Capitulo Quatro
O clima dentro de casa havia se tornado um pouco tenso. Laura estava me dando um tratamento de gelo desumano até para nossas costumeiras brigas. O seu braço ainda estava enfeixado, com pontos do tiro que Tália deu contra ela. Tália não estava em seu melhor humor depois do incidente e sua paciência estava no limite para lidar com qualquer um que entrasse em seu caminho. Quando Cora chegou da universidade, não estava sozinha, ela trouxe consigo alguns amigos, entre eles Lydia e Stiles. Derek olhou chocado e Laura encarou-me com raiva. Tália só levantou uma sobrancelha e Cora começou a se explicar.
- Nós estamos fazendo um projeto para a aula de TI. Estes são Danny e Aiden. – disse, apresentando os da frente – Stiles veio com Danny e Lydia com Aiden.
- Tudo bem, tome cuidado. – Tália disse olhando duro para ela e a filha mais nova assentiu com pressa.
Ela levou as crianças para cima e eu dei um pequeno cumprimento a Lydia, que me acenou de volta. Eu não perderia uma chance de irritar Laura, principalmente se ela era assim tão ciumenta com essa garota. Tália deu um olhar duro para a filha mais velha quando ela estava se levantando e Laura apenas bufou, voltando a sentar-se à mesa de refeições. As tacas de sorvete foram colocadas em nossa frente e eu comecei a conversar com Tália sobre seu trabalho. Ela estava contando que o agendamento de duas reuniões tinham sido no mesmo horário, já que sua secretária era tão burra a esse ponto, e ela teve que adiar uma delas para semana que mês e isso iria acabar prejudicando a licitação de demolição dos prédios.
Quando a campainha da casa tocou, Talia olhou surpresa. Não eram muitas as visitas que costumávamos ter. Uma grande dádiva de se viver no meio da floresta. Aparentemente era alguém conhecido dos seguranças, já que foi justamente a campainha da porta da frente que muito raramente era utilizada. Mais surpresa ainda foi que a própria Tália Hale abriu a porta e cumprimentou o homem; dois seguranças entraram atrás dele e antes que eu pudesse ver quem quer que fosse eles se dirigiram para o escritório. Quando olhei para o lado, Derek e Laura estavam com faces de obvio desgosto.
- Quem é? – eu perguntei e, ironicamente, Laura quem começou a falar.
- Deucalion Alpharius. Mamãe está querendo fazer alianças da família por que está se sentindo desprotegida.
- Como assim? – eu estava confuso, nós éramos a maior família criminosa da Califórnia.
- Deucalion e sua família estão se instalando ao sul e nós recentemente tivemos uma baixa lá por causa de um pequeno descuido... – ou seja, ouve uma briga de território e nós perdemos. – Aparentemente os Alpharius são grandes músculos e paus mandados, mamãe está tentando contratá-los... – Derek me respondeu e Laura voltou a falar.
- Mas eles não costumam se envolver com as famílias criminosas por longo tempo. Eles fazem o seu trabalho e depois de receberem, somem. Eles estão reunindo já há um mês, mas eles ainda se mostram irredutíveis.
- Quando ela está oferecendo? Pelo serviço... – eu perguntei curioso, Tália não era uma para insistência, ela ia e pagava o que queria.
- 117 milhões e subindo. – disse Laura e eu olhei pasmo. – Só da nossa parte, a família não autorizou essa merda. – ela disse com raiva.
- Você só pode estar de brincadeira! – Tália estava ficando louca se ela queria bancar tanto do nosso dinheiro para isso, eu deveria concordar com Laura nessa.
- O pior é que não. Ela fez um acordo com o cartel Santo e pagou 35 para eles, mas depois de recebem eles acabaram nos traindo e nós tivemos que mandar os Madson e os McQueen para conter a briga. Agora as duas famílias estão querendo quebrar a aliança por causa das baixas.. – Derek contou.
- Santo não tem tantos capangas, sua família é um terço da nossa. – eu disse confuso, nós não poderíamos ter perdido isso assim.
