Ficwriter – Arika Kohaku
Beta Reader – Akimi Tsuki
Numa semana Sasuke estava completamente adaptado à sua vida na casa principal dos Uchihas. E tentava fazer ao máximo aquilo que Naruto lhe dissera: criar novas e boas recordações para aquelas paredes de sangue e morte. E ele conseguia passear por todo o bairro Uchiha, embora não entrasse no ginásio do bairro, e a Tsunade ainda não lhe tivesse dado permissão para sair das suas propriedades, pois o seu estado podia piorar sem estarem à espera e relembrava-o, quando a impaciência chegava, que ele tinha estado às portas da morte.
– Elemento Fogo: Bola de Fogo! – Uma pequena bola de fumo saiu da boca de Nasasu.
– Estás lá quase. Mas tem calma. Ainda tens muito tempo. – Elogiou Sasuke o filho, estava sentado à beira do lago onde ele mesmo aprendera aquele jutso com o avô de Nasasu.
– Mas eu vou entrar para a academia daqui a um ano. Já devia saber este jutso elementar dos Uchihas.
– Quem te disse isso?
– Sei eu. O tio Itachi já sabia esta técnica com a minha idade, tu mesmo o disseste.
Sasuke suspirou, embalando Oshi nos braços, que tinha os olhos abertos, mas não gritava. Os pais estavam admiradíssimos com ela, era uma bebé que só dormia de noite, e pouco ou nada de dia.
– O teu tio era muito precoce. Devias ter aprendido algumas coisas com a minha história, mas talvez ainda não compreendas.
– Pai? – Gritou ultrajado.
– Eu também fiquei chateado quando o meu pai disse que eu se calhar era muito novo para aprender esta técnica. Irritado treinei durante semanas, até a aperfeiçoar…
– Eu sei toda a história.
– E sabes porquê que eu a te quis contar? Senta-te. Talvez não saibas porque não compreendes. – Nasasu sentou-se ao seu lado, meio amuado. – Se plantares duas sementes de girassol no mesmo dia, lado a lado, e se cuidares delas de maneira igual, sabes que apesar disso elas nunca crescerão da mesma maneira e por muitas semelhanças que possam ter elas nunca serão iguais. O que quero dizer é que não deves querer já dominar esse jutso só porque o teu tio já o sabia na tua idade. Se quiseres aprender porque desejas e gostas de aprender eu não te impedirei, mas se queres aprender apenas porque o teu tio já sabia não contes comigo para te continuar a ensinar. Não quero que penses que és melhor que os outros, só porque sabes fazer um jutso e os outros não. Até podes ser o melhor, mas fica sabendo que há sempre alguém para nos superar. O teu papá era o pior da turma e agora é Hokage. Não quero que sejas, nem gosto que sejas, vingativo ou convencido, entendido?
– Sim, pai. Cada coisa tem o seu tempo de aprendizagem e ninguém é igual ou melhor que os outros.
– Exacto. O teu tio aprendeu com 6 anos, eu com 8, já estava na academia. Então como é que vai ser?
– Eu quero apreender este jutso porque é esse o meu desejo.
– E por que desejas apreender?
– Não sei. Simplesmente é o que quero, continuar a treinar.
– Muito bem, mas por hoje já chega, estou cansado e a tua irmã tem que comer.
– Posso levá-la?
– Vira-te para mim. Chega-te cá. – Observou o estado e cheirou as roupas do filho. – Sim podes levá-la, mas atenção que a tua irmã não é um brinquedo. – Avisou-o retirando o corpete que prendia a filha ao seu peito para o colocar e ajustar ao do filho, que apesar de ter seis anos o rapaz parecia mais velho, tanto física como psicologicamente.
Nasasu enrolou os braços à volta da irmã protectoramente e concentrou-se no caminho que tinha que percorrer até ao bairro Uchiha, activando o seu sharingan para o ajudar, pois apesar de estarem em terras Uchihas não estavam perto da população.
– Pai! – Chamou Nasasu parado no meio da estrada agarrando ainda mais a irmã. – Está ali alguém.
Sasuke elevou os olhos que trazia colados no filho por precaução, afinal ele transportava uma recém-nascida, e viu uma mulher enrolada numa manta castanha que andava pela beira da estrada que a levaria até para fora de Konoha, andava de forma cambaleante, parecia fraca. Os cabelos cor-de-rosas não deixavam ver o aspecto cadavérico da figura.
Apesar do tempo sem treino, Sasuke activara o seu sharingan para ver quem era a pobre coitada, correu depressa para a agarrar no momento em que a mulher ia a cair para o lado. Encontrou uns olhos verdes que se fixaram nele reconhecendo-o, e que depois se fecharam de exaustão.
Nasasu aproximou-se devagar meio de lado para proteger a irmã, com o seu próprio corpo, da presumível ameaça que a mulher pudesse representar.
– Está tudo bem Nasasu! Vamos para casa depressa. – Decidiu Sasuke pegando na mulher de peso pluma ao colo.
oOo
– Onde estavam? – Perguntou Ino mal entraram em casa. A rapariga tinha-se tornado uma enfermeira, e por vezes babysiter, na casa Uchiha, por mando de Tsunade, que a destacara para controlar Sasuke.
