Últimas Chances
Capítulo 4
De braços cruzados, Sakura só observava enquanto Tsunade examinava Sasuke. Mesmo perfeitamente ciente de que a ex-Hokage era uma médica mais do que exímia, Sakura não se via inteiramente satisfeita por não ser ela quem cuidava de Sasuke. Era ela quem deveria estar fazendo aquilo. Porém, Tsunade recusou todos os seus milhões de pedidos sem titubear.
"Eu acho que já podemos começar a reestruturar o braço dele," Tsunade comentou enquanto os seus dedos hábeis passeavam pelo braço esquerdo de Sasuke. "De um modo geral ele já está mais do que estabilizado. Os níveis de chackra dele estão ótimos e o fígado e rins de volta à normalidade. Já é seguro iniciarmos uma terapia de chackra mais agressiva para curar esse braço."
"Só o braço?" Sasuke perguntou. Precisava da sua perna saudável também o quanto antes.
"Sim. Para falar a verdade, o certo seria deixarmos que o seu ele se cure sozinho. A natureza do ser humano é perfeita. O seu corpo sabe melhor do que eu ou qualquer um o que é necessário para se regenerar de uma lesão assim. Eu só vou tratar o seu braço com chackra porque você só tem um e precisa dele. A quantidade de chackra que teremos que usar para um ferimento desse tipo é absurda. Teríamos que usá-la também na sua perna, senão mais, e acabaríamos arriscando desequilibrar a sua circulação de chackra."
Sasuke assentiu. Estava longe de gostar daquela situação, mas admitia que seria imprudente da sua parte questionar uma médica como Tsunade – e Sakura, que ouvia tudo silenciosamente. Se Sakura suspeitasse que pudesse haver alguma dúvida na conduta sugerida pela sua mentora certamente teria se manifestado.
"Quanto tempo isso vai levar?" ele questionou.
"Eu não posso te afirmar. Varia de paciente para paciente, do tanto de chackra que suporta, da complexidade da lesão, da sua reação ao tratamento e também do meu humor. Não é sempre que eu estarei disponível para vir até aqui tratar de um imbecil como você."
"Eu posso trata-lo quando você não puder –"
"Nem pense nisso, Sakura." Tsunade desviou os olhos de Sasuke para encarar a sua antiga estudante com seriedade. "É melhor vocês dois serem pacientes ou acabarão me deixando impaciente e eu garanto que isso não será benéfico para absolutamente ninguém. Não há motivo para pressa. Quanto mais lentamente fizermos isso, melhor será o resultado – e, convenhamos, nós queremos o melhor resultado possível já que esse é o único braço que tem, não é, Uchiha?"
Sasuke resistiu ao impulso de rolar os olhos. Ele começava a desconfiar que aquelas duas mulheres irritantes e Naruto se juntaram em um complô para convencê-lo a colocar o braço protético. Desde que ele acordou era só disso que falavam.
"Quando você pode começar?" ele desviou.
Tsunade deu de ombros. "Não sei. Tenho que ver a minha agenda. Talvez hoje no fim dia."
"Talvez?" Sasuke perguntou com desdém.
Tsunade o encarou com um ar de superioridade. Gostava de vê-lo a sua mercê. "Sim, Uchiha. Talvez. Eu sou uma mulher ocupada. Diferentemente de certas pessoas eu não tenho tanto tempo de sobra para, por exemplo, ficar viajando pelo mundo a esmo ou para interromper o meu trabalho e ficar batendo papo com pacientes que não são meus."
Ao contrário de Sasuke, Sakura não resistiu um revirar de olhos. Estava mais do que claro para quem eram aquelas indiretas mais do que diretas.
"Agora, se me derem licença, eu tenho mais o que fazer." Tsunade recolocou os relatórios de Sasuke nos seus devidos lugares antes de se virar para ir embora. Antes, entretanto, ela parou na frente de Sakura e disse com um dedo em riste: "Se eu souber que você encostou um mísero dedo nesse encosto eu juro que arranco todos da sua mão, está me ouvindo, mocinha?"
"Sim, shishou," Sakura respondeu com uma voz monótona, entediada. Aquela deveria ser a milésima vez que Tsunade lhe dava aquela ordem.
"Eu estou falando sério."
"Eu também."
"É melhor que esteja. Eu não vou mais pegar leve com você. E volte a trabalhar, pelo amor de Deus. Eu cansei de ver a sua cara por aqui."
"Eu estou no meu horário de almoço."
"E por que não está comendo nada?"
"Eu vou daqui a pouco."
"Por que não agora?"
Sakura olhou de relance para Sasuke. Ele a encarava de volta. "Quero ficar um pouco mais com o Sasuke-kun antes."
Tsunade suspirou. Não sabia nem por que fez aquela pergunta. Era óbvio que a resposta seria aquela. "Eu vou pedir que te tragam alguma coisa aqui no quarto."
