Capítulo 4

Não voltei a escola nesse dia, o que foi uma boa decisão tendo em conta o que me esperava em casa. Podia escutar os pensamentos enfurecidos pertencentes a minha família enquanto ia me aproximando de casa em meu carro. Me senti tentado a seguir dirigindo e evitá-los, mas percebi que quanto mais adiasse isto, seria pior.

Sabia que estavam irritados comigo pelo que havia feito, se eu mesmo estava irritado comigo, como podia culpá-los? Foi algo idiota e impulsivo, estava claro que iria pagar por isso. Decidindo que já não podia adiar mais o inevitável, sai do carro e parei no batente da porta. Imediatamente escutei Rosalie gritando uma lista detalhada sobre o que queria fazer comigo, mas parou quando me viu.

"E a tortura começou", disse entrando em casa.

Cinco olhares fixaram-se em mim, todos expressando emoções diferentes. Fui bombardeado com pensamentos coléricos e irracionais, pensamentos de cada um dos membros de minha família, que concentravam suas principais preocupações em mim.

Como se atreveu? Não tinha o direito!

Quebrou a regra, Edward!

Não devia ter interferido.

Podia te matar por ter nos colocado nessa situação.

Por que essa garota é tão especial já que foi capaz de arriscar tudo para salvá-la?

O último pensamento pertencia a Esme. Olhei para ela e notei a preocupação incrustada em seu rosto suave.

"Edward, o que aconteceu?", perguntou afável.

"Vou te contar o que aconteceu", gritou Rosalie. "Ele se atirou diante de um furgão para salvar essa garota de sangue apetitoso".

Esme a olhou e franziu o cenho.

"Obrigada, Rosalie, mas gostaria de ouvir de Edward".

"Direi o que gostaria de escutar de Edward", disse Emmett. "Gostaria de saber por que Edward acredita ter o direito de exibir suas habilidades em público.", virou-se para mim furioso e forte. "Outro dia mesmo nos repreendeu no almoço. Disse que devíamos parar de atrair atenção. Bem, tenho notícias para você, Edward. Hoje atraiu a atenção de todo mundo no estacionamento".

"Quebrou a regra", me lembrou Jasper.

"Eu sei disso", disse.

"E você sabe que todo mundo na escola está se perguntando como você a salvou?", disse Jasper. "Todo mundo. O dia inteiro os humanos nos importunaram com fofocas sobre como você foi valente e sobre como você fez. É irritante e nos fez ficar vulnerável".

"Jazz", disse Alice colocando uma mão em seu braço tentando acalmá-lo.

"Não, Alice", disse ele desvencilhando-se de sua mão. "Ele tem que responder por isso".

"Mas eu vi..."

"Sei o que você viu e se essa visão se tornasse realidade, não teríamos esse problema aqui e agora. Como vejo, temos um problema enorme e tudo por culpa de Edward".

Fiquei curioso. Queria saber o que Alice tinha visto, mas Esme falou tão rápido que o assunto mudou completamente de rumo.

"Espere um minuto", começou Esme. "Edward viu o perigo e salvou uma vida humana. Está dizendo que se vocês tivessem a oportunidade de salvar uma vida não fariam o mesmo?"

"Não se isso significasse colocar em perigo tudo o que temos aqui", disse Rosalie. "Sim, Edward, salvou uma vida, o que em outras circunstâncias consideraria um ato heróico. Mas, temos que considerar as circunstâncias de suas ações. Primeiro, fez isso num estacionamento cheio de humanos. Segundo, fez de uma maneira que é impossível explicar sem contar nosso segredo. E terceiro – e para mim o mais importante – salvou a vida da humana que deseja beber".

"Pára!", exigi. "Você entendeu mal, Rosalie"

"Oh, verdade?", suas sobrancelhas se levantaram e lentamente se aproximou de mim até ficar cara a cara. "Quer dizer que se fosse outro ser humano – algum estudante qualquer que apenas soubesse da existência dele – abandonaria sua razão e teria saltado diante do furgão para salvá-lo? Não acredito, Edward. Você fez isso por que era ela!"