O Uchiha acabara de pousar a mulher sobre um dos colchões japoneses, quando a loura entrou fazendo perguntas.
– Kage Bushin no jutso! – Sasuke criou um único clone das sombras que saiu logo a seguir.
– Onde vai o clone?
– Chamar o 6º.
– Mas a Quinta e o Sexto tem andado tão ocupados…
– Sim, eu sei, estão a esconder-me coisas.
Ino sentiu que alguma coisa tinha mudado no comportamento de Sasuke.
– Encontrei Sakura na beira da estrada para a saída de Konoha, naquele estado. – Apontou para o colchão onde a figura magricela repousada. – Se bem me lembro a sentença por usar um jutso proibido é de 4 anos, afinal, foram feitas pelo meu clã. Se ela foi presa há dois anos tem de cumprir mais dois anos. Ora, se ela está cá fora só existem três hipóteses para explicar isso: fugiu, o que acho pouco provável no estado em que está, pois, mal aguenta os próprios ossos; depois pode ter tido o perdão de Naruto, o que também não me parece provável, ou… é necessário libertar os prisioneiros de baixa segurança para que os ninjas que guardavam a prisão sejam destacados para outro lado. A hipótese mais provável para mim. Não pareces surpreendida com o que falo! – Notou Sasuke. – É essa a resposta de tudo. Só não vou falar eu próprio com o Hokage, porque não te deixo sozinha com as crianças com Sakura aqui. E se puderes podes ver o que ela tem?
–Sim, posso ver.
– Se está alguma coisa a acontecer no País do Som e Naruto não me contou eu juro que o mato desta vez. – Saiu da sala deixando Ino nervosa para trás, a pensar nas suas palavras, mas apenas concluindo que não acreditava nelas. Ela sabia como ele amava o seu louro.
Os Hokages apareceram uma hora mais tarde, Sasuke acabara de deitar Oshi e quando os ouviu dirigiu-se à entrada. O ar taciturno tinha voltado à cara do Uchiha. Nasasu estava no quintal a mandar shurikens a um alvo e tinha Ino ao seu lado dando-lhe dicas.
– Que se passa Sasuke? – Perguntou Naruto percebendo que algo de grave tinha acontecido. – A Oshi está bem?
– Está lindamente, mas ficará sem pai se este não me contar o que se passa e o que anda a fazer.
– Como assim o que ando a fazer? A tratar de papelada e coisas chatas por ai…
Sasuke socou a parede expelindo a raiva que estava acumulada, fazendo o louro calar-se com o estrondo. Um pedaço jeitoso da parede caiu logo a seguir.
– Sasuke, não estarás com as hormonas um pouco descontroladas. – Opinou a Tsunade.
(n.a. – Hormonas é igual a hôrmonios no Português do Brasil, o género também muda, logo seria: hormônios descontrolados)
– Quem pensam que sou? Um idiota? Pensam que não reparo no estado de cansaço de Naruto quando chega a casa, isto é, quando chega a casa? Acham que não diferencio um clone do meu marido?
– Tenho estado muito ocupado. Sei que não tenho estado muito tempo contigo ou com as crianças…
– Uchiha Naruto! Achas que isto é uma simples briga doméstica? Achas que me estou a queixar de falta de atenção?
Nasasu agarrou-se a Ino, nunca vira o Pai tão zangado com o Papá, ele já tinha assistido aos arrufos sem importância que existiam constantemente entre os pais, mas aquela zanga parecia diferente.
– Achas-me cego de mais! Além de chegares, ou por vezes não chegares, estafado, eu sei que estou recuperado, Ino já nem sequer me examina. Limita-se, simplesmente, a aparecer, a observar-me e a ajudar-me com os miúdos. Para completar encontrei Sakura meia morta na estrada…
– A Sakura? Onde está?
– Na sala…
Tsunade saiu para ir ver a sua aprendiza, de quem, apesar de tudo, tinha estima. Aproveitando isso para sair da discussão entre os Uchihas. Sabia que Sasuke não era parvo (n.a. – parvo é uma pessoa sem inteligência) e tinha chamado Naruto à atenção para esse facto, mas o louro tinha aquela personalidade especial. Já previra que, mais tarde ou mais cedo, o Maou pediria explicações.
– Sasuke não há nada de mau…
– Chega! Ou me contas a verdade ou eu mesmo vou ver! – Ameaçou. Naruto sentiu tremores pelo corpo. Só queria proteger a sua família, aquela que só há poucos anos é que se formara.
– Os outros países querem falar contigo directamente. Querem conhecer-te pessoalmente. Eu estive a empatar como pude. Sasuke se eles sabem que temos mais um filho biológico conseguem o motivo para nos atacar. Estão a fazer de tudo para conquistar o nosso país. Sabem das nossas riquezas. Falo do País da Água. Arranjas-te, ali, inimigos fervorosos.
– As minas e as nascentes…
– Sim. E dentro das nossas fronteiras alguns, pagos por fora, obviamente, levantaram-se contra nós. Acusam-nos de os termos abandonado. Totalmente desmedido, mas os mais fracos e o povo assustado acredita neles, mas continuam a apelar ao teu regresso. Eu prometi que logo que te restabelecesses que voltarias.
