-"O que tu fizeste hoje foi muito importante para mim." – Hermione pensava nesta última frase de Draco, sem saber o seu verdadeiro significado.

Importante como? Ela simplesmente fez o que deveria ser feito. E ela achava estranho o facto de ele dizer "importante para mim".

- "Se calhar nem os amigos faziam isso por ele, por isso teve tanto significado o que aconteceu." – dizia Hermione para o seu gato, Crookshanks.

Eram 6 horas da tarde, Hermione encontrava-se no dormitório a arrumar uns livros que tinha necessitado no dia anterior. Estava cheia de sono, tinha acordado cedo para fazer as suas funções de chefe de turma e para ter uma reunião no que se iria realizar na véspera de Natal. Não tinha parado um segundo nesse dia. Hermione nem queria acreditar que iria haver outro baile de Natal como aquele que aconteceu no 4ºano.

- "Só espero que este ano não tenha toda a gente a olhar para mim…mas também não irei com ninguém importante, como o Viktor Krum…pelos meus cálculos nem vou ao baile."

Hermione sentou-se na cama. Este ano todos iriam reparar nela, sim…mas como a rapariga do 6ºano que não foi ao baile por não ter par. No 4ºano foi tudo muito diferente. Krum chegou ao pé dela e pediu-lhe para ser seu par, mas agora nada disso iria acontecer. Desta vez nem Ron poderia ser o seu par. De certeza que ele iria com Cho Chang, a sua amada.

Saiu do dormitório, desceu as escadas e reparou na sala comum. Encontrava-se vazia, a excepção de ter alguém sentado junto da lareira…esse alguém era Ron.

- "Olá Hermione. Por aqui? Pensei que tivesses na biblioteca a estudar ou a fazer outra coisa." – disse Ron, olhando para Hermione

- "Não…estava a arrumar umas coisas no dormitório. Já fiz todos os trabalhos que tinha para fazer. E tu que estás a fazer aqui, sozinho?"

- "Estava a queimar tempo para depois ir ter com a Cho. Ela está neste momento a ter explicações de transfiguração. E tu, onde vais?"

- "Amanhã posso ir ter contigo ao lago? Queria falar contigo sobre o que aconteceu…sei que é estranho isto tudo…mas preciso de desabafar…mas não contes a ninguém, pois sei que todos vão impedir que venhas."

Hermione lembrou-se do que Draco dissera e dirigia-se para o local. "Não contes a ninguém", foi o que Draco pedira, mas não disse para ela não dizer que tinha um encontro com uma pessoa no lago. Como ela adorava picar Ron e para ele perceber que o relacionamento com Cho não estava a prejudicar-lhe (o que era mentira), disse:

- "Vou ter um encontro com uma pessoa junto do lago. Por isso não me posso demorar. Adeus Ron, vemo-nos por ai."

E Hermione desapareceu pelo buraco do retrato da Dama Gorda, deixando Ron com dúvidas na cabeça.

Seria mesmo bom ir ter com Draco? Não seria alguma cilada que ele andava a preparar? Se assim fosse tinha a sua varinha no jeans, se acontecesse algo estava prevenida para ver Draco sofrer. Mas ia arriscar e por isso seguiu para o lago.

Chegando ao destino não encontrou sinais de Draco. Como não tinham combinado horas, sentou-se junto a árvore, encostando-se a esta. Mesmo se ele não aparecesse, pelo menos desfrutava do seu local preferido.

Os seus olhos pesavam e Hermione não aguentou o sono, por isso fechou os olhos e acabou por adormecer.

- "Quem és tu?"

- "Sou aquele que te salvou, aquele que teve pena de te ver morrer. Salvei-te…nada mais."

- "Obrigado!"

- "De nada Granger"

Hermione acordou sobressaltada. Encontrava-se à mesma junto do lago, mas já era de noite. Tinha sonhado de novo com o que tinha acontecido na batalha. Isto já estava a passar das marcas. Olhou para os lados e não encontrou Draco.

- "É mesmo parvo aquele rapaz…que raiva. Ele como sempre estava a gozar com a minha cara. Disse para eu aparecer aqui e ele não veio. Agora quem o vai matar sou eu…que NERVOS." – gritava Hermione, enervada.

- "Antes de estares aí a resmungar e a deitar faíscas por todos os lados, deverias olhar para todos os lados mesmo…para baixo e para cima. Sabes que não é só a esquerda e a direita que existem." – dizia Draco, deitado num ramo em cima de Hermione.

- "Como é que eu iria adivinhar que és trepador de árvores? Há quanto tempo estás ai?" – perguntou Hermione sentando-se de novo junto da árvore.

- "Estou aqui já algum tempo. Quando cheguei aqui, estavas a dormir e a falares durante o sono, parecia que estavas a sofrer por algum feitiço. Eu queria acordar-te, mas pensei que o melhor era esperar tu acordares."- dizia Draco saltando do ramo e sentando-se junto de Hermione.

