As saídas de sexta-feira continuaram nas semanas que se seguiram, e junto a elas somaram as tarde de domingo, quando todos se reuniam no parque ou iam ao shopping levar Melanie para se divertir também, afinal, ela dizia que também precisava desestressar. O jardim de infância pode ser muito difícil.
A véspera de Natal já se aproximava e a ceia na casa dos McCall estava marcada. Naquele ano teriam mais dois convidados: Alisson e Derek. E Melanie não descansou enquanto não convenceu seu pai a comprar um presente para o veterinário.
- Mel, a gente só dá presentes para quem é da família. – ele tentava explicar para ela, enquanto andavam sem rumo pelo shopping.
- Não mesmo. A gente compra presente para quem a gente gosta. A senhorita Morell disse isto esta semana e deu para todos nós um presentinho. Então, eu gosto do Derek. E nem adianta disfarçar porque você também gosta dele.
- Eu gosto... Eu gosto dele? De onde tirou isso, menina?
- Da sua cara. Do sorriso que você fica quando fala com ele no telefone. Pai, quando ele liga pra você, seu sorriso fico igual ao do gato da Alice. – ela havia parado de andar e comentava aquilo, segurando no braço do pai e com uma expressão de quem explica o maior enigma do universo.
- Chega de conversa. Vamos achar logo esse presente. – ele cortou o assunto e continuou andando pelas lojas.
Nada do que viam era bom o bastante para Melanie. Ela queria que o presente fosse "perfeito". Viu perfumes, relógios, óculos, carteiras, sapatos. Entrou numa livraria, mas saiu de lá rapidinho pensando que não saberia escolher um livro para Derek.
- Mel, vamos parar um pouco, comer um lanche e depois continuar? Já tem duas horas que estamos procurando e você não gosta de nada.
- Tudo bem, papai. Minha barriga está mesmo precisando de batatas fritas.
Eles se encaminharam para a praça de alimentação, e antes de alcançar a área das mesas, ela segurou a mão de Stiles e deu um gritinho:
- Ah! Pai, achei! – e apontou a vitrine de uma loja – Aquilo é perfeito.
Stiles olhou a vitrine cheia de artigos masculinos. Mas não precisava perguntar o que Mel apontava, assim que viu o manequim já sabia que aquele era o presente perfeito. Sorriu para a filha, deu a mão a ela e caminhou até a loja, saindo de lá em menos de 10 minutos com o embrulho prateado, enfeitado com um laço verde e vermelho.
Na quarta-feira, véspera de Natal, os Stilinski chegaram cedo na casa dos McCall. Melanie fez questão de colocar o presente de Derek sob a árvore. Tirou o pesado casaco e foi até o canto da sala onde sempre tinha algum brinquedo seu esquecido.
Derek chegou por volta de 21h e trazia consigo uma sacola de presentes também. Com a ajuda de Mel, colocou os presentes junto com os outros, cumprimentou os demais e comentou com Scott, em voz baixa:
- Cara, ainda tem um presente lá no carro.
- A porta está destrancada, pode entrar e sair a vontade. – o anfitrião respondeu.
- Não é isso. É que esse presente não pode esperar para ser dado. Será que vai dar confusão se eu trouxer agora?
- O que você está aprontando, Derek?
- Nada. – ele deu de ombros, um sorriso travesso no rosto e os olhos fixos em Mel que conversava animadamente sentada no colo de Stiles numa cadeira da cozinha – Tudo bem ir lá buscar?
- Claro. – Scott respondeu acompanhando o olhar do sócio e tentando entender o que via ali: carinho por Mel ou algo mais pelo pai da menina?
Derek não falou mais nada com ninguém, saiu sem fazer alarde e voltou rápido, com uma caixa vermelha, com laço dourado e furinhos nas laterais.
- Mel! – ele chamou quando chegou na cozinha e a menina, ainda no colo do pai, o encarou com curiosidade – Será que seu pai ficaria bravo se eu lhe desse seu presente antes da meia-noite?
- Ficaria, papai? – o tom de voz dela era quase uma súplica para que ele respondesse que não ficaria bravo.
- Não, meu amor! Não vou ficar bravo. Mas só esse que você vai abrir, ok? O resto vai ter que esperar.
Ela saltou do colo de Stiles e foi para perto de Derek que entregou a caixa para ela. E quando ela abriu a tampa, seu queixo caiu e seus olhinhos se encheram de lágrimas.
