Adorados leitores,
Aqui vos deixo mais um capítulo.
Este capítulo faz-me lembrar, que de vez enquando, as mulheres devem dar uma volta de 360 graus nas suas vidas. Uma mudança é sempre bem vinda!:)
Beijocas,
Natalocas
Capítulo III
A Mudança
Depois de um ano de casamento, Edward bateu pela segunda vez à porta do quarto de Bella. Daquela vez, ela ouviu-o. Era sexta-feira à noite e ele chegara tarde a casa, como de costume.
- Isto está a tornar-se um hábito – comentou ela quando ele entrou.
- O facto de te meteres em sarilhos? – inquiriu ele, apoiando-se na parede e tirando a gravata.
- Foi isso que fiz?
A verdade é que Bella descobrira que se divertia ao surpreendê-lo. Pensou que era algo natural sentir-se ressentida com a pessoa que amava quando essa pessoa nem dava pela sua existência, pelo menos, não da maneira que ela queria.
- Devem ter-te informado de que costumo deitar-me no tapete da sala com as hordas dos meus amantes.
A imagem mental de semelhante bacanal fê-la sorrir.
- Não pareces estar a tomar isso muito a sério.
- Só me surpreende que o faças. Não, na verdade, não me surpreende, dado que tu não tens uma boa opinião de mim, pois não?
Ela esforçara-se muito por ser o que ele queria, mas isso não constara para nada quando ela alterara a sua existência confortável. Um pequeno deslize e ele olhava para ela como se tivesse uma doença contagiosa.
- Sempre fizeste o que te pedi – declarou ele, secamente.
Parecia que a última coisa que queria era estar no quarto da sua esposa e isso encheu-a de fúria.
- E agora estás a perguntar-te que mais terei feito fora disso, não é?
- Comecei a perguntar-me quando a mulher com quem me casei começou a comportar-se como uma adolescente, rebelando-se por qualquer coisa. Estás a actuar de forma diferente.
- E tu sabes como eu sou?
- Tenho pena de que não tenhas podido rebelar-te quando o fizemos todos nós, mas não pretendo transformar-me no objecto da tua agressão infantil. Não me sinto nada paternal em relação a ti.
- Quando me casei contigo, não estava à espera de uma figura paternal!
Bella desejou que ele não perguntasse o que ela procurava. Não queria que Edward conhecesse os seus motivos.
- Não, tu estavas à procura de segurança, o que é compreensível. Mas agora estás a descobrir que há mais coisas na vida. A excitação e o sexo…
- Como te atreves a falar-me dessa maneira?
- Atrevo-me porque a nossa vida nesta casa só funciona porque aceitámos certas limitações – declarou ele, brutalmente. – É um equilíbrio muito delicado e quando começas a namoriscar com sedutores franceses…
- Suponho que James deve achar esse estereótipo muito agradável – replicou ela, furiosa. – Se não tivesses tentado dirigir a minha vida, Edward, ele nem sequer teria tentado vir cá. Vais sentir-te aliviado por saber que não era o meu corpo que ele queria, mas claro que tenho a certeza de que isso nem te passou pela cabeça. Jogaste pelo seguro quando te casaste comigo, não foi? Escolheste a mulher menos atraente que tinhas ao teu alcance com a ideia de que, sem te importares muito comigo, ninguém se iria interessar por mim!
- Se esse James não veio para isso, para que é que veio?
- Quer que me licencie em francês.
Ele riu secamente.
- Isso é mais original do que tentar mostrar-te os seus quadros.
- Porque é que achas engraçado? Achas que sou demasiado estúpida? – inquiriu ela, com os dentes cerrados.
- Bom, agora não estás a portar-te como uma verdadeira intelectual, pois não?
- É assim que vês as coisas? – perguntou ela, e começou a passear pelo quarto. – Como me estou a comportar, Edward?
- Demasiado emocionalmente, irracionalmente…
- E, no entanto, tu és o perfeito exemplo da razão e do bom senso, não és? Bom, tenho uma notícia para ti, não só não vou deixar de ir à aula de francês, como faço intenções de tentar ver se posso ir mais longe.
Se ele não a tivesse pressionado, não tinha a certeza de que tivesse tomado aquela decisão. Ironicamente, tinha sido a atitude dele que a tinha levado a fazê-lo.
