.

CAPÍTULO TRÊS

.

- Krash! Krash! Krash! Krash! - a multidão à volta do ringue chamava. Os lutadores estavam na arena, frente a frente, e Krash já levara alguns socos. Era uma luta difícil, notava-se que já estava entre os melhores dos melhores.

- Atira esse veado para longe, Krash! Dá uma lição nele para ver se vira homem de verdade! - o treinador Kento gritava, dando socos no chão do ringue, estava sem paciência. - Vamos embora Krash! Vai! Vai! Vai!

- Não acha que está exigindo muito de seu pupilo? - InuTaisho se aproximara, costumava ficar sempre por perto quando eram combates de Krash. Apesar da rivalidade, admirava a sua força e capacidade para se esquivar e admirava ainda mais seu treinador. - É óbvio que esse vai ser o último combate dele.

- O que faz aqui, treinador InuTaisho? - Kento se virou para ele e seus olhos azuis faiscaram. - Esse combate é de meu lutador, não do seu.

- Ah! Por falar em meu lutador, Inuyasha queria muito ver o senhor de perto. Queria que o apresentasse. Inuyasha! Vem cá, meu filho!

Ah, não! Não, não, não, não, não! Isso não pode estar acontecendo! Porque ele insiste em complicar as coisas para meu lado? Droga!

Inuyasha chegou, com sua camisa do uniforme desapertada até metade devido ao calor insuportável, uns óculos escuros no topo da cabeça e se prostrou frente a ela com as mãos nos bolsos. - Boa tarde senhor… Kento… - estendeu a mão, com um sorriso de deboche.

- Boa tarde… menino Inuyasha… - Kagome sabia que ele odiava que o chamassem de menino. - Está mais alto um pouquinho, acho que já me ultrapassou… Andou bebendo leite?

- Não… suco de morango com excesso de açúcar, senhor… minha serva é uma inútil e incompetente. - seu tom irónico era evidente, mas ninguém perceberia do que estava falando.

Kagome rosnou baixinho. - Talvez o menino seja o verdadeiro inútil… Se me permite a expressão. Tenho em conta sua família milionária e de grande influência e talvez esteja tão acostumado aos mimos que sequer consegue levantar seu real traseiro para pegar um simples suco. Tenho a certeza que sua 'serva' tem algumas coisas para lhe dizer… ela pode não estar de acordo com o que é obrigada a fazer. - Toma lá essa, filho da mãe!

- Ela está apenas cumprindo a parte de seu acordo. Eu concordei em cumprir a minha mas, tenho que admitir que, em alguns momentos, me sinto muito tentado em contar o que sei. - fitou-a com seus orbes dourados profundamente.

- Sim, tenho a certeza que sim. - Kagome suava frio. - Mas sua serva pode ser muito mais inteligente e ter uma carta na manga. Já confirmou, 'menino' Inuyasha?

Inuyasha rosnou e colocou os óculos escuros. - Foi um prazer falar com o senhor, tenha uma boa tarde. - saiu e foi sentar no meio das garotas da claque, nas mesas VIP dos populares. Ela está brincando com fogo…

- Me diga, querido Krash… - Jakotsu falou, seu lábio com um filete de sangue escorrendo. - Quem te ensinou a lutar assim?

- Não costumo dizer isso a ninguém.

- Faça uma excepção para mim, bebé!

- Se eu disser, vai parar de falar dessa maneira comigo? - Sango já não aguentava mais, desde que entrou no ringue, seu traseiro tinha sido apalpado vezes sem conta pelo oponente. Credo! Ele nem era homem de verdade! E mesmo que fosse, não iria ser diferente. Ninguém passa a mão no meu traseiro e sai impune!

- Claro, se é o que você quer, gostosão… - mandou um beijinho.

- Eu aprendi a lutar com meu pai. - dito isto, correu a uma velocidade impressionante e estendeu o braço para o socar, mas Jakotsu saltou para cima a tempo de se esquivar.

