Isabella Pov

—Está incomodada com algo querida? – perguntou Alice Cullen ao meu encalço

—Não, eu só quero ir ao banheiro lavar meu rosto, será que eu posso? – ela assentiu sorridente ainda me seguindo. Ela era uma ótima companhia nas ultimas horas. Claro, quando ela não estava checando meus sinais vitais de cinco em cinco minutos.

Edward optou por ir embora pra descansar um pouco em casa, e Alice ficou 'responsável' por mim nessas ultimas 12 horas. Se tudo desse certo, amanhã de manhã eu iria para casa, por assim dizer. Eu não queria aceitar essa condição, mas não existia outra escapatória, pois Carlisle me caçaria até o inferno se pra lá eu fosse.

Mesmo com aqueles pontos pelo corpo inteiro, mas os que mais latejavam eram o horrível corte da testa e da nuca, me fazendo arrepiar a cada repuxão que dava ,fiz a higiene matinal e voltei para aquela cama desconfortável. Eu só queria um lugar melhor que aquilo. Na verdade eu queria minha casinha velha, meu quarto, meu moletom puído, eu queria voltar pra Compton. O lugar em que cresci mesmo que tenha sido uma infância um pouco traumática com a ausência de minha mãe, mas meu pai soube suprir toda a falta dela. Ele era meu herói, meu amado pai.

Virei para o lado em que Alice Cullen estaria e lá estava ela mexendo em algo no celular de última geração. Bufei e Virei para o lado oposto, tomando cuidado com os movimentos bruscos, os pontos ainda estavam no meu abdômen. Fiquei presa em pensamentos aleatórios, nenhum que me fizesse entrar em uma discussão mental ou até me fazer falar em voz alta feito a louca que eu era nessas horas. Não tinha nada pra se fazer e aquilo já estava me irritando, pois não queria dormir mais do que já dormi nesses últimos dois dias. O silêncio também me incomodava então tornei a virar para o lado de Alice. Ela agora parecia compenetrada em uma rachadura mínima no alto da parede á sua frente, mas parecia não enxerga-la realmente, pois apenas o olhar estava ali, os pensamentos pareciam estar em um lugar muito distante. Cocei a garganta forçadamente e consegui chamar-lhe a atenção. Suspirei e encarei-a.

—Estou entediada! – despejei com uma intimidade desconhecida. A forma que falei parecia que eu a conhecia há anos e não há horas. Ela sorriu timidamente e pensou em algo.

—Quer jogar? – falou estendendo-me o aparelho que há minutos atrás estava em suas mãos. Neguei. Nunca fui muito paciente com jogos, eu sempre gostei de coisas mais antigas, como um livro, ouvindo as musicas preferidas de Charlie contidas nos enormes discos de vinil, a eterna paixão dele.

—Você pode me conseguir um livro? Ou simplesmente umas músicas dos anos 60? Um hard rock... – fui diminuindo a minha voz conforme a expressão de Alice ia se revelando surpresa.

—Isabella, quantos anos você tem? – perguntou mostrando tudo que estava no olhar

—dezenove, por quê?

—Minha prima tem 18 e ela nem sabe o que fazia sucesso nessa época. Acho que ela nem sabe o que é hard rock. Livros? Dei um pra ela no natal passado e ela quis trocar com a minha irmã por um casaco de lã! Amém, achei alguém que honre o que era bom! – disse animada, eu ri baixinho do entusiasmo e foi o convite pra ela dizer mais sobre esse natal e vários outros que se passaram.

(...)

Alice continuava falando até que a porta branca do quarto se abriu, por ela passou Edward, com os cabelos úmidos, provavelmente pelo recente banho, com um suéter azul-marinho com listras horizontais brancas, e uma calça jeans negra. O meu olhar se perdeu no suéter, pois ele estava colado ao corpo do homem á minha frente e me dava uma boa visão dos músculos definidos por baixo do tecido, engoli em seco baixinho e então desviei o olhar ao perceber que ele havia percebido que eu encarava-o. Ele deu um pigarro, e levou a mão para os cabelos, bagunçando-os, diferente do modelo alinhado que estava hoje de manhã.