Sakura sorriu. "Obrigada, shishou." Surpreendera-se com o gesto da sua mentora. Não era sempre que Tsunade saía do seu caminho para garantir o seu conforto – especialmente quando estava relacionado a Sasuke.
"Eu só estou fazendo isso porque sei que não vai sair desse quarto até o último minuto da sua folga, e um minuto não é o suficiente para comer direito. Uchiha," Ela voltou a se virar para Sasuke, "certifique-se de que ela comerá tudo o que eu mandar, está bem? Essa menina está mais magra do que Naruto depois de passar um mês no deserto."
Sasuke assentiu. Não gostava de aceitar ordens de ninguém, muito menos de Tsunade, que não escondia em nenhuma palavra o seu desgosto por ele. Mas era por uma causa maior. Sakura realmente estava magra demais. Ele a faria comer direito mesmo se não fosse ordenado.
Quando Tsunade saiu e eles finalmente ficaram a sós Sakura sorriu para Sasuke, balançando a cabeça. "Não se preocupe com ela. Eu vou dar o meu jeito para que ela cumpra os horários e cure o seu braço o mais rapidamente possível."
"Ela não parece muito satisfeita com você," ele comentou enquanto ela se sentava na usual poltrona ao lado da cama dele. Ela esteve ali durante tanto tempo nos últimos dias que as formas do seu corpo deveriam estar marcadas no móvel.
"Ela tem implicado comigo ultimamente."
"Por quê?"
Ela deu de ombros. "Eu não sei." Ela esperava que Sasuke não percebesse a sua mentira.
Alguns instantes de silêncio passaram antes de Sasuke quebra-lo. "Você não precisa ficar aqui."
Ela sorriu para ele. "Não é questão de precisar ou não. Eu quero."
Ele engoliu em seco. Não esperava uma resposta como aquela.
Sakura notou o desconforto dele e continuou: "Como passou a noite?"
"Bem," era o que ele sempre respondia.
"As dores diminuíram?" Ela teve que quase tortura-lo para que ele admitisse que estava sentindo dores no dia anterior.
"Sim."
"Não minta para mim, Sasuke-kun. Eu só estou fazendo essas perguntas para te ajudar a se recuperar mais rápido e você mentir para mim não ajudará –"
"Está tudo bem, Sakura. Você se preocupa demais."
"Sasuke-kun, eu sou sua amiga. É meu trabalho me preocupar." Ela se levantou da poltrona. "Como está a perna?"
"Bem." Ela o lançou um olhar bastante significativo. "Eu não estou mentindo."
"Eu não tenho outra opção senão acreditar em você." Ela parou ao lado dele. "Eu acho que já está na hora de você colocar os pés no chão. Não é bom que fique tanto tempo deitado. O que acha?"
"É você quem é a médica."
Sakura sorriu por dentro. Aquela poderia parecer uma frase boba, mas vinda de alguém como Sasuke significava mais do que algumas poucas palavras. Ele confiava na decisão dela – confiava o seu bem-estar no julgamento dela.
"Consegue se sentar?" ela perguntou.
"Claro."
Ela colocou um braço nas costas dele para ajudá-lo a se sentar quando viu a expressão de dor no rosto dele – mesmo que ele claramente tentasse escondê-la. "Sakura, eu posso fazer isso sozinho."
"Eu sei que pode, mas vai doer muito mais."
Ela ignorou os outros protestos dele e o ajudou a se sentar na cama com as duas pernas pendendo dela. Ela tentou fingir que não sentiu o cheiro do cabelo dele – agora mais longo – mas era impossível. Passara tantos meses sonhado com ele, relembrando aquele cheiro que era dele que, agora que ele estava bem ali na frente dela, os seus sentidos pareciam mais ativos, doidos para matar a saudade.
Ela esperava que ele não tivesse notado também o modo como os olhos verdes dela percorram o rosto dele, percebendo a angulação mais máscula da mandíbula dele, a nova cicatriz na sobrancelha, os lábios tensos.
Céus, como ele era lindo.
"Ahn, eu vou te ajudar, Sasuke-kun, mas mesmo assim eu quero que faça tudo bem devagar, está bem?" ela instruiu – mais para distrair a sua mente. "Se sentir qualquer tipo de desconforto você tem que me falar." Ele concordou com a cabeça. "Muito bem. Coloque primeiro o pé saudável no chão e me diga o que sente."
Ele fez o que ela pediu. Sakura permaneceu ao lado dele, uma mão nas costas e a outra no abdome dele, pronta para agir caso ele mostrasse qualquer sinal de desequilíbrio.
"Está tudo bem? Sentiu alguma coisa?"
"Não."
"Ficou tonto?"
"Não."
"Ótimo. Agora coloque o outro pé – devagar."