Sango topou e o pegou pela perna. O público perdeu a respiração quando Krash o puxou para baixo e o golpeou com força no estômago. Foi incrível! Jakotsu caiu no chão, ainda consciente, mas sua força era insuficiente para poder se erguer e continuar a lutar. Krash venceu, mais uma vez.

- Krash! Eu te amo! EU TE AMO! - Ayame, uma das meninas da torcida, gritava a plenos pulmões. - Me dê seu celular! Eu te amooooo! - Kouga, seu actual namorado, pegou nela pela cintura e a puxou para que não pudesse saltar em cima do ringue.

Krash ergueu os braços em sinal de vitória e levou a todas ao delírio com a visão de seus músculos. Deus do Céu! Que bando de galinhas!

Saiu devagar da arena e se dirigiu ao balneário com uma multidão atrelada. Quando finalmente se livrou dela e conseguiu entrar, fechou a porta e subiu no costumeiro banco.

Mas ficou de novo presa.

- Droga! Porque será que já não consigo passar? - ela fazia movimentos para a frente. Estava com a janela pelas ancas, dessa vez, o que não passava era o traseiro.

- Precisando de ajuda?

- AAAHHH! Miroku! Que susto! - Sango quase caiu de cabeça, se não estivesse presa. - Me dá uma mãozinha.

Ele desencostou da porta e foi até ela. - O que não cabe é seu traseiro? Inuyasha bem dizia que era grande… - falou ao puxá-la pelos braços.

Ela retirou as mãos das dele. - Se é para me insultar, pode dar meia volta e sair por onde entrou!

- E você vai ficar aí? Vou achar muito interessante entrar para o outro balneário e apreciar seu traseiro em primeiro plano.

- Não disse que era grande?

- Mas um traseiro é sempre um traseiro!

- Tarado! Me tira daqui!

Miroku a puxou e caíram ambos no chão, Sango em cima dele, outra vez.

- Parece que tem o gostinho de ficar em cima de mim… Não que eu me queixe, mas prefiro ser eu a ficar por cima.

Sango saltou. - Cala a boca! O que está fazendo aqui? Eu quero tomar banho, sabia?

- Ah, faça de conta que não estou aqui… - levantou as mãos. - Eu fico caladinho, nem vai dar por mim!

- Veio reclamar seu beijo, não foi? -ela lhe deu um chute nas costelas. - Seu porco! Ao menos esperava que saísse! Eu poderia estar nua agora!

- Se não fosse seu grande traseiro para impedir que entrasse…

- Meu traseiro não é grande! - ela levantou o pé para chutá-lo novamente, mas ele o pegou e a fez cair. Num movimento rápido, subiu para cima dela e a beijou.

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

- Ai… a peruca não sai! - Kagome puxava a peruca com as duas mãos porque estava difícil. - Porcaria! Nunca mais compro nada por cinco dólares!

- Feh! Eu sabia que era mesmo inútil! - Inuyasha fechou a porta da casinha de arrumações e lhe desembaraçou os fios de cabelos que prendiam a peruca. - Nem uma peruca sabe tirar.

- O-Obrigado. - ela respondeu com vergonha. Nem tinha pedido ajuda sequer. - Posso saber porque pediu a seu pai para me apresentar? Você contou para ele?

- Não. Só queria ver sua reacção. - tirou a peruca e deslizou as garras pelos fios de seda negra para os pentear. Surpreendeu-se ao notar quão macio e brilhante era seu cabelo.

- Ah…

Ficaram os dois submersos naquele delicioso momento de silêncio. Inuyasha se deliciava ao acariciar os cabelos negros e Kagome pendurava a cabeça para trás para lhos oferecer, completamente entregue às carícias. As garras desceram pelo pescoço e a arranharam levemente, o nariz foi até ao ombro e subiu até à orelha. Kagome se estremeceu e gemeu baixinho.