Entrefechei meus olhos, olhando-a, a raiva me consumia e não porque estivesse errada, mas porque tinha razão. Sem dúvida, mas não ia admitir isso diante dela.

"O que deveria ter feito, Rosalie? Deixar que o carro a esmagasse?"

"Sim!", rugiu ela.

"Teria evitado muitos problemas", falou Emmett.

Franzi o cenho para Rosalie para depois olhar para Emmett.

"Oh, acredita mesmo nisso? Seria melhor se eu tivesse ficado lá, plantado, sem fazer nada, enquanto seu sangue se esparramava pelo chão? Acredita de verdade que seria mais discreto se seu sangue estivesse diante de meu nariz?"

"Você agüentaria", disse Emmett.

Sorri friamente ante sua falta de seriedade.

"Gostaria de me ver beber seu sangue. Como você pode sugerir uma coisa dessas? Isso está além da minha compreensão. Você, justamente você, que sabe muito bem o que é ser tentado por um sangue tão potente".

Emmett grunhiu aborrecido.

"Isto não tem nada a ver com minhas escolhas", disse aborrecido.

"Escolhi não matar, não beber, apesar de desejar com todas as minhas forças".

Emmett estava realmente bravo.

"Acha que isso te faz melhor que eu?"

"Nunca disse isso!"

"Mas insinuou", disse Rosalie colocando-se ao lado de Emmett. "E o que que tem se bebeu um sangue que desejava? Isso faz muito tempo. E devido a posição em que colocou todos nós, deveria ter seguido o exemplo de Emmett, e tomar o sangue da garota antes que as coisas se descontrolassem".

Ouvi uma forte batida de porta. Isso queria dizer que Carlisle havia voltado para casa.

"Sabia que os encontraria discutindo sobre este assunto, e tenho certeza de que os argumentos têm consistência, mesmo assim, não acredito no que estou escutando!". Seus olhos brilhavam centrados em Rosalie. "Como se atreve a incentivar seu irmão não só a beber dela, como também a matá-la? Será que não aprendeu nada comigo?"

Rosalie se manteve firme, tentando não mostrar sua vergonha frente as palavras de Carlisle. Mas podia escutar em sua mente que estava envergonhada.

"É um incômodo. Apesar do que diz Edward. Sabemos que é questão de tempo até que se deixe levar por sua verdadeira natureza"

"Eu não beberei dela", gritei.

"Ela sabe demais!", gritou Jasper. "Ela viu demais. Só por isso já deve morrer".

"NÃO!", gritei com mais força.

"Por que não?", gritou Rosalie indignada e irada, como nunca a havia visto. "É muito arriscado que os humanos saibam algo sobre nós – saber oq eu podemos fazer e o que somos. É por isso que vivemos assim. É por isso que aceitei fingir ser tão jovem – como você, Emmett, Alice, todos nós podemos ter algumas proteção. É a regra, Edward. Não podemos nos expor! E agora você destrói tudo o que construímos durante estes últimos dois anos para salvar uma humana insignificante. Me diz, Edward!", gritou ela. Cada uma de suas palavras destilava ira. "Me diz por que essa garota é tão importante para que arrisque tudo e nos colocar em perigo? Por que ela? Por que Isabella Swan é tão especial?"

"Não sei!", disse. Não podia lhe dar uma resposta lógica.

"Oh! Não sabe!", riu friamente. "Bom, estou contente em ter esclarecido as coisas"

Ignorei-a e continuei dizendo.

"O que sei é que não é uma ameaça para nós"

Jasper soltou um sonoro "Há" para mostrar sua incredulidade.

"Ela vai falar. Vai contar para todo mundo o que aconteceu", disse Emmett.

"Ela me deu sua palavra que não contaria"

"Oh, sua palavra!", se irritou Rosalie. "Por que um humano, inexplicavelmente especial, tem que ser uma pessoa honesta".

"Me disse que não contaria a ninguém e eu acredito. Até porque quem acreditaria em sua história mesmo que contasse?"

