"Então, o que você acha?"
"Sobre?" Sebastian perguntou de volta, sem tirar os lábios do meu ombro.
Nós estamos deitados depois de... Enfim, eu estava virado para a parede e Sebastian estava atrás de mim, com os braços em volta da minha cintura – me recuso a dizer que estamos de 'conchinha' -, me pressionando contra ele enquanto beijava de leve meu pescoço e meus ombros. Ainda vou descobrir de onde ele acha tanta energia.
"Sobre a economia mundial. Sobre o Alois, idiota." Eu disse irritado. Tem 10 minutos que eu estou falando com ele sobre isso, mas ele se recusa a prestar atenção.
"Eu acho que ele realmente se parece, mas ainda não podemos ter certeza. Uma reencarnação não acontece por nada." Ele encostou o queixo em mim enquanto falava, movimentando seus dedos em círculos no meu quadril.
Eu me virei, colocando um braço em sua volta, e o encarei com curiosidade. Eu sempre pensei que ele podia ser mais claro às vezes.
"O que quer dizer?"
"Quero dizer que a reencarnação foi criada para que alguém consiga fazer ou receber algo que não conseguiu fazer enquanto estava vivo." Ele explicou com calma enquanto removia o cabelo dos meus olhos, deixando sua mão na minha bochecha para acaricia-la.
"Entendo." Falei baixo, me aproximando dele e de suas caricias. Essa era uma das coisas que eu mais sentia falta quando eu ia para o colégio, ou quando eu simplesmente saia. O jeito que ele me acariciava, com calma e toques gentis. Nem parecia um demônio.
"Você não vai voltar para sua forma original?" Ele me perguntou após alguns segundos de silêncio com um sorriso, sabendo que eu não gosto de voltar a minha forma humana original.
"Já faz uma semana, ficar usando seus poderes tanto assim não é bom."
"Tá bom, tá bom." Eu suspirei e me concentrei, fechando meus olhos e focando minha energia. Em pouco tempo, eu senti a diferença - principalmente na minha altura – e abri meus olhos novamente, cerrando minhas sobrancelhas em desgosto.
"Bem melhor. Não me leve a mal, Jovem Mestre, você é maravilhoso de qualquer jeito, mas eu honestamente adoro você dessa forma. Da mesma forma que você era quando eu me apaixonei por você."
Eu desviei o olhar para a parede atrás dele, meu rosto ficando quente e se meu coração ainda batesse, tenho certeza que ele estaria a mil por segundo.
"Pare de dizer besteiras."
Sebastian riu baixo e me beijou rapidamente, entrelaçando nossas pernas.
"Peço desculpas, mas é a pura verdade. Meu mestre uma vez me ordenou para nunca mentir, e eu tenho que obedecê-lo."
"Seu mestre é um idiota."
Sebastian riu de novo, me puxando para perto até que eu estivesse deitado em cima dele. Eu cruzei meus braços sobre o peito dele e descansei minha cabeça lá, encarando-o.
"... Como foi o seu dia?" Perguntei timidamente. Eu quase nunca começo essas conversas sem sentido. Mas eu me lembro de ter visto em algum lugar – não intencional... Ou não – que falava sobre relações que você deve tentar conversar o máximo possível com seu parceiro.
E eu estava me sentindo um imbecil por ter perguntado algo tão ridículo.
"Bom, depois que você saiu, eu limpei a casa e fiz uma lista de compras. Ah, e hoje de manhã eu achei um gato no jardim. Ele era tão sublime, Jovem Mestre. Com a pelagem preta, de olhos verdes." Revirei os olhos, mas não pude deixar de rir baixo. Ele nunca vai mudar.
"E o que mais?"
"Aprendi a fazer um bolo folhado de framboesa com creme de manteiga. Pretendo fazê-lo amanhã."
"E onde você aprendeu?" Show de culinária.
"No novo show de culinária que assisti na televisão." Eu sabia!
"Quantas horas por dia você fica assistindo isso? Eu não posso jogar jogos por duas horas seguidas, mas você fica o dia todo assistindo essas coisas quando eu não estou em casa." Eu tenho um Nintendo DS, e quando eu tenho tempo para jogá-lo, ele não deixa!
"É diferente." Que raiva que me dá dele falar com tanta calma quando eu estou irritado!
"Como assim é diferente?"
"Porque eu apenas assisto quando você não está em casa, você joga quando está em casa. Eu assisto para fazer para você. E você tem pouco tempo de descanso e você quer usa-lo para jogar, enquanto eu quero ficar com você. É diferente."
"Humph." Eu contemplei a parede ao lado, recusando a olhar para ele. Até que ele pôs um dedo no meu queixo, me fazendo a encará-lo.