Inuyasha a virou para si e mordeu o pescoço com tanta força quanto um gatinho recém-nascido, não gostaria sequer de pensar em ver aquela pele macia danificada. Queria apenas provar seu sabor. Mas chupou-lhe a pele, com força, e subiu com beijos molhados até ao canto dos lábios onde depositou um beijo demorado.

Kagome se agarrou a ele como quem teme resvalar por um precipício, quando ele a beijou de verdade. Inuyasha era, sem dúvida, um mestre na sedução. Aquela pele morena cheirosa, os braços que a agarravam firmemente, as mãos másculas que ofereciam carícias audazes e meigas, os lábios experientes e exigentes, as presas que arranhavam seus lábios sensualmente. Era demais para ela. Iria levá-la à loucura apenas com um beijo.

Um beijo muito quente…

Apenas tivera um namorado, mas o que tivera com ele não passara de beijos. Ela descobrira que a estava enganando. Kouga, o nome dele. Nunca mais se esquecera. Pouco depois de terminarem, tornou-se um dos populares e fingia que não a conhecia. Que crápula! Tinha apenas catorze anos e, a partir daí, nunca mais quisera ter um namorado. Por isso estava agindo daquela maneira com Inuyasha, os beijos de Kouga eram uma miséria comparados com apenas um daquele jovem hanyou sexy.

Deuses! E pensar que ainda há pouco dissera que o odiava! Agora estava ali, derretendo-se que nem manteiga!

Inuyasha retirou a mão dos cabelos da moça e liberou os lábios vermelhos e doces.

- Muito bom, serva. Apesar de não saber beijar, gostei desse seu lado obediente. - virou-se de costas pronto para sair. - Mais uma coisa… Eu aconselhava a que amanhã viesse de gola alta. - e saiu, deixando Kagome desorientada.

Kagome levou os dedos aos lábios inchados e depois ao pescoço, sentindo um torpor incomum. Foi até ao pequeno espelho pendurado na parede ao pé dela.

- EU TE MATO! - gritou ao ver a marca roxa no pescoço, culpa do chupão que recebera.

Do outro lado da porta, Inuyasha ainda não saíra do prédio. Estava sorrindo como um bobo. Aquele beijo tinha sido o melhor que recebera até então. Notou que ela não tinha muita experiência em beijos quentes como aquele que trocaram, mas a doçura e a meiguice de seus lábios compensaram muito. Já namorara com inúmeras garotas, inclusive Kikyou que ia para a cama com qualquer um, e nunca ficara tão preso às sensações de um beijo como ficou com Kagome.

Sempre a chamou de feia, baranga, não-popular e etc… Mas não era cego de não ver a beleza que ela, em vão, tentava esconder por trás das roupas folgadas e desalinhadas. Por trás daquela aspereza, ela era uma menina dócil e delicada que sucumbira lindamente em seus braços.

Sorriu.

Deixara aquela marca nela só para a provocar, mas pensar que, num segundo sentindo, simbolizava sua posse, era assustadoramente reconfortante para ele.

Realmente… brincar com ela vai ser não só divertido como… excitante.

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

Miroku fechou a porta do balneário a tempo de se proteger de um sapato voador. Beijar Sango era uma coisa única e inédita! Ela ficara totalmente imóvel, apenas entregando os lábios para ele, e depois negava que havia gostado. Ele também tinha o péssimo hábito de perguntar se ela havia gostado, no fim do beijo. Sempre fizera isso e estava habituado a que as raparigas lhe respondessem com um rubor ou com mais beijos sôfregos.

Nunca com um punho fechado.

Ter descoberto a verdadeira identidade de Krash tinha sido para ele um verdadeiro choque. Tinha partilhado segredos com ele como um verdadeiro amigo. Havia lhe contado o que achava de cada menina da escola, como conseguia levar garotas para a cama com um simples piscar de olho, como fazia batota nos jogos clandestinos com o Vice-director da escola. Tudo! E depois descobrira que aquele rapaz tímido e calado era uma garota a quem tentava, a todo o custo, não dar atenção.