Ele colocou. Ela se aproximou ainda mais dele. Ela se dizia que era para estar ainda mais preparada para ampará-lo, mas, no fundo, sabia que era só para ficar mais perto mesmo. Por um instante ela considerou que talvez estivesse tirando vantagem do estado de Sasuke, mas a ideia se desfez rapidamente. Ela precisava daquilo. Precisava daquele tipo de contato. Só Deus sabe como o seu coração ficava mais leve ao sentir com a própria pele que ele estava bem.
Além disso, ele devia isso a ela depois de todos aqueles meses. E ele não estava reclamando.
"Tudo bem?" ela quis saber mais uma vez, de olho no rosto dele.
"Sim."
A voz dele fazia coisas engraçadas nela. Arrepiava todos os seus pelos e fazia o seu estômago dançar.
"Tente dar um passo."
Ela ficou praticamente abraçada a ele durante os poucos minutos de curta caminhada pelo quarto. Quando ela julgou que os músculos dele estavam devidamente exercitados ela o auxiliou a voltar para a cama e foi nesse exato momento que uma enfermeira chegou com uma bandeja.
"Boa tarde, Sasuke-kun," Mizuki cumprimentou o paciente com um sorriso que Sakura conhecia muito bem – e detestava. Quando ela se lembrou de que Sakura estava ali – e com uma expressão rígida – o sorrido dela diminuiu milimetricamente. "Sakura-san. Como estão?"
"Bem," Sakura respondeu pelos dois. Não que Sasuke estivesse ávido para fazê-lo.
"Eu trouxe o almoço de vocês dois. Você vai comer aqui mesmo, Sakura-san?"
"Vou." Curta e grossa.
"Ótimo." Sakura notou na voz de Mizuku que ela não achava aquela ideia ótima. "Quer que eu traga uma mesa para você?"
"Não precisa. Eu como assim mesmo. Obrigada."
Com um sorriso apertado Mizuki entregou o almoço de Sakura a ela. A médica fez uma cara de desgosto ao ver o que tinha dentro. Não era a maior fã de comida de hospital – até porque era praticamente isso o que ela tinha comido durante os últimos anos e já estava mais do que enjoada – e o seu estômago não andava nada bom. Mas sabia que precisava comer. Por mais que contrariasse e fingisse que não, ela realmente estava muito magra e se sentia fraca.
Quando ela viu que Mizuki abria também o almoço de Sakura e preparava um garfo para dá-lo de comer na boca Sakura interveio: "Eu posso te ajudar, Sasuke-kun. Se quiser."
Ela tinha que fazer alguma coisa por ele mesmo que fosse algo tão relativamente pequeno quanto alimentá-lo.
E ela não queria que uma mulher como Mizuki o fizesse.
"Não há necessidade, Sakura-san," Mizuki respondeu com um sorriso falso. "Pode aproveitar o seu almoço tranquilamente. Eu e Sasuke-kun já fizemos isso várias vezes, não é mesmo, Sasuke-kun?" Ela se virou para ele com um sorriso muito mais caloroso do que ela disponibilizava a Sakura.
Sakura não gostou do que viu e ouviu. Algo no modo como Mizuki tratava Sasuke a deixava inquieta. Sakura trabalhou com ela tempo suficiente que ela não era tão calorosa assim com os outros pacientes.
Ela não gostava, mas, no fundo da sua mente, ela não podia verdadeiramente culpar Mizuki. Sasuke era um homem atraente. Era natural que as mulheres se sentissem atraídas por ele – e era exatamente isso o que Sakura imaginava que estivesse acontecendo.
E ela não definitivamente não estava gostando.
"Eu não vou comer agora," Sasuke anunciou, aparentemente ignorante a tensão entre as duas mulheres.
Sakura franziu a testa. "Por que não?"
"Coma você primeiro."
Sakura o encarou, confusa. "Nós dois podemos comer juntos, Sasuke-kun. Ou, se preferir," E ela desejava muito que ele preferisse, "eu posso te ajudar antes. Eu não estou com tanta fome assim."
"Não. Coma primeiro."
"Por quê?"
"Porque sim."
"Isso não é uma resposta."
"Eu não tenho outra."
Sakura rolou os olhos. Era tão típico dele dar respostas vagas e inconclusivas até mesmo em um assunto tão trivial quanto um almoço.
Foi olhando para ele que ela percebeu que algo não estava interiamente certo ali. Ela o conhecia bem e tinha orgulho de dizer que hoje era capaz de perceber as menores mudanças na expressão eternamente indiferente dele. Eram os lábios tensos dele, o modo como ele não olhava diretamente para ela – e, ela podia jurar, um pequeno rubor nas bochechas brancas dele.
"Sasuke-kun, você não está com vergonha de mim, está?"
Ele não precisou de dizer nada. Ela viu no rosto dele que a resposta era positiva.
Sakura não conseguia acreditar naquilo. Ela não sabia se ria – porque um Sasuke desconcertado era tão raro que chegava a ser engraçado – ou se se sentia levemente ofendida. Ela era amiga dele; ele não devia ter vergonha dela. Não daquilo.
