"Wilsooooooon"
Wilson estava conversando com uma enfermeira próximo a seu escritório quando House lhe chamou. Ele fazia isso geralmente pra atrapalhar qualquer conversa que ele tivesse com outra pessoa, mas dessa vez parecia que tinha algo sério para conversar com ele.
Os dois seguiram até o escritório de Wilson e ele lhe disse que tinha sonhado com Cuddy.
"Mas que tipo de sonho?"
Wilson começou a se preocupar pensando que pudesse ser alguma lembrança.
"Foi estranho, eu tava escondido em algum lugar mas não me lembro onde, o despertador tocou, ela apareceu e a gente se beijou..."
"... Acho que minha vontade de transar com ela é maior do que eu imaginava."
"House.. Eu já te disse, por favor, não vai atrás dela."
Wilson não sabia como controlar os impulsos de House, mas ele deveria se afastar de Cuddy antes que alguma coisa de ruim acontecesse...
"Por que você não quer que eu chegue perto dela? Vocês estão tendo alguma coisa?
House estava incomodado e Wilson aproveitou para tentar afastá-lo de vez.
"Nós... Estamos saindo."
"Sério?"
House se sentiu estranho, a doutora Cuddy estava mexendo com ele de um jeito que nunca tinha acontecido antes. Vê-la sair com Wilson seria insuportável.
"É.. Quer dizer, nós não temos nada ainda."
Wilson ficou com medo da reação de House e tentou voltar atrás, se ele se sentisse desafiado iria fazer de tudo para conseguir ficar com Cuddy.
House teve uma sensação estranha, como se fosse um dejavu, ele e Wilson falando sobre Cuddy e um ciúme indescritível crescendo dentro dele.
Decidiu ir embora dali antes de transparecer alguma coisa. Wilson aproveitou e foi até o escritório de Cuddy sondar se o sonho dele poderia ser alguma lembrança.
Cuddy estava em seu computador quando Wilson chegou para conversar. Ele lhe contou sobre o sonho de House e queria saber se isso realmente aconteceu.
"Eu não sei, Wilson, deve ter sido apenas um sonho. É impossível ele lembrar de alguma coisa agora, eu não disse nada a ele."
"Eu sei, mas você não se lembra de vocês se beijarem e..."
"Sim, nós sempre nos beijamos, não tenho como saber se isso é lembrança ou sonho, ele não disse mais nada, foi confuso."
"Talvez por isso seja uma lembrança."
"Não é... Eu sei que você queria que fosse, mas não é. Eu já superei isso, sei que ele nunca mais vai se lembrar da gente e está tudo bem."
"Não está tudo bem."
"Mas vai ficar... Um dia vai ficar, você vai ver."
Cuddy estava tentando se acostumar com a ideia de que ele nunca se lembraria de nada. Por mais doloroso que fosse, ela tentava superar um pouquinho a cada dia e um dia seu coração iria se acalmar dessa dor, ela precisava acreditar nisso.
House não estava se sentindo muito bem, dores de cabeça surgiam e passavam em minutos, ele ficava tonto de repente e logo estava melhor. Alguma coisa de errado estava acontecendo.
Ele foi até o escritório de Cuddy conversar com ela, a porta estava entre-aberta e Wilson estava lá. Ele a abraçou de um jeito carinhoso, como se compartilhassem muito mais que uma amizade.
Só queria que fossemos amigos.
Engraçado, é a última coisa que quero que sejamos.
"House? Ta tudo bem com você?"
Wilson estava saindo da sala de Cuddy e viu House na porta, ele estava com as mãos na cabeça, como se estivesse sentindo uma dor terrível. Ele olhou pra Wilson desesperado.
"Tem alguma coisa acontecendo comigo. Eu acho que to alucinando."
"O que você viu?"
"Cuddy... De novo."
Wilson não tinha mais duvidas de que ele estava se lembrando dela. Mas como isso era possível?
"Eu acho melhor você descansar um pouco, isso deve ser o efeito do Vicodin, logo vai passar."
Ele levou House até sua sala e deu a ele alguns remédios para se acalmar, quando ele estava dormindo, foi até o escritório de House conversar com Foreman e o resto da equipe.
"Tem alguma coisa errada acontecendo com ele."
Wilson contou sobre o sonho e o fato estranho que tinha acontecido recentemente. House estava tendo dores de cabeça, isso só poderia ser resultado de alguma lembrança. Porém, Foreman achava difícil que isso pudesse acontecer.
"É impossível. Nós conversamos com o médico, Wilson, as memórias só voltariam se algum o lembrasse e ninguém falou sobre nada."
"Mas então o que é isso?"
"Eu não sei, talvez seja apenas um sonho ou ele esteja criando algumas imagens. House sempre foi sexualmente atraído por ela, isso não tem nada a ver com lembranças."
Ao contrário de Foreman, Chase concordava com Wilson, isso estava acontecendo por algum motivo.
"Eles passaram um tempo juntos, talvez ela tenha deixado escapar alguma coisa."
"Ela sabe o quanto é perigoso, tenho certeza que não deixou escapar nada."
Foreman continuava firme em sua opinião. Não existia nenhuma explicação possível para isso acontecer. As imagens tinha sido apagadas de seu consciente e não existia nenhuma forma dele chegar ao subconsciente.
"Mas e quanto a outras formas de sentido? Eu se livrou de visão e audição, mas e olfato, tato, paladar... Ele pode ter se conectado ao subconsciente através do cheiro do perfume dela."
A teoria de Chase fazia sentido, olfato era um sentido que poderia ter desencadeado as lembranças. Foreman começou a cogitar isso, mas não existia nenhuma explicação lógica para elas voltarem.
"Depois que nós fomos conversar com o médico eu comecei a estudar essas possibilidades, mas nenhum desses sentidos poderiam chegar ao subconsciente. São fracos demais para isso."
Wilson não sabia o que pensar, eles tinham que descobrir o que estava causando isso antes que fosse tarde demais.
"Um choque de memória pode causar um dano muito forte. Nós temos que descobrir de onde vem essas imagens e parar antes que seja tarde."
Foreman tentava pensar em alguma causa, mas não conseguia chegar à conclusão nenhuma.
"Eu não sei o que é, mas tem que ser alguma coisa muito forte..."
Ele andava de um lado para o outro tentando desvendar esse mistério. Era irônico que a única pessoa que pudesse chegar a essa resposta era a única que não podia saber de nada. O que poderia ser tão forte a ponto de puxar algumas memórias?
"Só se..."
Wilson e Chase olharam para o rosto preocupado de Foreman, ele parecia ter chegado à uma conclusão.
"Mas é impossível..."
Foreman falava consigo mesmo, incrédulo. Era óbvio que era isso, mas House a conhecia à apenas uma semana, eles nem tinham passado muito tempo juntos. Ele se virou para Chase e Wilson e explicou sobre o único fator forte o suficiente para conectá-lo ao inconsciente.
"Ele se apaixonou por ela de novo."
Só um sentimento intenso poderia causar isso. E eles nada poderiam fazer para ajudar.