Mas era impossível.

Desde que a vira pela primeira vez ficara encantado pela sua personalidade. De facto, ele passeava pela zona dos não-populares muitas vezes só para a ver. Ela ria graciosamente com as amigas, desconversava como ninguém com os marrões que lhe vinham pedir em namoro e corria como ninguém atrás de Kagome quando ela contava alguma de suas vergonhas quando criança.

Era fantástica, e ele apostava que nem ela mesma sabia disso.

Só precisa de alguém que lhe mostre.

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

Kagome saiu já vestida e fechou a porta. Ao sair do edifício, reparou no pai de Inuyasha que a olhou de soslaio ao entrar para o edifício da directoria.

O que será que foi lá fazer? E porque me olhou daquela forma?

Deu de ombros e foi para o parque de estacionamento, espantou-se ao ver que a moto de Sango já não lá estava. Ela era sempre a última a chegar.

Se calhar aconteceu alguma coisa… Ou então se tocou que era uma lerda e se foi sem mim.

Colocou o capacete e foi para casa, sorrindo. Durante o jantar, estivera atenta ao celular, esperando que Sango lhe ligasse ou mandasse uma mensagem. Levou o celular para o banheiro quando foi tomar banho depois de esperar horas. Quando vestiu o pijama, ainda não recebera nenhuma chamada ou coisa parecida.

Droga, estou ficando preocupada. Ela nunca fica um dia sem me ligar. E eu já lhe tentei ligar muitas vezes, só que ninguém atende. Está desligado. Não me sinto muito bem...

Kagome acabou por adormecer em cima das cobertas amarrada ao travesseiro. Teve um sonho esquisito.

Sonhara que Inuyasha estava num harém, porém, onde deveriam estar mulheres para o satisfazer, estava completamente vazio. Ele vergava uma calça branca folgada e nada mais, deixando seu peito escultural de pele naturalmente morena à mostra. Estava sentado no meio de dezenas de almofadas coloridas e o cheiro de incenso ocupava o ar. Inuyasha fez um gesto de 'vem' com a mão e ela, sem piscar, obedeceu.

Assim que chegou perto dele, ele a deitou e subiu em cima dela, os cabelos prateados caindo em uma cortina à volta dos rostos. Os lábios celestiais dele devoraram os seus num beijo desesperado e as mãos começaram a lhe tirar a roupa. Sem que soubesse como ficara nua, viu-se largada por ele. O hanyou se levantou e, sensualmente, retirou as calças bem devagar, mostrando sua maior prova de masculinidade. Kagome tragou em seco.

Ele voltou a deitar em cima dela e a beijou com fervor, uma de suas mãos atrevidas escapando para um dos seios e a outra desaparecendo entre suas pernas. Kagome gemeu em aprovação e ergueu os quadris com necessidade.

- Inuyasha… - sussurrou.

- Sei amor, sei… - a voz dele estava rouca e muito sensual.

Ele procurou espaço entre as pernas torneadas e, antes de a penetrar, olhou em seus olhos com os orbes incandescentes. Então, fez um movimento para a frente com os quadris.

- AAAAHHHH! - Kagome se ergueu da cama suando fortemente. - Eu… Eu… - suspirou. - Foi só um sonho. Foi só um sonho! - repetiu para si mesma, desviando a franja molhada da testa.

Por amor de deus! Desde quando eu tenho sonhos eróticos com Inuyasha? Devo estar enlouquecendo!

Olhou o despertador e viu que eram apenas…

- Quatro da manhã? - gritou. - Eu estou mesmo enlouquecendo! Mas agora já não vou conseguir conciliar o sono… é melhor tomar um banho beeeem longo… e frio, de preferência!

