Capítulo 4
MULHERES APAIXONADAS (O MUSICAL)!
Mary Sue entrou no dormitório masculino tentando fazer o mínimo possível de barulho. Naturalmente, quando se tenta ser silencioso é que se faz o máximo de ruído! Portanto, Mary Sue derrubou um malão enorme no chão, em cima de um gato, que deu um salto e um miado histérico.
– Droga!
A Deusa olhou em volta. Ninguém havia despertado. Ela se esgueirou até a cama de Draco e o cutucou.
– Draco! Acorda!
O louro abriu os olhos lentamente e viu Mary Sue.
– O que foi? A Escola tá pegando fogo? – perguntou, esfregando os olhos.
– Não, não! – Mary Sue agitou os braços, animada. – Não é nada disso! É que eu sou uma pessoa simplesmente sensacional e resolvi inaugurar essa nova fase "primos" com um presente que você vai A-DO-RAR!
Mary Sue arrastou o menino pela mão até o átrio do dormitório (essa escola deve ser cara pacas, né? Tem um ÁTRIO no dormitório! Nível Eton!). Lá estava parada Gina, em sua recém adquirida forma humana.
– Quem é essa? – Draco ainda estava sonolento e confuso.
– Ora disso, seu bobo! – riu Mary Sue. – É A GINA!
Draco olhou para Mary Sue embasbacado. Ela sorriu e explicou.
– Ontem eu fiz um desejo para Papai do Céu! Eu pedi que ela se tornasse humana! Mas ela continua a mesma débil mental de antes, coitada! E creio que continua totalmente sem personalidade e fazendo tudo que você manda!
– Uma mulher linda, sem cérebro, mas que faz tudo que eu mando? – Draco encarou Mary Sue com uma expressão de felicidade no rosto. – É como um filme pornô que vira realidade! OBRIGADO, MARY SUE!
Draco abraçou Mary Sue com força. Ela enlaçou os braços em volta dele. O rapaz a segurou, delicadamente repousando o rosto da deusa em seu peito.
– De nada, primo!
Draco afagou os cabelos de Mary Sue, que disse:
– Acho que pode me soltar agora, Draco!
– Eu sei!
– Então solta!
– Já vou, prometo! – Draco ponderou. – Mas sabe o que eu tava pensando?
– O quê?
– Ninguém vai levantar para as aulas em pelo menos meia hora... – o rapaz levantou a sobrancelha e sorriu do seu jeito malicioso característico.
Harry tomava café no refeitório quando Mary Sue surgiu esbaforida.
– Oi, Harry!
– Você está estranha!
– Como assim?
– Tá parecendo aquela noite no baile!
– Que noite no baile?
– Onde está o Draco? – Harry se levantou procurando pelo rival. – Se ele me aparecer com aquele sorriso torto e com um cigarrinho na mão, eu vou ficar furioso com você, Mary Sue!
– Nem vi o Draco, hoje! Acabei de acordar! – Mary Sue revirou os olhos, mentindo.
– Você está mentindo pra mim!
– Não, Harry! Eu não preciso do Draco! Só preciso de você! Você é simplesmente perfeito!
– Só perfeito?
– Perfeito, lindo, maravilhoso, fantástico, gostoso e genial! Satisfeito agora?
– Não! Repete!
– Você é simplesmente O MELHOR!
– O melhor? Melhorzão, mesmo?
– É! Melhorzão! The best!
Mary Sue levantou-se da cadeira e ajoelhou-se sobre a mesa, engatinhando até Harry e cantando:
I call you when I need you, my heart's on fire
You come to me, come to me wild and wild
When you come to me
Give me everything I need
Give me a lifetime of promises and a world of dreams
Speak a language of love like you know what it means
And it can't be wrong
Take my heart and make it strong baby
A deusa girou as pernas com agilidade e sensualidade e pôs-se de pé ao lado do namorado para entoar com graça o refrão de sua canção.
You're simply the best, better than all the rest
Better than anyone, anyone I've ever met
I'm stuck on your heart, and hang on every word you say
Tear us apart, baby I would rather be dead
Harry enlaçou seus braços na cintura de Mary Sue e cantou:
Each time you leave me I start losing control
You're walking away with my heart and my soul
I can feel you even when I'm alone
Oh baby, don't let go
E juntos, entoaram o final de sua poderosa música de amor:
Oooooh, you're the best!