"Sasuke-kun, se você não estivesse ferido eu iria te dar uma bela porrada por isso," Sakura brincou, exasperada. "Você se esqueceu que fui eu quem tratei de você? Eu já vi você muito pior do que isso. As minhas duas mãos já estiveram dentro do seu peito várias vezes, pelo amor de Deus. Depois de tudo o que eu vi e passamos juntos a última coisa que você deveria sentir de mim é vergonha."
Ele não disse nada. Só ficou olhando para um ponto fixo na parede a sua frente.
"Se te serve de consolo, eu já te vi pelado, então eu acho que nós já passamos dessa fase de embaraço."
Sasuke moveu a cabeça tão rápido para encará-la que ela imaginou que talvez ele tivesse puxado um músculo. Mizuki soltou um arfar de surpresa, colocando uma mão na boca.
"O quê?" Sasuke exclamou com rispidez.
Ela teve que rir. O rosto antes corado dele adquiriu uma tonalidade ainda mais vermelha. "É obrigatório que cortemos toda a roupa de qualquer paciente que chegue inconsciente e com tantos ferimentos como você. E como você acha que apareceu aquele fio na sua uretra para que você urinasse? E eu sinto lhe dizer, mas eu tive que checa-la várias vezes, Sasuke-kun. E você não precisa ter vergonha de mim por causa disso também. Infelizmente eu já tive que fazer o mesmo com Naruto e Kakashi –"
"Eu já entendi, Sakura."
Talvez aquilo não fosse uma coisa verdadeiramente divertida para se dizer a alguém como Sasuke – ou para qualquer paciente –, mas ela precisava que ele soubesse que o pior já havia passado e que a amizade deles era maior do que aquilo.
"Nós já passamos por tanta coisa, Sasuke-kun," ela continuou com um sorriso. "E depois de tudo você acha que eu vou pensar menos de você só porque está com o seu único braço quebrado e não consegue se alimentar sozinho?"
Sakura o observou enquanto ele ponderava. Mizuki esperava em igual silêncio. Talvez ela tivesse entendido pela linguagem corporal de Sakura que ela se encrencaria se se intrometesse.
"Você vai comer primeiro," ele enfim disse. "Pode me ajudar depois."
Sakura não conseguiu segurar o alargar do seu sorriso. Aquilo era um sinal de que ele estava na mesma página do que ela no que dizia respeito à relação deles. Alguns anos atrás, com toda certeza, ele jamais permitiria que ela o ajudasse assim ou de qualquer outra forma. Ele fizera de tudo para mantê-la longe de si e, agora, dava todas as brechas para que ela se aproximasse.
Parecia um sonho se transformando em realidade.
"Você tem certeza, Sasuke-kun?" Mizuki perguntou. "Eu estou aqui para te ajudar. Não há razão para ocupar Sakura-san com isso. Tenho certeza que ela ainda tem muitos pacientes para atender depois daqui e encarrega-la com essa tarefa só irá atrasá-la."
Sakura estreitou os olhos para a enfermeira. "Eu sou profissional, Mizuki. Eu jamais iria propor ajuda-lo se isso fosse prejudicar os meus outros pacientes."
Ela ficou desconcertada. "M-Me perdoe, Sakura-san, não foi isso o que eu quis dizer! Eu só queria me certificar de que você não acabará comendo com pressa justamente para não se atrasar."
"Eu sei muito bem do meu tempo." E eu não preciso de você para calculá-lo.
"Claro, Sakura-san. Eu não quis implicar nada." Ela deu lançou um sorriso apertado. "Eu vou me retirar então. Caso precise de mim é só apertar o botão, Sasuke-kun. Com licença." Ela os deixou cabisbaixa para o alívio de Sakura – que teve que se segurar para não acompanha-la com os olhos cheios de fúria.
Ela tinha ciúmes, sabia disso e não tinha vergonha. Já admitira para si mesma que não gostava do jeito como mulheres – e alguns homens – olhavam para Sasuke nas poucas vezes em que ele esteve em Konoha. Nem ela nem ele ficavam confortáveis com esse tipo de atitude. Era uma das desvantagens de ser um homem tão bonito e poderoso como Sasuke.
Afinal, ela ainda o amava.
"Coma," Sasuke ordenou, apontado para o almoço dela com a cabeça.
"Eu posso te ajudar e comer ao mesmo tempo."
"Não. Coma direito."
Sakura ergueu uma sobrancelha, mas fez o que ele mandou, abrindo a tampa do recipiente. "Está parecendo que eu sou a paciente e você o médico com essas ordens que está me dando."
Ele resfolegou. "Do jeito que você está parece mesmo."
"O que quer dizer com isso?" Ela deu uma garfada na comida.
"A sua aparência está péssima."
"Uau, Sasuke-kun, tudo o que uma mulher precisa ouvir," ela tentou aliviar o peso do assunto.
