se a gente ficasse na mesma Casa, facilitaria os…

— Você é inacreditável! – Mu se desvencilhou dele. Não era a primeira vez que dizia aquilo e duvidava que seria a última. Ah, que vontade de jogar o atrevido pela janela. – Não sei por qual motivo continuo dando atenção às suas loucuras.

Naah, você começou a acreditar em mim, admita.

— Aff, eu comecei a achar que você enlouqueceu. – Mu bufou de leve e saiu do quarto. – Ou que andou se drogando. Ou… nem sei.

Aiolia o seguiu, revirando os olhos.

— Drogas? Sem chance, a universidade me expulsaria do time.

Ignorando-o, Mu avançou para a sala, observando todos os cantos.

— Ela é superfofinha, aposto que você vai amar.

— É lógico que vou amá-la, esse é o problema. Você vai se aproveitar do meu coração fraco para animais e vai arranjar vários. Quando eu notar, estarei com setenta anos e dezenas de cães.

— E gatos.

— E gatos. – Mu parou, arregalando os olhos, e apontou um dedo para ele. – Hey!

— Pelo menos você não será um solteirão. – Aiolia deu uma piscadela cúmplice e se abaixou atrás do sofá.

Hmm, os pensamentos de Mu viajaram três anos no passado. Ao ser comunicado sobre estarem namorando, Aiolia havia dito: Não sei como vai funcionar, se vai dar certo, nem posso te prometer nada. E, agora, ele deixava implícito que ainda estariam juntos na velhice.

Ele falara sem pensar, brincando com a situação. No entanto, Mu se pegou sorrindo.

— Aqui. – Aiolia estendeu as mãos, oferecendo a filhote de cachorro.

Ela possuía a pelagem curta e toda preta, com exceção das patinhas de cor bege. Logo acima dos olhos, havia pelos em um tom idêntico formando sinais que, de fato, pareciam os da testa de Mu. Tinha adesivos de brincos coloridos nas pontas das orelhas – uma se mantinha levantada e a outra dobrada.

— Oh, tão pequenininha. – Mu a pegou no colo. Ela sacudiu o rabo com vigor, cheirando-o sem parar. – Não é demais termos outro animal de estimação? Já temos dois gatos.

— Temos? – Aiolia girou, coçando o queixo. – Eles estão invisíveis?

Sem perceber, Mu fez beicinho. Poxa, apesar de não estarem na casa, Regulus e Atla eram deles.

— Achei que você tinha desistido de trazer os dois.

— Claro que não. É que seria estressante para eles ficarem aqui durante a mudança. E, com nossas rotinas atribuladas, nós mal paramos em casa. Pensei, inclusive, que seria bom para o Shion ter a presença dos gatos enquanto se acostumava com minha ausência.

Mu suspirou. Parecia estar dando desculpas, embora fosse a verdade.

— Okay. – Aiolia chegou perto para brincar com a cachorrinha.

Ele estava chateado. Mu sabia sem que nada na expressão ou linguagem corporal de Aiolia demonstrasse isso. Não era intuição, tampouco dedução. Seria telepatia de quem está junto há muito tempo? Se bem que não era tanto tempo assim também… Se conheciam há uns dez anos, mas só namoravam há três.

A chateação não era sem motivos. Afinal, Aiolia nunca pôde ter bichinhos em casa por causa da alergia crônica da mãe. Não era à toa que vivia brincando com Aspros e Defteros, os gatos dos gêmeos, entre outros pets alheios. Eles mantinham contato frequente com Regulus e Atla porque moravam perto de Shion, entretanto, Mu compreendia que não era a mesma coisa.

— Bom, acho que está na hora de irmos buscá-los. Que tal sábado?

— Sério? – Aiolia o fitou com olhos grandes e brilhantes.

Mu assentiu, o coração acelerando ao vê-lo sorrir, e ganhou beijos estalados pelo rosto inteiro.

Tinha saudades de ter Regulus deitando em cima de seu laptop e Atla ronronando em seu colo. Pensar em um perseguindo o outro em plena madrugada era nostálgico. E eles eram os primeiros presentes que recebera de Aiolia.

— Acha melhor ela ficar com o Shion e o Dohko? Eles vão sentir falta dos gat-…

— Não! – Mu abraçou a cachorrinha de modo protetor. – Se ambos quiserem, podemos procurar outro animalzinho para eles. De preferência um gato, que eles estão acostumados.

Whoa, okay. Não é demais termos outro pet então, hein?

— Culpa sua. – Mu encolheu os ombros, acariciando o focinho dela com a ponta do dedo.

— Posso viver com isso. Qual vai ser o nome dela?

— Hmm… Você nomeou o Reg e, depois, eu nomeei o Atla. É a sua vez.

Aiolia a segurou no alto, diante do próprio rosto. Ela se remexeu e latiu, fazendo-o sorrir.

— Lithos.

Não levou sequer alguns segundos para Aiolia se decidir. Mu estreitou os olhos. Estava nítido que ele já tinha escolhido, certo de que a nomearia. Ao menos teve a consideração de perguntar antes.

Com um floreio, Aiolia tornou a oferecê-la para Mu.

— Feliz Dia dos Namorados!

Continua…


N/A: Nesse ritmo, até o fim do ano o Mu vai escrever uma autobiografia intitulada "Memórias de um Defenestrador"...

E para quem não leu CoH ou não se lembra, a Shina é fujoshi nesse universo. Por isso o Aiolia mencionou os yaoi dela '-'

Obrigada pelas reviews: Diana Lua, reneev, Chibi Haru-chan17, Orphelin e Svanhild S2

Que tal este capítulo? :3