Jasper se deixou cair em cima de uam cadeira.

"Não é essa a questão, Edward. Alguém vai pressioná-la para que conte e ela acabará cedendo. E aí?"

Carlisle levantou a mão fazendo os demais se calarem.

"Parece que todos se esqueceram que temos uma vantagem. Se essa garota decidir contar a verdade a alguém, Alice provavelmente o verá, verá o perigo. Além do mais, Edward pode ouvir os pensamentos da garota. Saberá com certeza se ela considerar dizer a alguém as reais circunstâncias do acidente."

Um calafrio percorreu minha espinha ao escutar o que Carlisle dissera.

"E então", continuou, "se contar, Edward será capaz de escutar a mente da pessoa para ver o dano causado".

A sala ficou em silêncio. Todos estavam processando o que Carlisle havia dito.

"Agora, estou de acordo com Edward, se ela decidir contar a alguém, ninguém acreditaria nela. Mas se o fizer, ao menos teremos estes recursos para usar em nosso benefício".

Podia sentir a raiva no olhar inquisidor de Rosalie pousado em mim, sabia perfeitamente o que ia acontecer agora. Escutei a pergunta em sua mente antes de que a formulasse.

"O que Isabella Swan acha que aconteceu? O que ela pensa exatamente?"

Paralisei. Havia me concentrado evitando esse assunto há mais de uma semana, utilizando o que escutava das mentes das outras pessoas. Essas pessoas se relacionavam com Bella e assim podia interpretar suas reações. Em meu íntimo sabia que chegado o momento teria que explicar a minha família minha incapacidade de escutar a mente de Bella, mas não havia imaginado que seria tão logo. Não estava preparado para que conhecessem minha debilidade – minhas limitações.

"Não vai nos dizer?", perguntou Emmett com desprezo. "Ou os pensamentos são muito pessoais? Não pode compartilhar conosco por que são privados? Muito... íntimos"

Os olhos de Rosalie se arregalaram.

"É isso? Está atraída por você, é por isso, porque seus pensamentos são muito carnais. E por isso não pode nos revelar?"

Sua insinuação me embaraçou. Fechei meus punhos, lutando contra a raiva que me consumia.

"É isso?", Rosalie continuou me pressionando. "Essa jovem inocente e virgem te deseja da mesma forma que você deseja seu sangue. Aposto o que for que ela te despiu em sua mente e você desfrutou cada minuto. Seus pensamentos devem ser tão deliciosos quando seu odor"

Apertei o pescoço de Rosalie até ouvir um gemido, meus dedos pressionando a fria pele de sua garganta.

"Não se atreva a falar dela assim outra vez!"

"Edward!", ofegou Esme. "Não!"

"Solte-a, Edward!", disse Carlisle.

Rosalie não estava sequer lutando contra mim. De fato, tinha uma careta retorcida em seu rosto. Considerei como um incentivo para apertar mais. Carlisle disse mais uma vez.

"Disse para soltá-la!"

Lentamente a soltei. Uma vez livre, sacudiu seu cabelo por trás da cabeça, sentindo-se satisfeita por que achava que estava certa. Emmett ficou do seu lado num instante. Rosalie colocou suas mãos no peito de Emmett, sua voz soou aveludada quando falou.

"Certamente Edward, se tem algo a ver com tudo o que dissemos devia ter comentado antes. No fim, todos sentimos o mesmo. Todos... menos você. Não tem por que se envergonhar."

"Não tenho por que me envergonhar, por que não é assim", disse lentamente.

Emmett riu.

"Então por que está tão irritado?"

"Isso", disse Rosalie concordando com ele.

Me senti perdido. Não sabia o que fazer. Desejava Bella dessa forma, como estavam sugerindo? Desejava-a isso era certo, mas o que desejava era seu sangue. A insinuação de que a desejava da forma que um homem deseja a uma mulher era algo que nunca havia considerado.

Ou já havia?