"Estou falando sério, Sakura. Você não estava assim da última vez que te vi."
O peito dela se aqueceu. Ela se lembrava dela quando ele esteve em Konoha meses e meses atrás mesmo tendo ficado por poucos dias – não só isso como também notou que ela estava diferente.
Não que fosse muito difícil de ver.
Ela deu de ombros, fingindo indiferença. "Eu tenho trabalhado muito, só isso."
"Isso não é justificativa para ficar desse jeito."
"Então o que é justificativa, Sasuke-kun?" ela perguntou, irritada. Estava cansada daquele assunto. Ela era bombardeada por acusações como aquela o tempo todo. Mayama, Tsunade, Shizune, Naruto, Kakashi, e agora Sasuke.
"Eu não sei, mas algo não está certo. Até o seu chackra está diferente."
"Eu já disse que é porque estou trabalhando muito –"
"O que está acontecendo, Sakura?" ele a interrompeu. Fitava-a com uma seriedade que ela há muito não via e que a deixou acuada. Não estava acostumada a estar sob um olhar tão intenso de Sasuke.
Portanto, ela teve que desviar os seus olhos dos dele para a comida no seu colo. "Não está acontecendo nada, Sasuke-kun."
"Não minta para mim."
"Eu não estou mentindo!" ela exclamou. "Pelo amor de Deus, por que vocês não me dão uma porcaria de um tempo? Eu não aguento mais ouvir esse tipo de coisa o tempo todo! Se vocês não perceberam ainda eu sou uma médica e eu saberia se algo de errado estivesse acontecendo comigo e, pela milésima vez, não há nada de errado comigo –"
"Você passou mal quando estava me tratando. Está magra demais, pálida, com os olhos fundos e com um chackra que nem parece seu de tão diferente. Eu não sou idiota, Sakura. É óbvio que você não está bem."
"Mesmo se eu não estivesse bem, o que te importa, Sasuke-kun? Que diferença isso faria para você? Se eu estivesse mal, o que isso mudaria na sua vida? Faria você ficar? Você ficaria aqui ao meu lado para me ajudar a me recuperar? Você não se importa o suficiente –"
"Pare."
Ela se calou com os olhos cheios de lágrimas. Sabia perfeitamente bem que estava na defensiva e jogando acusações contra ele justamente para que ela não fosse alvo de mais acusações. O tom de voz que ele usava – como se realmente se importasse – apertava o seu coração, mexia com os pensamentos dela. A resistência dela sempre foi fraca contra Sasuke.
Ela se sentia como sendo interrogada por Morino Ibiki. Cada palavra que saía da boca de Sasuke era um golpe contra a muralha que ela construiu ao redor de si mesma, um golpe contra a sua resolução, deixando-o cada vez mais perto de arrancar dela o que ela tanto lutou para guardar dentro de si.
Atacá-lo foi o último recurso que ela achou para se defender. Ela sabia que era injusto e que ele não merecia ouvir aquilo, mas Sasuke era imune às velhas desculpas que sempre funcionavam com Naruto, Kakashi e os outros amigos curiosos.
Ele nunca foi como os outros. Não para ela.
"Você não sabe o que está dizendo," ele disse, baixo, com a voz grave, claramente insatisfeito com o que ouviu.
Sakura sentiu uma fisgada no peito tanto física quanto emocional. Detestava decepcioná-lo, detestava que ele a olhasse assim, como se ela estivesse infligindo algum mal.
"Você também não sabe," ela retrucou.
"Está enganada. Eu falo o que estou vendo bem diante dos meus olhos."
Ela limpou uma lágrima que desceu pela sua bochecha, fungando, e se levantou para jogar o almoço no lixo. "Você pode ter um dos pares de olhos mais privilegiados do mundo, mas nunca foi bom em ver o que está bem diante deles. Principalmente quando sou eu."
"O que você está fazendo?" ele perguntou quando a viu descartar o almoço.
"Perdi a fome. Vou chamar Mizuki para te ajudar."
"Sakura –"
"Eu volto aqui mais tarde."
Ela deu as costas para ele e saiu ignorando os protestos dele.
Xxxxxxxxx
Mayama a encontrou no consultório dela, chorando sonoramente sentada na maca.
"Ei, ei, ei, o que aconteceu?" ele correu até ela com uma expressão de genuína preocupação.
Ela o abraçou forte quando ele parou na sua frente e chorou um pouco mais no ombro dele. O tempo todo ele acariciou o cabelo e as costas dela, sussurrando no ouvido dela que estava tudo bem, que ele a ajudaria no que quer que fosse e beijava a cabeça dela.
O abraço dele era tão bom. Por alguns momentos Sakura se permitiu acreditar nele, que tudo realmente ficaria bem – mas ela não deixou que a ilusão perdurasse. Nada estava bem e nada ficaria bem.
"O que aconteceu?" ele voltou a perguntar quando viu que ela estava mais calma.
