Comentário sobre as reviews:
Crisro, DWS e dels76, muito obrigada por deixar suas reviews! Vi que todos se surpreenderam com o Jensen... Mas a verdade é que o Jared o tinha colocado em cima de um pedestal sem nem mesmo conhecê-lo, e quando viu que ele não era perfeito, se decepcionou... Escrevi dois capítulos nesse fim de semana, e vou postar o cap.4 hoje. Provavelmente devo postar o cap. 5 amanhã. Espero que gostem! Continuem comentando :)
Capítulo 4
Fazer da vida de Jensen um inferno... Esse era o novo propósito da vida de Jared. Toda a admiração que antes o moreno nutria por Jensen, agora transformara-se em raiva. Uma sentimento que logo Jared percebeu que não se aliviaria se ele apenas se apropriasse das merendas do louro, o que ele fez seguidamente durante uma semana inteira. Jensen sempre lhe entregava tudo o que tinha de bom grado, o que só servia para deixar Jared ainda mais irritado.
Para provocar o louro, Jared passou a pegar sua merenda e jogá-la no lixo logo em seguida, ou amassá-la com as mãos, destruindo o que quer que fosse. Nada disso adiantava para tirar Jensen de seu estado de absoluta calma. Certo dia, Jared e Misha estavam na lanchonete da escola quando viram Jensen passar por eles tomando sorvete. Jared notou-o imediatamente e seus olhinhos faiscaram ansiosos.
- Eu estava esperando por isso há dias! – disse sorrindo para Misha. Em seguida foi até o encontro de Jensen, e como todas as vezes anteriores recebeu o sorvete sem precisar pedir. Jared então chegou mais perto do louro, segurou a gola de sua camisa e enfiou o sorvete ali dentro. Jensen estremeceu quando o creme gelado tocou sua barriga morna, e afastou a camisa do corpo para que o sorvete se soltasse e caísse no chão. Ele então olhou para Jared surpreso. O moreno sorriu. Em seguida, Jensen desviou o olhar e abriu o livro que carregava consigo, ignorando Jared novamente. Nem mesmo foi ao banheiro para limpar a roupa.
Jared voltou para perto de Misha. Gostou de ver a surpresa no olhar de Jensen, porém voltara a ficar com raiva quando o louro o ignorou.
- Jared, o que foi aquilo? – Misha perguntou rindo, fazendo a amigo sorrir também.
- Você viu que o infeliz nem foi limpar a camisa? – Jared perguntou indignado.
- Misha apenas riu. Nessa hora Tom e Justin chegaram e se uniram a eles.
- O que foi? Mais uma tentativa fracassada do Jared contra o Jensen? – Quis saber Tom.
Jared acenou afirmativamente, e Misha contou sobre o que o amigo havia feito com o sorvete. Tom e Justin acharam muita graça da história.
Mas ele pouco se importou... – comentou Jared tristemente. – Acho que nada que eu faça vai fazer esse infeliz cair na real e perceber que ele não é melhor que ninguém aqui.
Talvez não adiante mesmo ficar insistindo com esse lance de merenda... – sugeriu Justin. Talvez a gente devesse mudar de tática. Quem sabe dar a ele algum apelido irritante?
Todos gostaram da ideia. Muitos meninos naquela escola tinham apelidos que eles simplesmente detestavam. O Arthur, garoto gordinho e guloso, era conhecido como "Eleglutão". Era só ouvir esse apelido que o menino saía de si. Tinha também o "Quasímodo", que era ligeiramente corcunda; o "girafeio", que era pescoçudo e feioso; o "Beiçorão" que era beiçudo e chorão... E além desses, vários outros.
Os quatro amigos ficaram sentados em silêncio pensando, até Jared dar a primeira sugestão.
- Que tal "Frackles"?
Os outros olharam para ele sem entender – Por que? – Misha então perguntou.
- É uma mistura de "freckles" e "ackles".
Misha, Tom e Justin continuaram a encará-lo confusos.
- Por causa das sardinhas que ele tem...
Jared então parou de falar sentindo-se envergonhado. Corou. Será que eles nunca haviam repararam naqueles pintinhas que o Jensen tinha no rosto?
- Ah deixa pra lá – disse Jared – Esquece... Vamos pensar em alguma coisa melhor.
Os meninos ficaram em silêncio, aparentemente tentando pensar em algum apelido que prestasse. Infelizmente para eles Jensen era perfeito demais, o que tornou a tarefa difícil. Acabaram se decidindo por um apelido bem comprido: "bicha do nariz empinado". Nos dias que se seguiram o louro foi perseguido pelos quatro amigos que tentaram irritá-lo em vão com o novo nome. Jared tornava-se cada vez mais amargo com a indiferença de Jensen.
Certo dia, Jared estava especialmente de mau humor. A primeira aula que teria depois do almoço era a mais chata de todas: história. A professora, Senhorita Evans, era enjoada, e falava baixo e arrastado. A aula durava três longas horas, que pareciam aos meninos uma eternidade. Jared havia dormido tarde preparando um trabalho que precisava entregar à professora naquele dia, e por isso se sentia especialmente cansado. Durante o almoço, o garoto como sempre se sentou com seus três amigos. Assim que começou a comer, entretanto, lembrou-se que tinha largado o trabalho em cima da mesa de seu quarto.
