SAVE UP ALL YOUR TEARS

Classificação: SLASH leve (homem X homem). Não gosta? Aperta aquele "xiszinho" ali no alto da página e se manda!

Disclaimer: Todos os personagens pertencem à J.K. Rowling. Eu só escrevo, porque gosto, sem fins lucrativos.

Par(es): Severus Snape X Lucius Malfoy

Gênero: Songfic / Drama

Aviso: Universo alternativo, ou seja, nada de magia. Apenas o mundo real...

Betas: JayKay-chan e Madam Lestat (Muito obrigada, meninas!)

Agradeço pelas reviews aos dois primeiros capítulos...

CAPÍTULO III – DON'T CRY FOR ME

"Baby, save up all your tears

You might need them someday

When the tears start to fall

I won't wipe them away

When you cry in the night

For the love that you need

Baby save up your tears

Cause you'll be crying over me"

Já na rua eu estava, andava como um vagabundo sem destino. Havia me distanciado bastante daquele hotel, deixei tudo para trás: roupas, documentos, Lucius. Sim, eu o deixei. Mas e agora? Partir não o maior problema, o pior seria superar. Acostumar-me a viver sem ele, sem a presença prepotente, sem o contato flamejante. Tanta coisa eu tinha ainda pela minha frente...

Não havia retornos, disso eu tinha certeza. Tampouco havia atalhos no meu caminho, eu tinha de segui-lo por completo. Recomeçar, essa era a hora...

Sentei num banco da praça, banco de madeira desgastada, parecia nem agüentar o peso no meu corpo esguio. Mas me sentei mesmo assim. O relógio, agora, marcava 4:30h, a lua ainda brilhava intensa no céu. O cansaço acabou por me vencer, adormeci naquela praça, como um bêbado qualquer, sem consciência, sem história.

Lembro-me de ter sonhado com as noites íntimas que aquele terrível hotel tinha sido testemunha. Os movimentos calorosos, os gemidos, os enlaçamentos, os prazeres... As quatro paredes eram nosso salão de dança, onde nossos corpos bailavam uma dança exótica e sensual, talvez pecaminosa.

Acordei com um grito estridente no ouvido. Uma criança, aparentemente desocupada, achara incrivelmente engraçado acordar-me de mau jeito. Levantei raivoso, ocorria-me uma vontade louca de chutar aquele pequeno ser à minha frente. Mas foi quando eu vi o seu rosto: um sorriso inocente, um olhar meigo, expressões angelicais. E toda raiva evaporou, como água exposta ao sol. Lembrei de minha infância, senti saudades. Olhei bem nos fundos dos olhos da menina e sorri. Ela me retribui com a risada mais doce do planeta.

Despedi-me e continuei a vagar pelas ruas, à procura de outro hotel onde pudesse me alojar. Há pelo menos dois anos, já me encontrava trancafiado naquele hotel vagabundo, e como eu odiava aquela rotina. E por que eu ficava? Porque lá fora o primeiro lugar onde me encontrei com Lucius, lá passamos a primeira de muitas noites juntos.

Não pude evitar um riso quando pensei na ridícula idéia de um primeiro encontro. Até parece que fomos ao cinema e tomamos sorvete juntos. Não, tudo sempre começava e terminava na cama, pelo menos para Lucius. Tínhamos de assumir que nunca fomos adeptos ao romantismo, ainda mais após os quarenta anos.

Cheguei a um hotel bem simples, porém, consideravelmente superior ao anterior. Sentia-me um pouco mais seguro agora, como se aquele paradeiro me protegesse de possíveis recaídas. Tinha as pernas cansadas, os músculos repuxavam. Certamente, conseqüências da grande caminhada noturna. A cama confortável acabou me convencendo, entreguei-me a um pequeno cochilo.

Abri os olhos rapidamente, acordei assustado, talvez por causa de um pesadelo. Qual não foi minha surpresa ao encontrar, bem ao lado da minha cama, a figura alva tão conhecida.

Lucius estava em pé, olhando pela janela. Por mais que eu tentasse, era impossível negar sua elegância: grande estatura, ombros largos, pernas compridas, a musculatura bem torneada. Seu corpo parecia obedecer à harmoniosa partitura. E era igualmente belo: a cabeleira tão loira que beirava sua cintura, o nariz afilado, os olhos do cinza mais misterioso, a boca desenhada. A capa preta arrematava a beleza deveras natural.

Ele olhou para mim, seus olhos invadiram minha alma. Andou até minha cama, sentou-se na ponta. Abaixou a cabeça, passou a pelos cabelos, parecia pensativo. Virou-se para mim e falou:

- "Severus, porque partiu noite passada?" – a mesma voz arrastada de sempre.

- "E você notou a minha partida?" – eu respondi, sarcástico

- "Não seja imbecil! Isso é óbvio."

- "Isso, Lucius, vá em frente. Humilhe-me mais uma vez. Já é costume, não é?".