Ela se desprendeu dele para limpar o rosto. Viu que o jaleco dele onde ela chorava estava molhado, mas ele não pareceu nem notar.
"Eu só estou tão cansada," ela admitiu ainda chorosa.
"De quê, querida?"
"De tudo. De ter que mentir. De ter que sentir tudo isso o que eu sinto. De não poder fazer nada." Ela suspirou e enfiou o rosto úmido nas mãos. "Às vezes o que eu mais queria era jogar tudo para o alto e desistir de uma vez –"
"Nem pense nisso." Ela afastou as mãos dela para que olhá-la nos olhos. "Nem pense uma coisa dessas. Você não vai desistir. Você não é a kunoichi mais forte desse país à toa."
"Eu não posso vencer todas as batalhas, Mayama, não importa o quão forte eu seja."
"Eu sei que não. Mas isso não quer dizer que não vá tentar até o último segundo."
"Mas eu estou tão cansada..."
"Você sabe muito bem por quê," ele respondeu, afastando uma mexa de cabelo rosa da testa dela. "Está querendo carregar todo esse peso sozinha e isso é loucura. Eu – nós, todos nós, estamos aqui por você, para que você o divida conosco." Ele deu um beijo carinhoso na bochecha dela. "Você sabe que se fosse possível eu arrancaria esse peso dos seus ombros e o carregaria sobre os meus quantas vezes fosse preciso."
Ela o respondeu com um sorriso triste. Sim, ela sabia. Sabia do que ele seria capaz por ela – e do que ela seria capaz por ele. Um dia ela conseguiria achar as palavras certas para traduzir toda a gratidão que sentia por ele mesmo sabendo que não era exatamente gratidão que ele esperava dela.
"O que aconteceu para te fazer pensar desse jeito?" ele questionou.
"Não foi nada," ela murmurou.
"Foi o Uchiha, não foi?" Ele passou uma mão nervosa pelo cabelo. Só de ouvir o nome daquele homem fazia o seu sangue ferver. "O que foi que ele te fez dessa vez?"
"Ele não fez nada, Mayama. Deixe-o em paz, por favor," ela pediu com um suspiro. Com toda a certeza a última coisa que ela precisava naquele momento era brigar com Mayama por causa de Sasuke mais uma vez.
"O que foi que ele te disse?"
"Nada. Ele só..." Ela mordeu o lábio. "Ele só percebeu que tem alguma coisa estranha comigo e ficou me fazendo perguntas e eu acabei magoando-o sem querer."
Ele ergueu uma sobrancelha em incredulidade. "Você magoando Uchiha Sasuke? Eu não acho que seja nada que ele não mereça."
"Mayama," ela o alertou e ele suspirou, erguendo as mãos em rendição. "Me dói mentir para ele... e Naruto, Kakashi, Ino e os outros.
"Então não minta," ele argumentou. "Você sabe o que eu penso sobre isso. Se eu estivesse no lugar deles eu quereria saber."
E se ele não fosse médico inteligente o bastante para identificar os sintomas e não estivesse no hospital para presenciar e tratar as crises dela ele também não saberia, Sakura pensou.
"Não é tão simples assim."
"Por que não?"
"Eu não quero que eles fiquem assim como você e Tsunade, perdendo o sono por minha causa, preocupando-se com uma coisa que não pode ser evitada."
Mayama balançou a cabeça em reprovação. "É isso que você não vê, Sakura. Eu quero me preocupar. Eu quero que você compartilhe isso comigo porque não é justo você passar por isso sozinha. É para isso que servem os amigos, não é? Para nos apoiarem em horas difíceis como essa. Se fosse o contrário você gostaria de não saber? Gostaria de não se procurada quando os seus amigos mais precisam de você?"
"É claro que eu quereria saber, Mayama!" ela exclamou, revoltada. "Eu só não acho que seja justo eu jogar mais esse problema para cima deles quando não há nada que eles possam fazer!"
"Eles podem ficar do seu lado," ele contrariou. "Eles podem te dar um ombro para chorar. Eles podem ouvir as suas reclamações, segurar a sua mão quando você não tiver mais onde se segurar. Isso se chama ser amigo e é mais importante do que qualquer outra coisa que qualquer outra pessoa possa te oferecer."
Os olhos dela voltaram a se inundar. Por que ele tinha que saber exatamente o que dizer?
Ele envolveu os dedos pequenos dela com os seus grandes. "Não chore de novo. Eu não quero fazer você se sentir mal."
"Não, não é isso." Ela fungou e limpou mais uma lágrima. "Eu só estou muito confusa agora."
"Eu sei disso. Eu sinto muito." Ele trouxe as mãos dela para os seus lábios e as beijou. "Mas pense no que eu te disse, meu bem. Eles querem saber tanto quanto você quer contar. Acredite em mim. Você precisa deles."
Ela sorriu triste para ele. "Você deve estar louco para ter mais alguém com quem dividir todo esse meu drama."