- Tenho a certeza de que isso de chegar mais longe era exactamente o que o James tinha em mente. Só que és minha esposa!
- Deus do céu! Espero, pelo bem dos teus clientes, que tenhas argumentos mais originais do que esses nos julgamentos.
- Podes dizer o que quiseres, mas isso não altera os factos – replicou ele, furioso.
Tinha estado inclinado a não fazer caso das histórias de Sasha e, até ter entrado no quarto de Bella, esperara encontrar uma explicação razoável. Sentira-se irritado pela necessidade de a confrontar depois de um longo dia de trabalho.
Longe de dissipar as suas suspeitas, a atitude de desafio dela tinha-lhe deixado muito claro que era capaz de arruinar o seu acordo matrimonial com o seu comportamento tresloucado. Os habitualmente calmos olhos azuis dela tinham-se tornado quase verdes pela fúria. Era um caso clássico de águas calmas á superfície, mas com turbulência nas profundezas. E ele não precisava de turbulências. O que queria era sossego e eficiência. Não queria saber nada das paixões de Bella e queria que as coisas voltassem à normalidade. Queria chegar a casa no fim do dia e ter a certeza de que ela se encarregara da casa com toda a sua eficiência e de que as crianças estivessem contentes e de que ninguém lhe faria exigências emocionais. Não tinha percebido ainda o muito que se apoiara naquele pequeno oásis de paz até que, inesperadamente, vira-se privado dele.
- Há momentos em que podes mudar de opinião – informou ela, virando-lhe as costas. – Podemos divorciar-nos. Inclusive, podemos pedir uma anulação!
Então, virou-se e olhou para ele, cheia de inspiração.
- Não é como se já tivéssemos… já sabes.
- Não te esqueças que assinaste um acordo pré-nupcial…
Edward pensou, impressionado, que ela estava a falar a sério.
Mas ela interrompeu-o com um gesto imperativo.
- Isso não me importa.
A verdade era que a única coisa que lhe importava naquele momento era sair daquela situação. Estar casada com um homem pelo qual estava apaixonada, um homem que pensava nela como se fosse um objecto assexuado. Tinha sido uma parvoíce pensar que ela poderia suportar aquilo.
Edward pestanejou, ao pensar na quantidade de dinheiro que tinham acordado se ela ficasse com ele até Seth ter dezasseis anos.
- E as crianças?
- Essa é a melhor parte – declarou ela, entusiasmada, desejando que ele visse a lógica de tudo aquilo. – Eu posso continuar a tomar conta delas. Quando Seth começar a ir à escola, eu poderia ir à faculdade. Eu nunca as magoaria, Edward.
- Então, sou eu o único de quem tu não gostas?
A ironia da situação não a divertia. Uma das razões pelas quais Edward casara com Bella fora porque tinha querido ficar longe do alcance das mulheres que se tinham atirado a ele, assim que saíra do funeral de Tanya. Evidentemente, para ela era mais fácil resistir aos seus encantos.
- Eras melhor patrão do que marido – explicou ela. – E tens que admitir que eu, como esposa, tenho sido um verdadeiro fracasso. Enervo-te, envergonho-te e tenho um gosto horroroso para me vestir…
- Isso de ter um gosto horroroso para se vestir não é motivo para o divórcio, desde a última vez que consultei a lei.
- Mas a consumação é causa para uma anulação.
- Então, vamos anular o nosso casamento e depois vais voltar a trabalhar como ama, é isso?
Dito por ele, a ela pareceu-lhe menos prático do que pensara. Anuiu, mas com menos segurança.
- Estás sob alguma medicação que eu não saiba? – inquiriu ele, com interesse.
Ela sentou-se na extremidade da cama e suspirou.
- Talvez não fosse isso que tinha exactamente em mente, não precisas de ficar sarcástico. Estava a tentar ajudar.
- Então, espero que tires da cabeça isso da anulação. A não ser que as duas partes cooperem, é difícil comprovar, a menos que tu sejas… Deus do céu!
Edward interrompeu-se e olhou para ela, surpreendido, antes de acrescentar:
- És, não és?
Quando o disse, fez uma expressão que ela, em outras circunstâncias, teria achado engraçada.
- E se o for? – replicou ela, beligerantemente.