Lembrei-me de quando escutei os pensamentos de Mike Newton e as náuseas que isso me causou ao pensar que Bella poderia passar algum tempo com ele. Não gostei. Não queria que ela estivesse com nenhum homem, a não ser eu.

Mas ela não se sentia da mesma forma que eu. Claro que não podia escutar sua mente, mas podia ver sua linguagem corporal. Contei precisamente isso a minha família.

"Não importa o que sinto... não é o mesmo que ela sente. Ela não me vê da mesma forma que eu a vejo".

"Mas pode convencê-la", disse Jasper.

"E por que iria fazer isso? É ridículo, é humana"

"Não tem por que continuar sendo". Alice deu uma cotovelada nas costelas de Jasper.

"Não", neguei veementemente.

Rosalie grunhiu.

"Se não quer fazer isso, o que pensa fazer?"

Sacudi a cabeça, tentando encontrar uma forma de evitar dizer a verdade. Mas antes que pudesse pensar em algo, já havia murmurado muito suavemente.

"Não sei"

"Não sabe?", perguntou Emmett. "Que quer dizer com isso?"

Fechei os olhos tentando afastar os pensamentos que vinham de todas as partes da sala.

Como não sabe? Tem que escutá-la.

Talvez esteja confuso.

Está escondendo algo, sei disso.

Por que não nos diz o que ela pensa? Será tão ruim assim?

O estresse do dia e a pressão que crescia estavam além do meu controle. Não podia lutar por mais tempo, assim confessei tudo.

"Não sei o que ela pensa", disse lentamente.

"Que quer dizer com isso exatamente?", comentou Rosalie sem muito humor.

"Quer dizer que eu...", detive a frase no meio e respirei fundo lentamente. Mantive minha voz baixa e admiti a minha família que Bella era um mistério absoluto para mim. "É como olhar uma tela em branco. Vejo mover-se, escuto sua voz, sinto o cheiro de seu sangue. Todos os meus sentidos me dizem que é uma humana que vive e respira. E ainda assim... quando me concentro em sua mente... não há nada".

Emmett fez uma cara que refletia sua confusão.

"Está tentando dizer que sua cabeça está vazia?"

Rosalie riu.

"Não, Emmett. Não é estúpida. É... brilhante. Fiz uma aula prática com ela e acertou todas as perguntas. Pelas poucas conversas que tive com ela, posso dizer que é muito inteligente. Mas ai que está. Tudo que sei sobre ela, veio de sua boca, verbalmente. Não consigo escutar sua mente."

A sala ficou em silêncio depois que fiz pública minha confissão.

"Por que não?", perguntou Alice depois de um momento.

"Não sei. Gostaria de saber. Tornaria tudo mais simples."

"Espere um momento", disse Jasper completamente perplexo. "Ontem, no almoço nos disse o que pensava. Disse que achava que você a odiava".

"Supus por seus amigos. Ainda não sei por que. A única coisa que sei é o que Bella me disse. Pelo que sei de minha grande experiência, os humanos não costumam dizer sempre o que pensam".

"Deixe-me esclarecer as coisas", disse Rosalie. "Você não tem a mais remota idéia do que passa através da mente dessa garota. Não sabe o que sente por você. Não sabe se planeja contar a seu pai, o chefe da policia, a sua super proeza. Nem sequer sabe se confia em você o suficiente para não contar nada. Assim tudo o que disse que havia dado sua palavra, era na verdade um monte de besteira".

"Não, Rosalie, ela me deu sua palavra".

A fúria de Rosalie se acentuou.

"Como você sabe se ela não está mentindo? E se ela te disse isso para que a deixasse em paz?"

"Não acredito nisso".

"Por quê? Por que cheira bem?"

"Rosalie", advertiu Carlisle.

"Carllisle", retrucou em um tom jocoso. "Como pode ficar ao lado dele? Não temos nenhuma garantia de que esta garota vai manter a boca fechada sobre o que sabe. Nossa segurança está em risco".

"Isso eu não discuto", afirmou Carlisle. "Mas vi esta garota. Examinei-a eu mesmo, e acredito que se fosse dizer algo, já o teria feito. Além do mais, tenho a impressão de que quer esquecer tudo o que aconteceu".