—Hm, Alice? – disse se virando para ela, chegando mais perto da minha cama – Você quer ir? Aposto que Jasper está furioso comigo por te fazer ficar aqui, espero que ele não brigue com você. – disse Edward e pelo que percebi ele estava muito envergonhado de causar uma possível discussão entre Jasper e Alice.

Alice deu um sorriso sem graça e assentiu, se levantando da poltrona estofada, me dando um leve abraço e se virou para Edward.

—A gente pode conversar um minutinho lá fora? – Edward deu um sorriso presunçoso e se virou para a porta. Alice se virou novamente pra mim e acenou.

—Amanhã eu vou ver você, ok? Tenho certeza que você gostará da nova casa - eu assenti calmamente. Não gostando, é claro, da última frase. Ela sorriu e se virou para porta acompanhada de Edward para conversar algum assunto familiar.

(...)

Eu estava apreensiva, afinal o médico havia dito que passaria ás 14:00 para assinar a alta, e já haviam se passado trinta minutos do combinado. Eu já estava vestida, usava uma regata branca com um casaquinho fino vermelho, e uma calça jeans clara, não sei de onde essas roupas haviam brotado, mas me ajudou muito já que não estava nem um pouco a fim de vestir as mesmas roupas com que dei entrada aqui. Elas não me traziam boas recordações, definitivamente não!

Edward havia saído do quarto fazia uns bons cinco minutos, ele estava apreensivo tanto quanto eu, mas ao contrario do meu bom sentimento, ele parecia um pouco incomodado. É claro que eu sabia o motivo. Eu. Ele não queria eu morando no mesmo teto que ele, eu era uma estranha, uma pobretona filha do ex-motorista de seu pai. Eu estava odiando isso. Por quê ele? Mesmo não querendo ajuda, eu aceitaria um quartinho na casa de Carlisle, eu gostava muito dele, ele era uma pessoa bondosa demais, não é a toa que meu pai significava como um amigo pra ele.

Cansada de fungar e roer as unhas, liguei a TV, mas depois de zapear vários canais, sem realmente ver o que continham, eu desliguei. Me aquietei mentalmente para não entrar em crise. Arrumei pela quinta vez a barra da blusa, e batuquei os dedos nervosos na barra de ferro ao lado da cama. Acho que, pelas minhas contas mentais, passaram-se 20 minutos, e alguém abre a porta. Suspirei aliviada pela hora ter finalmente chegado. Edward e o médico passaram pela porta me fitando. Edward com a mesma cara de indiferença de sempre, e o Dr. Com uma felicidade falsa, apenas para dar a notícia de que finalmente eu poderia sair daquela cama, daquele quarto. Nunca achei a cor branca tão enjoativa.

—Feliz, Isabella? Tenho certeza que estava se corroendo pela minha demora, me desculpe, mas parece que hoje é o dia de dar altas – e riu sonoramente. Edward se sentou na poltrona também branca assim como tudo naquele ambiente, e ficou quieto. O simpático médico foi até a prancheta pendurada no pé da cama e com uma caneta dourada, na cor azul, rabiscou algo e se dirigiu novamente a mim, sorridente como entrou.

—Pronto, agora só pegar seus pertences e poderá descansar em casa. Por favor, sem esforços físicos como levantar peso e nada de alimentos gordurosos. Vou lhe passar a dieta que você terá que manter por aproximadamente um mês, e sem estresse, ou emoções fortes, ok? – ele disse e eu assenti. – Tchau Isabella, Tchau Edward.

Ele se retirou após o aperto de mão entre ele e Edward. Ainda estava sentada e me movi para colocar as pernas pra fora na cama. Ao levantar me senti um pouco desconfortável, os pontos estavam doloridos, mas eu conseguiria guardar isso pra mim, afinal não parecia que o homem ao meu lado estaria disposto a me ajudar.