Ser virgem na idade avançada de vinte e três anos era bastante vergonhoso e ela era muito susceptível sobre o assunto.
- Não tinha pensado nisso – admitiu ele, debilmente. – Porque é que não disseste nada?
- Não é relevante, pois não?
- És uma maldita bomba!
Edward bateu com a cabeça na parede.
- Desculpa?
Ele afastou a cabeça da parede e olhou para ela.
- Tu tinhas vinte e dois anos – explodiu, com a voz cheia de ressentimento. – Eu, naturalmente, dei como certo que já terias ido para a cama com alguém e que ao te casares comigo estarias a fazê-lo como uma pessoa madura. A sério que achas que teria sugerido este acordo se tivesse sabido que ainda não tinhas explorado a tua própria sexualidade? Agora sei porque é que estás a actuar tão irracionalmente, as tuas hormonas apoderaram-se finalmente de ti. Dentro de pouco tempo vais estar pendurar posters de bandas de rapazes n quarto!
Edward fechou os olhos e estremeceu-se ao pensar nisso.
- As minhas hormonas ou a falta delas não têm nada a ver com isto. Tu não confias em mim!
- Confiar em ti? Confio em ti como em qualquer adolescente que esteja a experimentar o sexo. E todos sabemos como são de fiar!
- Eu não estou a experimentar o sexo! Não gosto nada que penses que não sou uma pessoa capaz de tomar conta das crianças.
- Bem sei que te importas com as crianças. Não é esse o problema de que estamos a falar. Cresceste demasiado depressa, Bella. Não tiveste a oportunidade de seres egoísta.
- Agora sou egoísta!
- Diz-me, o que é que estavas a fazer quando os outros jovens eram irresponsáveis e selvagens? Quando experimentavam a sua liberdade e a falta de responsabilidade? Queres que te diga? Tu estavas a lutar para pagar um miserável sítio onde dormir e para ter dinheiro para comer. Depois, estudaste para poder ganhar a vida e trabalhavas ao mesmo tempo para poderes pagar as despesas. Perdeste toda a juventude. Por isso, porque é que me vou surpreender se quiseres recuperá-la?
A peculiar recriminação contra si mesmo que se lia na sua voz era mais surpreendente do que as suas acusações irracionais.
- Como sabes…? – começou a dizer ela, confusa pela evidente precisão da imagem que as palavras dele tinham reflectido.
- Lembra-te de que chegaste a esta casa como empregada. Eu vi as tuas referências e não me foi difícil imaginar a vida que levaste. Conheci muita gente que começou assim e é um caminho que leva muitas vezes para o outro lado da lei. Nem toda a gente é decidida e honesta como tu.
A impressão de imediata flexibilidade que ela lhe transmitira fora a razão pela qual não reparara no seu carácter forte. Agora suspeitava que iria pagar por isso… Já estava a pagar!
- Se pensas isso, porque é que duvidas da minha habilidade para cumprir as minhas obrigações com as crianças?
Curiosamente, a avaliação que fizera do seu carácter surpreendera-a. Estranhamente, fazia-a sentir-se com mais liberdade para se comportar normalmente diante dele, por isso, acrescentou:
- Assumi um compromisso e não vou fazer nada que o prejudique.
- Dizes isso agora, mas se te apaixonares? Onde ficará o nosso acordo?
- Não é possível.
- Uma frase como essa só mostra a tua inexperiência – replicou ele.
- E tu? Também te podes apaixonar.
- Já o fiz. O que estou a tentar dizer é que tu ainda não o fizeste.
- Quem disse isso?
- Queres dizer que não és…?
- O facto de me apaixonar por alguém não implica necessariamente ir para a cama com ele. Eu apaixonei-me por alguém que não está disponível.
- Quando foi que isso aconteceu? Ou melhor dito, quando foi que não aconteceu?
- Há anos – replicou Bella, seriamente.
- É casado? – inquiriu ele, passando pela mente todos os casados qe tinham mostrado algum interesse pela sua esposa.
- Não quero falar disso.
- Eu conheço-o?
- Os meus pensamentos privados fazem parte da minha vida que não podes controlar.
- Eu não tento controlar-te! – exclamou Edward, horrorizado.
- Foste tu quem cancelou as minhas aulas de francês.
- Estivemos de acordo…
- Tu estiveste. Como a maior parte das decisões que se tomam nesta casa, foi estritamente unilateral.