"Não diga uma coisa dessas. Você sabe que não é isso," ele retrucou, sério. "Muito pelo contrário. Se eu fosse um homem egoísta eu não iria querer dividir com você – dramas e alegrias – com mais ninguém. Eu teria você só para mim e não poderia ficar mais feliz. Mas eu não sou egoísta. Eu só quero o seu bem, assim como os seus amigos. Eu sei que você vai se sentir muito melhor se eles soubessem."
Ela abaixou o rosto, encabulada. Nunca sabia como reagir quando Mayama dizia esse tipo de coisa.
Se ele tinha mais alguma coisa para dizer ele foi cortado pelo som do pager. Ele o tirou da cintura e suspirou quando viu o que tinha escrito. "Eu tenho que ir. Mas me prometa que vai pensar no que eu te disse."
"Eu prometo."
Xxxxxxx
A porta do quarto de Sasuke se abriu exatamente quando os dedos de Sakura tocavam a maçaneta.
"O que você ainda está fazendo aqui?" Tsunade perguntou quando a viu. "Já não devia estar em casa horas atrás?"
"Eu estive. Eu só vim conversar com o Sasuke-kun mais uma vez." E me desculpar.
Tsunade a olhou desconfiada, mas não disse mais nada à respeito. "Eu acabei de terminar a primeira sessão de chackra no braço dele. Foi melhor do que eu esperava. Aquele idiota realmente tem um poder de regeneração acima da média."
Tudo em Sasuke-kun é acima da média.
"Fico feliz," foi o que Sakura conseguiu dizer.
"Você não parece feliz."
"Eu estou." Sakura pensou que devesse treinar mais a sua habilidade de mentir. Todos estavam conseguindo ver por detrás das máscaras que ela usava para se proteger.
Tsunade a fitou com descrença uma última vez antes de dizer: "É a vez de Naruto passar a noite, não é? Não fique aqui até muito tarde. Tem que ir para casa descansar."
Sakura suspirou. Estava cansada de ouvir ordens, mas manteve a boca fechada para evitar mais um atrito. "Tudo bem, shsishou."
Sakura entrou no quarto depois que Tsunade a deixou e encontrou Sasuke com o braço desenfaixado e Naruto ao lado dele, tagarelando como sempre – e, como sempre, Sasuke não parecia muito interessado.
Quando Sasuke a encarou Sakura sentiu uma leve gota de embaraço aquecer o seu rosto. Não estava orgulhosa pela forma como se comportou horas atrás. Ela até entenderia se ele não quisesse ficar perto dela naquele momento.
"Oi," ela os cumprimentou timidamente depois de fechar a porta atrás de si. "Como está o braço, Sasuke-kun?"
"Bem," ele respondeu e ela suspirou aliviada. Ele não parecia querer expulsá-la do quarto até o momento.
"Eu posso dar uma olhada nele?"
"Claro."
Nervosa e com os olhos ainda nos dele ela se aproximou da cama. Naruto falava alguma coisa irrelevante que ela não conseguia ouvir. Estava focada demais em encarar Sasuke e interpretar qualquer mudança no rosto dele – qualquer indicação de que ele estivesse chateado.
Ela não encontrou nada.
Ela passou a ponta dos dedos pela pele do braço dele e sentiu os pelos do seu braço se arrepiarem. Ela conhecia Sasuke há mais de dez anos e o seu corpo nunca se acostumou a tocá-lo – sempre reagia daquela forma, ávido, como se fosse a primeira vez.
Ela deixou que uma pequena, quase invisível corrente de chackra penetrasse a pele dele para avaliar o que estava debaixo dela.
"Tsunade-shishou tem razão. O seu braço já está bastante regenerado," ela concluiu. "Você vai precisar de poucas sessões para que ele fique novo em folha." Sasuke assentiu em entendimento. "Como está a dor?"
"Não dói."
"Que bom." Ela mordeu o lábio e o fitou novamente. Ele tinha os olhos grudados nela. Ela queria saber o que eles a diziam, mas não conseguiu decifrar.
Será que ele conseguia ver nos dela como ela estava arrependida do que disse – e, principalmente, do que não disse?
"Eu só..." Ela pigarreou para tentar conter o nervosismo. Horas atrás ela ria de Sasuke por ele estar desconfortável e encabulado quando disse que já o viu nu e, agora, era ela cujo rosto queimava em vergonha. "Eu só vim ver como você estava. É melhor eu ir para casa. Você vai ficar aqui hoje, não é, Naruto?"
"Claro, Sakura-chan."
"Ótimo. Então eu... eu vou indo. Eu vejo vocês amanhã, tudo bem?" Ela deu um sorriso apertado. "E comportem-se. Não quero nenhum móvel sequer arranhado quando eu voltar."
"Naruto."
Foi Sasuke quem o chamou assim que Sakura terminou de falar.
"O que é, teme?"