Edward superou todas as minhas expectativas. Ele pegou a pequena mala com meus pertences e segurou a porta aberta para mim, sem dizer nenhuma palavra. Nós andamos pelos corredores cheios de enfermeiros passando a toda hora de quarto em quarto. Pegamos o elevador e descemos até o térreo. Edward pediu pra que eu me sentasse na cadeira da recepção para ele assinar uns papéis, ação a qual não demorou nem cinco minutos. Seguimos então para o estacionamento, onde se encontraria o carro dele, e que carro. Esse modelo era 'velho' por assim dizer, mas me lembro dos comerciais do grandioso Volvo XC60 negro. O carro esbanjava elegância. Combinava exatamente com o dono.

Ele abriu a porta do passageiro para mim, me deixando totalmente sem graça com esse cavalheirismo dele. Entrei e depois que deu a volta partiu ruma á casa. Acho que cerca de 20 minutos estávamos na frente de uma casa de dois andares, ela era estreita de frente, mas olhando para o lado, se via que pegava uns bons 50m do lindo gramado verde. A casa era de um cinza claro e cremoso, as portas e janelas eram todas de madeira rústica e o jardim na frente tinha dois bancos de três lugares, de ferro e brancos, com uma mesinha redonda ao canto do mesmo material e cor. A cerca era baixa e branca, típicas do bairro pelo que eu pude ver ao redor. Aquela casa era linda e simples, nem me dei conta de quando o ruivo abriu a porta. Com cuidado sai do automóvel e segui Edward. Ele abriu a porta e entramos por um corredor curto e estreito onde duas portas estavam fechadas. Ele se dirigiu para a do fim, mostrando uma sala infinitamente iluminada. Havia uma pequena escada com apenas três degraus baixos que davam para o piso de madeira claro, ao contrário das janelas de madeira da entrada, lá havia grandes cortinas beges que revelavam pela fresta que havia uma imensa janela de vidro. Do lado esquerdo da sala tinha uma lareira marrom avermelhada, onde um fogo baixo crepitava. Ao lado, duas poltronas brancas com almofadas beges estavam posicionadas uma a frente da outra, acima de um tapete marrom como a lareira. No lado direito havia um sofá grande e um menor, encostados á parede e uma estante na parede a frente, com uma enorme TV de plasma e alguns aparelhos. O meio estava vazio como se fosse a separação do ambiente, entre a lareira e a TV.

—Bem, aqui é a sala. Eu não costumo usa-la, apenas nos dias que neva, ou se não quando há uma festa de fim de ano. Mas, claro, sinta-se em casa para usa-la. Vamos por aqui. – disse se virando novamente pra porta que entramos, voltamos ao corredor e ele abriu a porta á esquerda. A porta me revelou uma sala de jantar e havia varias portas. A mesa de oito lugares era de madeira clara e as cadeiras também, estofadas com um fino tecido na cor branca. Um vaso com um lindo e pequeno arranjo de tulipas roxas. Mais ou menos dois metros longe da mesa estava uma grandiosa escada de madeira rústica como era a maioria dos utensílios de construção da casa, e daria para o segundo andar com apenas uns 20 degraus. O outro lado, uma adega adornava a parede e havia de tudo um pouco ali, parecendo intocado até então. Havia também uma porta ao lado fechada, e haviam mais umas duas, uma atrás da escada e outra entre a parede da adega e a parede da porta que dava acesso ao corredor, também fechadas.

—Sala de jantar também não é usada. Hm... Aquela porta é a cozinha, quer conhecer? – ele apontou para a porta ao lado da adega. Eu quis rir da cara dele, era a mesma coisa de perguntar se um cego queria ver a luz. Eu amava cozinhas, e se a casa já era linda mesmo eu conhecendo dois cômodos, a cozinha deveria me enlouquecer. Apenas fiz um movimento breve de cabeça e ele avançou a minha frente com eu lhe seguindo ansiosamente para descobrir o cômodo seguinte. A cozinha era um espetáculo! Mais perfeita impossível. Era toda planejada e em preto e branco. A geladeira negra estava embutida ao lado da bancada de granito que cobria duas paredes, essa bancada estava cheia de utensílios de cozinha, como micro-ondas, liquidificador, processador e outros demais. Abaixo dessas bancada eram uma parte de gavetas com puxadores prata e roliços, e a outra parte era composta de portas com os mesmos puxadores das gavetas. Quando a bancada acabou, havia uma peça de granito negro com dois fornos embutidos, e começava mais uma bancada menor que a outra que continha um cooktop de cinco bocas preto sob a bancada branca. Á frente das bancadas havia outra bancada mais rasa e negra que na parte de fora, virada para nós, havia um vidro dois dedos pra baixo do topo dela, mostrando uma mesa para café e demais refeições. Acima dessa mesa/bancada havia duas lâmpadas na cor branca. Pra sentar havia três cadeiras brancas inteiramente revestidas de tecido e altas. Era linda. Sempre foi meu sonho uma cozinha como essa.

