Capítulo IV
A Partida
O verão passou rápido. Elizabeth havia prometido a si mesma que aproveitaria as férias ao máximo e não pensaria no Internato. Ela passou a maior parte do tempo no jardim brincando com as outras meninas. Apesar da promessa era difícil não pensar na mudança. Enquanto lia um dos livros da biblioteca não podia deixar de perguntar-se se eles teriam os livros que ela amava na nova escola. E quando uma das meninas mais novas pediu sua ajuda para amarrar o sapato ela imaginou se os alunos mais velhos também a ajudariam. Dentro de alguns meses Marcie faria 11 anos, talvez ela também fosse enviada para o mesmo internato, mas não havia garantia. As meninas eram mandadas aos orfanatos com vagas no momento da transferência e Elizabeth não lembrava de nenhuma outra menina de Saint Claire que tivesse ido para o George Nicholas.
A carta estranha também a inquietava mas de outra maneira. Era um mistério a ser desvendado e isso lhe dava prazer. Gostava de pensar em seu conteúdo e em seu remetente. Fantasiava que seus pais a haviam enviado e que a esperavam em Hogwarts.
O dia 31 de agosto chegou mais cedo do que o esperado. Às 7 horas da manhã Elizabeth já estava pronta para a partida. Ao seu lado uma mala pequena com suas roupas e nas costas a mochila onde carregava além de um lanche, o diário, a boneca Gertrudes, a carta de Hogwarts e o exótico presente. A despedida foi rápida, algumas lágrimas e a promessa de muitas cartas.
Irmã Madeleine e a menina tomaram um ônibus rumo a Londres. A viagem duraria 3 horas até a estação onde Elizabeth embarcaria com destino a Dover. Durante o trajeto houve tempo para escrever no diário:
Glouceshire, 31 de agosto de 19...
Querido diário,
Estou a caminho do internato. Marcie chorou muito quando eu deixei Saint Claire. A Sra. Jones preparou um lanche que de tão pesado mais parece um almoço. A Madre Superiora me deu um beijo pela primeira e última vez e foi esquisito. Eu senti vontade de chorar mas consegui me controlar. A irmã Madeleine está indo comigo até a estação em Londres e de lá eu irei sozinha de trem para Dover. Ela disse que eu não preciso me preocupar porque haverá um funcionário do internato me esperando quando eu chegar. Só que a minha preocupação não é por medo de me perder no caminho.