Escapuliu até ao banheiro e abriu as torneiras para encher a banheira. Enquanto esperava, tirou a roupa cantando uma musiquinha alegre e olhou para o espelho. Seus olhos lindos e azuis ainda estavam turvos de desejo e a maldita marca de Inuyasha era teimosa o suficiente para permanecer em seu pálido e imaculado pescoço.

Idiota. Se pensa que isso vai ficar assim, está muito enganado!

Enfiou-se na banheira e lá ficou durante duas horas, até se vestir e descer para o desjejum.

- Kagome, minha filha, você está bem? - A mãe lhe perguntou ao colocar um prato de torradas e um pote de manteiga em cima da mesa. - Parece… cansada. Não dormiu bem?

- Quem, eu?

- Não. A vizinha do lado. Kagome! Você está mesmo mal! - passou a mão pela testa. - Acho que está com febre.

- Não, não! Eu estou óptima, Mamãe! Sério!

- Hmmm… - a olhou de soslaio por um momento. - Tá. Veja se se cuida!

- Pode deixar! - ela pegou numa torrada e correu para a garagem buscar sua moto.

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

- Porquê. Não. Me. Ligou? - Kagome falou perigosa e pausadamente. Estava mesmo atrás de Sango, nos cacifos, e não estava com muito bom humor. - Eu fiquei preocupadíssima com você, sua amiga desnaturada!

- Ah, sabe o que é? - ela se virou para ela com um sorrisinho amarelo. - Eu só reparei que fui roubada quando cheguei em casa. Quando ia te ligar meu celular já não estava mais na bolsa.

- Bem, ele pode estar no cacifo.

- Já vi e não está.

- Cantina?

- Não.

- Sala de aula?

- Não.

- Moto?

- Não.

- Balneário?

- Hmmm… Ainda não fui checar.

- Está vendo? Pode não ter sido roubo. - Sango fez um gesto de 'como queira'. - Seja como for. - fez um gesto de impaciência. - Por não ter me ligado ontem à noite, já que era a sua vez, eu não falei de baboseiras e tive um de meus piores sonhos!

- Sério? Então foi um pesadelo, sua babaca.

Kagome fez uma careta. - Eu não consegui mais dormir e me enfiei na banheira até ao desjejum.

- Nossa! Foi sério!

- Foi tarado!

- O QUÊ? Como? Onde? Ou melhor: com quem?

- Uh! - ela corou. - Foi… escute, promete que não conta para ninguém e que não vai rir.

- Prometo.

- Foi… - encheu o peito de ar e falou de um fôlego só. - EusonheicomInuyashanumharém.

- Você o quê? Só percebi o seu nome e o de Inuyasha. Eu quero pormenores! - a pegou pelos ombros e chocalhou.

- Não! Não, não, não, não, não! Não vou contar nada! É muito íntimo e constrangedor! - ela quase gritou.

- Mas assim vai se realizar. - comentou ao fechar a porá do cacifo.

Kagome nada disse, ficou lembrando do sonho. Fora tão real, tão quente que ainda sentia a sensação das mãos másculas passando em seu corpo, o hálito quente em sua boca e ouvido, os olhos incandescentes e ferozes,… e a voz rouca dele.

- É isso não é? - Sango a tirou de seus pensamentos.

- Isso o quê?

- Quer que sua fantasia com Inuyasha se realize. - falou com uma naturalidade de quem diz a ementa de um cardápio.

- Não! Não, não, não, não, não! Que ideia! - roborizou-se tanto que se confundia com uma tomate gigante com pernas. - Isso é tudo fachada! Os sonhos nunca se realizam.

Sango deu de ombros e caminharam em direcção à cantina lotada. Ao procurar uma mesa para sentar, Sango olhou a mesa dos populares e viu Miroku aos amassos com uma garota de cabelos brancos, as mãos passando pelas nádegas dela sem que ninguém visse, excepto é claro, ela, que estava vidrada neles. Sentiu uma raiva tão profunda por ambos que quase quebrou o tabuleiro com as próprias mãos. E pensar que ainda ontem tinha sido ela com os lábios esmagados contra os dele.