"Não pode me culpar por querer você só para mim."
Eu suspirei, passando a mão pelo meu cabelo para tirar minha franja dos olhos. Idiota. Idiota estupidamente romântico.
"Cale a boca." Eu o repreendi, meu rosto ficando vermelho com as palavras. Eu abracei o pescoço dele e escondi minha face lá. Suspirando, eu inalei o aroma dele. O cheiro que Sebastian exalava era muito bom, um cheiro natural dele. Era suave como baunilha, canela, mas também era fresco como menta. Não sei se faz algum sentindo, mas parece que foi feito só para mim.
"Eu te amo, Jovem Mestre." Ele disse baixo, do lado da minha orelha antes de beijar o topo da minha cabeça.
"Eu também te amo, Sebastian."
–
Eu estava deitado no sofá, jogando depois que eu e Sebastian fizemos um acordo - três horas não diretas por nos fins de semana – até que a campainha tocou, interrompendo meu momento de paz.
"Sebastian, a campainha. ''
Nada.
"Sebastian, a campainha! ''
Mas que droga!
Eu voltei para minha forma de um menino de 17 anos e corri até a porta, com irritação clara em meu rosto, mas eu abri mesmo assim.
"Alois? ''
"Oi Ciel!'' Ele sorriu para mim e... Por que ele está usando jaqueta? Não está nem perto de estar frio a ponto dele ter que usar uma. Certo? Eu não sinto muito mais as diferenças de clima.
"Desculpa vir aqui sem avisar, mas é que ontem você deixou uma caneta na sala e eu me esqueci de te devolver. '' Eu me esqueci de alguma coisa? Como? Eu sempre tenho certeza de que tudo está bem guardado e não tem nada ficando na minha cadeira. Estranho... Apenas de vez em quando eu me esqueço de fazer uma coisa ou outra, mas eu nunca me esqueço de coisas como essa.
"Ah, claro... '' Eu sei que eu devia agradecê-lo, mas até hoje é um tanto difícil para eu conseguir falar aquela única palavra.
''Muita bondade sua. '' Eu falei meio sem jeito depois que ele me entregou a caneta. Ele veio até aqui para me devolver uma caneta e eu não conseguia nem agradecê-lo.
"Não é nada. Depois do jantar de ontem, eu trago quantas canetas for necessário." Ele riu e – adivinha – passou a mão pelo cabelo.
"E o Sebastian?" Alois perguntou, sorrindo do mesmo jeito acusador de ontem.
"Ah, ele está... Fazendo alguma coisa... Acho que um bolo."
"Você faz ele de dona de casa, pobre coitado." Alois riu de novo, balançando a cabeça num gesto de reprovação.
"Tsc... Nada disso. Ele faz porque gosta." Eu olhei para o lado para ver se ele estava por perto. Ele me ouvir falando é uma coisa. Mas se ele estiver por perto tenho certeza que vai dar razão ao Alois.
"E ontem à noite?" Ele perguntou com a voz baixa, obviamente tentando segurar o riso enquanto me dava um olhar que dizia que ele sabia muito bem o que aconteceu depois que ele foi embora. E eu, idiota como sou, fiquei vermelho.
"Cale a boca. Você era mais legal quando era tímido."
"Ah Ciel, você que é muito tímido. Não tem nada de mais. Somos amigos, você pode me contar essas coisas."
Amigos?
"Ah, droga. Desculpa Ciel, eu tenho que ir, te vejo segunda. Manda um abra o para o Sebastian." Ele me abraçou rapidamente e se foi rapidamente.
Eu fechei a porta e voltei para a sala, sentando-me no sofá. Então, eu e o Alois somos amigos.
"Tudo bem que vocês são amigos agora, mas ele realmente precisa ficar te abraçando toda hora?"
Sebastian se sentou ao meu lado e me puxou para perto, me pondo em seu colo enquanto gentilmente coçava minhas costas por baixo da minha camisa.
"Seu cheiro é muito bom para ficar se misturando com outro."
Eu ri baixo com o tom da voz dele. Ele sempre foi possessivo... Deve ser coisa de demônio... Apesar de quando eu era humano eu era tão possessivo quanto ele. E até hoje sou.
"Então você não devia me abraçar também. Seu cheiro também é muito bom para se misturar com o meu."
"É diferente."
De novo? Isso já está ficando um tanto velho – mentira, não posso evita, mas gostar das coisas bobas que ele fala -.
"Como assim?"
"Nossos aromas foram feitos para se completar. Assim como nós fomos feitos para completar um ao outro."
...
"Essa é a coisa mais ridícula que eu já ouvi." Apesar de eu ter dito isso, estava um pouco vermelho.
E ele apenas riu.