- Que merda! - reclamou ele em voz alta, surpreendendo os colegas.
O menino engoliu a comida o mais depressa que pôde e correu em direção ao dormitório para recuperar seu trabalho e tentar chegar a sala de aula sem muito atraso. O caminho estava deserto, pois todos a essa hora já estavam no refeitório ou se encaminhando para as aulas. Foi então que Jared, surpreso, avistou um garoto escalando o muro da escola. O menino correu assustado até o colega para ver o que estava acontecendo. Não que o muro da escola fosse alto ou difícil de escalar, porém do outro lado dele havia apenas um amontoado de pedras que desciam até de encontro à praia, a vários metros de distância abaixo do nível da escola.
- Hei, o que você pensa que está fazendo? - Jared foi logo perguntando aflito. Seu espanto foi ainda maior quando ele olhou o menino de perto e reconheceu Jensen.
- Estou indo à praia – o louro respondeu com naturalidade, já do outro lado do muro.
- Como assim? Você vai descer tudo isso a pé?
- Vou.
- E vai perder a aula de história?
- Sim. - Jensen respondia monossilabicamente enquanto descia pisando cuidadosamente nas pedras.
Jared ficou indignado. Jensen fazia o que bem quisesse, e ele teria que ir para a detestável aula de história... Aquilo não estava certo. Sem pensar, o moreno pulou o muro atrás do louro.
- Então vou com você – anunciou ele.
- Faça o que quiser – respondeu Jensen, como sempre pouco se importando.
Jensen descia depressa, como se já estivesse acostumado com o caminho. Sabia exatamente por onde passar. Jared foi seguindo desajeitadamente e com medo de cair. Por pouco não acabou desistindo, mas não queria que Jensen o achasse um moleirão. Apesar de cansado e com remorso de estar matando aula, após algum tempo de caminhada, Jared sentiu-se animado. Uma agradável brisa que vinha do mar acariciava seu rosto, aliviando a sensação de calor. Era um dia claro, ensolarado e a visão que tinha da praia e do mar era estonteante. O menino desejou ardentemente se refrescar nas águas do mar e desfrutar de todo aquele paraíso. E Jensen estava indo com ele... Iriam matar aulas e pular ondas juntos... Por algum motivo aquilo fazia Jared sorrir.
O que aconteceu na praia, entretanto, foi muito diferente do que o menino previra. Assim que Jensen colocou os pés na areia, ele se encaminhou para um pequena gruta de onde tirou uma tela, tinta e pincéis. Jared ficou olhando sem entender.
- O que você está fazendo? - ele então perguntou a Jensen.
- Eu vou pintar – respondeu o louro sem lhe dar muita atenção. Começou a misturar as tintas compenetrado.
- Você vem aqui sempre? Deixou todo esse material aqui para pintar?
Jensen apenas acenou afirmativamente com a cabeça.
- Não vai entrar no mar? - Jared então perguntou desapontado.
- Não.
Jared ficou sem ação, afinal, para ele, se alguém estava indo a praia era para mergulhar no mar... Bem, mas se Jensen não ia entrar na água, aquilo não era problema dele, ou pelo menos não deveria ser... Jared ficou exitante. Deveria tirar as roupas e ficar apenas de cueca? O que ele deveria fazer? Ficou aflito olhando para o rochedo que teria que escalar, e dessa vez subindo, para voltar a escola. O que ele estava fazendo ali afinal? Enquanto tudo aquilo passava por sua cabeça, Jensen pintava calmamente. O moreno sentiu-se enganado e teve vontade de esganar o louro. Voltou-se para perto dele.
- Por que não me avisou que não ia nadar? - perguntou com um tom indignado.
- Você não perguntou. E eu estou pouco ligando para o que você veio fazer aqui, então me deixe pintar em paz.
Jared então se virou para ver a pintura que o colega fazia. Era uma pintura muito bem feita, o retrato de um menino lindo e louro. Jared notou surpreso que Jensen pintava a si mesmo. Jensen não o impediu que olhasse e aparentemente não se importou com o fato, continuando seu trabalho.
O fato de Jensen estar pintando sua própria imagem ofendeu Jared profundamente. Aquela era a prova de que ele era um narcisista que só pensava em si. Jared então se afastou, se despindo furiosamente. Se jogou contra as ondas do mar, sentindo um misto de tristeza e raiva. Mas de alguma forma o sol quente, o frescor da água e o balançar das ondas acabou por relaxá-lo e Jared nem viu mais o tempo passar. Quando deu por si Jensen já havia guardado seu material e se encaminhava para subir até a escola.
- Se eu fosse você voltaria agora, já vai anoitecer e é perigoso subir no escuro – Jared ouviu Jensen dizer, enquanto se encaminhava para começar a sua escalada.
Jared então voltou para a areia e colocou suas roupas que colaram no corpo molhado. Jensen não esperou por ele, e foi se distanciando cada vez mais e sem olhar para trás.