- Pai! – ela chamou a voz meio embargada, agora um sorriso iluminando seus olhos – Pai vem ver! – e ela tirou uma bolinha de pelos marrom escuro da caixa, com uma coleira amarela e uma plaquinha de metal em forma de osso pendurada, onde se lia Cake. – Eu ganhei o Cake! Tio Scott, Tia Melissa, vovô! Eu ganhei o Cake. Eu tenho um cachorro. Oh céus, Derek, você é muito mais legal que meu tio Scott!
E ela agora não sabia se segurava o cachorro, se abraçava Derek, se exibia o presente para todos na sala.
- Stiles, eu devia ter... Sabe, perguntado antes se tudo bem, se tinha problema dar um cachorro para a Mel. Mas ela ficou tão apaixonada pelo Cake que eu não resisti. Bom, para amenizar, ele vem com plano de saúde, tá? Vacinas, consultas, banho... O que precisar, é por conta da clínica. – o veterinário parecia nervoso demais, mais preocupado com a reação de Stiles do que da nova dona de Cake.
- O único problema, Derek – ele começou sério demais – é que agora você vai ser mais legal até que o Papai Noel que só vai trazer uma casa da Barbie para ela.
Ele sorriu para o veterinário e este suspirou aliviado. Na cozinha dos McCall, Mel sentava no chão junto com o avô e o padrinho para brincarem com o cachorro.
- Agora é que ninguém vai querer comer mesmo nesta casa. – Melissa McCall comentou, enquanto dispunha os pratos tradicionais na grande mesa da copa.
Mesmo com toda euforia por causa de Cake, todos se sentaram a mesa para a ceia. E só depois de estarem todos satisfeitos até demais é que os outros presentes foram abertos.
Livros, CD's, camisetas, brinquedos... Até que sobraram dois presentes apenas embaixo da árvore. Stiles pegou o embrulho que daria a Derek e estendeu para ele ao mesmo tempo que o veterinário lhe passava o último pacote.
- Feliz Natal! – Stiles disse, sorrindo com seu presente no colo.
- Feliz Natal para você também! – Derek respondeu, o embrulho firme em uma das mãos, sem tirar os olhos de Stiles.
- Derek, - Mel chegou perto, dando um puxão na camiseta do homem – o seu presente não é a caixa. Você tem que abrir para ver o que tem dentro.
Ele balançou a cabeça, voltando a se concentrar no embrulho e sentou ao lado de Mel no sofá, ouvindo ela dizer que tinha escolhido o presente pessoalmente.
Quando o papel de seda branco que tampava o presente dentro da caixa, foi a vez de Derek se espantar: uma jaqueta de couro preta, estilo motoqueiro, chegava a reluzir em seu colo.
- Você gostou? – ela perguntou – Experimenta para ver se serve.
- Adorei, Mel! - Ele tirou a jaqueta da caixa e a vestiu por cima do suéter cor de vinho. Tinha um caimento perfeito, no tamanho ideal. Era aconchegante, forrada por dentro, com alguns bolsos internos e dois externos. Deu um beijo na bochecha da menina e falou – Perfeita, dona Melanie Stilinski, a senhorita sabe como agradar um rapaz.
- Meu pai que escolheu o tamanho. Ele nem precisou ficar muito tempo prestando atenção. Parece que já sabia até que número de roupa você veste. – ela comentou, displicente, e se virou para o pai que já estava ruborizado – E o seu presente, pai? Quero saber o que o Derek comprou para você.
Stiles acenou com a cabeça e desfez o embrulho. Sorriu da coincidência, ao notar que também tinha ganhado uma jaqueta, mas a sua não era de couro. Lembrava mais um agasalho de ginástica, na cor vermelho vivo e com a marca oficial da Adidas estampada nas costas.
- Eu vi umas fotos suas que o Scott tem no computador. Foto da época da escola. Você tinha um casaco assim. Acho que vermelho cai bem em você. Deveria usar mais.
- Obrigado. – foi tudo o que Stiles conseguiu dizer e ficou ali, admirando o presente e pensando em todas as informações que havia recebido: Derek viu fotos antigas dele, reparou nas suas roupas, e dizia que ele ficava bem de vermelho, e tudo isso sem ser em tom de zombaria. Aquele era o melhor natal dele em anos.