Better than all the rest
Better than anyone, anyone I've ever met
I'm stuck on your heart, and hang on every word you say
Tear us apart, baby I would rather be dead
OOOOOH, YOU'RE THE BEST!
Geral levantou e bateu palma! Harry deu um longo beijo em Mary Sue ao som de urros e assovios. Uma única alma em todo o cômodo parecia insatisfeita ao ver o amor dos jovens. Era o Professor Snape, exibindo seu usual ar carrancudo e sua expressão de quem comeu danoninho estragado.
Sempre nas sombras, Snape entoou mais uma de suas melodias sorumbáticas:
I can see you when the moon is shining bright
I can feel you when the moon is out of sight
Whisper softly, well it sounds so nice
All alone in the dark, all alone in the dark
You know this darkness makes me see
That you're the only one for me
You know this darkness makes me see
And this time's the only time
We can make our feelings rhyme
With all the things we could not say
I can see you when the moon is shining bright
I can feel you when the moon is out of sight
Whisper softly, well it sounds so nice
All alone in the dark, all alone in the dark
All alone in the dark
Snape recostou-se sobre a parede do salão e se cobriu com sua capa, como se fosse alérgico ao sol. Ali chorou escondido.
Sentado com Gina no gazebo (Menina! Até gazebo essa escola tem! Vou pedir pra minha mãe me matricular lá), Draco a estimulava gentilmente a cantar. A ruiva, entretanto, o encarava confusa.
– É... – concluiu Draco. – Realmente você continua a mesma besta de antes! Vamos tentar uma música mais fácil!
Entre borrachas e apontadores, Mora o meu grande amor!
Colei seu nome, com várias cores, No livro que ela me emprestou!
Animada, Gina se levantou e comemorou:
– Essa eu sei! É do Trem da Alegria!
– Então canta comigo! – falou Draco.
Mandei mil balas e mariolas, roubei as flores todas do jardim
Eu faço tudo, na minha escola, pra ver se ela gosta de mim
Gina saltou do mesmo jeito serelepe de sempre, o que se mostrou uma coisa profundamente estranha, uma vez que agora era um ser humano que saltava como um ganso doido e não mais Sméagol. E defendeu com sua voz melodiosa a doce cançoneta primaveril:
Cola o teu desenho no meu! Pra ver se cola!
Cola o meu retrato no teu! E me namora!
Comigo nessa dança; Um sonho de criança;
E o meu coração cola no teu, Pra ver se cola!
Ao final da canção, Draco selou sua paixão por Gina com um longo beijo. E exclamou:
– Cara, beijar sua namorada quando ela não é mais uma criatura escamosa é uma das melhores coisas da vida!
Do outro lado da Escola, Rony deixava o átrio do dormitório. Estava bem diferente do normal. A começar, não andava rebolativo e desmunhecando, o que era um bom indício para Hermione de que seu desejo fora atendido.
Hesitante, ela se aproximou. Abriu a boca para cantar, mas de seus lábios saiu apenas um sussurro:
I know I should tell you how I feel I wish everyone would disappear
Every time you call me I'm too scared to be me
And I'm too shy to say
Ooh, I got a crush on you
I hope you feel the way that I do
I get a rush when I'm with you
Ooh, I've got a crush on you
A crush on you
Rony se voltou para Hermione com uma expressão que nunca exibira ao olhar para ela. Avançou em sua direção com passadas firmes.
– Ai, meu Deus! – exclamou a bruxa trouxa. – Será que ele me ouviu?
Rony empurrou Hermione contra a parede, imprensando-a com seu corpo. Com seu rosto há centímetros de distância do dela sussurrou:
Dizem que sou desmiolado e perdi minha razão
Qu'eu tô ficando louco... Nada a ver!
Dizem que sou alucinado, só se for por você
Caí no seu destino, amor, pode crer!
Não liga não; vem dá pra mim!
O seu amor... Dá pra mim!
Não se preocupe que eu serei um bom rapaz
Quero seus lábios... Dá pra mim!
O seu carinho... Dá pra mim!
Por você que eu perco o sono, por você que eu ando doido
Amor, dá pra mim! Dá pra mim!
Hermione estava completamente chocada com a voluntariedade de Rony, mas sentindo o seu eterno platonista tão pertinho dela e sentindo, lá embaixo, que ele REALMENTE tinha desgayzado, a bruxa trouxa preferiu ficar quietinha e aproveitar os beijos do ruivo.
