O nascimento romântico
Não foram precisos nem dois meses de espera. Certo dia, enquanto lia em frente a porteira de sua casa, visualizou uma jovem que trajava longo vestido florido e chapéu de palha, porém, parecia perdida. Inicialmente, não havia prestado muita atenção, porem, quando a jovem se aproximou para pedir informação, sabia que poderia estar na China, mas jamais confundiria aqueles olhos cor de chocolate. Era ela. A freira. A santa. A mulher que largara o hábito. Mitsashi Tenten.
Sim, aquilo era obra de um mensageiro divino, foi o que acreditou. Era o povo enviado para o povo. Era a explosão de sentimentos que comandava suas ações, era um fantástico caos criativo interno, era a totalidade cósmica que gritava por seu nome. Desperta-te, Neji! E ame.
Sim, aquela mulher era um vilarejo. Sua pele casta e alva era tentadora. Seria capaz de lhe escrever um diário sobre tudo aquilo que mudara por sua idealização do brasileiro primitivo, sobre quando largou o individualismo, a postura egocêntrica, quando resolveu deixar que a emoção e a afetividade fizessem companhia a ele e, acima de tudo, o apego a religiosidade. Por sua culpa, sua somente culpa.
A mulher, por sua vez, viveu o mais terrível dos dramas interiores por culpa de Neji. Não sabia se optava pelo desejo carnal ou pela idealização amorosa, pela ingenuidade ou pela galhofa. Também seria inevitável negar a vontade que tivera de caminhar em campos santos, apenas para dar fim àquilo; o sentimento de derrota diante da vida era satânico. O mal-do-século estava a lhe dominar.
Foi então que as causas políticas e sociais lhe chamaram a atenção, a defesa dos injustiçados e oprimidos. E dessa forma, descobriu em um livro de José de Alencar que o sertão seria a apresentação de uma natureza exuberante, exótica e idealizada. Nesse cenário, as imagens heróicas enfrentariam diversidades naturais.
Ao se reconhecerem, o homem a convidou a entrar e, como havia jurado a si mesmo, a levou até a biblioteca e mostrou àquilo que deveriam de compartilhar. Livros de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Castro Alves e Visconde de Taunay. E, no canto mais escondido de um livro, lhe fora dedicado o seguinte trecho:
"Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
- Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida."
(Castro Alves)
Juntos, Hyuuga Neji e Tenten, criariam a nova identidade nacional
A saga ainda não acabou! Preciso escrever mais, ainda não cheguei onde queria e o monstrinho da ansiedade ainda berra dentro de mim.
Amo vocês ; )
