Bella 's POV
Minha cabeça está uma bagunça.
Quando saí do hospital, eu estava na viatura do chefe Swan, meu pai, ás vezes eu preferiria chamá-lo apenas de Charlie. Minha mãe voltou para Phil assim que recebi alta, ela queria que eu fosse pra casa com ela.
Eu sinto falta do sol nesta cidade.
Eu sinto também o quanto meu pai me ama e tenho o mesmo sentimento, por isso sei que não posso deixá-lo. Eu já estou em casa, concluí com um suspiro.
E há tantas coisas que me impedem de deixar Forks.
Edward. Fico sem reação quando ele chega, não sei bem o porquê, e toda vez que ele se afasta, mesmo que por pouco tempo eu sempre desejo que ele retorne logo.
Enquanto Charlie dirigia, eu olhava para a chuva lá fora, às vezes os pingos gelados batiam contra a janela semiaberta me atingindo. Lembrava-me o toque frio dos braços dele que me envolviam e me fazia pensar que eu tinha tudo naquele único abraço.
Na primeira vez que eu o revi, eu senti um pouco de incerteza.
Não porque ele me provocasse medo, mas ele era tão maravilhoso e eu me perguntei em que mundo eu havia acordado para que um estranho que parecia vir de um conto de fadas me chamasse de meu amor, eu que me senti muito pouco perto dele.
A família de Edward é muito boa para mim, é quase como se eu fizesse parte dela também.
Eles me amavam, Alice, Jasper, Emmett, Esme e meu médico Carlisle estavam sempre me visitando, apenas Rosalie era um pouco antipática. Eu me sentia sempre tão inferior aquele amor, por quê? Eles me faziam me sentir especial, mas eu não acreditava que era.
Quando chegamos à casa de Charlie, minha casa também, ele me mostrou meu quarto, disse que quando eu estivesse com as coisas da Bella seria mais fácil, e ele não se enganou, eu me senti tão bem lá dentro que relaxei imediatamente.
Eu ganhei um livrinho em branco para fazer anotações, mas eu sabia que não usaria, joguei-o num canto qualquer do quarto.
Enquanto estava no hospital eu recebi varias informações sobre Bella Swan. Sobre mim.
Parecia que eu não havia feito nada de importante nos meus dezoito anos de vida; eu não tinha uma lista enorme de fãs, mesmo que os garotos da minha nova escola me achassem graciosa, e isso era absurdamente ridículo. Eu não havia ganhado nenhuma competição de natação ou atletismo, isso porque eu era fisicamente tão atleta quanto uma lula. Eu era apenas a garota que gosta de ler e tenta escapar de humilhações públicas. Eu sei que não gosto muito de atenção. Não há muito para saber sobre Bella. E ainda assim isso não é o suficiente para eu lembrar. O que acontecera comigo?
...
A campainha tocou. Desci devagar a escada, parecia que se eu tentasse ir muito rápido tropeçaria feio.
Edward. Meus olhos se iluminaram.
- Oi rapaz.
- Boa tarde, senhor Swan, eu soube que a Bella voltou, poderia vê-la? Por favor?
- Bem a Bella...
- Eu estou aqui pai, oi Edward.
- Oi Bella, como está?
- Melhor, entra.
- Eu posso? – disse se dirigindo a Charlie
- Você já está aqui mesmo.
Edward abriu um sorriso lindo e veio me dar um beijo na testa, eu quase perdi o ar.
- Você gosta de baseball?
- É claro, é o jogo preferido dos americanos.
- É claro, é o jogo preferido dos americanos.
Repeti a frase como se fosse óbvia. Isso soou muito estranho, eu já havia falado assim? Era algum deja vú? Eles me olharam.
- Senta aí garoto.
Eu fui até a cozinha, procurei fazer ovos mexidos, mas acabei me distraindo com algo lá fora, de repente havia muita fumaça, e eu não sabia como apagar.
Comecei a tossir.
- Bella?
Ouvi meu nome no outro cômodo. Logo estavam ali comigo.
A cena não podia ser mais constrangedora:
Panelas – fumaça – perigo para Bella...
Os dois deduziram logo e meu pai mandou Edward me afastar do fogão.
Os olhos dele me prenderam, e eu achei injusto não poder me libertar daquele olhar.
- O que estava tentando fazer Bella? – disse Edward me repreendendo.