- Não pensei que te importasse. Não fazia tenções de te coagir.
- James gostaria de saber que não vou parar de ir às aulas – declarou ela, em desafio.
Uma expressão de admiração escondida apareceu no olhar de Edward.
- Parece que ele pensa que és a sua melhor aluna.
- Quem sou eu para o discutir?
- Nunca percebi porque é que as mulheres gostam dos tipos como ele. É demasiado bem parecido… - comentou ele, desgostoso.
Bella ficou de boca aberta e o seu lábio inferior começou a tremer-lhe. Edward ter-se-ia olhado ao espelho recentemente? Ele era mais atraente do que James!
- O quê? O que foi que disse agora?
Quando Edward saiu do quarto a abanar a cabeça, Bella estava deitada de barriga para baixo na cama, a rir como uma doida.
Tinha passado uma semana desde aquela tarde. Uma espécie de normalidade reinava novamente entre eles. Bella já não tinha os arranhões mais evidentes e tinha voltado às suas aulas de francês, às quais Mike já não assistia.
Então, tinha um casamento sem amor. Pensou que as pessoas sobrevivam com coisas piores. Era uma questão de manter uma atitude positiva, por isso, decidiu cancelar o encontro que tinha com Jessica para ir às compras e foi ao cabeleireiro, onde pediu que lhe fizessem algo diferente ao cabelo. Queria parecer uma mulher segura de si mesma na festa que iria naquela noite com Edward. Mas quando viu o monte de cabelo que caía ao chão, começou a arrepender-se das suas palavras. Quase não se atreveu a olhar-se ao espelho quando o cabeleireiro acabou, mas ao fazê-lo, não quis acreditar na transformação que sofrera.
Cortara acima do ombro e agora o cabelo estava solto à volta do seu rosto.
- Estou diferente.
- Sempre soube que tinha potencial – replicou o cabeleireiro.
Enquanto caminhava pela rua, não parou de dizer a si mesma que tinha potencial. As vezes que se olhou nas montras confirmaram-lhe que assim era. Nunca seria bela, mas poderia ser bonita.
Numa das montras viu um vestido que lhe chamou a atenção. Depois de um momento de dúvida, entrou na loja.
Sem o apoio da vendedora nunca se teria atrevido a vestir um vestido daqueles.
Quando se olhou ao espelho, ficou surpreendida. Nunca pensara que poderia ser tão sensual!
O vestido era da cor do rubi, de seda, sem mangas e curto. Era o vestido mais simples que vira em toda a sua vida.
- Normalmente, uso mangas – explicou à empregada. – Tenho os braços muito magros.
- Está doida? Eu mataria para ter os seus braços e o seu pescoço, tão parecido com o de Audrey Hepburn. Mas imagino que deve ser demasiado nova para saber quem ela é.
Bella sorriu.
- Vi todos os seus filmes.
Quando mais tarde tirou o vestido do saco, no seu quarto, disse para si que deveria ter endoidecido. E se Edward não gostasse? E se lhe pedisse para trocar? E se…?
Agitou a cabeça decididamente. Provavelmente, ele nem daria por nada.
Isso fê-la decidir-se a vesti-lo.
- Desculpa se me atrasei – disse, quando entrou na sala.
Ficou contente por ter calçado sapatos de salto alto, que a faziam parecer mais alta e decidida.
Edward era do tipo de homens a quem ninguém confundiria com um empregado quando se vestia formalmente.
Ele levantou o olhar dos documentos que estava a ler e olhou para o seu relógio.
- Só por cinco minu…
Então, olhou para ela e ficou gelado. Percorreu-a de cima a baixo com o olhar, duas vezes.
- Cortaste o cabelo – declarou finalmente.
- Um impulso – replicou Bella, nervosamente.
Reparara, mas era impossível dizer pela sua expressão se gostara ou não da mudança.
- Jessica ajudou-te a escolher o vestido? – inquiriu ele.
- Não.
- Nota-se – replicou ele, enquanto abria a porta principal.
Edward podia ser frustrantemente enigmático, às vezes.
Rosalie Hale e o seu esposo, Emmet, um casal que tinha mais dez anos do que Edward, eram os seus melhores amigos e tinham sido os primeiros a serem convidados para a sua casa quando se tinham casado.