- "Estava a ter de novo o sonho, sobre o que aconteceu na batalha final. Cada vez estou a ter o sonho com mais frequência, parece tipo, um sinal de algo, para me avisar de algo. Não sei bem, o que está a acontecer."

- "Mas o que aconteceu de facto? O que acontece no teu sonho?"

Hermione nem queria acreditar no que ia fazer, mas também que mal tinha em falar, em desabafar. Harry e Ginny andavam ambos ocupados e Hermione não os queria chatear mais, por isso contou tudo a Draco.

Quando acabou encostou a sua cabeça a árvore, pensando: "disse tudo, vamos ver o que vai dizer?"

- "Ok…essa pessoa foi corajosa. Salvou-te e prejudicou a sua vida, pois matou alguém. Não sabes, quem é? Não suspeitas de alguém?"

- "Não faço a mínima ideia. Quer dizer, eu suspeitei do Neville, pois ele ontem tinha uma característica idêntica ao do tal rapaz e ainda por cima agia de uma maneira suspeita".

- "O Neville? Tu estás doida, Granger? O Neville nem uma aranha consegue matar. Achas que ia matar a Bellatrix? Mas agora diz me uma cena, para quê que queres descobrir quem te salvou?"

- "Para quê? Malfoy, ele salvou-me a vida! Quero agradecer-lhe…quero saber o porquê de ele ter estragado a vida dele por mim. E eu não vou descansar enquanto não saber quem foi."

- "Ok…bem Granger…eu…queria dizer que …"

- "HERMIONE GRANGER, O QUE ESTÁS A FAZER COM ESTE IMBECIL? ESTÁS SOB O FEITIÇO IMPERIUS? MALFOY O QUE FIZESTE A ELA?"

Hermione nem queria acreditar que Ron estava ali. Pelos vistos o que ela tinha dito, mexeu-lhe os miolinhos. Fazia-lhe confusão. Ela nem queria acreditar.

- "Oh doninha malcheirosa, vai-te embora? Ok? Pode ser? Ela está aqui por livre vontade, não está sob efeito de nenhum feitiço. Qual é o mal de eu estar a falar com a Granger?"

- "Qual é o mal? Hermione o que se passa contigo? Estás louca? Estás a falar com este palhaço? O que tens? Basta este palerma ser simpático e influencias-te logo? Realmente vais pelas conversas de todos."

Hermione despertou do seu encanto para cair no inferno. Ron achava isso dela? Achava que ela influenciava-se em quem é simpático, que dava conversa a todos? Que raio de ser ele pensava que ela era? Uma vadia? Pelos vistos Ron, não sabia o que ela era de facto e ela estava a perder o seu tempo em quem não a amava e que nem sabe quem ela é. Por isso, levantou-se e pôs-se frente a frente a Ron.

- "Olha Ron, para tua informação eu estou muito acordada, não estou sob nenhum efeito de nenhum feitiço. Se estou a falar com o Draco, é porque eu quero e tu não tens nada a ver com isso."

- "Já o chamas de Draco? Então e agora qual vai ser o próximo passo…Draquinho? Nem acredito que estás a dar trela a este palerma."

- "Eu simplesmente estou a falar com uma pessoa, nada de mais! E o que tem chama-lo de Draco? Eu chamo-o como quero. Queres que o chame de Draquinho? Eu chamo! Não tens nada a ver com isso. E aqui o único palerma que existe és tu…com esta mania que mandas em tudo. Tu não mandas em mim! NÃO MANDAS! Se quiseres, podes mandar na Chag, mas em mim, não mandas…e eu não vou fazer o que queres. Acabou Ron…acabou o tempo em que eu fazia algo para te ver a sorrir. Acabou o tempo em que eu gostava de ti. Tu mudaste e eu também mudei. Acredita que já não sou aquela inocente, que tinha como adoração o Ron Weasley. Agora vai-te embora, Ron. Vai embora! Deixa-me. VAI"

Ron olhava incrédulo para Hermione e decidiu ir-se embora. Deixando Hermione e Draco de novo sozinhos. Draco estava estupefacto com a reacção de Hermione e no que ela tinha dito a Ron. Por sua vez, Hermione estava triste por Ron ter dito aquilo sobre ela. Nunca pensou em estar tão decepcionada com ele. Sentou-se de novo junto de Draco, mas não aguentou mais e começou a chorar.

- "Granger, não chores a sério. Eu sei que é o melhor para libertar todas as cenas que te incomodam, mas o Weasley não merece."

- "Tu não percebes Draco…nunca pensei que ele dissesse uma cena daquelas, percebes?"

Draco pensou se deveria fazer aquilo, mas ela também ajudara-o quando ele precisou. Por isso colocou o seu braço de volta de Hermione.

Hermione estava demasiado perturbada e aceitou o consolo de Draco. Encostou-se a ele a chorar e ficaram ali abraçados, tendo as estrelas e a lua como companhia.