"Vá buscar uma água para mim."
"Agora? Mas eu acabei de voltar lá de baixo..." O loiro lamuriou.
"Agora," ele ordenou e olhou para Sakura. Ela entendeu a mensagem imediatamente: fique aqui.
"Tudo bem, seu folgado." Naruto se levantou da poltrona. Parecia completamente ignorante a tensão entre seus dois melhores amigos. "E pare de me dar ordens. Eu sou o futuro Hokage e você não passa de um gennin. Está no fundo do poço da cadeia alimentar."
"Ande logo," foi o que Sasuke respondeu.
De pé, Naruto apontou o polegar para Sasuke e perguntou: "Como você aguenta essa peste, Sakura-chan? Eu merecia duas estátuas com o meu rosto naquela montanha só por aguentar um imbecil como Sasuke. Eu já volto."
Todos os músculos de Sakura ficaram tensos depois que Naruto os deixou a sós. Ela teve que abaixar os olhos e tentar se distrair com a barra da blusa para não explodir de ansiedade.
Ela esperou que ele dissesse alguma coisa, mas ele ficou calado. Mesmo sem olhar ela sabia que os olhos dele estavam sobre ela. Pode praticamente senti-los buscando os seus.
"Eu sinto muito pelo que eu disse hoje cedo," ela murmurou, criando coragem para encará-lo. "Eu estava nervosa e cansada. Eu sei que isso não é desculpa, mas foi o que aconteceu. Eu sou uma idiota e não quis dizer nada daquilo. Por favor, não fique chateado comigo."
"Eu não estou."
Meu Deus, eu estou prestes a chorar de novo. O que há de errado comigo?
"Você pode negar o quanto quiser, mas eu sei que tem alguma coisa errada com você," ele afirmou e, dessa vez, ela não teve forças para negar.
Ela voltou a chorar. De onde eu arranjo tantas lágrimas? "Sasuke-kun, eu –"
"Você não tem a obrigação de me contar nada," ele a interrompeu. "O que está me irritando é que você está fingindo que está tudo bem e está mentindo."
"Mas está tudo bem." Era a resposta automática dela.
"É óbvio que não está. Naruto e Kakashi também estão certos disso."
Ela ficou calada. Não sabia o que dizer. Não sabia o que ele queria que ela dissesse.
"Eu perguntei Tsunade porque ela não está deixando você me tratar."
O coração de Sakura acelerou. Ela não pode ter contado nada. Elas teriam um desentendimento muito feio se Tsunade tiver revelado a verdade.
"O que ela te disse?" ela pressionou, os dedos torcendo a barra da blusa.
"Que é você quem me responderá."
Ela estava cada vez mais acuada.
"Não agora," ela pediu, baixinho, tentando segurar o choro. "Por favor, não agora."
Ele assentiu, aceitando. "Só me responda uma coisa: alguém te machucou?"
"Não." Só eu mesma.
"Tudo bem."
Ela nunca esteve tão grata a ele quanto naquele instante. Ele não a pressionou mais. Ele disse que ela não tinha obrigação de falar nada, mas ela estava ciente que tinha. Mayama tinha razão: ele era um amigo. Tinha o direito de saber o que estava acontecendo, tanto ele quanto os outros.
Mas ela não estava preparada ainda.
"Logo," ela disse. "Em breve vocês vão saber o que está acontecendo."
"Tudo bem. Só..." Ele virou o rosto. "Cuide-se."
Ela concordou com a cabeça e, em um impulso, se sentou no colchão ao lado dele e o abraçou – com cuidado para não agravar os ferimentos dele.
Ela chorou quando deitou a cabeça no peito dele e ouviu os batimentos daquele coração tão complicado. Ele estava bem, vivo, em Konoha e preocupado com ela. Ele não admitiria, mas ela sabia que aquilo era preocupação. Ele merecia saber.
Ele não se mexeu para retribuir o abraço. Talvez por ainda não conseguir mexer o seu único braço, e talvez simplesmente por não saber como. Era de conhecimento universal a dificuldade que Sasuke tinha com contatos físicos daquele tipo, e ela nunca cobraria algo que ele não pudesse nem quisesse retribuir. Só de ele não tê-la chutado para longe dali já era uma vitória para ela.
"Obrigada," ela sussurrou contra o peito dele.
"Por quê?"
"Por estar aqui."
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A.N.: Mais um (longo) capítulo. Espero que gostem!
Para os que ainda não sabem, eu fiz uma conta no tumblr com o mesmo nome do usuário daqui. Se tiverem interesse, deem uma olhada lá! Podem me mandar perguntas, cobranças, reclamações, qualquer coisa... Conversem comigo!
Obs.: mais alguém deu uma leve pirada no novo capítulo de Naruto (700+1)? Eu estou certa que tudo será esclarecido e que nada é o que parece ser.
Mais uma vez muito obrigada pelas reviews e espero que gostem de mais esse capítulo!