Bella tinha preparado tudo para que fosse um serão perfeito, mas durante o jantar não tinha falado muito porque a maior parte da conversa tinha sido sobre assuntos profissionais. Rosalie e o seu marido também eram advogados.
- É uma solução muito permanente, Edward – tinha dito a mulher.
- Eu sei o que estou a fazer, Rosalie.
- Sim? Não sei. As crianças não vão ser pequenas para sempre e terão que ir à escola. Já sei que tu não gostaste de estar num colégio interno, mas mudarás de opinião quando chegar o momento e, não me importa o que as pessoas dizem, o colégio interno dá carácter. Ela é muito agradável, mas quando penso em Tanya… Sei que nem tudo correu bem, mas todos temos as nossas diferenças. Isso é o que torna interessante o casamento. Tanya era tão viva e espontânea e ela é tão aborrecida… Desculpa, prometi a Emmet que não dizia nada!
- Acho que deverias fazer caso ao teu marido, Rosalie – declarou Edward.
- Já sei, mas dado que comecei, não me importo de continuar. Vocês não têm nada em comum. As coitada da rapariga nunca teve nada a ver com as pessoas como nós.
- Pessoas como nós… Nunca pensei que fosses snobe, Rosalie.
- Não tenho a certeza de que tenhas feito o correcto ao casar com ela. Estava muito desconfortável esta noite e tive pena dela.
- Não reparei que tinhas pena, dado que não paraste de falar de Tanya toda a noite.
- É natural que pense nela. Vocês faziam um bonito casal. Ela era da tua classe social, Edward, não sei como pudeste…
- Pode ser que Bella não tenha desfrutado das nossas vantagens sociais e intelectuais, mas é brilhante, inteligente e razoável.
Rosalie Hale suspirou.
- Sim, mas é tão aborrecida!
- É a minha esposa.
Isso dissera Edward, não com orgulho, mas como se constatasse um facto. Parecia um homem que tinha abandonado qualquer esperança.
Depois, quando voltaram a encontrar-se, Bella não conseguiu deixar de se lembrar daquele tom de voz resignado. Mas naquela noite não seria assim, ela estava mais segura de si mesma e tinha aprendido alguns segredos sociais. Continuaria a ser de outra classe social para eles, mas ela aceitava-os.
Edward não disse mais nada até que estiveram diante da mansão iluminada dos Hale, mas mesmo naquela altura, foi ela quem teve que falar primeiro.
- Terei a maquilhagem borrada? - inquiriu, ao ver que ele não parava de olhar para a boca dela. – Pintei os lábios de vermelho, mas pensei que tinha conseguido tirar quase tudo.
- Deixa-me ver – respondeu ele, fazendo com que ela levantasse o rosto. – Só à uma maneira segura de tirar o batom, pelo que sei.
- Qual é?
O sensual movimento dos lábios dele sobre os dela fez com que se esquecesse imediatamente de tudo o resto. Depois, as mãos dele acariciaram-lhe o cabelo e um calafrio percorreu-a até aos pés, e teve que se apoiar no seu peito sólido para não cair ao chão.
- Missão comprida – murmurou ele, ao afastar-se.
Os seus olhos pareciam mais escuros do que o habitual, quando olhou para os lábios dela, que tremiam.
Bella quase que não reparou que a porta se estava a abrir.
- Obrigada – murmurou.
- Foi um prazer.
- Terá sido? – inquiriu ela, a sorrir educadamente, quando a sua anfitriã apareceu na porta.
- Definitivamente.
Depois, olhou para ela pela última vez antes de se dirigir afectuosamente para a dona da casa.
- Rosalie, querida, estás maravilhosa.
- Obrigada, Edward, meu querido, mas sei quando me superam – declarou, a olhar para Bella. – Coitado do Emmet, receio que a sua tensão arterial lhe irá dar problemas esta noite. Estás espectacular, querida.
Edward agarrou Bella pela mão e os dois entraram em casa.
- Não é verdade?
A sério que ele pensava isso, ou estaria só a ser bem-educado?
Não conseguiu deixar de se sentir elogiada pelos comentários. Jessica esteve um pouco crítica em relação ao seu aspecto e Bella não resistiu à tentação de dizer que Edward tinha gostado do seu vestido.