- "Isto é estranho, sabes? Nunca pensei estar aqui abraçado a ti! A ver-te a chorar e tu já me viste a chorar. Se alguém dissesse que isto ia acontecer eu tinha morrido de tanto rir."

- "Pois…eu também acho isto estranho… - Hermione sentou-se e olhou para Draco - … Malfoy, porque estás a agir assim? Porque não gozas comigo e com os meus amigos como sempre fizeste? O que andas a tramar? Por que estás diferente?"

- "Granger aconteceu várias coisas que me mudaram…sei que fui muito sacaninha no passado e às vezes continuo a ser, mas em menor escala. Mas fica descansada que não estou a gozar contigo. Acho mesmo que podes ser a amiga que eu nunca tive. Vi que o Potter e os outros gostavam muito de ti e por isso decidi ver pelos meus olhos. E fico feliz por saber que afinal és uma pessoa espectacular."

- "Queres a minha amizade? O que se passa contigo?"

- "Eu disse que queria desabafar, pois bem…aqui vai…desde que salvei Dumbledore o meu pai deserdou-me e pôs – me fora de casa. Depois de saber que fiz algo tenebroso, algo para ajudar alguém do lado bom, o meu pai decidiu esquecer que tinha filho e disse que se me via que me matava…"

- "O QUÊ? O teu próprio pai, quer matar-te? O que fizeste? Que tipo de pai tens?"

- "Um pai que afinal só se interessa pelos seus objectivos e que não ama ninguém. Pensei que o meu pai fosse alguém decente. Eu não me importava que ele gozasse com as outras pessoas e que as espezinhasse. Isso sempre me deu graça. Sabia que o meu pai era mau, mas que era sempre um bom pai para mim. Mas agora a minha opinião mudou. O meu pai não gostava de mim. Simplesmente estava a criar alguém para ser lhe útil quando crescesse…alguém que iria fazer o que ele mandasse. Mas isso não aconteceu Granger. Não quero ser como o meu pai…e por isso fiz o oposto que ele queria. O meu pai era um herói para mim e agora não é nada."

- "E a tua mãe? Ela pelo menos gosta de ti, certo?"

- "A minha mãe sempre gostou de mim. Eu sou o menino dos seus olhos, como ela diz. Mas ela agora está com medo do meu pai e está a afastar-se de mim. Tornou-se uma fraca. Ela está a afastar-se de mim para não perder toda a riqueza do meu pai. Prefere o ouro do que o próprio filho. A única pessoa que agora me protege é o Dumbledore, pois o meu pai não descansa enquanto não por a varinha apontada para o meu coração. O meu pai anda aí ao monte a fugir dos dementors e a tentar recrutar pessoal para venerar o novo senhor das trevas…ELE. É mesmo triste, ninguém vai na cantiga dele. Acho que toda a gente quer paz."

- "Por isso ontem estavas a dizer que as únicas pessoas que adoras tão a afastar-se, mas quem é a segunda? De certeza que não é o teu pai."

- "Não é o meu pai…é outra pessoa que estou a gostar…nunca pensei amar essa pessoa, como a amo…ironias do destino. Ela demonstrou ser tudo aquilo que queria na vida. E vou lutar por ela."

- "Ahhhhhhhhh…já percebi…estás apaixonado…nunca pensei que te apaixonasses por alguém."

- "Nem eu, Hermione" – Draco levantou-se e puxou Hermione.

- "Temos que ir…já é tarde. Já todos devem estar a dormir. É bom desabafar. Obrigado Granger."

Hermione começou a rir-se. Draco olhava para ela, surpreso.

- "Desculpa, mas já viste…que isto está uma confusão…ora chamas-me Granger, depois Hermione…eu sinceramente também não sei o que chamar-te".

- "Eu chamo-te Granger…prefiro…sempre te tratei assim…agora tu, podes me chamar Draco, não me chames pelo nome do imbecil do meu pai, por favor."

- "Ok"

Ambos seguiram para a entrada do castelo. Já lá dentro, seguiram ambos para os seus destinos. No pátio, que separa os caminhos para a torre dos Griffindor e torre dos Slytherin, Draco e Hermione pararam e olharam um para o outro.

- "Obrigado por tudo, mais uma vez. Depois a gente se vê por ai."

- "Também quero agradecer-te por me teres ouvido e aturado o meu choro e o meu desabafo."

- "De nada…era o mínimo que podia fazer…outra coisa, Granger…perdoas-me pelos meus erros do passado? Posso contar com a tua amizade?"

- "Sim …podes. Mas Draco, já sabes se isto for algum tipo de cilada não vais sair impune. Mas perdoo-te pelos teus erros, pois errar é humano.

Draco seguiu para junto de Hermione dando-lhe um beijo no rosto…um beijo demorado, mas de respeito.

- "Adeus, boa noite."

E ambos foram para os seus destinos.