Sasuke suspirou, tentando acalmar-se, e pensando que pelo menos ainda não rebentara nenhuma guerra, ainda.
– Porque não me contaste antes?
– Estavas doente.
– E agora?
– Bem, eu queria…
– Proteger-me? Quantas vezes é que eu te pedi para não fazeres isso?
– Não me podes pedir que não tente proteger a minha família.
– Não, não posso. Mas também não me podes impedir de proteger o meu povo. – Deixou a entrada e Naruto para trás e entrou no quarto. Sentou-se na cama analisando as suas hipóteses, não que tivesses muitas, só tinha mesmo uma.
Não querendo admitir em voz alta sentiu saudades de ser um simples ninja que recebia ordens, saudades de ser de Konoha. Mas a vida mudara e ele crescera. Ele escolhera o seu caminho. Naruto era um Hokage, com certeza que não poderia voltar à Aldeia Oculta do Som, e ele era o Maou do País do Som era obrigado a voltar. Alguns minutos passados o som da porta a abrir-se lentamente quebrou a sua linha de pensamentos. Naruto entrou no quarto e fechou a porta encostando-se a ela. Vinha de cabeça baixa e os cabelos tapavam-lhe os olhos.
– Eu volto contigo para o País do Som. – Informou.
– E Konoha?
– Há muito que Konoha deixou de ser a minha verdadeira casa. Poderemos cá voltar nas férias, a Tsunade concordou.
– Não, Naruto, não quero que sacrifiques o teu sonho por mim.
– Eu já sou reconhecido pela aldeia. Mas não sou um bom líder. Nem quero continuar a ser um Hokage.
– Estás a mentir! – Notou o marido, falando mansamente. Levantou-se e aproximou-se de Naruto, entalando-o entre a porta fechada e o seu corpo. Puxou-lhe o queixo para cima e viu os lindos olhos azuis marejados de lágrimas prestes a caírem.
– Eu não te quero perder novamente. – Soluçou confessando.
– Tu nunca me perderás. – Beijou Naruto selando uma promessa de vida feita no silêncio. – Quero que fiques aqui com os nossos filhos. - Naruto abraçou-o com força percebendo que aquilo era uma ordem do Maou Shinobi. – Quero-os a salvo, num sítio onde ninguém os use para nos derrotar e com isso fazendo-lhes mal, e tu tens de os proteger.
– Não me precisavas de dizer isso, eu irei sempre protege-los. – Respondeu o louro. – Mas promete-te. Promete-te que se precisares de mim me mandas chamar.
– É claro. Poderei precisar de um ninja do teu calibre. – Prometeu.
Farto de conter as lágrimas, Naruto, deixou-as cair e agarrou-se ao marido como se tivesse medo que este se transformasse em areia e pudesse fugir das suas mãos com o vento, voando para longe.
– Partirei amanhã de manhã. Não mandes nenhuma mensagem a avisar o meu regresso. Verei como estão as coisas sem que ninguém tenha mudado o cenário de propósito.
oOo
Na manhã seguinte, Sasuke, retirou o seu velho fato e a espada das férias prolongadas que tinham tido e ficou contente por isso, uma vez que nos últimos tempos não fizera outra coisa que engordar, sentiu-se bem ao constatar que o fato ainda lhe servia.
– Detesto esse fato! – Resmungou Naruto. Encontrava-se sentado na cama, atrás de Sasuke, apenas de roupão, com um quieto Nasasu sobre o colo.
– Porquê? Não me fica bem? – Perguntou sem conseguir disfarçar o entusiasmo por ter algum desafio pela frente e por fim poder-se movimentar à vontade.
– Fica-te bem, mas significa que estás pronto para qualquer coisa. Significa guerra. As pessoas, quando te vêem com ele têm medo de ti. Recordam o passado.
– É esse sentimento que quero despertar naqueles que querem destabilizar a paz do nosso país. – Riu-se, enviou as protecções das mãos. Reparou então que Nasasu tinha adormecido, sentado, encostado a Naruto. O filho acordara cedo, como sempre, e viera acordar os pais, mas encontrara-os já acordados, num ritual de despedida. Com Sasuke encostado à cabeceira da cama de pernas flectidas e com Naruto, que segurava Oshi, sentado entre elas e encostado, por sua vez, ao marido. Ambos mimavam a menina e Nasasu juntou-se a eles, sentindo-se a criança mais feliz do mundo.
– Se eu pudesse também ia contigo, também preciso de aventura. – Confessou Naruto enquanto deitava a criança adormecida na cama.
– Já me estava a perguntar onde estava a pessoa com quem tinha casado. – Comentou num tom alegre, abraçando o louro pelas costas.
– Crescemos e ganhamos outras prioridades. Tenho que proteger os últimos Uchihas.
Sasuke estremeceu ao ouvir aquilo. Habituara-se tanto a ser o último Uchiha que nunca parara para pensar que já não era o último. Nasasu e Oshi eram agora os últimos Uchihas.
Continua…