- É um homem querida, e eles sentem-se notoriamente atraídos pelo… vulgar. Desculpa – declarou, a rir. – Escapou-me. Não faças essa expressão, Bella, também não tens muito para mostrar.
- Não tanto como tu – replicou ela, e arrependeu-se imediatamente das suas palavras. – Não deveria ter dito isso.
- Se não o pode suportar, que não tivesse criticado primeiro.
A voz de Edward atrás dela surpreendeu-a.
- Estavas a ouvir?
- Não foi intencional. Já dançaste com todos os outros – declarou, enquanto uma melodia suave invadia o salão. – Acho que é a minha vez.
Agarrou-a pelo braço e ela disse:
- Não sabia que dançavas.
- Para mim também é novidade que o faças. Se é que se pode chamar dançar às voltas tão sensuais que tens estado a dar toda a noite.
Sensual, ela? Os seus olhares encontraram-se, não pela primeira vez naquela noite, mas desta vez não estavam separados pela pista de dança.
- Nunca aprendi a dançar apropriadamente – explicou ela, quando Edward lhe passou a mão pela cintura.
- Então, deixemos os passos difíceis para quem sabe. Segue os meus passos, depois desta noite não podes negar que tens ritmo.
Para ela, a proximidade de Edward era como uma droga poderosa que lhe fazia a cabeça andar à roda mais do que o vinho que tinha bebido durante todo o jantar.
As suas pernas apertavam-se contra as poderosas coxas dele, enquanto se movimentavam pela pista de dança. Dançavam muito juntos e ela passara uma mão pelo pescoço dele.
Edward desceu a cabeça e disse:
- A que é que cheiras? Não identifico o perfume.
- Provavelmente a champô, eu não tenho perfumes caros.
De repente, quase tropeçou quando ele deslizou a sua mão pela sua cintura e apoiou-a no traseiro.
- Estes saltos altos… - explicou, a rir.
Estaria ele a fazer de prepósito? E se assim fosse, quando acabaria?
- Tens umas pernas muito bonitas.
De alguma maneira tinha conseguido que ela metesse uma perna entre as dele. Assustou-se quando notou a evidência da sua excitação.
- Seriam bonitas se fossem mais compridas.
- Não tem nada de mal ser-se pequena, mas perfeitamente formada.
- Se estiver de acordo contigo, parecerei vaidosa e, se não, serei uma sonsa.
O esforço de parecer fria apoderou-se dela e apoiou a cabeça no peito dele.
- Estou um pouco cansada – murmurou.
- Vamos para casa.
- Agora? Ainda é cedo.
- Não me apetece nada assistir ao espectáculo de alguns homens maduros a namoriscar com a minha esposa.
- Estás a sugerir que os animei a fazê-lo?
- A transformação que sofreste deve ser bastante intoxicante. Não te posso culpar se gostares de namoriscar. Receava que isso pudesse acontecer.
- Não sei do que estás a falar.
Ele fitou-a nos olhos.
- Já sei. Vamos despedir-nos.
Emmet Hale acompanhou-os até à porta. Colocou um braço sobre os ombros de Bella e ela sentiu o cheiro a álcool da sua respiração. Ela não se importou, dado que ele era um bêbado amigável.
- Não parei de lhe dizer que está linda – declarou ele, dando uma palmada nas costas de Edward. – És um tipo esperto e sabes o que queres. Como disse a Rosalie, ninguém sabe o que acontece atrás de portas fechadas. Nunca pensei que fosses doido.
- Isso é um elogio? – inquiriu Edward. – Bem, temos que ir embora.
- Sim, gostaria de estar no teu lugar.
Bella riu enquanto se dirigiam para o carro. Estava decidida a mostrar que ela não se estava a preocupar pelas divagações do seu amigo.
- Parece que Emmet acha que vamos cedo para…
- Para fazer coisas atrás das portas fechadas. Uma ideia maluca – replicou Edward.
- E já bebeu demasiado.
Edward não estava a rir, nem sequer sorria.
- Não deixes que esse aspecto te engane. Já o vi a ganhar ao póquer depois de ter bebido uma quantidade de álcool que teria afundado um submarino. É um homem muito perspicaz.
Bella decidiu que seria um erro pensar que havia algo mais naquela frase… mas foi o que pensou.
Fim Do Capítulo III