- Patético! - murmurou.

- Quem? - Kagome olhou na mesma direcção e viu Inuyasha grudado com uma garota parecida com ela. - Oh… pensei que ele tivesse terminado com Kikyou. - viu os lábios dele acariciarem os da jovem e sentiu inveja. Isso e uma tremenda vontade de correr até lá para se enfiar no meio deles e o beijar no lugar dela. Mas quem queria enganar além de si mesma? Ele a odiava.

E eu também! O odeio tanto, mas tanto, mas tanto, que era capaz de virar uma tigela de sopa a escaldar na cabeça dele!

- Kagome! O que faz de pé? - Sango a chamou de uma mesa.

- Ah! - ela caminhou até ela e se sentou. - Desculpe, estava distraída.

- Olhando Inuyasha? - levou uma colher de sopa à boca. - Ou olhando Kikyou?

- Os dois. - Respondeu sem perceber enquanto dava uma mordida no pão. Depois se tocou. - Quer dizer, nenhum dos dois. - corrigiu-se tão de supetão que cuspiu na cara da amiga.

- Sei. - ela limpou a cara com um guardanapo enquanto a olhava fixamente. - Faz muito tempo que não te vejo tão corada. Até sentia saudades. - riu.

- Ah, cala a boca. - deu um tapinha no ombro da amiga e voltaram a comer.

Inuyasha a olhava fixamente, os olhos azuis brilhantes, a boca vermelha que se abria para se alimentar, o rosto corado tal como ele gostava. Pelos risos de Sango, deveriam estar falando de rapazes.

Rosnou. Se ela estivesse de olho noutro rapaz ele o mataria. Quer dizer, … para a segurança dela, é claro. Ele não estava interessado nela, era apenas por puro divertimento. Mas há muitos tarados aproveitadores por aí!

Como ele.

Não que ele fosse tarado, mas tinha o hábito de se deitar com muitas garotas. Ele só a queria proteger de cair na cama de um desses. Ele também não se importaria que ela caísse na sua cama. Pelo contrário. Estava disposto a mostrar de bom grado o que era capaz de fazer entre quatro paredes com uma mulher.

Suspirou. Já sentia seu sangue ferver e uma parte de seu corpo se enrijecer, o obrigando a fechar as pernas por debaixo da mesa. Bastava pensar em Kagome para que seu controle rolasse colina abaixo. Tinha que liberar essa pressão. Se não com Kagome, com outra qualquer.

- Está me ouvindo? - Kikyou o chamou. - Hoje que finalmente nos conciliamos te sinto muito avoado, querido. Alguma coisa errada? - tocou com os dedos os lábios dele.

- Não, não. Nada de nada. Estava apenas pensando. - olhou outra vez para Kagome e fechou os olhos com um grande suspiro. - Quer passar em minha casa logo à noite?

Os olhos de Kikyou brilharam de malícia e luxúria. - Será um prazer.

Ele a beijou languidamente, uma das razões por estar de novo junto com ela, era porque era incrivelmente parecida com Kagome. Excepto talvez na personalidade mesquinha e oferecida e nos olhos frios e castanhos.

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

Continua…

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

Gente, eu quero comunicar que só coloquei esse capítulo porque a minha MELHOR AMIGA pediu. A mãe dela está mal e, para 'combater as forças do tédio em espera de notícias', ela me pediu para postar.

Mas, para além disso, quero que desfrutem da fic, e espero que tenham gostado do capítulo. Obrigada pelas reviews! Muito, mas muito obrigada mesmo!

Beijos para todas e em especial para ti PATRÍCIA E PARA A TUA MÃE!

Ja ne, minna!