- "Severus, pare. Você sabe o quanto eu odeio essa encenação de vítima. E não combina em nada com você"

Ele estava repleto de razão, eu tinha de admitir. Esse papelão de vítima era ridículo e nem um pouco condizente com a nossa realidade. Mas eu não podia evitar, meu coração pulsava tão forte e eu prendia minha respiração. Não conseguia achar as palavras certas e tampouco tinha forças para exprimi-las. Preferi o silêncio.

- "Severus, eu continuo esperando minha resposta." – sua voz era firme.

- "Percebi que minha presença era insignificante. E o seu sono era mais tranqüilo sem mim." – eu respondi raivoso.

- "Ora, Severus, você se tornou sentimental e nem me avisou?" – sua voz, agora, era debochada, mas irresistível.

- "Essa, Lucius, é a verdade. E a verdade independe desse maldito sarcasmo na sua voz." – minha voz se alterou, eu quase gritava.

- "E o que você esperava? Um conto de fadas? Você sabia com quem estava se envolvendo. Você sabia as condições de se envolver." – suas palavras, às vezes, me atingiam como punhais afiados.

A verdade nunca havia sido o forte de Lucius, mas quando ele decidia valorizá-la era algo doloroso. Eu não tinha argumentos, ele estava completamente certo. Eu sabia de tudo aquilo. Se me iludi, foi unicamente porque assim eu quis. Não podia culpá-lo.

- "Lucius, faça um favor, vá embora agora." – minha voz era baixa, fria.

- "E quem disse que eu quero ir?" – ele respondeu audacioso.

- "Eu não perguntei se você quer. Eu estou pedindo para você ir." – eu não alterei minha voz, sabia que gritar não adiantaria nada agora.

Então, eu percebi que as minhas palavras afetaram Lucius. Pela primeira vez, ele parecia me escutar de verdade. Sua fortaleza, agora, parecia ter desabado. Suas defesas foram por água abaixo. Ele estava tão exposto quanto eu. E era fácil perceber o quanto essa sensação era nova para ele.

As suas pernas pareciam bambas, como se alguém tivesse retirado o chão onde ele pisava. Será que esse fora eu? Ele se sentou na ponta da cama, abaixou a cabeça, fixou o olhar em um ponto do chão. Sua imagem era mesma do que a minha na noite anterior. Será, então, que ele finalmente entendia?

-"Por que, Severus? Por quê?" – ele mantinha o olhar no chão.

- "Lucius, você sabe o porquê. Nosso fim já estava escrito, antes mesmo do nosso início"

- "Não me venha com frases feitas, Severus. Você sabe que não acredito em destino."

- "Sim, mas ele continua agindo. Mesmo sem a sua crença."

- "Disseram-me uma vez que nós podemos mudar nosso destino. Talvez, seja verdade." – a sua voz era fraca, parecia implorar por algo.

- "Não insista, Lucius. O fim é o melhor agora. Tanto para mim como para você. Não há mais retornos." – minha fala contrariava o ritmo do meu peito.

- "Melhor para quem? Somente para você, talvez." – pela primeira vez, eu conseguia detectar algo na voz dele, senão a frieza.

- "Então, você realmente acha que isto está sendo fácil para mim? Você acha que foi simples sair pela porta daquele quarto? Eu lutei, Lucius. Eu lutei contra minha própria vontade."

- "Eu ainda não sei por quê!" – ele continuava insistente.

- "Porque eu não podia mais ficar. Porque eu me machucava a cada minuto" – eu controlava as emoções, eu lutava, mais uma vez, contra meus impulsos.

- "Eu achava que você sentia prazer. Pelos seus gemidos, pelos arranhões..." – ele realmente tentava se insinuar?

-" Sim, Lucius, você me deu prazer. Mas ele deixou de ser suficiente"

Ele se calou. Será que o arsenal de contestações havia terminado?

- "Lucius, você nunca entenderá. Você não sabe como é deitar toda noite e se sentir vazio, se sentir sozinho com alguém ao seu lado."

Ele permaneceu calado. O que havia de errado?

- "Toda noite, após seu sono chegar, eu me virava para o lado, encarava a fria parede. E não havia sequer uma noite que eu não desejasse mais."

Nem uma palavra...

- "Você não sabe como é sofrer por não ter aquilo que mais se quer. Você não sabe como é ter que prender as lágrimas e engolir a seco. Você não sabe..."

- "Quem disse que eu não sei?" – a voz dele era quase uma lembrança, tão distante.

A surpresa foi muito intensa. Não sabia o que falar, estava confuso. Agora, os dois se entregavam ao silêncio.

CONTINUA...

Comentários da autora: Chegamos ao fim do 3º capitulo! Mas ainda tem mais, gente! Espero que tenham gostado. Escrevo de todo coração, pois sou apaixonada pelo Snape. Por favor, deixem uma review! Não mata nem engorda... E só assim eu sei a opinião de vcs, o que tenho de melhorar... Participe da campanha "Faça uma pobre autora feliz! Deixe uma review!". rsrsrs

Beijossssss

Até o próximo capítulo...