Parvati também não tinha motivos para reclamar. Ela estava passeando pelo pátio da escola quando Zezinho surgiu. Segurou sua mão e declarou-se perdidamente apaixonado, numa canção romântica. Após descarregar um pouco da carga hormonal adolescente com alguns amassos, a morena vinha correndo radiante rumo ao refeitório para comemorar com as amigas meninas que o feitiço tinha dado certo. No caminho, no entanto, encontrou Rony nos jardins.
Apesar de saber que, com o desejo de Hermione, o ruivo já não poderia ser considerado um rival, Parvati não pode se conter e, com um sorriso vitorioso nos lábios, aproximou-se desdenhou:
– É isso aí, Roniquinho! Eu venci!
O garoto virou-se com uma expressão de profundo desconhecimento do que se passava. Agarrou-a pela cintura, aproximando-a arrebatadoramente de seu torso, como um galã descamisado de capa de brochura e sussurrou ao seu ouvido:
– Eu não faço a menor idéia do que você está falando, mas eu acabo de perceber o quanto você é linda, sabia?
– Rony, o que é isso? – Assustada, Parvati ainda tentou afastar o ruivo. – O que pensa que vai fazer?
– Cantar, é claro!
E, com o máximo de sua potência vocálica, e dançando sensualmente com Parvati nos braços, Rony mandou a real:
Só quero ir ao seu encontro e viver o seu olhar
Beijar a sua boca... Tô louco de desejo
Não liga não, vem dá pra mim
O seu amor... Dá pra mim!
Não se preocupe que eu serei um bom rapaz
Quero seus lábios... Dá pra mim!
O seu carinho... Dá pra mim!
Por você que eu perco o sono, por você que eu ando doido
Amor Dá Pra Mim! Dá Pra Mim!
Cara... E como deu!
Mais tarde, ao cair da noite, após as aulas, todas as meninas estavam reunidas ao redor da mesa, comentando sobre o feitiço.
– Eu e o Fernando estamos namorando oficialmente agora! – sorriu Lilá.
– Zezinho e eu também nos acertamos! – comemorou Parvati.
Hermione balançou a cabeça um pouco incerta e falou:
– Bem, eu realmente consegui desgayzar o Rony... Mas não sei ao certo se ele está namorando comigo ou não! Bem, nós nos beijamos e tal...
– Ah, é! – Falou Bellatrix. – Você mandou muito naquele feitiço, Hermione! Aquele caminhão de moedas que você atiçou na Fonte realmente deu jeito no Rony! Ele virou macho mesmo! Para vocês terem uma idéia, eu tava humilhando minhas assistentes por causa da falta de tolhas brancas no meu camarim, quando ele apareceu e falou "acho que vocês estão precisando aliviar as tensões". Caramba! Foi antológico! Ele deu conta de mim e mais três!
– Peraê! – Hermione levantou-se, derrubando a cadeira em que estava sentada. – Você andou se agarrando com o MEU Rony?
– Bem, vocês sabem que eu não resisto a um garoto! – justificou-se Bellatrix.
– Ela não foi a única – confessou Parvati, acrescentando com um suspiro. – É como a Bella falou! Ele manja do negócio...
– Eu não ia falar nada, mas como geral explanou os podres, nada mais justo que eu faça isso também! Eu tava passando no almoxarifado pra pegar uns caldeirões para a aula de Poções quando o Rony surgiu e... – Mary Sue parou por um instante. – Só digo que agora eu entendo porque o Harry se sente tão atraído por ele!
– Que absurdo! Suas ninfomaníacas! Todas vocês têm namorado! – Hermione se indignou.
– Espere um minuto, Hermione! – Lilá interrompeu o chilique da amiga. – Isso quer dizer que, de todas nós, eu sou a única que não é uma puta escrota que se deita com os homens das amigas?
– É! – Hermione bufou, vermelha de raiva.
– Puxa, não sei se orgulho de mim mesma, ou se me sinto a cara da derrota!
– Não se anima muito não! – Mary Sue minimizou a questão. – Só é assim porque um dos autores também se chama Lilá Brown. Se ele fosse Jurema da Silva, a senhora ia sair pela escola abrindo as pernas também.
– Ora, meninas, deixem de bater boca! – Bellatrix procurou contemporizar. – Que diferença faz se algumas de nós são vagabundas e as outras freiras frígidas? Nenhuma! Na essência, somos todas iguais: meninas lindas que querem apenas se divertir! Exceto, talvez, a Hermione!