Emmett ofegou enojado e incrédulo.

"E o que vamos fazer? Sentar e esperar... não fazer nada?"

Carlisle assentiu com a cabeça.

"Não acho que temos outra opção".

Jasper fez um gesto de desaprovação.

"Temos uma opção. Mas parece que ninguém quer fazer".

Era o suficiente e queria deixar claro a todo mundo.

"Se estamos falando em matá-la, então, esta conversa está terminada".

"Como Rosalie disse", continuou Jasper. "Ela sabe demais. Deve morrer. É contra a regra deixar um humano vivo ema vez que tenha presenciado nossos poderes. Por que temos que começar agora?"

Podia sentir seu poder de persuasão crescer e isso me deixou mais enfurecido que antes.

"Salvei sua vida para que um de nós a mate!!"

"Está tentando evitar o inevitável, tentando o destino. Ela devia ter morrido e você se intrometeu!", bradou ele.

Suas palavras me deixaram paralisado.

"O que disse?", perguntei assustado. O medo crescendo.

"A humana... Bella... estava destinada a morrer. Alice viu".

Alice o olhou boquiaberta.

"Jasper!"

"É verdade e estou cansado de esconder isso".

Minha mente disparou. Estavam escondendo algo sobre Bella que não sabia o que poderia ser.

"O que você viu, Alice?"

Me olhou com seu rosto de fada.

"Agora não importa. Já passou.".

"O que você viu?", repeti duramente.

"Não é importante"

"Alice, me ajudaria se contasse o que viu ou entro em sua mente e olho eu mesmo!"

"Tudo bem!", disse ela. Seus olhos buscaram os de Jasper para que a ajudasse. Qual delas? Pude escutá-la pensar.

"Teve mais de uma visão sobre Bella?", perguntei.

Olhou para o chão com arrependimento.

"Uma visão... dois finais." E não vai gostar de nenhum dos dois, certamente.

"Fale!"

"Vi o acidente, e a vi morrer".

Respirei fundo.

"Quando? Quando teve a visão?"

"Logo depois que você foi para o Alasca, mas a única pessoa para quem contei foi Jazz. Queria ir atrás de você e tentar te convencer a voltar. Não entendia porque uma garota podia fazer você ir embora e que você sabendo da visão, permitisse isso."

"E então, me contou que Bella morreria logo", emendou Jasper. "E que você poderia voltar em segurança, uma vez que ela tivesse partido. Então... deixamos a coisa rolar".

"Mas você mudou de opinião e voltou antes dela morrer", continuou Alice com um leve tom de desespero na voz. "Pensei em contar, mas... então...". Seus olhos se encontraram com os de Jasper, suplicantes. Você não vai gostar. Não me faça contar.

"Alice!", gritei. "Se não pode me dizer, conte mentalmente".

Me contou alternando entre palavras faladas e pensamentos.

"Tive a visão outra vez, mas com um final diferente" Por que você estava nela. "Ela estava mortalmente ferida" mas não morta "E você tentou ajudá-la". Tinha tanto sangue que você quase ficou louco. "Ela estava morrendo". Você podia sentir sua pulsação fraquejando. "E sabia por suas feridas que não ia conseguir. Então... você a trouxe a Carlisle" Suplicou que a ajudasse. Suplicou, Edward. Não podia deixá-la morrer. Então... ele... ele...

"Não"

Seus olhos se cruzaram com os meus. Estava falando a verdade, não podia negar. A visão havia sido real.

"Transformou-a, Edward". Fez isso por você. Para que você não ficasse sozinho.

"Não", neguei veementemente.

"Isso resolveria muitos problemas", murmurou Emmett.

Me virei para ele. Minha raiva estava chegando ao limite.

"Não resolve nada! Não farei isso. Não deixarei que ninguém o faça. Não beberei dela. Não a matarei. E pelo amor de Deus, não a transformarei! Não vou condená-la a esta vida".

Esme se aproximou de mim e me disse amavelmente.

