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"SAGRADO"

Por: Deneb Rhode

IV.

Saí em meu porão: e a luz do túnel me guiou para a área mais sombria da Casa de Virgem: as catacumbas. Mais cheias do que eu imaginava: mas ali não haviam sido sepultados apenas alguns poucos Cavaleiros de séculos atrás? Parecia tão repleta de ossadas...

Eu mal me aguentava em pé. Arfava, a dor ainda me consumindo como se fosse arrancar minha alma. Lamentava, entre um arquejo e outro.

—Catacumbas...errei e fui para nas catacumbas...

—Você não devia se preocupar com isso, é o normal. Todos os caminhos levam para a cova. Aqui, tome uma bebida e se recomponha.

Atordoado, nem ouvi direito para saber de quem era a voz atrás de mim, apenas estendi a mão e peguei uma caneca de chá fumegante. Bebi sem pensar duas vezes.

Um gosto amargo. Contundentemente amargo. A caneca se soltou de meus dedos, se espatifou no chão. Na mesma hora sinto as veias como se estivessem em chamas. Desabo de cima dos joelhos, procurando ar. Olho para trás: mas quem me deu essa coisa?

Máscara da Morte. Na minha casa, com jarros, potes, guardanapos, canecas e a expressão mais santa deste mundo.

—Pode deixar, eu limpo!

Olho para ele, não consigo falar. Havia algo de muito ruim naquele chá, que vai paralisando minha língua e me deixando fraco. Num esforço quase louco, ponho as palavras para fora:

—Você é da Casa de Câncer...o que faz aqui?

—Eu não sei ao certo, apenas cheguei aqui—e enche outra caneca de chá—Como eu disse, todos os caminhos levam à cova, ainda mais num lugar onde não há tempo nem espaço. Mas é uma ótima coisa: eu passei anos ocupado apenas em cortar cabeças. E agora...

Me estende outra caneca de chá, não pego, Ele me olha um pouco desapontado, enquanto conclui o pensamento.

—...eu entendi sua missão, e achei sensacional! Estou disposto a ajudar!

Minha missão?

Máscara da Morte se ajoelha junto a mim, estranhamente compassivo, e me recosta em seu colo. Sorri com carinho, passa os dedos para dentro de minha roupa, sentindo meu corpo sem que eu desse consentimento. Solta a lateral da minha túnica: mas que ele pensa que está fazendo?

—Hum, veja só você...Já é bem magro, isso pode adiantar as coisas, que bom. Aqui, mais um pouco de chá: você vai alcançar a iluminação...

Entorna mais uma caneca de chá na minha garganta, eu não engulo, cuspo aquela coisa amarga o quanto consigo. Ele tenta segurar minha boca fechada, um cheiro inconfundível de laca de carvalho invade minhas narinas.

E nessa hora, torto de dor e me afogando percebo atrás dele uma linha de monges mumificados. Eu conhecia o processo: eram penitentes da escola budista Sokushinbutsu que decidiam se livrar do corpo aos poucos, não se alimentando de mais que sementes e cascas de árvores por dois mil dias. Tentando iniciar um processo de mumificação ainda em vida, bebiam um chá. Feito de carvalheiro-bravo, a mesma planta que se usa para laquear madeira na China e Japão.

Altamente venenosa.

Olho cheio de horror para a expressão alegre de Máscara da Morte, que de um pote ao lado tira uma bolota enorme de laca, com o mesmo aroma do chá emanando da resina.

—E pensar que eu passei tanto tempo cortando cabeças, perdendo tempo cortando cabeças...mas isso aqui é tão mais legal!

Arranca minha túnica, me agarra, vai passando a laca no meu corpo sem a menor vergonha. Tem nos olhos um brilho faminto, extasiado, muito mais louco que o habitual. Me abraça sem parecer incomodado com a substância pegajosa, esfrega a resina do alto de minha garganta até meu umbigo: sinto um arrepio, ele se diverte. Resolve derramar a laca venenosa direto do pote no meu abdômen, a sinto escorrer por entre minhas pernas enquanto ele me esfrega com energia, qual um escultor dando acabamento numa estátua de madeira.

—Ah, mas você está ficando tão lindo, tão gostoso!—e aproveita minha inércia intoxicada para lamber meu rosto avidamente, sem parecer se incomodar nem um pouco com a resina—Você está ficando liso, bonito e durinho como um vaso caro de Negoro, que maravilha! Se eu soubesse que o caminho da iluminação de vocês budistas passava por algo tão interessante, eu já teria me convertido faz tempo...É um prazer ajudar você, Shaka, um prazer!

Me ajudar?! Me ajudar em que?! Me ajudar a morrer laqueado?!

"O caminho da iluminação é se separar inteiramente da ilusão física do mundo, assim podendo se tornar um com Buda na transcendência."

—...e durinho mesmo, durinho e brilhante. Mas que bonitinho está, sr. Shaka!

Ele apalpa o meu sexo que brilha, coberto de resina. O move como quer, o entortando para um lado e para outro, como se fosse um brinquedo. Enrijecido pela laca que vai secando meu falo obedece. Máscara da Morte ri, está adorando o passatempo: se joga no chão comigo, me põe montado em cima de seu corpo, joelhos ao lado de sua cintura. Me sinto paralisado, mal posso mexer os braços, sinto a laca secando numa rapidez terrível. E a mão direita do Cavaleiro de Câncer explorando o meu sexo, me masturbando de um modo algo bruto enquanto cobre meu pênis com mais do tóxico verniz.

É delicioso. E horrível. Sinto meu sexo queimar, como se a pele fosse se soltar dele, ao mesmo tempo não consigo sufocar um gemido de prazer. Máscara da Morte parece encantado:

—Está vendo, Shaka? Você estava certo! O caminho é fantástico, e você vai adorar se unir com o Nirvana. Estou vendo na sua cara que está adorando. Imagine só quando chegar lá!

Eu tenho que escapar dele. De algum jeito, de qualquer jeito. Tenho que mover meus braços e pernas, não importa que estejam pesando uma tonelada. Que a laca esteja me transformando numa estátua. Por que não consigo reunir cosmos, não consigo reagir?

Eu só tenho meu desespero. E numa brecha, em que ele me solta para se servir de mais verniz, junto as forças que tenho e que não tenho e...saio correndo.

Grudado, duro, ereto, envenenado, perturbado, mas correndo, e correndo tanto que apenas ouço a voz inconformada do meu algoz sumindo ao longe, perguntando quase num muxoxo "Ei, mas onde você vai?". Não deixo que minhas pernas parem, continuo fugindo, dobro a esquerda nos túneis da catacumba, tropeço em ossos, chuto crânios. Tenho que ir para longe, muito longe!

E acho o portão com a mandala: o jardim das árvores gêmeas. Talvez um refúgio seguro. Ironicamente onde dizem que eu iria morrer, cumprindo com meu destino de iluminação. Me sinto fraco, tão fraco...Estendo a mão, toco a maçaneta...

E caio, enquanto o mundo vai ficando cada vez mais escuro.

(continua...)