- Ai é que fica melhor! – Laura deixou a colher na taça e se inclinou na mesa – Santo contratou os Alpharius para acabar com nossa família no sul, ele deu os 35 para eles. Ele está prometendo mais 65 para trabalhar de novo. Os Alpharius estão querendo 500 milhões para o serviço conta Santo. – antes que eu fosse responder, no entanto, nós escutamos um barulho vindo da sala e logo depois uma correria nas escadas.
Mesmo que Derek tenha se levantado em rompante e correu para lá, não havia ninguém, exceto pelos seguranças. Ele se voltou para nós dois e todos entenderam o recado, não era seguro ficar discutindo os negócios da família aqui na sala. Era melhor ser em privado e quando não tivesse muitas pessoas em casa, só a família e nossos homens de confiança. Minutos depois Cora desceu as escadas e olhou realmente confusa para nós, que estávamos com cara de cervos pego no farol. Ela foi até a cozinha encomendar o lanche e eu olhei para Derek, lhe perguntando mentalmente se deveríamos pegar os amigos de Cora para um amistoso interrogatório.
Ele me acenou um não em resposta e eu suspirei. Derek sempre preferiu ser mais cauteloso, deve ser por isso que ele nunca foi pego. Quando Cora voltou para o seu quarto, Tália e Deucalion tinham saído do escritório. Minha irmã não olhava nenhum pouco feliz e Deucalion soberbo quando passava por nós na sala. Senti todo o meu sangue ferver com a ousadia dele de nos rebaixar em nossa própria casa, eu poderia sacar a arma na minha cintura em dois segundos e fazer a bala atravessar o seu crânio de forma que ele não iria mais viver nesse mundo, mas Tália me deu um olhar de advertência que fez com que minha mão recuasse da arma. Eles se despediram e Deucalion ainda sorriu para nós três que estávamos praticamente montando guarda na sala.
Assim que ela fechou a porta, ela suspirou e se virou para nós. Laura foi a primeira a cruzar os braços e começar a interrogar a mãe. Infelizmente, Laura era a melhor depois de Tália para lidar com burocracia. Derek suspirou e se sentou no sofá derrotado, tentando obviamente se acalmar.
- E então? Quanto mais você já ofereceu para eles? – ela disse, com amargura.
- Duzentos. – disse ela, suspirando.
- Você perdeu sua mente?! – Derek e Laura gritaram com ela e eu tinha que concordar, mas não deixaria isso acontecer em aberto.
- Vocês dois, parem! – eu disse e Tália me olhou agradecida. Não tão cedo, irmãzinha. – Tália, nós precisamos conversar.
Ela me olhou dura e culpada. Mas eu não daria um chá de colher para ela. Ela não podia tomar esse tipo de decisão sem me consultar e muito menos apostar tanto nos Alpharius. Pelo que eu sabia esses caras nem eram confiáveis! Ela estava arriscando coisas demais por simples orgulho. Se a família não tinha concordado em tudo, por que diabos ela queria arranjar briga com eles?! Esse era um assunto além da família e por isso Tália estava tão engajada ao ponto de apostar todo o nosso dinheiro se for preciso. E se isso for pessoal o suficiente para eu discordar de ajudá-la, não importa se é Tália ou não. Eu vou defender a família, mesmo de Tália.
Antes que pudéssemos partir para a briga, no entanto, cinco cabeças estavam na escada olhando extremamente curiosos. Tália olhou brava para a filha, que deu de ombros como se dissesse que não tinha como controlá-los. Todos eles estavam esperando uma explicação da briga, mas o olhar bravo de Tália fez Cora empurrar todos de volta para cima. Ela sempre teve uma politica muito séria sobre convidados em casa e Cora tinha trazido mais pessoas que o necessário naquele dia. Parrel apareceu trás de Tália e disse algo em seu ouvido. Com uma face alarmada, ela agarrou o telefone e ligou para alguém.
- Aqui é Tália, me conte o que aconteceu. – ela perguntou preocupada e seu olhar ficou ainda maior em desespero – Oh meu deus! Eu vou falar com Teri e manda-los para ai.
- O que está acontecendo? – eu perguntei preocupado, Teri era a nossa segunda melhor família parceira de artilharia.
- A família de Ennis está sendo atacada! – ela disse, discando o numero de Teri, provavelmente.
- Por quem?! – Laura disse, preocupada.
- Não sabemos... – ela olhou tão abalada que eu senti pena por ela.