— Costumamos comer aqui, temos uma empregada e ela mora aqui, estará sempre ás ordens. – me perguntei internamente por que ele dizia tudo no plural. Estava claro que não era por minha causa, pois a sentença estava no presente, mas indicando razoavelmente ações passadas.

Sem dizer mais nada ele se dirigiu pra porta, indo novamente para a sala de jantar, rumando para a escada. Ao chegar ao final estava um pequeno hall e havia a entrada que não tinha porta, ia para a sacada de trás, onde eu vi uma área de lazer com piscina, um grill e uma mesa de quatro cadeiras todos de madeira escura. As espreguiçadeiras eram brancas, estreitas e longas, dando um ar mais que sofisticado ao local. A sacada em si havia uma grade negra e com desenhos em arabescos, na parede da porta havia um banco de três lugares todo de ferro, me lembrando do conjunto do jardim, de ferro e branco. Ao voltarmos para o hall, haviam mais cinco portas, uma em si se destacou por conter uma estrelinha rosa pendurada acima da letra S. Uma curiosidade sub-humana me invadiu, mas Edward se dirigiu para uma mais comum.

—Aqui irá ser seu quarto, ele fica próximo aos nossos para caso aconteça algo. – disse abrindo a porta de um ambiente simples, mas não perdendo o estilo da casa que se instalava. Havia uma cama de casal com lençóis brancos com flores beges , travesseiros gigantes, que davam impressão pela visão, de serem os mais confortáveis possíveis. Os criados mudos eram de um bege Siena, acolhendo dois abajures discretos e brancos. Entrei mais um pouco no quarto e vi a cômoda gigantesca que havia frente a cama. Ela era do mesmo tom que os criados e haviam cinco gavetas gigantes com puxadores brancos. A parede acolhia uma TV de plasma de umas possíveis 50 polegadas. O tapete felpudo e negro sob o piso de madeira claro me fez querer deitar e rolas por todo ele, mostrando ser fofo e muito confortável. Uma janela com moldura marrom da madeira mostrava uma linda paisagem da vizinhança e de uma pequena floresta no fundo. As cortinas brancas estavam abertas assim como a janela, por qual entrava um ar fresco. Na parede do lado, a mesma que adornava a cabeceira da cama, havia uma porta para o banheiro. Sem querer ver, querendo mais era matar minha curiosidade, fui para fora do local, querendo ver o que tinha por trás do resto das portas. Edward me acompanhou e apontou para a porta do fundo.

—Essa é a porta do meu quarto. Sinta-se a vontade para me chamar quando precisar. Bom, não vai dar tempo de eu te mostrar tudo, mais tarde Sue irá fazer o jantar e você pode pedir a ela mais detalhes da casa – sorriu- Tenho que trocar de roupa, até mais tarde, Bella – disse me dando as costas indo em direção ao seu quarto. Fiquei parada naquele hall, me questionando sobre o que faria e para onde iria, afinal a casa não era minha.

Ouvi um barulho de porta se abrindo e me virei para o som. Vinha da porta misteriosa, e não esperava ver o que eu vi.

—Vovó? – disse uma garotinha coçando os olhos verdes tão penetrantes como o de Edward, ela tinha cachinhos loiros escuros, quase bronzes e estava confusa em me ver ali. Ela era tão linda e tinha uma expressão além de confusa, meiga. Aparentava ter uns três para quatro anos.

—Já acordou meu amorzinho? – perguntou uma voz atrás de mim enquanto eu continuava estática olhando para a criança. Virei-me e encontrei outra vez olhos verdes.