"Edward. Pense no que diz"

"Estou pensando!", rugi. "Estou pensando claramente. Vocês querem que eu tome de uma garota que é jovem, inocente, inteligente, bonita – uma garota que acabou tragicamente em uma aula de biologia com um único lugar vazio – cujo único defeito é que é tão cheia de vida que mal posso resistir – e querem que tome tudo o que a faz especial e que a condene a uma vida de escuridão. Por Deus não o farei!"

"Você é um vampiro. Segue seus instintos naturais e beba dela".

"Jazz!", gritou Alice.

Jasper fez uma careta quando percebeu o que havia dito.

"Sinto muito, Alice, mas é a verdade. Não estou dizendo que saia e comece a caçar humanos. Estamos falando de uma garota em particular."

"E eu não farei", repeti.

"Então deixe que um de nós faça", ofereceu-se Jasper.

"NÃO!", gritei. Senti sua influência aumentar sobre mim.

"Ela é só uma humana!"

"Bella é diferente!", insisti.

"Diferente para você, mas não para nós".

"Não se atreva a por um dedo nela!"

"Ok", grunhiu ele. "Mas só a deixarei em paz se você fizer a mesma promessa!"

"O quê?"

"Não a tocarei, mas você também não pode tocá-la".

"Ótimo", assinalei a todos com o dedo enquanto falava. "Não a tocaremos. Não a machucaremos. Não lhe faremos dano algum. E sim, estou me incluindo nisto. A deixarei em paz para garantir sua segurança. Não quero ouvir mais nada sobre sua morte, seja de que forma for, a razão, a causa".

O silêncio da sala era pesado, enorme. Olhei para cada um deles para escutar suas mentes e me assegurar que haviam entendido. Não me surpreendeu descobrir que Emmett duvidava se eu poderia me manter longe de Bella. Eu também duvidava.

"Acha que não vou conseguir". Não era uma pergunta.

"Não, não acredito. Como disse antes, sei muito bem a tentação que você enfrenta".

Tinha razão. E agora cabia a mim contradizê-lo.

"Disse que a deixaria em paz e o farei".

"Como?"

"Vou embora".

Minha confissão foi recebida com um leque de emoções, desde decepção até ceticismo.

"Edward, não faça isso", pediu Esme.

"Não tenho outra opção, Esme. Não quero que ela morra".

"Você é muito mais forte do que imagina. Pode resistir, sei que pode. Você é parte desta família, Edward. Mesmo nessa noite depois de toda a discussão que tivemos, você sabe claramente que esta família não funciona se nos deixar permanentemente."

Deu uma olhada ao redor da sala, olhando nos olhos de todos enquanto falava.

"Quero que Edward fique e gostaria que o apoiassem. Mas precisará de mais apoio, não só o meu". Como ninguém disse nada se limitou a chamá-los um de cada vez. "Alice? Jasper? Emmett? Rosalie? Vocês realmente querem que Edward, que tem sido membro desta família há mais tempo que qualquer um de vocês, nos deixe?"

Ninguém disse que sim. Nem sequer em suas mentes. Me surpreendeu saber disso.

"Edward, fique", emendou. "Ninguém incomodará Bella. Precisamos reavaliar as coisas no futuro. Mas por agora, continuaremos como uma família. De acordo?"

Assentiram e murmuraram palavras de acordo um tanto duvidoso. Rosalie olhou para mim com raiva puxando Emmett para fora da casa. Alice pegou a mão de Jasper e subiram as escadas. Fiquei sozinho com Carlisle e Esme. Olhei para eles, primeiro para um e depois para o outro, querendo que me perdoassem por ter trazido tanta discórdia para nossa família, mas não encontrei nenhuma palavra que pudesse expressar o que sentia. Em vez disso, sai da casa e entrei no meu carro, querendo colocar toda distância que fosse capaz entre minha família e eu durante algumas poucas horas.

Enquanto dirigia, escutei à distância os pensamentos vindos de Carlisle e de Esme.

Acho que ele a ama.

Também acho.