- Estava com fome. – respondi inocente.
- Parecia que queria acender uma fogueira. – seu tom de voz ficou mais calmo.
- Por que não pediu pra gente querida? – disse meu pai.
- Eu queria fazer isso sozinha. Você não cozinha pai. E você não come Edward.
- Como assim não come? – meu pai arregalou os olhos, surpreso.
Falei demais, será? Edward tratou de explicar.
- Ela quis dizer que sou vegetariano, não como qualquer coisa, mas eu jamais me recusaria a fazer algo pra você Bella.
Eles estavam bravos comigo. Eu não queria isso.
- Me desculpem. – minha voz pareceu falhar, como se eu fosse chorar.
- Tudo bem filha. Que bom que se lembrou de que não cozinho muito bem... Vou pedir uma pizza. Leve-a pra sala.
Isso foi uma ordem?
Edward me levou até o sofá.
Ele era absolutamente perfeito. O cabelo desgrenhado cor de bronze, a pele tão fria e pálida, tom de mármore, e aquele cheiro... Eu não conseguia imaginar uma fragrância parecida no mundo todo. Não parecia humano. Ele também me observava, em silêncio. Seus olhos me lembravam do topázio, minha pedra preferida.
- Por que está me olhando assim?
- Você podia ter se machucado lá.
- Que bom que você estava por perto. – sorri esperando que ele percebesse que eu estava agradecida.
- É serio Bella. Não quero que nada aconteça com você.
Ele parecia tão preocupado, mas eu estava bem.
- Eu não estava brincando, é realmente muito bom pra mim, ter você por perto.
- Você é muito importante pra minha vida Bella. – disse com aquele lindo sorriso outra vez.
Eu não sabia o quanto ele queria dizer com essa frase, mas não importava. Ele me deu um beijo no cabelo e a minha primeira noite em casa novamente foi bem ao seu lado.
Meu pai não gostava de filmes de romance e deu essa desculpa para ir deitar-se, confiando bastante em nós sozinhos na sala, não aconteceria nada, porque eu ainda me sentia insegura sobre qualquer sentimento em relação a Edward. Mas eu sabia que Charlie estava exausto demais tendo de cuidar de sua filha doente por tanto tempo e de toda uma cidadezinha.
Eu me mexi no sofá entristecida por dar tanto trabalho as pessoas que eu gostava.
- O que foi Bella? – Edward afagou de leve meu braço, preocupado comigo.
- Eu acho que estou tomando tempo demais de todos vocês. E não precisa ser assim.
- Ah Bella, isso não é verdade. Você está sensível agora, aceite que cuidemos de você.
- Eu seria um fardo dispensável se tomasse mais cuida...
Ele colocou o dedo frio nos meus lábios, impedindo que eu terminasse.
- Mais nenhuma palavra sobre isso. Segundo Jacob Black, você não tem nenhuma culpa sobre isso. Foi minha culpa afinal... – sua última frase, mal eu pude entender, ou melhor, eu não quis entender.
Eu não percebi até aquelas palavras que o rosto de Edward estava em expressão de agonia, era triste porque eu estava causando sua dor. Eu não queria que ele sofresse por mim.
Minha culpa afinal... Ele falou num sussurro. Como poderia ser culpa dele? Não, eu precisava fazê-lo pensar em outra coisa. Por que vê-lo daquele jeito me machucava tanto?
- Sabe o que eu senti quando te vi no hospital? – falei rapidamente.
- Medo?
- Sim. – seu rosto continuava desamparado, continuei – Só que eu tive medo de ter acordado num mundo bom demais pra mim.
- Então você não estava com medo de ter acordado e visto um cara como eu. Tão diferente?
Ele não parecia surpreso, e sim incomodado.
- O que quer dizer com diferente?
- Eu não sou como as outras pessoas.
- Isso eu já percebi, você é indescritivelmente inigualável. Por quê?
Eu não gritei de pânico, nem corri quando ele me contou sua história, eu aceitei porque parecia fazer sentido, uma pessoa como eu se encaixava num mundo como o dele. Eu não era assim normal e sabia desde o primeiro momento que ele também não era.
- Você reagiu exatamente como quando te contei.
Seu rosto perfeito se suavizou no meu sorriso preferido, eu enrubesci, e ele beijou minhas bochechas vermelhas...