Hermione amarrou a cara de novo, mas Demi Moore não deu muita bola. Abriu um sorriso e anunciou a saideira do capítulo:
We go together like ramma lamma lamma ka dinga ka dinga dong
Remembered forever as shoo-bop sha whada whadda yippidy boom da boom
Chang chang changity chang shoo bop that's the way it should be
Waooo Yeah!
Mary Sue e Lilá subiram à mesa e rodopiaram em sincronia com Bellatrix, fazendo a segunda voz da canção.
We're one of a kind like dip da dip da dip do whap de dobby do
Our names are signed like boogy boogy boogy boogy shooby shoo wap shoo wap
Chang chang changity chang shoo bop we'll always be like one
Wa-wa-wa-wa-wa-wa-one
Draco e Harry sentiram a necessidade de um coro de vozes masculinas e saltaram sobre a mesa, cantando, estalando os dedos e agitando os joelhos como Elvis Presley.
When we go out a night (oh oh)
And stars are shining bright (oh, oh)
Up in the skies above
Or at the high school dance
Where you can find romance maybe it might be lo,lo,lo,lo,lo,lo,lo,love
Os alunos arremessaram os pratos e os livros para o alto e começaram a dançar e cantar alucinadamente escola afora.
Ramma lamma lamma ka dingity ding da dong
Shoo bop shoo wadda wadda yippity boom da boom
Chang chang changity chang shoo bop
Yip da dip da dip shoo bop sha dooby do
Boogy boogy boogy boogy shooby sho wap sho wap
Sha na na na na na na na yippity dip da do
Ramma lamma lamma ka dingity ding da dong
Shoo bop shoo wadda wadda yippity boom sha boom
Chang chang changity chang shoo bop
Yip da dip da dip shoo bopp sha dooby do
Boogy boogy boogy boogy shooby sho wap sho wap
Sha na na na na na na na yippity dip da do
A womp bop a looma a womp bam boom
Bellatrix, Mary Sue e Lilá subiram num palco improvisado feito pelas mesas do refeitório que os garotos empilharam. A estrela tomou à frente do coro, solando entusiasticamente. Lilá e Mary Sue dançavam coordenadamente atrás, e não desafinavam na segunda voz.
We're for each other like womp bop a looma a womp bam boom
Just like my brother is sha na na na na na na na yippity dip da do
Chang chang changity chang shoo bop we'll always be together
Waooo Yeah!
Chegada a hora do refrão final, Bellatrix, sem parar de cantar um minuto sequer, atirou-se pra cima da galera, que carregou a estrela pelo salão afora. Lilá atirou-se nos braços do namorado, Fernando, que gritava elogios impublicáveis para a amada!
We'll always be together
We'll always be together
We'll always be together...
Enlouquecidos, os alunos quebravam toda a escola, arremessando objetos, tacando pedras nas vidraças e marretando as paredes. A diretora surgiu e, às gargalhadas, colocou as mãos sobre as ancas e falou:
– Eles estão detonando a minha escola! Mas tá tudo tão lindo! Os meninos estão tão felizes! Acho que vou dançar!
E então puxou um aluno que, muito constrangido, a acompanhou.
Mary Sue rodopiava pelo palco improvisado e, enquanto os amigos cantarolavam e dançavam pela escola afora, Mary Sue abriu os braços, jogou a cabeça pra trás e sorriu lindamente como sempre. As luzes se apagaram e dois holofotes focaram nela.
Ouviu-se então um estouro. Mary Sue sentiu uma dor violentíssima invadir seu peito. Levou a mão ao peito e pode constatar que estava sangrando. Muito! A visão começou a ficar turva. As pernas cederam.
Harry avançou correndo a tomou nos braços antes que ela caísse no chão.
– MARY SUE! – gritou o garoto.
Do outro lado do salão, o Professor Snape, segurando um revólver, gritou com olhos enraivecidos:
– SE EU NÃO POSSO TÊ-LA, ENTÃO NINGUÉM TERÁ!
Créditos Musicais do Capítulo:
Harry e Mary Sue cantam "Simply The Best", de Tina Turner;
Snape canta "All Alone in The Dark", de The Monkees;
Fernando canta "Deixa Disso", de Felipe Dylon;
Draco e Gina cantam "Pra Ver se Cola", de Trem da Alegria;
Hermione canta "Crush", de Mandy Moore;
Rony canta "Dá pra Mim", de Polegar;
Bellatrix e geral cantam "We go Together", da trilha sonora original de Grease.
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